O curta-metragem Soldado sem sono, dirigido pelo professor, pesquisador, cineasta e artista visual Rafael de Almeida, docente do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), foi selecionado para a Mostra Contemporânea Curtas da 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Reconhecida nacionalmente, a CineOP é um dos principais festivais brasileiros dedicados às relações entre cinema, memória, preservação e patrimônio audiovisual.
Para Rafael de Almeida, a seleção representa uma importante oportunidade de diálogo com o público e com a comunidade cinematográfica. "É uma alegria estrear o filme na CineOP, um espaço fundamental para pensar o cinema brasileiro e suas relações com a memória e o presente", afirma.
Para o reitor da UEG, professor Antonio Cruvinel, a seleção do filme evidencia a relevância da produção acadêmica e artística desenvolvida na Universidade. "A presença de Soldado sem sono em um dos mais importantes festivais de cinema do país demonstra a qualidade da pesquisa, da criação artística e do trabalho realizado por nossos docentes. É um reconhecimento que fortalece a UEG como espaço de produção de conhecimento, cultura e inovação", destaca.
A obra terá sua estreia mundial durante o festival, que acontece entre os dias 25 e 30 de junho, em Ouro Preto (MG). A exibição está marcada para o dia 27 de junho, às 17h30, no Cine-Museu.
O filme é resultado de pesquisa desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPG-Teccer|UEG) e integra as investigações realizadas pelo Laboratório Experimental de Cinema e Arte (Entre-imagens), dedicado às interseções entre cinema, artes visuais, arquivos, experimentação audiovisual e processos de criação contemporâneos.
Com 17 minutos de duração, Soldado sem sono é um filme experimental construído integralmente a partir de imagens de arquivo. A montagem reúne registros científicos, filmes institucionais, propaganda militar, publicidade industrial e materiais televisivos para investigar as relações entre tecnologia, guerra, trabalho e os limites do corpo na contemporaneidade.
Livremente inspirado no livro 24/7: Capitalismo Tardio e os Fins do Sono, do filósofo Jonathan Crary, o filme parte de uma premissa ficcional: durante a Terceira Guerra Mundial, pessoas de diferentes partes do mundo começam a dormir por tempo indeterminado e sem razão aparente. A partir dessa situação, a narrativa reflete sobre o sono como uma das últimas dimensões da vida ainda não completamente incorporadas à lógica da produtividade permanente.
Por meio da recontextualização crítica de imagens preexistentes, a obra articula ciência, indústria, cultura de consumo e poder militar para discutir os mecanismos de controle que atravessam o cotidiano contemporâneo. A pesquisa sobre o pardal-de-coroa-branca, ave capaz de permanecer acordada por longos períodos durante processos migratórios, funciona como um dos eixos conceituais da narrativa, conectando experimentação científica, interesses econômicos e tecnologias de vigilância.
A seleção para a CineOP amplia a circulação nacional do filme e reforça a presença da produção audiovisual desenvolvida por docentes e pesquisadores da UEG em importantes espaços de exibição, debate e reflexão sobre o cinema contemporâneo brasileiro.