A Universidade Estadual de Goiás (UEG) integra a Expedição Araguaia 2026, iniciada no último dia 1º e com atividades previstas até 25 de fevereiro, consolidando-se como uma das maiores expedições científicas já realizadas em rios brasileiros. Esta é a quinta edição da iniciativa, que percorre cerca de 3,5 mil quilômetros ao longo do Médio Araguaia, abrangendo áreas dos estados de Goiás, Mato Grosso e Tocantins.
Ao todo, a expedição reúne aproximadamente 40 pessoas, entre pesquisadores, professores, técnicos, tripulantes e estudantes. A participação da UEG envolve alunos da pós-graduação e da iniciação científica, que atuam diretamente nas atividades de campo ao lado de equipes multidisciplinares de diferentes instituições de pesquisa parceiras.
O trajeto inclui o curso principal do rio, 150 lagos associados e sete rios e ribeirões que deságuam no Araguaia. As atividades são realizadas a partir de um barco-hotel, que funciona como base logística da expedição. A partir dele, embarcações menores transportam os grupos de pesquisa até os pontos de coleta. Durante a expedição, são analisados lagos da planície de inundação do rio, com uma investigação abrangente sobre os aspectos socioambientais da bacia.
As ações de campo incluem o monitoramento da qualidade da água, com análises físicas, químicas e biológicas, além de estudos sobre micro-organismos aquáticos, como algas, microalgas e zooplâncton. Também integram a programação pesquisas com plantas aquáticas, insetos aquáticos, vegetação terrestre, observação de aves e monitoramento de peixes, com foco na biodiversidade e nos ecossistemas associados ao rio e ao seu entorno.
De acordo com o professor João Nabout, docente do curso de Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais do Cerrado (Renac|UEG), a expedição tem papel fundamental na validação de pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos. Segundo ele, esse tipo de investigação exige continuidade. “É uma pesquisa que precisa de replicação temporal. A biodiversidade muda ao longo do tempo, e queremos acompanhar como ocorrem essas mudanças. Por isso, estamos observando e confirmando padrões”, afirma.
Para o pesquisador, cada nova edição amplia o entendimento sobre o funcionamento da bacia. “É como se fosse um quebra-cabeça, e nós estamos colocando mais peças nesse quebra-cabeça”, resume. Mesmo quando métodos e coletas são repetidos, o ganho está no acúmulo de dados. “Cada nova expedição adiciona mais informações para entender o funcionamento do Araguaia, as ameaças que ele sofre e os impactos que isso pode gerar na biodiversidade e na segurança da população que utiliza o rio”, completa.

Projetos com protagonismo da UEG
A expedição é coordenada pelo Programa Araguaia Vivo 2030, que conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e é gerenciado pela Aliança Tropical de Pesquisa da Água (TWRA). Além do programa, a Expedição Araguaia articula projetos parceiros com forte protagonismo da UEG, como o Programa Ecológico de Longa Duração (PELD) Araguaia, aprovado recentemente com financiamento da Fapeg.
O projeto é coordenado por João Nabout, com vice-coordenação do professor Fabrício Barreto Teresa, também da UEG, e integra a rede nacional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI). “O PELD é voltado à amostragem de organismos do rio Araguaia em diferentes períodos do ciclo hidrológico, como cheia e seca. Já realizamos a expedição na cheia e vamos fazer outra na seca”, explica Nabout.
Segundo o professor, o PELD Araguaia mantém uma relação de cooperação científica com o Programa Araguaia Vivo e com o Programa de Pesquisa em Biodiversidade Araguaia (PPBio Araguaia), coordenado pela PUC-Goiás com financiamento do CNPq, beneficiando-se da articulação entre as equipes e pesquisas desenvolvidas. “São projetos parceiros, vinculados de certa forma ao Araguaia Vivo, mas com expedições independentes, apesar de equipes semelhantes”, destaca.
Outro projeto estratégico ligado à UEG é o Centro de Excelência em Segurança Hídrica do Cerrado (Cehidra Cerrado), aprovado em dezembro do ano passado pela Fapeg, com investimento total de R$ 23 milhões, sendo R$ 15 milhões provenientes da Fundação e R$ 8 milhões da própria UEG. O centro tem direção executiva da professora Samantha Caramori e direção científica do prof. João Nabout; do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UEG, prof. Claudio Stacheira, e do prof. André Campos.
Estrutura científica e tecnológica permanente, o Cehidra integra pesquisa, inovação e soluções aplicadas para promover o uso sustentável da água e subsidiar políticas de gestão hídrica em Goiás, reunindo um amplo acúmulo de estudos realizados por pesquisadores da UEG na área de segurança hídrica.
Importância social e acadêmica
O Programa Araguaia Vivo é composto por 11 atividades interligadas, com participação de instituições de pesquisa públicas e privadas de diferentes regiões do país. A Expedição Araguaia 2026 integra esse esforço coletivo, ampliando o conhecimento científico e subsidiando ações de conservação ambiental e manejo sustentável de um dos principais sistemas fluviais do país. Os estudos também contribuem para a formulação de políticas públicas, o desenvolvimento sustentável da região e o fortalecimento institucional das universidades envolvidas.
João Nabout ressalta que a expedição e os projetos associados têm impacto direto na formação de estudantes e no fortalecimento da infraestrutura dos laboratórios, criando condições para pesquisas em nível de mestrado e doutorado com foco no rio Araguaia. Segundo ele, essa produção científica tem ganhado projeção tanto fora da academia, especialmente nas redes sociais, quanto no meio acadêmico, ampliando o alcance do projeto.
“É muito comum vários alunos me procurarem na graduação querendo fazer parte do projeto e desenvolver pesquisas, porque veem um impacto social e acadêmico, no contexto da pesquisa biológica, muito importante, e eles querem contribuir com o programa”, afirma. “Então, vejo que o Araguaia Vivo contribui tanto nessa perspectiva social, de divulgação científica, no fortalecimento do turismo, com a capacitação de guias de pesca e de turismo em Aruanã e Luiz Alves – ações realizadas no âmbito da atividade Turismo e Pesca –, mas também contribui para a formação de pessoas, dos alunos”, completa.






(Comunicação Setorial|UEG. Fotos: Araguaia Vivo/TWRA)