O ensino em benefício da sociedade. Assim pode ser definido um dos serviços mais tradicionais e procurados na Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia de Goiás (Eseffego): a Clínica-escola do curso de Fisioterapia. O atendimento é feito pelos acadêmicos do 8° e 9° períodos do curso de Fisioterapia, supervisionados por professores especialistas. Fundada em dezembro de 1998, a clínica tem o objetivo de oferecer à população atendimento em caráter ambulatorial e gratuito, previamente agendado. A prioridade dos atendimentos é para pessoas de baixa renda e que sejam encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os tratamentos na clínica se concentram em duas áreas: fisioterapia neurofuncional e fisioterapia em músculo esquelético. No primeiro, os atendimentos são para pacientes com sequelas graves, que sofreram, por exemplo, acidente vascular cerebral (AVC); doença de Parkinson; distrofia grave, em virtude de problemas neurológicos, entre outros. Nesses casos os pacientes têm, de forma geral, sequelas motoras e neurológicas, com comprometimentos tanto da movimentação física quanto da atividade cerebral. Para esses atendimentos as sessões de fisioterapia são mais longas, tendo como consequência uma menor rotatividade de vagas.
Já o tratamento na fisioterapia em músculo esquelético é voltado para pessoas que sofreram traumas menos complexos. Os atendimentos são feitos principalmente nas áreas de ortopedia e reumatologia. De acordo com a coordenadora da Clinica-escola, Tânia Cristina Dias, os pacientes atendidos na fisioterapia esquelética geralmente buscam restabelecer a mobilidade para executar atividades rotineiras. Também é realizado um atendimento diferenciado para pacientes com queimaduras, encaminhados pelo Hospital de Queimaduras de Goiânia.
Na fisioterapia músculo-esquelética, o tratamento, por ser menos complexo, possibilita um fluxo maior de pessoas atendidas. Segundo a coordenadora Tânia Cristina, o tempo de duração do tratamento depende exclusivamente da evolução do paciente. Mas na área músculo-esquelética geralmente esse tempo é menor. “Tem alguns pacientes que em duas semanas já recebem alta. Mas existem também outros que necessitam de um maior tempo, que fazem as sessões por três meses ou mais”, conta.
A capacidade de atendimento na área neurológica é de 60 pacientes e 510 sessões mensais. Dados de 2009 mostram que foram atendidos 800 pacientes e realizadas 4,8 mil sessões. Já na área de fisioterapia músculo esquelética os números são bem mais altos. No mês de março deste ano foram atendidas 140 pessoas, que realizaram mais de mil sessões. Os dados do ano passado mostram que foram atendidas 1.850 pessoas, somando um total de quase 12 mil sessões.
Atendimento
O aposentado Rubens Rodrigues de Araújo não encontrou problemas nem demorou para conseguir uma das vagas para fazer fisioterapia na Clínica-escola. Araújo vem sofrendo com sucessivos problemas ortopédicos e em todos eles precisou de fisioterapia. Por isso, há mais de um ano faz tratamento na clínica. A primeira vez que precisou das sessões foi quando teve uma queimadura profunda e precisou fazer tratamento a laser e sessões para recuperar a área queimada. Após isso, ele teve de tratar um rompimento do tendão do ombro e, posteriormente, teve de fazer uma cirurgia de osteotomia para alinhar o osso femural.
Atualmente, Rubens Araújo faz tratamento de uma estenose lombar no canal medular, que estreita o canal vertebral e desgasta a estrutura da coluna, provocando dor e diminuição da força. Na clínica ele realiza exercícios para diminuir o avanço da doença e também dar equilíbrio e estabilidade à coluna. “Esse trabalho aqui é fundamental para a comunidade, porque não é todo mundo que tem condições de bancar o tratamento. Além disso, os professores e alunos são de uma gentileza e atenção extrema com a gente”, ressalta o aposentado. Ainda segundo ele, a espera pela vaga foi curta, sem contratempos na triagem do serviço.
Clínica
Hoje fazem estágio na Clínica-escola 32 alunos da Eseffego, supervisionados por oito professores. Esse estágio é obrigatório para todos os acadêmicos, possibilitando aos professores avaliarem a prática dos alunos e também realizarem avaliações teóricas de atendimento. Segundo a coordenadora Tânia, o espaço conta com todos os equipamentos e laboratórios que uma clínica profissional tem, como o laboratório de movimento, para realizar avaliações de como o paciente caminha; e o laboratório de fisiologia, voltado para pesquisa do exercício e do esforço. “Aqui os alunos vivenciam a prática acadêmica, fazem a aplicação dos princípios teóricos da sala de aula, têm uma formação profissional adequada e para a população é uma oportunidade de ter um atendimento qualificado e especializado”, avalia. Outras informaçôes pelo telefone (62) 3522 3526.
(Marcelo Tavares)