Junho é o mês mundial do meio ambiente e a Universidade Estadual de Goiás (UEG) celebra ações que articulam conscientização, proteção e impacto social, como o Projeto Reciclar 2026, realizado pela Unidade Universitária de Caldas Novas. A iniciativa busca solucionar problemas de interesse social e ampliar a relação entre a universidade e a comunidade local através de ações de capacitação, difusão de tecnologia e cultura.
O projeto foca nos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente na ODS 12 - Consumo e Produção Responsável.
Lançado em 2025 e agora em sua segunda edição, o projeto tornou a unidade um polo captador de materiais recicláveis. A ação foca na importância da separação correta dos resíduos, impactando moradores e microempresários da região periférica onde a UEG está inserida.
Segundo a professora Adriana Roveri das Neves, coordenadora do projeto, o trabalho vai além da coleta. Em parceria estabelecida com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e com cooperativas de catadores, ela ressalta o aspecto social da iniciativa, que apoia trabalhadores que antes dependiam do antigo lixão da cidade. "Muitas pessoas moravam em volta [do lixão] em uma situação de vulnerabilidade social muito grande. Elas precisavam dessa ajuda, tanto da conscientização quanto de locais de coleta", disse.
Protagonismo discente
O Projeto Reciclar 2026 é levado a cabo através do trabalho de 20 alunos extensionistas dos cursos de Administração, Gastronomia e Pedagogia. Adriana ressalta que a liderança estudantil é um pilar fundamental da ação. "Os alunos que são os protagonistas dessa história. O professor tem as ideias, mas quem tem que protagonizar são os alunos", afirma.
Os estudantes são divididos em frentes específicas. Há equipes dedicadas à coleta e separação técnica de materiais, enquanto outra frente cuida da comunicação e gestão das redes sociais. Antes de irem a campo ou produzirem conteúdo para redes sociais, os alunos passam por um processo de estudo semanal sobre temas como a poluição da água, descarte de óleo, plásticos e compostagem.
Esse aprendizado é transformado em uma linguagem mais acessível para a população geral. Os discentes atuam na linha de frente promovendo caminhadas, panfletagens de conscientização e orientando sobre a separação correta de itens como papéis, vidros, pilhas e resíduos eletrônicos. Além do trabalho externo, o impacto começa dentro da própria universidade, onde os acadêmicos trazem resíduos de suas casas e incentivam seus familiares a adotarem práticas sustentáveis.
Impacto social e ambiental

O projeto atua em uma localização estratégica, impactando uma região periférica e densamente povoada de Caldas Novas. Estima-se que as ações alcancem diretamente cerca de 10 mil pessoas em bairros como Parque das Brisas, Estância Itaici e partes do Jequitimar. A universidade atua como um ponto de coleta para pequenos comerciantes locais que anteriormente não tinham um destino adequado para seus resíduos.
Um dos maiores benefícios sociais é o suporte direto às cooperativas de catadores da cidade. Ao receber o material já limpo e separado nos contêineres da UEG, o trabalho dos catadores é facilitado e agilizado. A professora alerta para a importância desse cuidado. "Se a embalagem ficar suja, ela fica invalidada. Todo esse processo de conscientização antes da coleta também é feito", contou.
Além da geração de renda para comunidades vulnerabilizadas, o projeto protege o maior ativo econômico de Caldas Novas: as águas termais. Como a cidade recebe entre 6 a 10 milhões de turistas anualmente, o volume de lixo gerado é imenso e representa um risco constante de contaminação do lençol freático. "A contaminação do lençol freático acabaria com toda a cidade. Nós precisávamos entrar para incentivar a reciclagem exatamente para tentar diminuir o impacto", reforça Adriana.
Futuro do projeto
Como parte das atividades do mês do Meio Ambiente, será realizada uma palestra de conscientização na Unidade Universitária, com a presença de representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semar), engenheiros ambientais e catadores locais.
O objetivo do evento é reforçar que o material descartado tem valor. "A importância é você entender que esse material não é lixo, por mais que a gente trate como lixo. Ele é ele pode ser utilizado para inúmeros fins. Ele gera renda e gera benefício não só pro ambiente, mas para essa comunidade vulnerabilizada", destaca a coordenadora.
Para o futuro, o Projeto Reciclar pretende se integrar ao programa de reciclagem oficial da UEG e expandir as ações para escolas municipais, utilizando o potencial das crianças em conscientizar suas famílias. A meta é que a universidade continue sendo um agente expansor das ODSs e contribua de forma prática para a preservação do planeta.




(Comunicação Setorial|UEG)