A Universidade Estadual de Goiás (UEG) e a Rede Brasileira do Bambu (RBB) receberam, na última quinta-feira, 5, a delegação da Zhejiang Agriculture and Forestry University, da China, para o II Workshop Internacional Brasil e China – “Pesquisas e Estratégias de Colaboração sobre Sustentabilidade, Ecologia e Bambu”. Atualmente, a rede está sediada na UEG e é presidida pela professora Ana Elizabete Teixeira, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo, no Câmpus Central, em Anápolis.
A visita integra a agenda de cooperação acadêmica e científica entre Brasil e China, que segue até o dia 11 de fevereiro, com atividades programadas em diferentes cidades brasileiras. Em Goiás, a delegação chinesa participa de compromissos institucionais em Anápolis e Goiânia, voltados ao fortalecimento de parcerias em pesquisa, ao intercâmbio acadêmico e ao desenvolvimento de iniciativas conjuntas com a UEG, a RBB|UEG e a Rede Bambu Goiás, ligada à Universidade Federal de Goiás (UFG).
Na UEG, a recepção oficial à delegação e o workshop foram realizados no Auditório da Agência de Inovação (Inova|UEG), no Câmpus Central, onde os pesquisadores chineses receberam as boas-vindas do reitor da UEG, prof. Antonio Cruvinel. O encontro contou ainda com a participação dos pró-reitores Roberto Barcelos (Graduação) e Sandra Máscimo (Extensão e Assuntos Estudantis), além de estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos da universidade.
Liderada pelo professor Xinzhang Song, a comitiva chinesa foi composta por cinco pesquisadores que coordenam projetos voltados à inovação industrial e ao uso do bambu na China. Durante o workshop, os visitantes apresentaram estudos desenvolvidos com uso do bambu, compartilhando experiências e metodologias de pesquisa adotadas no contexto chinês. Entre os temas abordados estiveram o bambu como alternativa ao plástico, aplicações na construção e em produtos alimentícios e outras inovações associadas às cadeias produtivas do bambu.
Para o reitor da UEG, a visita da delegação chinesa representa a consolidação de um trabalho que vem sendo desenvolvido pela universidade. “Uma alegria poder participar desse momento e saber que a UEG vem crescendo e se desenvolvendo e, agora, com parceiros internacionais como a China, que se aproxima cada vez mais da universidade, com a possibilidade de avançarmos nas pesquisas com o bambu”, frisou.
A Zhejiang Agriculture and Forestry University é uma instituição pública fundada em 1958. Trata-se de uma universidade multidisciplinar, com destaque nas áreas de agricultura, silvicultura, biologia e ciências ambientais, reconhecida por suas pesquisas em agroecossistemas sustentáveis e por ser referência nos estudos relacionados ao bambu.
Pesquisa na UEG
Representando a UEG, a profa. Ana Elizabete Teixeira apresentou as pesquisas desenvolvidas na universidade, que envolvem os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil, Ciências Biológicas e Engenharia Agrícola, além das atividades do Núcleo de Pesquisa em Materiais Sustentáveis e Fibras Naturais (Nupmat|UEG), coordenado por ela e sediado no Câmpus Central, em Anápolis.
“Fico muito feliz de poder contribuir com as pesquisas com o uso dessa matéria-prima tão rica, especial e abundante”, afirmou a professora, ao destacar o bambu como um ativo ambiental que desempenha, ao longo da história da humanidade, um papel estratégico. Segundo ela, o bambu pode assegurar renda complementar, geração de emprego e identidade cultural para populações tradicionais e mais carentes, com relevância em nível nacional e internacional.
De acordo com a professora, a cadeia produtiva do bambu movimenta cerca de 70 bilhões de dólares por ano no mundo. A China é o maior produtor e consumidor mundial e lidera a industrialização do bambu. No Brasil, há cerca de 4,5 milhões de hectares plantados, com produção estimada em 150 mil toneladas ao ano, além de condições de clima e solo favoráveis ao cultivo da planta em todas as regiões do país.
Rede Brasileira do Bambu
A Rede Brasileira do Bambu é uma iniciativa que envolve diversos setores interessados no cultivo, uso e difusão do bambu no país. Seu principal objetivo é promover a convergência de atividades científicas, profissionais, tecnológicas e culturais em nível nacional, por meio de projetos e ações cooperativas.
“Buscamos a qualificação humana, a informação, juntamente com as demandas socioeconômicas, visando a melhoria da qualidade de vida da população, sobretudo carente”, ressaltou a profa. Ana Elizabete. A rede foi criada em 2006, na Universidade de Brasília (UnB), a partir de iniciativas como o Seminário Nacional do Bambu, articulando pesquisadores, técnicos e organizações dos setores público e privado.
A RBB tem entre seus eixos de atuação a escolha de espécies, o cultivo e manejo, a preservação e o tratamento para ampliação da vida útil do material. Também atua pela regulamentação da Lei nº 12.484/2011, que estabelece diretrizes para o manejo sustentável e o cultivo do bambu no país, ainda dependente de decretos para aplicação na prática.
Atualmente, as pesquisas desenvolvidas pela rede abrangem temas como a substituição do plástico por bambu, biodiversidade e ecologia, potencial energético, química industrial, alimentação, medicina, cosmética, além de aplicações na construção civil, arquitetura, engenharia civil e design, bem como estudos sobre sequestro de carbono. A profa. Anelizabete destaca ainda a importância da instituição da Norma Brasileira do Bambu, em 2020, resultado da atuação direta da rede e considerada um marco para o avanço do uso do bambu na construção civil no país.




(Comunicação Setorial|UEG)