O Barranco Ateliê, em Anápolis, realiza no próximo sábado, 28, a partir das 17h, o “Ateliê Aberto”, evento que destaca a produção artística de estudante e egressos da Universidade Estadual de Goiás (UEG). A iniciativa reúne a mestranda Isabella Brito, do Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPG Teccer); Valdson Ramos, egresso do mesmo programa; e o arquiteto formado pela UEG Talles Lopes, além do artista anapolino Joardo Filho.
O evento apresenta ao público os processos criativos desenvolvidos ao longo dos últimos meses no âmbito do projeto “Ateliê de Pintura”, que envolveu atividades de criação e formação, como residência artística, palestras, bate-papo e oficinas. A proposta promove a experimentação em arte contemporânea a partir da discussão sobre pintura. Ao longo do projeto, os artistas foram provocados a pensar nas aproximações e dissonâncias de suas práticas artísticas em relação ao campo pictórico.
Durante o projeto, os egressos da UEG Valdson Ramos e Talles Lopes, ao lado de Joardo Filho, compartilharam o espaço de trabalho se dedicando a estudos práticos e teóricos, investigações de poéticas artísticas, experimentações e produções de novos trabalhos. Essa experiência somou-se ao diálogo com Isabella Brito, artista convidada para uma residência artística de um mês no Barranco Ateliê. Nesse período, ela se voltou à sua prática em diálogo com os artistas do ateliê, contando, inclusive, com o auxílio de uma bolsa de produção.

Desenvolvimento das obras de Valdson Ramos no Barranco Ateliê. Foto: Divulgação
Em diálogo com sua dissertação “Fé, cores e formas: religiosidade, arte contemporânea e poéticas visuais em Goiás (1993 - 2023)”, desenvolvida no PPG Teccer|UEG, Valdson Ramos investigou, no decorrer do projeto, as esculturas sacras do renomado artista goiano José Joaquim da Veiga Valle (1806 – 1874). Visitando museus históricos que preservam as obras do santeiro, Ramos pôde intervir sobre as estátuas, cobrindo-as com véus de linhos. O artista produziu uma série de pinturas a partir das fotografias feitas dos santos cobertos, chamando a atenção do público para a ornamentação criada por Veiga Valle para a base das esculturas, parte que permanece visível sob o linho.
Processos de ateliê do artista Joardo Filho. Foto: Divulgação
Ao longo de sua trajetória, o artista Joardo Filho vem experimentando os mecanismos de falhas dos suportes artísticos, muitas vezes criando obras a partir dos erros e imperfeições e defeitos imprevisíveis dos dispositivos fotográficos. Durante seu tempo no ateliê, o artista aplicou esse interesse sobre o campo pictórico, lidando propositalmente com a pintura sem o suporte dos métodos tradicionais das Belas Artes. Desse modo, Joardo explorou uma série de abstrações que experimentam a imprevisibilidade dos materiais e as errâncias dos gestos de um artista não-pintor.
Egresso do curso de Arquitetura e Urbanismo da UEG, Talles Lopes tem um trabalho marcado por seu repertório arquitetônico. Nos últimos anos, o artista vem investigando as formas modernistas da arquitetura brasileira através da prática artística. Durante o “Ateliê de Pintura", Lopes se dedicou a experimentar os elementos arquitetônicos como referências para os contornos e formas pictóricas de novos trabalhos. Ao mesmo tempo, o artista desenvolveu uma série de esculturas em papel machê, voltando sua atenção para as cores e matizes geradas pela superfície das polpas de papel, marcando seu interesse artístico em um campo localizado entre o bidimensional e o tridimensional.
Processos de ateliê do artista Talles Lopes. Foto: Divulgação
Durante sua residência no Barranco Ateliê, Isabella Brito deu início à série "Vagalume tem-tem", uma investigação sobre as relações entre o espaço rural e a presença dos vagalumes. Brito utilizou a apropriação de objetos antigos e pintura com tinta fosforescente como meios para construir uma narrativa sobre memória, apagamento e esperança. A produção da artista está correlacionada à pesquisa “O apagar da memória: vagalumes, arte contemporânea e cultura caipira no Cerrado”, desenvolvida no PPG Teccer|UEG, sob orientação do prof. Rafael de Almeida, no âmbito do Entre-Imagens: Laboratório Experimental de Cinema e Arte.
Isabella Brito trabalhando na série "Vagalume tem-tem". Foto: Divulgação
O projeto lança um olhar para o intercâmbio entre artistas, propondo colocar a prática no centro do debate artístico e incentivar as experimentações coletivas no contexto do ateliê, ao mesmo tempo, contando com o acompanhamento crítico do curador Paulo Henrique Silva. Nessa perspectiva, o “Ateliê de Pintura” também recebeu a artista goiana Selma Parreira para um workshop de "Têmpera de ovo" no Barranco Ateliê. Além da "Conversa Aberta", uma fala pública sobre a trajetória de Parreira, o workshop ministrado pela artista promoveu um fim de semana voltado à prática e experimentação pictórica em torno da Têmpera.
O Barranco Ateliê convida os visitantes do Ateliê Aberto a fazerem doações voluntárias de absorvente e papel higiênico para serem destinados ao Programa Goiás Social. O projeto é realizado com recursos do Programa Goyazes do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.
Serviço - "Ateliê Aberto", com participação de estudante e egressos da UEG
Data: 28 de março, sábado.
Horário: A partir das 17h.
Local: Barranco Ateliê - R. Portugal (continuação da rua A), 193 - Vila Santa Terezinha, Anápolis - GO, 75043-898.
Mais informações: @barranco.atelie e barranco.art.br
(Comunicação Setorial|UEG, com informações da assessoria de imprensa "Ateliê Aberto")