Estudantes do curso de Design de Moda da Universidade Estadual de Goiás (UEG) mostraram todo seu talento e conhecimento na final do Concurso de Moda - Amarê Fashion 2025, promovido pelo Sebrae Goiás. O concurso ocorreu no dia 17 de novembro de 2025 na sede do Sebrae, em Goiânia.
A etapa final do Amarê Fashion 2025, reuniu dez projetos finalistas, dentre os quais seis coleções foram desenvolvidas por estudantes do curso de Design de Moda. Pelo terceiro ano consecutivo, a UEG figurou entre os destaques da premiação e, na edição de 2025, conquistou dois dos três reconhecimentos concedidos, com as coleções Afro Dé Cor e Concreto Vivo. O resultado garantiu, ainda, o bicampeonato dos estudantes Jessyka Gomes de Macedo e Yago Vindex Gomes Macedo.
Diferentemente de concursos tradicionais, o Amarê Fashion não estabelece primeiro, segundo e terceiro lugares. A premiação reconhece os três melhores destaques da noite, definidos a partir da avaliação da comissão julgadora.
De acordo com a coordenação do curso, Professora Carla Barros do Nascimento, "o desempenho reafirma a excelência técnica, criativa e crítica da formação ofertada pela UEG, além de simbolizar o início das comemorações pelos 20 anos do curso de Design de Moda da UEG, a serem celebrados em 2026".
Entre as coleções destacadas, Concreto Vivo evidenciou-se por sua leitura contemporânea da Art Déco goianiense, utilizando a moda como instrumento de memória, reflexão e resistência cultural.
Já a coleção Afro Dé Cor, também premiada no concurso, destacou-se por enaltecer as linhas monumentais do Déco, marcadas por ângulos firmes, simetria e sofisticação, além de contar com elementos que se inspiram e dialogam com a espiritualidade do Egito Antigo.
A cocriadora da coleção Afro Dé Cor e estudante do Curso de Design de Moda UEG, Jessyka Gomes de Macedo, em depoimento, descreve o processo criativo da coleção Afro Dé Cor a partir de um "chamado ancestral, fundamentado não apenas em aspectos estéticos, mas na escuta sensível do corpo, da memória, do território e do tempo. O desenvolvimento do trabalho constituiu um mergulho entre passado e futuro, no qual a Art Déco goiana, o Afrofuturismo, a geometria sagrada e a arte egípcia dialogaram como referências vivas e integradas".
A coleção foi concebida como uma construção de pontes simbólicas. As linhas monumentais do Déco, marcadas por ângulos firmes, simetria e sofisticação, estabeleceram diálogo com a espiritualidade do Egito Antigo, em que a forma assume caráter simbólico, protetivo e ritualístico. Cada traço e cada geometria foram pensados de maneira intencional, carregando significados específicos.
O Afrofuturismo contribuiu como eixo conceitual que possibilitou imaginar futuros possíveis sem romper com a ancestralidade, mas, ao contrário, ampliando-a. Nesse contexto, o corpo negro é compreendido como agente ativo da criação, transformando-se em eixo central da narrativa estética e simbólica da coleção.
"O processo criativo ocorreu de forma intuitiva, sensorial e espiritual. As peças foram desenhadas como monumentos contemporâneos e vestidas como rituais, nos quais volumes, ângulos e recortes funcionam como passagens entre tempos distintos. Cada elemento foi concebido como portador de memória, resistência e projeção de futuro.
Mais do que a criação de vestuário, Afro Dé Cor propõe narrativas vestíveis. Trata-se de um processo vivo, no qual arte, espiritualidade e design se entrelaçam, constituindo um tributo à ancestralidade e um manifesto voltado ao amanhã", afirma a Cocriadora da coleção, Jessyka Gomes de Macedo.
Ainda emocionada pela premiação de Destaque no Amarê Fashion 2025, a Cocriadora da coleção Concreto Vivo, a estudante de Design de Moda, Isa Lobo de Oliveira, afirma que a inspiração criativa veio a partir de "elementos da Art Déco de Goiânia. Este estilo arquitetônico e patrimônio histórico da cidade é marcado pela geometria e pela expressividade. Esse movimento fundamenta a estrutura dos looks e orienta a construção formal das peças".
Entretanto, a proposta não se baseia em uma visão idealizada do Art Déco. A coleção parte da observação cotidiana do centro da cidade, onde esse patrimônio se apresenta desgastado, pichado e atravessado pelo tempo. Essa condição atual integra o conceito da coleção e se manifesta visualmente nas peças.
"Os looks foram desenvolvidos de maneira a evidenciar os elementos arquitetônicos do Art Déco, enquanto a pichação surge como registro simbólico da forma como esse patrimônio é percebido e tratado na contemporaneidade. Trata-se de um reflexo do presente, e não de uma representação estética romantizada.
Concreto Vivo apresenta, assim, um olhar jovem sobre um movimento histórico, evidenciando não apenas sua origem, mas, sobretudo, a maneira como ele se mantém vivo e ressignificado no contexto urbano atual, destaca Isa Lobo de Oliveira.
Além das coleções destaque Afro Dé Cor, de Jessyka Gomes de Macedo e Yago Vindex Gomes Macedo, do 6º período de Design de Moda e da coleção Concreto Vivo, de Isa Lobo de Oliveira e Richard Ian Silva, do 8º período, também representaram a UEG as coleções: AXÍS, de Edigar Ferreira Ferres, do 2º período; Linhas de uma Nova Era, de Elisa Vilar Ferreira Belo e Sofia Cordeiro de Souza, do 6º período; Glamour Déco, de Samara Soares da Silva, do 8º período; e Solene, de Izabella Vitória Campos Rezende, também do 8º período.
Concursos de Moda como o Amarê Fashion são importantes para incentivar novos designers da moda goiana e mostrar que o curso de Design de Moda da UEG, possui um excelente corpo técnico de professores, laboratórios modernos e bem equipados que contribuem para a formação de nossos estudantes e na revelação de novos talentos do universo fashion.
Fonte: Site UEG; Curso de Design de Moda UEG - Trindade.
Fotografias: Carla Barros do Nascimento (Professora do Curso de Design de Moda - UEG)

