A moda ganhou um significado que vai além da estética e das passarelas neste mês de dezembro. Por meio de um projeto de extensão desenvolvido no curso de Design de Moda da Unidade Universitária de Trindade da Universidade Estadual de Goiás (UEG), um jovem de 19 anos que convive desde o nascimento com a elefantíase recebeu, pela primeira vez, roupas pensadas especificamente para o seu corpo, suas necessidades e sua realidade.
A iniciativa integrou as atividades da disciplina Ergodesign e Ergonomia, ministrada pela professora Gleidcileia Rosa, e nasceu a partir do conhecimento do caso do jovem, chamado Robson Ribeiro Nunes dos Santos. Segundo o relato de sua mãe, ele nunca havia conseguido se vestir adequadamente, permanecendo grande parte do tempo em casa enrolado em um lençol, por não encontrar roupas que se ajustassem ao seu corpo de forma confortável e funcional.
A elefantíase é uma condição que causa o aumento e endurecimento dos membros em função do inchaço crônico e progressivo de partes do corpo, geralmente pernas, pés, braços ou genitais, causado pelo acúmulo de líquido linfático nos tecidos.
Diante dessa realidade, os estudantes do 6º período foram provocados a um desafio que extrapolava o conteúdo técnico: criar peças de vestuário ergonomicamente adequadas às necessidades específicas de Robson, considerando conforto, mobilidade, funcionalidade e, sobretudo, dignidade.
Os estudantes desenvolveram uma coleção completa, elaborando croquis que foram enviados previamente ao jovem, permitindo que ele participasse do processo e escolhesse as peças que gostaria de usar. As roupas confeccionadas foram entregues na residência de Robson, com a presença da profa. Gleidcileia e dos discentes Jessyka Gomes de Macedo e Yago Vindex Gomes Macedo.
Para a professora, o projeto simboliza o verdadeiro alcance da moda enquanto prática social. "O Robson é um menino incrível que a gente já acompanha há uns três anos. Ele enviou um moodboard com o que ele gostava, cores, temas, nos deu inspirações e os alunos desenvolveram as coleções. Hoje estamos aqui entregando essas peças, fechando essa disciplina com bastante êxito e muita alegria no coração. Algumas pessoas acham que a moda é futilidade, mas a moda vai além de estética. A modelagem e a ergonomia devem servir a todos", disse.
Robson, visivelmente emocionado, disse ter ficado muito feliz com as novas roupas. "Eu queria muito a agradecer a todos pelo trabalho incrível de vocês. Eu adorei todas as roupas! Agora eu vou ter roupa para o ano inteiro", brincou.
A estudante Jessyka Gomes comentou que o trabalho foi emocionante. "É a moda além da moda. Muita gente pensa que moda é só roupa, mas não. Moda é autoestima, é sentir-se vivo. Moda é isso tudo. Quando você faz peças específicas para um pessoa, voltada para ela, não tem preço. Hoje eu me emocionei novamente por ter escolhido a moda como meu caminho a seguir", afirmou.
A ação faz parte das ações de curricularização da extensão da UEG e aproxima a formação acadêmica das demandas reais da população. Nesse contexto, a moda aparece como uma área funcional e socialmente comprometida, voltada à inclusão, à acessibilidade e à promoção da autoestima, ao atender corpos diversos e realidades historicamente invisibilizadas.

(Comunicação Setorial|UEG)