A Unidade Universitária de Ipameri de Universidade Estadual de Goiás (UEG) tem se destacado na promoção de uma ciência mais acessível e significativa por meio de uma série de projetos de extensão. Com o objetivo de desmistificar a química e aproximá-la da realidade dos estudantes, as iniciativas abrangem desde o ensino fundamental até a comunidade externa, utilizando a experimentação como ferramenta central de aprendizado.
As ações buscam superar a resistência que muitas pessoas têm em relação à disciplina, tornando o conhecimento visual e palpável. Ao todo, as atividades já alcançaram mais de 400 alunos da rede pública, abrangendo diferentes turnos e níveis de escolaridade, desde o ensino fundamental até o médio.
Um dos pilares das ações é o projeto "Experimentos químicos nas escolas: construindo significados e pavimentando o caminho para futuros cientistas e engenheiros". A iniciativa busca romper com o modelo de ensino focado em repetições e fórmulas isoladas, propondo, em vez disso, metodologias ativas com atividades práticas de baixo custo. O projeto foca especialmente em temas de agronomia, engenharia florestal e meio ambiente, atingindo centenas de alunos do ensino médio da região.
Segundo a profa. Anne Caroline Guimarães Veloso, responsável pelo projeto, a motivação surgiu da necessidade de tornar a química menos "assustadora". "Minha vontade é transpor os muros da universidade, de trazer as escolas para perto, no sentido de que juntos a gente constrói conhecimento", afirma a docente.
Entre as atividades desenvolvidas, destacam-se experimentos que conectam a química ao cotidiano rural e doméstico, como o plantio de rúcula em diferentes tipos de solo para discutir pH e adubação, e a análise do teor de açúcar em alimentos industrializados, que utiliza a pesagem visual para conscientizar sobre a saúde. Outras práticas incluem a extração de DNA de frutas e a demonstração de reações impactantes, como a "pasta de dente de elefante", que utiliza materiais simples para ilustrar conceitos complexos.
A Química das Coisas
Outra frente de sucesso é a série de eventos e cursos intitulada "Química das Coisas". Um dos destaques é a oficina voltada para o público infantil e de ensino fundamental, que utiliza o repolho roxo e tintas de solo para ensinar transformações químicas e a importância ambiental do solo.
Para o público geral e acadêmico, o curso de fermentação promove uma abordagem interdisciplinar. Nele, os participantes aprendem sobre a cadeia de produção do trigo, a tecnologia de alimentos e as reações químicas envolvidas no processo de panificação, culminando em uma atividade prática de fazer pão e cuca. O sucesso é tanto que as inscrições costumam se encerrar em poucas horas.
Além da parte prática, o projeto envolve uma equipe multidisciplinar composta por técnicos de laboratório e outros docentes, reforçando que a ciência é uma construção coletiva. Um exemplo complementar é o projeto "Por que muda de cor?", focado especificamente no ensino fundamental, que utiliza a percepção visual para despertar a curiosidade científica nas crianças desde cedo.
Impacto Acadêmico e Social
Além do impacto direto na comunidade, os projetos têm rendido frutos acadêmicos significativos. Resultados das experiências em Ipameri já foram apresentados em congressos nacionais e internacionais, incluindo eventos no Maranhão e no Peru. Os trabalhos abordam temas como o teor de carbonatos no solo e o uso da densidade para avaliar características da madeira.
O protagonismo discente também é um diferencial. Acadêmicos dos cursos de Agronomia e Engenharia Florestal atuam como bolsistas e ministrantes das oficinas, o que fortalece o vínculo entre a universidade e a sociedade. Em um dos casos, uma bolsista atende a mesma escola onde estudou o ensino básico, fechando um ciclo de retorno social.
A produção científica derivada dessas ações inclui resumos expandidos e artigos, como o trabalho sobre carbonatos no solo apresentado no Congresso Nacional de Educação e o relato sobre experimentação de baixo custo aceito pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Essa produção é impulsionada pela trajetória da professora Anne Caroline que, embora tenha formação em "química dura" e engenharia, busca humanizar o ensino para preencher lacunas pedagógicas que observou ao longo de sua carreira.
Futuro e Inovação
Os planos para o futuro incluem a expansão das atividades com o uso de gamificação, como o "Escape Lab", onde os alunos precisam resolver desafios químicos e usar raciocínio lógico para escapar de um cenário. Novas edições do "Química das Coisas" também estão previstas, com temas como a química do chocolate e do sabão.
Para a profa. Anne Caroline, o trabalho é uma realização pessoal e profissional. "A química é tão presente quanto respirável. De pouquinho em pouquinho a gente vai conseguindo tornar a aprendizagem significativa e desmistificando essa química que parece um bicho de sete cabeças", conta. 

(Comunicação Setorial|UEG)