Um estudo internacional publicado pelo Botanical Journal of the Linnean Society, periódico científico de referência mundial na área de Botânica e vinculado à tradicional The Linnean Society of London, traz novos avanços sobre a evolução e a distribuição global do gênero Crudia, grupo de árvores típicas de florestas tropicais úmidas.
A pesquisa, intitulada “Biogeography and evolution of the pantropical rainforest genus Crudia (Leguminosae, Detarioideae)”, é resultado de uma colaboração internacional que reuniu cientistas da Université de Montréal (Canadá), da Universidad de Córdoba (Espanha), da Universidade Estadual de Feira de Santana (Bahia) e da Universidade Estadual de Goiás (UEG). O estudo conta com coautoria do professor Rafael Barbosa Pinto, da Unidade Universitária de Iporá, ampliando a inserção da universidade em redes globais de pesquisa em Sistemática Vegetal e Biogeografia.
O trabalho investigou a origem e a história evolutiva do gênero Crudia, composto por 37 espécies de árvores distribuídas na África, América do Sul e Sudeste Asiático. Muitas dessas espécies ocorrem em florestas inundáveis, ambientes caracterizados por variações sazonais no nível da água e condições ecológicas específicas. No Brasil, são comuns as espécies conhecidas popularmente como "orelha-de-cachorro" (região amazônica), "rim-de-paca" (Pará) e "castanha-de-burro" (Maranhão).
Com base na análise de cinco marcadores nucleares de DNA, os pesquisadores reconstruíram a filogenia do grupo e estimaram os períodos de divergência entre as linhagens. Os resultados confirmaram que Crudia constitui um grupo evolutivamente bem definido (monofilético) e revelaram uma forte estrutura geográfica, com um conjunto de espécies asiáticas formando um grupo distinto das espécies africanas e americanas.
As análises indicam que o gênero teve origem na África durante o período Eoceno, há cerca de 45 milhões de anos, e que sua distribuição atual foi moldada por eventos históricos de dispersão entre continentes. O estudo discute hipóteses que envolvem antigas conexões terrestres e possíveis dispersões transoceânicas, contribuindo para o entendimento da formação e da dinâmica das florestas tropicais modernas.
Contribuição para a ciência
Ao integrar ecossistemas tropicais alagáveis, as espécies do gênero desempenham papel relevante na estutura da floresta, participando da dinâmica de nutrientes e influenciando ciclos ecológicos associados à matéria orgânica e à fertilidade e estabilidade do solo. Por estarem associadas a ecossistemas sensíveis às mudanças climáticas e ao desmatamento, também podem funcionar como indicadoras da saúde ambiental dessas áreas.
Além de aprofundar o conhecimento sobre a evolução de plantas tropicais, o artigo traz implicações para a taxonomia do grupo, ao comparar dados moleculares com características morfológicas tradicionalmente utilizadas na identificação das espécies. Para o professor Rafael Barbosa Pinto, o trabalho ressalta a relevância das pesquisas desenvolvidas na UEG para o avanço do conhecimento sobre a biodiversidade vegetal em âmbito internacional.
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