O 5º Encontro das Escolas de Cinema e Audiovisual do Brasil Central teve início na última quarta-feira, 17, na cidade de Goiás, reunindo estudantes, professores, pesquisadores e profissionais do setor para três dias de debates, intercâmbios e atividades voltadas à formação e ao fortalecimento do audiovisual brasileiro. Integrando a programação do 27º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), o evento promove reflexões sobre os desafios contemporâneos da área, a circulação de obras, os processos de criação e as transformações que atravessam o cinema e o audiovisual no país.
A programação começou pela manhã, no Jardim do Palácio Conde dos Arcos, com a cerimônia oficial de abertura do evento. Em sua fala, o reitor da UEG, prof. Antonio Cruvinel, destacou a relevância do Encontro para a trajetória do curso de Cinema e Audiovisual da instituição e para o papel da universidade pública na formação de profissionais comprometidos com a sociedade. Segundo ele, o cinema é uma ferramenta fundamental para a promoção da dignidade humana, dos direitos humanos e da identidade cultural, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros urbanos. “O cinema é uma importante ferramenta para a promoção da dignidade humana, dos direitos humanos, da identidade cultural. É uma ação estratégica que a Universidade Estadual de Goiás promove para a formação de profissionais de alto valor agregado para a sociedade”, afirmou.
Também presente na cerimônia, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEG, prof. Claudio Stacheira, ressaltou a importância da realização do Encontro dentro da programação do Fica e o protagonismo crescente do curso de Cinema e Audiovisual da universidade. Para ele, iniciativas como essa fortalecem a formação acadêmica, ampliam a visibilidade das produções desenvolvidas na instituição e contribuem para os processos de desenvolvimento cultural do estado e do país.
Stacheira destacou ainda o potencial do audiovisual como instrumento de representação e valorização da diversidade brasileira. “O cinema é uma importante ferramenta, uma importante forma de dar voz, dar vez e mostrar toda a riqueza cultural e sociocultural que existe no nosso país”, disse.

Durante a abertura, os participantes também acompanharam a inauguração da exposição fotográfica "Fotografia Líquida", concebida em diálogo com o tema desta edição do Encontro, “Cinema Líquido”. A mostra propõe reflexões sobre imagem, transformação e movimento, aproximando a linguagem fotográfica das discussões centrais do evento.
Ainda pela manhã, o público participou do painel "Audiovisual em fluxo: plataformas, circulação e modelos de produção", que discutiu os desafios contemporâneos da distribuição audiovisual, o papel das plataformas digitais e as possibilidades de circulação para obras independentes. A conversa reuniu Luciana Damasceno, fundadora da plataforma Cardume, e Geórgia Araújo, fundadora da produtora Coração da Selva, que compartilharam experiências relacionadas à produção, distribuição e sustentabilidade de projetos audiovisuais em diferentes contextos do mercado brasileiro.
Ao apresentar a experiência da Cardume, plataforma de streaming dedicada a curtas e médias-metragens brasileiros, Luciana Damasceno abordou os desafios de ampliar o alcance do audiovisual independente para além dos circuitos especializados. Segundo ela, um dos principais objetivos da iniciativa é criar estratégias para que obras brasileiras alcancem públicos que normalmente não têm contato com esse tipo de produção.
A produtora destacou ainda que a circulação dessas obras enfrenta obstáculos que vão desde a resistência de parte do público ao cinema nacional até a concorrência desigual com grandes plataformas internacionais. “Temos um desafio enorme de vencer uma barreira de preconceito em relação ao audiovisual brasileiro e também uma barreira econômica. Como fazemos para que o nosso conteúdo seja competitivo? A Cardume tenta escorrer pelas beiradas e criar formas para que o público experimente esse conteúdo e queira ver mais”, afirmou.
Já Geórgia Araújo refletiu sobre as transformações do audiovisual contemporâneo e sua presença cada vez mais ampla em diferentes formatos e plataformas. A produtora destacou que, embora os meios de exibição tenham se diversificado, a essência do cinema permanece ligada à capacidade de contar histórias.
“Não importa a tela, não importa o formato. O específico do cinema é contar histórias. Onde houver storytelling, existe a relação das pessoas com aquela obra audiovisual”, afirmou. Ao relacionar o debate ao tema do Encontro, Araújo ressaltou que o audiovisual extrapolou os limites tradicionais do cinema e passou a ocupar um papel central na comunicação contemporânea. Segundo ela, a expansão das narrativas para múltiplas plataformas amplia as possibilidades de atuação profissional e exige novas formas de compreensão do setor.
“O audiovisual ocupa hoje não só o espaço da arte audiovisual, mas o espaço de quase toda a comunicação do planeta. Ignorar que ele precisa se expandir e que nosso conhecimento de contar histórias pode ser útil nessa diversidade de formatos é deixar de compreender a força que o audiovisual tem na sociedade contemporânea”, concluiu.

No período da tarde, o Encontro promoveu uma rodada de conversa entre representantes de escolas e cursos de Cinema e Audiovisual. A atividade teve como objetivo fortalecer o intercâmbio entre instituições, compartilhar experiências acadêmicas e discutir perspectivas para a formação de profissionais do audiovisual.
Ao longo do debate, foram abordadas questões relacionadas à estrutura dos cursos, aos desafios da formação prática, às oportunidades de cooperação interinstitucional e às transformações do mercado audiovisual brasileiro.
Representando o curso de Cinema e Audiovisual do Instituto Federal de Goiás (IFG), o professor e coordenador Renato Naves Prado destacou a importância da rodada de conversa entre as escolas de Cinema e Audiovisual do Centro-Oeste como um espaço de troca e articulação entre instituições. Segundo ele, o encontro permite conhecer produções e experiências desenvolvidas em diferentes contextos, além de estimular parcerias futuras.
“É uma oportunidade muito interessante para a gente conversar com colegas do Centro-Oeste”, afirmou. Renato ressaltou ainda que os diálogos estabelecidos durante o evento frequentemente se transformam em ações concretas de colaboração. “Daqui sempre sai uma ideia de uma ação, de uma colaboração futura que a gente implementa”, disse. Para o professor, a expectativa em relação ao encontro era a melhor possível, especialmente pela oportunidade de fortalecer as redes de cooperação entre os cursos da região.

Encerrando a programação do primeiro dia, o Palácio da Instrução recebeu a 3ª Mostra de Cinema Universitário "Visões de futuro". Numa noite emocionante, o público e os realizadores das sete universidades participantes prestigiaram 11 produções universitárias e ouviram com expectativa a decisão dos jurados. Neste ano, os vencedores foram:
1) "Partes de mim que eu esqueci", com direção de Martins Samara, da UEG; 2) "Onâ", com direção de Clara Maria e Mavi Afroindie, do IFB Recanto das Emas; e 3) "Atitudinal", com direção de César Rodríguez Pulido, do IFG Cidade de Goiás. O juri também decidiu outorgar uma Menção Honrosa à obra "O último ato", dos estudantes do terceiro período do curso de Cinema do IFG Cidade de Goiás.
A programação do 5º Encontro das Escolas de Cinema e Audiovisual do Brasil Central continua nesta quinta-feira, 18, com homenagem ao cineasta e diretor de fotografia Eudaldo Guimarães, o painel "Olhos e ouvidos: podcast e audiovisual em diálogo", além de atividades voltadas às TVs universitárias e da realização da VIII edição do Ifidevidula – Festival de Videoclipes.