Com o tema "Água e clima no Brasil das nascentes", o 27º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) reúne, entre os dias 16 e 21 de junho, na Cidade de Goiás, pesquisadores, artistas e especialistas para debater os desafios relacionados à água, ao clima e à conservação ambiental. Entre eles estão integrantes do Centro de Excelência em Segurança Hídrica do Cerrado (Cehidra Cerrado), da Universidade Estadual de Goiás (UEG), que participam da programação com experiências imersivas, produções audiovisuais e debates.
Um dos destaques da programação será a experiência interativa "O Cerrado no caminho das águas", no espaço Fica Compartilhado, entre os dias 17 e 20 de junho. Promovida pelo Programas Araguaia Vivo 2030, Programa de Pesquisa em Biodiversidade Araguaia (PPBio Araguaia), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade (INCT EECBio), Cehidra Cerrado e Coletivo Mulheres Cientistas em Rede – coordenados pela UEG –, a atividade convida o público a mergulhar nas paisagens, sons e histórias do Cerrado por meio de um planetário inflável.
Com projeções em formato fulldome, tecnologia que ocupa toda a superfície interna da cúpula e amplia a sensação de imersão, a mostra apresenta filmes e conteúdos audiovisuais em 360 graus. A experiência transporta os visitantes para diferentes cenários do bioma, ressaltando a importância do Cerrado para a conservação das águas e da biodiversidade em diversas regiões do país.
A professora Thais Oliveira, docente do curso de Cinema e Audiovisual da UEG, afirma que o objetivo de todos esses projetos é transformar conhecimento científico em experiências acessíveis e emocionantes, capazes de despertar no público um novo olhar sobre o Cerrado. "Como professora do curso, meu objetivo é usar as possibilidades que o audiovisual proporciona para contribuir para que o conhecimento científico ultrapasse os muros da universidade e alcance a sociedade de forma envolvente. A nossa experiência foi pensada em fulldome para criar uma experiência sensorial na tentativa de aproximar o público da ciência e dos temas ambientais”, salienta.
Filmes em exibição
Entre as produções que serão exibidas está "O Cerrado no caminho das águas", que acompanha o percurso das águas desde uma nascente do rio Araguaia até o mar, mostrando como rios, comunidades, ecossistemas e modos de vida estão conectados ao longo do trajeto. A produção destaca o papel do Cerrado como "berço" das grandes bacias hidrográficas brasileiras e ressalta a importância da conservação do bioma para a segurança hídrica nacional. O filme tem direção de Thais Oliveira, da profa. Andreia Juliana Rodrigues Caldeira (UEG), da publicitária Ana Clara Diniz e da professora Mariana Telles (PUC-GO e UFG), coordenadora do Programa Araguaia Vivo.
Também integra a programação o curta de animação "O mundo aquático de Micra", que acompanha a trajetória de uma microalga no rio Araguaia enquanto enfrenta problemas como mudanças climáticas, turismo predatório, desmatamento e a presença de fertilizantes e agrotóxicos. Com roteiro e direção das professoras Thais Oliveira e Fernanda Carneiro (UEG), a obra traduz de forma lúdica conceitos ecológicos relacionados à perda de habitat, à redução da biodiversidade e à eutrofização dos ambientes aquáticos.
Outra produção que será apresentada ao público no formato fulldome é a animação "Florinha do Cerrado", lançada no Fica de 2025 e adaptada especialmente para esta experiência imersiva. Dirigido por Charles Lima Ribeiro e pelas professoras Andreia Juliana Caldeira e Josana de Castro Peixoto (UEG), o filme é inspirado na coletânea infantojuvenil de mesmo nome, publicada pela Editora UEG. A produção acompanha a jornada da flor de ipê-amarelo Sara e das abelhas Déia e Jô pelo Cerrado, promovendo reflexões sobre flora, biodiversidade e conservação ambiental, em uma narrativa voltada ao público infantil.
Discussão científica
A participação do Cehidra Cerrado no festival também inclui o painel "Das Águas do Cerrado ao Clima do Planeta", que será realizado no dia 19 de junho, às 14h, no Pátio do Rosário. O debate reunirá um conjunto de pesquisadores para discutir a relação entre recursos hídricos, mudanças climáticas e a conservação do Cerrado. Representando a UEG estará a diretora-executiva do Cehidra, professora Samantha Caramori. Também participam a coordenadora do Araguaia Vivo, Mariana Telles, além dos pesquisadores Helga Wiederhecker, Angel Chovert, Juliana Franzão e Laerte Guimarães Ferreira Júnior.
Já no dia 20 de junho, das 9h às 11h, pesquisadores vinculados ao Cehidra apresentarão os projetos desenvolvidos pelo Centro na Tenda Multiétnica, espaço de diálogo intercultural organizado pela UEG em parceria com as secretarias de Estado da Educação (Seduc/GO) e de Desenvolvimento Social (Seds/GO), além da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal de Goiás (UFG).
A professora Samantha Caramori explica que a participação ocorrerá durante uma mesa-redonda dedicada ao tema da água. O objetivo é apresentar as primeiras ações planejadas ou já em execução pelo Centro de Excelência para 2026. Entre as iniciativas em destaque estão um boletim técnico do Cehidra, em fase de conclusão, e uma expedição científica prevista para agosto, voltada ao estudo da bacia do rio Vermelho e de seus riachos associados. A apresentação também incluirá ações de educação para segurança hídrica, como a produção de filmes e atividades práticas desenvolvidas em escolas da Cidade de Goiás, sob a coordenação da profa. Andreia Juliana.
Para o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEG, prof. Claudio Stacheira, a escolha do tema do Fica ressalta a relevância estratégica das pesquisas voltadas à segurança hídrica desenvolvidas no estado. Segundo ele, o Cerrado exerce papel fundamental no abastecimento das principais regiões hidrográficas brasileiras, o que torna a produção de conhecimento sobre água e clima uma prioridade científica.
"O Cerrado é um dos principais sistemas produtores de água do país e influencia diretamente 8 das 12 bacias hidrográficas brasileiras. A criação do Cehidra Cerrado representa o resultado do planejamento da UEG em estruturar pesquisas e inovação capazes de subsidiar políticas públicas e soluções para demandas sociais e produtivas relacionadas à segurança hídrica", destaca o professor. "Trabalhamos quase cinco anos desde as primeiras articulações para pautar a segurança hídrica como agenda científica em Goiás e criar o Cehidra na UEG. Hoje, ver essa agenda ganhar destaque no Fica demonstra que acertamos no planejamento e no resultado de sua execução, porque a questão da água entrou para o debate científico e o papel da UEG é estruturante em impulsionar a discussão e as propostas de solução dentro dos microterritórios”, afirma.
Sessão Araguaia Vivo
Além das exibições imersivas no planetário, a UEG também participa da Sessão Araguaia Vivo, que será realizada no dia 20 de junho, às 14h, na Sala Palácio da Instrução. Em formato convencional, em tela de cinema, a mostra reúne produções audiovisuais vinculadas ao programa e dirigidas por docentes e pesquisadores envolvidos nas ações do projeto. Entre os filmes que serão exibidos estão "Mulheres da pesca no Araguaia", "O mundo aquático de Micra" e "Turismo de natureza no Araguaia".
"Mulheres da pesca" é dirigido pela professora Thais Oliveira em parceria com a professora Mariana Telles (PUC-GO|UFG). O documentário traz histórias, vivências e a força das mulheres que fazem parte da cultura e da vida às margens do Araguaia. Um olhar sensível sobre território, tradição, protagonismo feminino e conexão com a natureza.
O filme "O mundo aquático de Micra", adaptado para o formato fulldome, também será apresentado ao público em sua versão convencional durante a sessão.
Já "Turismo de natureza no Araguaia", também dirigido pelas professoras Thais Oliveira e Mariana Telles, tem foco no turismo de observação de vida selvagem. A produção destaca uma alternativa ainda pouco explorada na região, especialmente durante o período de cheia do rio Araguaia, quando a pesca é interrompida para garantir a reprodução dos peixes. O filme mostra como a preservação ambiental pode impulsionar novas oportunidades de desenvolvimento econômico, cultural e turístico, promovendo uma relação mais harmoniosa entre natureza, ciência e sociedade.
Sobre o Cehidra Cerrado
Estrutura científica e tecnológica permanente, o Cehidra Cerrado integra pesquisa, inovação e soluções aplicadas voltadas à promoção do uso sustentável da água e ao fortalecimento das políticas de gestão hídrical. Com sede no Câmpus Central da UEG, em Anápolis, o Centro reúne pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento para desenvolver estudos e tecnologias voltados aos desafios da segurança hídrica, das mudanças climáticas, da recuperação de ambientes aquáticos e da sustentabilidade.
Com investimento total de R$ 23 milhões – R$ 15 milhões provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e R$ 8 milhões da própria UEG, por meio de sua política de fomento à pesquisa e à pós-graduação –, a iniciativa busca articular conhecimento científico e saberes populares na construção de soluções para problemas complexos relacionados à água, contribuindo para consolidar a universidade como referência em pesquisas sobre o Cerrado e seus recursos naturais.
Serviço - Participação do Cehidra Cerrado no Fica 2026
Cinema imersivo "O Cerrado no caminho das águas"
Local: Espaço Fica Compartilhado
Data: 17 a 20 de junho
Horário: 9h às 19h
Painel – "Das águas do Cerrado ao clima do planeta"
Local: Pátio do Rosário
Data: 19 de junho
Horário: 14h
Mesa-redonda: apresentação dos projetos do Cehidra na Tenda Multiétnica
Local: Praça do Chafariz
Data: 20 de junho
Horário: 9h às 11h
Sessão Araguaia Vivo – Exibição de filmes com participação da UEG
Local: Sala Palácio da Instrução
Data: 20 de junho
Horário: 14h
(Comunicação Setorial|UEG)