
Meu olhar sobre o mundo encontra-se na sensibilidade e na admiração pelo estranho e pelo experimental. Interesso-me pela descoberta de novos horizontes e por diferentes formas de reimaginar histórias, sempre buscando expandir as possibilidades do olhar. É nessa abertura ao novo que encontro inspiração para imaginar outras maneiras de ver, sentir e compreender o mundo.

O mundo é um ambiente de possibilidades e o audiovisual é onde podemos criar mundos: novos, diferentes, únicos! Mundos onde o que não pode encontra espaço para acontecer e pra mim é essa potência que fortalece o impacto das criações que, coletivas, podem alcançar multidões

Vivo em um estado de constante maravilhamento com o cotidiano. Minha mente na verdade funciona como um projetor ligado, criando pequenos filmes a todo momento: na forma como a luz toca um objeto, em um som ao fundo, compondo músicas em minha mente ou ao imaginar a história de um desconhecido que passa por mim. Essa sensibilidade, me levou desde cedo a extrair magia e ludicidade de cenários simples, é o que molda as lentes que uso hoje. Estudo cinema para transformar esse olhar silencioso em tela, dando palco, luz e o papel principal para as miudezas do mundo.

Acredito que a sensibilidade humana é o que há de mais poderoso em nós. Pra mim, o cinema é o espaço, o meio e o destino de expressar universos internos e mundos coletivos, encontrando com outras pessoas que querem compartilhar esse mesmo caminho.

Acredito que cinema tem o poder de transformar o mundo, qualquer que seja a forma em que ele se manifeste. Do menor dos filmes independetes ao maior do blockbusters, sempre encontro algo que muda um pedacinho de mim a cada novo filme.

Meu mundo é o cinema, pra mim essa é uma das artes mais poderosas que existem. A capacidade de despertar gostos, traumas, sensações, o cinema é uma arte coletiva que permite que a gente se expresse através da imagem e do som das mais diferentes formas possíveis. O mundo é muito grande, e não é único. Acredito que o cinema é o que pode unir tantos mundos em um só, representar histórias, pessoas, realidades que não conhecemos. Reconhecer esse valor e trabalhar com audiovisual pra mim é um ato de resistência, pra que o mundo não esqueça a importância da arte nesse mundo, e em todos os outros.

O tempo me facina. O envelhecimento, a mudança, a entropia. Tudo isso me fascina com melancolia.O que passou, passou e o que hoje passa, não para. Selvagem, o tempo guia tudo ao esquecimento, e o cinema, recortando fragmentos de tempo pela câmera, tenta moldá-lo e controlá-lo. Esse registro, essa confecção, reluz a alma. O fato de ser uma tentativa de não esquecer e de não ser esquecido revela uma face intrigante de nossa humanidade: o medo de se perder, engulido por esse rio insólito — o tempo.

O cinema permite que mundos distintos e distantes se conectem ou se desafiem. Pesquisar a vida, transformar olhares, ensinar e aprender são as formas que uso do audiovisual para criar mundos nos encontros e coletividades que a vida proporciona.

Busco um olhar mais simples e intimista sobre o mundo, procuro por histórias capazes de criar grandes conexões nos menores aspectos da vida. No cinema, busco ser versátil, trazer o meu olhar para as diferentes áreas criativas, e de certa forma, evoluir por meio de uma autocrítica e reflexividade.
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