A biodiversidade do Cerrado goiano acaba de ganhar um novo capítulo de destaque na ciência farmacêutica mundial. Pesquisadores da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em colaboração com outras instituições de ensino, publicaram um estudo inédito que identifica o potencial antioxidante e a riqueza química da planta Justicia thunbergioides, uma espécie nativa da região.
O artigo, intitulado "Phytochemical Profiling and Antioxidant Activity of Justicia thunbergioides (Lindau) Leonard (Acanthaceae): A Promising Source of Therapeutic Metabolites", foi publicado em março de 2026 na prestigiada revista científica Pharmaceuticals (MDPI). O trabalho conta com a autoria dos professores e pesquisadores da UEG, Marcos Rodrigo Beltrão Carneiro e Alisson Martins-Oliveira, além da colaboração da Profa. Josana de Castro Peixoto (UEG/UniEVANGÉLICA).
A pesquisa concentrou-se na análise das folhas da Justicia thunbergioides, coletadas às margens da rodovia de Corumbá, no trajeto para Cocalzinho de Goiás. Utilizando técnicas avançadas de cromatografia e espectrometria de massa, o grupo identificou 40 constituintes químicos na planta, incluindo metabólitos de grande interesse para a saúde humana.
Entre as principais substâncias encontradas estão:
Vitamina E (alfa-tocoferol): Conhecida por sua potente ação contra radicais livres e propriedades preventivas contra o câncer.
Beta-Sitosterol: Um fitosterol reconhecido pela capacidade de reduzir o colesterol e por suas propriedades anti-inflamatórias.
Esqualeno e Sesamina: Compostos com bioatividade comprovada na proteção celular e combate ao estresse oxidativo.
Um dos pontos mais relevantes do estudo foi a avaliação da atividade antioxidante. O extrato metanólico da planta apresentou uma eficácia tão significativa que superou o ácido gálico, um controle padrão utilizado mundialmente em laboratórios para medir o poder antioxidante.
A publicação reforça a importância da UEG na preservação e estudo do bioma Cerrado. O estudo demonstra que plantas muitas vezes desconhecidas pela população podem esconder segredos terapêuticos valiosos para o tratamento de doenças crônicas ligadas ao estresse oxidativo, como câncer e problemas cardiovasculares.
Para a comunidade acadêmica da UEG, especialmente na Unidade de Palmeiras de Goiás, este resultado serve como inspiração e prova da qualidade da pesquisa desenvolvida no interior do estado, que alcança visibilidade global e projeta os pesquisadores goianos na vanguarda da bioprospecção de novos fármacos.
*** Equipe de Pesquisa: A equipe multidisciplinar envolveu especialistas da UEG (Campus Central e Unidade de Palmeiras de Goiás), Centro Universitário de Anápolis (UniEVANGÉLICA), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de Goiás (UFG).