

Diário de bordo, data estelar: seis de março de 2006. Segunda-feira, Unu Goiânia-Laranjeiras, comecinho da semana, o professor Antonio Sebastião entra na sala e encara uma turma de jovens pioneiros. Diante dele, está a primeiríssima turma do recém-aberto curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás, que então se chamava Rádio e Tv, e logo mudaria para Comunicação Social - habilitação em Audiovisual. A viagem que eles estavam prestes a iniciar os transportaria por vinte anos de sonhos, aprendizado, realizações e conquistas tanto profissionais quanto pessoais. Naquele primeiro grupo estavam estudantes que se tornariam referência no circuito audiovisual goiano e brasileiro, e que traçariam as mais diversas trajetórias no infinito campo que vai das constelaçõe de estrelas hollywoodianas até a Galáxia de Gutemberg. Em vinte anos, o curso de Cinema e Audiovisual da UEG ofereceu as ferramentas conceituais, profissionais, práticas e teóricas para que centenas de estudantes podessem ir audaciosamente até onde nenhum profissional do audiovisual jamais esteve. Hoje, 06 de março de 2026, alguns desses pioneiros recordam da aula inaugural e refletem sobre a trajetória:
"Ser da primeira turma de Audiovisual da UEG foi puro pioneirismo (e uma dose caprichada de resiliência!). A gente compensava a falta de estrutura com sobra de iniciativa, transformando cada desafio em laboratório. Hoje, ver tantos de nós brilhando no mercado, cada um com seu estilo e voz, é gratificante demais. Foi ali que minha paixão pelas artes criou raízes, especialmente no olhar da fotografia e na magia da animação. Aquela necessidade de 'fazer acontecer' moldou quem eu sou hoje, tanto no set quanto na academia. Antes de capturar a luz ou animar o movimento, aprendemos o mais importante: projetar o futuro onde ele ainda nem existia. Ver o sucesso dos novos alunos hoje, ou dos meus calouros (daquela época rsss) com filmes e exposições ganhando o mundo, me enche de um orgulho gigante!"
Anna Flávia Costa de Morais Barbosa é Analista de Comunicação do Estado, atualmente lotada na Procuradoria-Geral do Estado de Goiás. Professora de fotografia

"Fazer parte da primeira turma do curso de cinema foi participar tanto da construção do que o curso viria a se tornar no decorrer dos anos, como também participar de um momento importante de transformação do audiovisual feito em Goiás."
Jarleo Barbosa é diretor, roteirista e músico.
"O curso completa 20 anos de existência e eu fico extremamente feliz de ter participado da primeira turma do curso, que na época era de comunicação social, habilitação em audiovisual. Nós, egressos da primeira turma, tivemos grandes desafios. Desafios de tornar o curso viável, desafio de convencer a sociedade e a própria UEG da importância do nosso curso. Foi também um momento de muita luta. Lutamos para que a nossa unidade tivesse diretores que compreendessem a importância do curso para a sociedade. Lutamos para garantir espaços e para fomentar o audiovisual em nosso estado. Hoje a gente vê o reflexo dessa luta. Diversos profissionais formados e atuando de forma brilhante e muitos, inclusive, tendo lugares de destaque em empresas que são referência na área. Então, eu desejo a você que vai entrar nesse curso, que você seja uma semente que também continue a trabalhar para que esse curso continue tendo a grande relevância que ele tem para o Brasil."
Tadeu Costa é educador e monta
"Tenho muito orgulho de ter feito parte da primeira turma. Apesar da precariedade de todo início, contamos com professores e técnicos dispostos a fazer o melhor com o pouco que tínhamos. A falta de equipamento nos exigiu ainda mais colaboração e criatividade, isso formou profissionais preparados para as diferentes adversidades no audiovisual. O próprio termo "audiovisual" era algo novo, fomos moldando o que seria este curso durante o curso e percebendo, na prática, como a área é fluida, e que exige que a gente desenvolva diferentes habilidades e se atualize constantemente."
Ludielma Laurentino é roteirista.
"Então, me deu formação para trabalhar com comunicação integrada, que é o que eu faço hoje, e já tenho mais de 10 anos de mercado, que eu atuo na comunicação política, que eu comecei em 2014 com a delegada Adriana Accorsi, passei pela comunicação da vereadora Aava Santiago e hoje eu estou na coordenação da comunicação do vereador professor Edward Madureira. E acho que me ajuda muito saber fazer de tudo. Tem outras questões que me ajudam a pensar estrategicamente como vai ser uma comunicação integrada de um político, por exemplo. Então, eu acho que a minha formação contribui muito para isso." Maianí Gontijo é Comunicadora Social e Assessora de Imprensa
Sobre o curso
No Brasil, os cursos de Cinema e Audiovisual surgiram na primeira década do século XXI, recebendo a herança das extintas graduações em Rádio e TV. Isso significou um desenvolvimento da área em direção às formas mais recentes de comunicação midiática. A nomenclatura dos cursos que nasceram nas últimas duas décadas é diversa, variando segundo as universidades que os oferecem: Imagem e Som, Audiovisual, Midialogia, Cinema e Audiovisual etc. Todavia, o eixo comum da formação nestes cursos é facilmente reconhecido. Trata-se de lidar com as práticas e problemas que o aprofundamento de uma sociedade cada vez mais midiática nos apresenta. Nesse contexto, o aluno de Cinema e Audiovisual da UEG encontra um espaço para qualificar a sua relação com as imagens e sons que circulam entre nós, tornando-se, ao mesmo tempo, criadores habilitados para uma compreensão crítica da sua própria produção audiovisual."
Sobre o CriaLab|UEG
O CriaLab|UEG é o Laboratório de Pesquisas Criativas e Inovação em Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás, dedicado à formação, pesquisa e experimentação. Reúne docentes, pesquisadores, estudantes e profissionais no desenvolvimento de projetos audiovisuais. Com estúdios e equipes especializadas, produz conteúdos, realiza ações formativas e impulsiona inovação no audiovisual.
(Comunicação Setorial |UEG)