

O segundo dia do 5º Encontro das Escolas de Cinema e Audiovisual do Brasil Central, realizado nesta quinta-feira (18), na cidade de Goiás, foi marcado por reflexões sobre memória, formação audiovisual e novas formas de contar histórias.A manhã teve início com a homenagem a Eudaldo Guimarães, diretor e cinegrafista cuja trajetória está diretamente ligada ao desenvolvimento do audiovisual goiano.
Reconhecido por sua atuação na formação de novos realizadores, no fortalecimento de festivais e no incentivo ao cinema independente, Eudaldo recebeu o reconhecimento do Encontro diante de um público formado por estudantes, profissionais e representantes de instituições de ensino."É muito positivo receber essa homenagem ainda em vida, porque geralmente os cineastas só são reconhecidos quando já não podem mais fazer filmes. Eu estou na ativa, e isso me estimula e me incentiva a seguir produzindo e criando.", afirmou o homenageado.

Na sequência, o público acompanhou o painel Olhos e ouvidos: podcast e audiovisual em diálogo, que reuniu profissionais com atuação destacada no campo do áudio, do jornalismo narrativo e da produção sonora para cinema e audiovisual. Participaram da mesa Flora Thomson-DeVeaux E Paula Scarpin, da Rádio Novelo e a egressa do curso de Cinema e Audiovisual da UEG, Mikaela Pasa. O debate abordou as transformações do mercado de podcasts, as possibilidades narrativas do som e as conexões cada vez mais presentes entre o audiovisual e as produções em áudio.

Para a diretora de criação da Rádio Novelo, Paula Scarpin, o encontro foi uma oportunidade para discutir as relações entre o audiovisual, o jornalismo em áudio e o documentário sonoro, áreas que têm se aproximado cada vez mais. “A gente tem tanto essa experiência de pegar histórias que foram feitas em audiovisual e trazer para o Rádio Novelo Apresenta, quanto licenciar nossos projetos de áudio para serem adaptados para o audiovisual”, explicou.
Mikaela Pasa destacou a relevância do encontro entre profissionais de diferentes trajetórias dentro do universo do áudio. Ela contou que já conhecia Paula Scarpin e Flora Thomson-DeVeaux de outros trabalhos e encontros profissionais, o que tornou a conversa ainda mais produtiva. Enquanto as representantes da Rádio Novelo possuem ampla experiência com documentários sonoros, Mikaela desenvolve atualmente uma audiossérie ficcional, possibilitando uma troca de perspectivas sobre diferentes formatos narrativos. “É legal essa troca de experiência, porque elas têm muito da experiência de produtos sonoros em documentário, e agora eu estou com uma audiossérie ficcional. A gente consegue trocar até dentro do próprio meio”, observou.
Como exemplo, Mikaela relembrou sua própria trajetória acadêmica. Ao ingressar no curso, imaginava seguir na direção de arte, mas acabou encontrando outros caminhos ao longo da formação. “Eu fui experimentando cada área que o curso ofertava. Não se apeguem muito à área que vocês gostam, porque as outras áreas também vão agregar àquela que vocês estão desenvolvendo”, disse.
Para Flora Thomson-DeVeaux, o encontro evidenciou as conexões cada vez mais estreitas entre o universo do áudio e o audiovisual. Segundo ela, existe um diálogo profundo entre as narrativas desenvolvidas em formatos como audiodocumentários, audiosséries e podcasts e aquelas construídas para o cinema e outras linguagens audiovisuais. Flora destacou que uma mesma história pode ganhar diferentes formas de expressão, transitando entre os meios por meio de adaptações e trocas criativas. “Dá para contar a mesma história dos dois jeitos, fazendo adaptações”, afirmou. Para Flora, um dos aspectos mais enriquecedores da participação no V Encontro das Escolas de Cinema e Audiovisual do Brasil Central foi justamente a oportunidade de compartilhar com estudantes e profissionais as potencialidades do áudio como linguagem narrativa. “Ficamos muito felizes de falar das possibilidades do áudio e de como ele participa da experiência narrativa”, disse.

Durante a programação da tarde, foi realizada a apresentação da terceira temporada da série Ekobé: vida que vem da terra. A atividade apresentou ao público os novos episódios e os processos de produção da série. Ao discutir o lixo, a reciclagem, a poluição e a gestão de resíduos, Ekobé evidencia desafios que se manifestam em diversos ecossistemas, biomas e contextos sociais, revelando como questões percebidas localmente fazem parte de um debate ambiental que é compartilhado em escala global.
Com atividades voltadas à memória audiovisual, às narrativas sonoras e à produção universitária, o segundo dia do Encontro reforçou a proposta do evento de promover o intercâmbio de experiências e o fortalecimento das redes de formação e produção audiovisual na região.
A programação será encerrada nesta sexta-feira (19), com o lançamento de publicações ligadas ao cinema e à pesquisa acadêmica, o painel Autoria difusa: autenticidade em um mundo fragmentado e o VIII IFIDEVIDULA.
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