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Modernismo ao pós-modernismo.

O texto que segue logo abaixo é da lavra de Rodrigo Oliveira dos Santos, leitor do Blog e mestrando em História pela UFG.

"(...) Berman consegue estabelecer também um rico paralelo entre Baudelaire e Marx. Ambos esses autores percebem o processo de dessacralização do mundo moderno. Quando Marx afirma que tudo o que é sólido desmancha no ar e que a partir das novas relações de produção os homens seriam levados a confrontar com seus próprios medos, anseios e convicções, ele percebe a enorme possibilidade que isso traria para o projeto de superação do capitalismo. Agora os homens enfrentariam a sua própria história, apesar de isso acontecer nas condições que lhes são dadas e conhecidas por estes (...)".

Modernismo ao pós-modernismo.

Fragmentação" O espelho em cacos.
 
“Tudo que é sólido desmancha no ar”, frase retirada do Manifesto Comunista de Karl Marx, escrita no século XIX serve de inspiração para o norte americano Marshall Berman discorrer sobre as ambigüidades do mundo moderno. Um mundo que segundo o autor, ao mesmo tempo em que promete alegria e poder carrega também o seu antagonismo, ameaça e destruição. Desde a origem do mundo moderno com a conseqüente dissolução dos laços tradicionais de lealdade e fidelidade pessoal, além do desenvolvimento da idéia de razão, o homem se viu compelido a pensar e agir sobre o mundo. Esse já não era visto mais como fruto do sopro ou palavra divina, mas parafraseando o “Fausto” de Goethe através da “ação” do próprio homem. A cidade passa a ser o espaço principal em que vão se desenvolver as novas formas de relações sociais especificas a modernidade.
Berman questiona a falta de noção de pertencimento que os homens, a nós contemporâneos, têm em relação a esse mundo. A segunda metade do século passado e o início do atual vem se acostumando a olhar para o mundo moderno revelando apenas o seu lado de ameaça, destruição e sombras parecendo mesmo se esquecer da aventura e autodesenvolvimento inerentes à modernidade. O sentimento de permanência à modernidade cede lugar ao escape. Tal visão de mundo ganha maior legitimidade e hegemonia a partir do pós-modernismo, emergente primeiramente nos Estados Unidos e na Europa Ocidental na década de 80, porém também ressoante no Brasil e em outros países da América Latina.
O conceito de “pós-modernismo”, inicialmente buscava focalizar as formas artísticas, como a arquitetura, a literatura, e o cinema. Posteriormente, conforme afirma Ana Lúcia Almeida Gazolla no texto de introdução aos ensaios contidos no livro “Espaço e Imagem: teorias do pós-moderno e outros ensaios de Fredric Jameson”, o termo se estende aos outros domínios culturais como o vídeo, a música, a pintura, o próprio discurso teórico, cultos religiosos e estratégias de comunicação e mercado. É inerente ao conceito de pós-moderno o antagonismo às “utopias” e aos “totalitarismos” das vanguardas artísticas do alto modernismo, assim com as dimensões temporais e históricas do mesmo.
Fredric Jameson relaciona a cultura pós-moderna com características do capitalismo contemporâneo. Dentre elas destaca-se: a descolonização nos continentes africano e asiático, o estabelecimento de uma rede informacional global e a emergência de imensas corporações transnacionais. Aliado a isso, verifica-se a pretensão dos Estados Unidos serem o líder político e militar da nova ordem mundial, junto com o crescimento da União Européia e do Japão. A “transição ao capitalismo” no leste europeu também estariam em uníssono com a “desregulamentação ocidental”, assim como o “Estado mínimo”, existente nas concepções neoliberais, e a hostilidade a todas as formas de assegurar o bem estar social da comunidade.
 Tentando resgatar o lado dicotômico existente na modernidade, não evidenciado pela visão negativa inerente ao pós-modernismo, Berman remete a pensadores do século XIX, que conseguiram captar bem o espírito moderno. Tais como, Goethe, Marx, Baudelaire e Nietszche.
Berman faz questão de nos mostrar, através da grande força poética da frase extraída do Manifesto Comunista, que o pensamento de Marx se relaciona muito bem com a cultura modernista tendo relações, não só com os já citados Goethe e Baudelaire, mas inclusive com alguns autores considerados antagônicos ao próprio Marx, Nietszche constitui um exemplo. O comum a esses autores é que ao mesmo tempo em que eles criticavam esse novo mundo que estava levando abaixo as antigas relações feudais, também conseguiam enxergar as enormes possibilidades que o mundo moderno trazia para o autodesenvolvimento do homem. Nietzche e Marx, segundo Berman, ao mesmo tempo em que desejavam a ruína sentiam-se a vontade nesse mundo, assim exploravam a modernidade a partir do seu interior compreendendo a enorme potencialidade dessas novas forças que influenciavam o homem a partir de então. Para Marx, o operário, fruto das novas relações do mundo moderno se constituiria enquanto sujeito histórico revolucionário encarregado de superar esse mesmo mundo. A burguesia que tinha revolucionado todas as relações feudais teria assim a modernidade se voltando contra ela mesma. Já Nietzsche compreendia que os ideais cristãos da integridade da alma, além da aspiração a verdade levariam a implodir o próprio cristianismo. A completa ausência de valores diluídos pela modernidade, levaria a uma enorme possibilidade dos homens construírem novos.
Vale ressaltar que a percepção de Marx e de Nietzsche como modernos, não negligencia as divergências existentes entre ambos os projetos. Marx pensa o desenvolvimento do indivíduo a partir da sua inserção nos problemas da coletividade. O autodesenvolvimento individual só é possível a partir da mudança radical e revolucionária das relações sociais inerentes à sociedade burguesa. Nietzche, pensa que o individuo para se libertar da moral de rebanho, deveria recorrer ao auto conhecimento. Apenas em sua própria solidão que o individuo se libertaria das aspirações essencialistas contidas no pensamento ocidental desde sua tradição socrática-platônica e cristã. Portanto, os projetos são em realidade opostos.
Outro ponto a ressaltar é o paralelo entre a política e a arte moderna.. Karl Frederick Robert, em sua obra “Moderno e modernismo”, distingue de maneira sucinta os conceitos de vanguarda, moderno e de modernismo. Vanguarda seria a linha de frente de qualquer espécie de modernismo. A palavra quando referida a arte, representa os artistas que contribuíram e contribuem para uma renovação formal dos componentes que compõem cada arte em sua especificidade. Porém, vale ressaltar que tal palavra ganha popularidade no final do século XIX através da política. Segundo Robert, a palavra era utilizada por Bakunin e os anarquistas no Jornal L’Avant-garde, fundado em 1878 na Suíça. Com conotações políticas, tal palavra representava os anseios revolucionários que levaria ao fim do capitalismo e da propriedade privada pela luta dos trabalhadores contra a burguesia. Em Lênin o termo ganha feições burocráticas, já que a vanguarda seria formada pelos intelectuais do Partido, que se encarregariam de levar a verdade revolucionária para a classe trabalhadora, além de guiá-la em suas lutas históricas. Robert defende, que ao migrar para arte, a palavra “vanguarda” perde suas conotações políticas, indicando mais uma revolução na forma. O modernismo enquanto cultura não obedece, portanto a fragmentação cientifica e disciplinar cada vez mais aguda. Por isso um Marx modernista não deve causar estranheza.
Diferente da concepção leninista que leva em conta a separação entre ser e consciência, assim como a separação entre os trabalhadores e o Partido, para Marx, as esferas culturais da sociedade não devem ser entendidas em separado do conjunto das relações de produção. Diferente de algumas interpretações mecanicistas, que limitam suas analises a um esquema determinista entre base-superestrutura, as relações sociais entre os sujeitos são também simbólicas. A realidade, portanto não deve ser entendida unidimensionalmente, mas através de uma relação dialética, que longe de ser determinista, compreende tanto a cultura, quanto as relações de produção como processos correspondentes à totalidade histórica. A emancipação dos trabalhadores não seria obra do Partido, instituição representativa do “poder separado”, mas obra dos próprios trabalhadores. Como afirma Guy Debord, em “A sociedade do Espetáculo”, o pensamento dialético diferente de toda ciência burguesa não se deteria em buscar o sentido do mundo, mas se elevaria ao conhecimento da dissolução daquilo que é, dissolvendo, portanto toda forma de poder separado. O sujeito da história para Debord, seria o ser vivo produzindo a si mesmo, tornado-se, portanto mestre e possuidor de seu mundo.
As criticas feitas pelo pós-modernismo as dimensões históricas e “cientificas” existentes no marxismo, encaixam-se portanto, muito melhor as interpretações leninistas do que as premissas apontadas por Marx. Segundo Jameson a acusação ao modernismo, feita pelos pós-modernos, ataca as dimensões teleológicas existentes nas meta-narrativas. A tentativa e a premissa de um conhecimento universal eliminariam as contingências históricas, e o particular. Tais reverberações, também existentes em Derrida, remetem a Foucault, apesar do mesmo não se considerar pós-moderno. Foucault, ao refletir as pretensões à universalidade e a emancipação humanista, a partir da critica a epistemologia de Kant, afirma que as dimensões críticas existentes nessa teoria do conhecimento são de extrema plausibilidade para a formação de sua genealogia. O poder existente em toda forma discursiva deveria ser historicizado. Existente em todas as dimensões da vida cotidiana, e não apenas nas esferas macro econômicas e políticas, os sujeitos deveriam abandonar as pretensões emancipadoras do humanismo modernista, que não dariam contas de demandas mais particulares que também atingem a vida dos sujeitos.
Segundo Jameson, a critica feita ao caráter totalitário do humanismo moderno, cujo alvo maior para Foucault seria o marxismo, é mais bem contextualizada ao regime soviético do que à obra do próprio Marx. Talvez, em decorrências das heranças da participação de Foucault no stalinismo do Partido Comunista francês, de onde possivelmente vêm as suas interpretações sobre o marxismo.
O intento de compreender o processo dinâmico da modernidade leva Berman a compreender o “Fausto” de Goethe, como uma tragédia alegórica do espírito dessa época. Através do “Fausto”, Goethe percebe que a transformação do homem moderno só é possível com transformação do seu próprio mundo. O Fausto personifica a imagem do cientista que compactua com as forças demoníacas para gozar dos prazeres que o mundo proporciona, prazeres que se encontram exteriores a seu laboratório.
     A relação entre modernidade e tradição, assim como o enorme papel da lembrança para a preservação dos sujeitos estão presente em grande parte da literatura de Goethe. Basta lembrarmos do “Werther” que ao tentar se refugiar numa cidade tradicional se apaixona por um amor impossível de se concretizar e que o leva ao suicídio. No auge de sua depressão Werther observa uma tempestade levar a praça e destruir a rua onde ele se relacionava com sua amada, Carlota. Uma das coisas que leva Werther a permanecer de pé e não desvanecer por sua tristeza é a lembrança daqueles períodos em que estava com Carlota naquele espaço que ia por água abaixo. No Fausto o que salvou o personagem do suicídio que estava prestes a cometer também fora a lembrança, mas agora de sua infância, que foi evocada a partir dos sinais materiais despendidos pela Igreja. Logo depois de vivenciar isso Fausto compactua com Mefistófeles, a personificação das sombras, em troca dos prazeres terrenos. O desenvolvimento da modernidade ao liberar o homem da tradição, também fez com que este perdesse a segurança conseguida através das crenças em certezas e dogmas. Goethe parecia perceber que aquele mundo tradicional em ruínas, assim como o afeto subjetivo encontrado nas lembranças de cada um, e inexistente no racionalismo moderno com as suas premissas de neutralidade e universalidade, garantia a auto-preservação do homem em meio a um mundo em grande transformação.
Outra imagem bastante interessante sobre a tradição apontada por Goethe é o relacionamento do Fausto com Gretchen, uma moça de uma cidadezinha pequena e tradicional. O amor entre Fausto e Gretchen a leva a ruína, depois que a personagem se vê culpada e condenada a perder a sua “pureza” a partir do contato com Fausto e depois deste ter assassinado o irmão da heroína.  A morte de Gretchen parece simbolizar a falta de espaço que o mundo tradicional ocupa em ralação ao crescente mundo moderno. Ao contrário da primeira imagem evocada no parágrafo acima sobre a tradição. Goethe parece perceber aquilo que ela tem de coercitivo e restritivo ao autodesenvolvimento dos sujeitos. Outro fator enigmático da obra é quando Fausto começa a construir um enorme canal no território de um príncipe. Aqui Fausto organiza a divisão do trabalho, propicia ao mundo moderno, além de não restringir esforços para a concretização de seus objetivos. Fausto chega a confiar a Mefistófeles e seus homens a tarefa de retirar um casal de velhinhos, Filemo e Báucia, do “caminho do desenvolvimento”. O pedido de Fausto lembra muito a impessoalidade do Estado moderno. Os casais pagam com a morte o preço do desenvolvimento.
Berman consegue estabelecer também um rico paralelo entre Baudelaire e Marx. Ambos esses autores percebem o processo de dessacralização do mundo moderno. Quando Marx afirma que tudo o que é sólido desmancha no ar e que a partir das novas relações de produção os homens seriam levados a confrontar com seus próprios medos, anseios e convicções, ele percebe a enorme possibilidade que isso traria para o projeto de superação do capitalismo. Agora os homens enfrentariam a sua própria história, apesar de isso acontecer nas condições que lhes são dadas e conhecidas por estes.
Baudelaire no poema em prosa “A perda do Halo”, parece compartilhar com Marx dessa percepção. O poema retrata um diálogo entre um “poeta” e um “homem comum”. Acontece que esse diálogo se dá num local aproximado a um bordel. O homem comum se espanta em encontrar o poeta num local tão “baixo”. O poeta argumenta irônica e satiricamente que perdeu o halo no lamaçal do bulevar e por isso foi parar nesse local. A perda do halo, símbolo do sagrado é uma sátira de Baudelaire a crença na santidade da arte. A vida moderna e seus novos símbolos, cujo bulevar constitui um grande exemplo do século XIX colocaram tudo aquilo que era considerado divino e sagrado no espaço profano dos homens.
Em outro poema “Os olhos dos pobres”, Baudelaire percebe como o bulevar arquitetado por Haussmann a pedido de Napoleão III vai influenciar na emergência de uma nova divisão entre espaço público e privado, além de modificar o cotidiano dos habitantes da cidade. No poema um casal que estava namorando num típico café parisiense do século XIX é surpreendido por uma família de maltrapilhos que observa pelo vitral o próprio casal e a opulência do café, opulência que não estavam habituados no seu cotidiano. Esse encontro é crucial para o casal porque há um redimensionamento da relação, já que a reação de ambos perante a situação foi diferente. A mulher desejaria que o gerente resolvesse o problema expulsando os famintos de sua visão. Já o homem desejaria que aqueles famintos também tivessem seu espaço na nova sociedade. Segundo Berman tal tensão sairia da ficção num curto período, quando do acontecimento da Comuna de Paris em 1871. O bulevar apesar de tentar esconder a cidade da pobreza fizera foi escancará-la.
Baudelaire em seu texto “O pintor da Vida Moderna”,  foi um dos primeiros pensadores a difundir o conceito de arte moderna. O texto é baseado em Constantin Guy, pintor francês do século XIX. Baudelaire considera Constantin Guy mais “homem do mundo” do que artista. Homem do mundo por compreender as razões misteriosas e legitimas dos costumes e da sua época. Já o artista é visto por Baudelaire como um especialista, “subordinado à palheta como servo à gleba”. O isolamento do artista das questões mundanas e a restrição a assuntos restritos unicamente ao seu ofício é o que provoca a ira de Baudelaire.
Constantin Guy, para Baudelaire era o contrário do artista. Entre as tarefas de Constantin Guy incluía-se: a publicação de gravuras feitas a partir de croquis de suas viagens, ser correspondente de guerra de um jornal, além de pintar aspectos do cotidiano francês. Suas obras eram feitas in lócus, tentando retratar a efervescência do acontecimento. Essa inserção do artista em seu mundo é que faz Baudelaire perceber Constantin Guy como uma contradição a pintura neoclássica do século XIX. Essa pintura ao vestir o tempo presente com roupas antigas produzia uma imagem caricatural tanto do passado quanto do tema que pretendia retratar.
A arte moderna seria para Baudelaire aquela que melhor percebesse o mutável, fugidio e efêmero, existentes no tempo presente. O belo para Baudelaire seria constituído ao mesmo tempo por um elemento eterno, quanto por um elemento relativo e circunstancial existente na época em que vivia o artista. O belo só pode ser compreendido, portanto em sua historicidade.  A modernidade de uma obra estaria em extrair o eterno do transitório.
Walter Benjamin em “Charles Baudelaire,: um lírico no auge do capitalismo afirma que o herói para Baudelaire é o verdadeiro objeto da modernidade. Esse em contraposição ao herói romântico transfiguraria a paixão e o poder decisório, enquanto no romantismo havia uma glorificação da renúncia e da entrega. A poesia em Baudelaire não deveria se contentar em se ocupar das vitórias e dos heroísmos políticos. A única vantagem dessa poesia seria garantir os honorários aqueles que a praticam. Os temas da vida privada, as multidões, as vidas desregradas daqueles que habitavam os subterrâneos da cidade era onde o poeta deveria reconhecer o heroísmo. Benjamin porém, chama atenção que a concepção de herói para Baudelaire só é possível enquanto representação. Onde o papel do herói estivesse disponível a modernidade se revelaria como tragédia
A tentativa de traduzir a tradição do século XIX - segundo João Alexandre Barbosa a tradição interessa Baudelaire enquanto traduzida, isto é, na medida em que garante a percepção de novas possibilidades – pode devolver a nós modernos o espírito aventureiro inerente a modernidade. Espírito perdido segundo Berman, em intelectuais do século XX do porte de Max Weber e Herbert Marcuse. O primeiro através da hipótese do cárcere de ferro conduzido pelo processo de desencantamento do mundo e pela impessoalidade burocrática do mundo moderno parece achar que os homens modernos são incapazes de dar respostas e agirem nesse mundo. Já o segundo impossibilita a crítica ao homem comum tornado massa através do Estado de administração total e pelos meios de comunicação. Tal atividade estaria destinada, segundo Marcuse aos marginais, àqueles que estariam literalmente fora desse sistema. Já o pós-modernismo com a tentativa de fugir dos princípios teleológicos existentes nas filosofias da história do século XIX, com suas criticas, mais faz uma apologia às instituições existentes do que produzir uma alternativa a elas.
A resignação de “Ricardo Reis”, um dos grandes heterônimos de Fernando Pessoa, comparada às possibilidades existentes na modernidade pode ser um mero exercício de escolha e não algo dado aos homens desde seu nascimento. Para Ricardo Reis o homem seria determinado pelo seu destino, pela vontade dos deuses e pela natureza. Em troca dessas grandes certezas, Reis opta pela resignação em relação aos grandes sentimentos, como o amor e o ódio. Prefere o hedonismo, a contemplação prazerosa e racional do dia a dia, do que o agir no mundo e a possibilidade de sofrimento, condição fundamental do fato de sermos humanos. Fernando Pessoa, no início do século XX, em 1912, já nos dava sinal, através de sua força poética, de uma visão de mundo comum aos homens e mulheres a nos contemporâneos, uma vida de resignação histórica e de hedonismo em troca dos riscos e aventuras em prol de si mesmo e da comunidade.
A modernidade por romper com os dogmas e as verdades absolutas existentes na tradição pode garantir a reflexão. Porém a interpretação da realidade sem o propósito de transformá-la só tem a contribuir ao pensamento especializado. A fragmentação, o pessimismo, o narcisismo, o consumismo, a racionalidade técnica instrumental não são naturalizações. Se tais características também são produções do homem moderno, são revestidas do fugidio, do transitório e do efêmero podendo, portanto serem negadas. Se a modernidade possui o seu lado perverso evidente não só na degradação ambiental, mas também na persistência da fome e da pobreza, e na separação entre capital e trabalho propicio à sociedade capitalista, ela também garante o poder da critica a essa mesma estrutura. O inserir-se no mundo e a garantia de que esse é uma construção histórica possibilita ao homem o poder de transformá-lo.
 
Rodrigo Oliveira dos Santos
Mestrando em História pela Universidade Federal de Goiás
 
 
Bibliografia:
 
BARBOSA, João Alexandre. As Ilusões da modernidade. SP: Perspectiva, 1996
BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. São Paulo: Martin Claret, 2001.
____________. O pintor da vida moderna em Obras Estéticas, filosofia da imaginação criadora. Petrópolis: Ed. Vozes, 1993.
BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. 1° ed. São Paulo: Brasiliense, 1989. (Obras escolhidas, v. 3)
BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das letras, 1986.
DEBORD, Guy. A sociedade do Espetáculo – Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
GOETHE, J. W. Fausto. São Paulo. Editora: Nova Cultural, 2003.
____________. Werther. São Paulo. Editora: Nova Cultural, 2003.
JAMESON, Fredric. “Marxismo e pós modernismo”; “O marxismo realmente existente”. IN: Espaço e Imagem: teorias do pós-moderno e outros ensaios de Fredric Jameson/ organização e tradução: Ana Lúcia Almeida Gazolla. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994.
KARL, Frederick Robert, O moderno e o modernismo : a soberania do artista, 1885-1925 / Frederick R. Karl ; [tradução: Henrique Mesquita]. - Rio de Janeiro : Imago, 1988.
PESSOA, Fernando. Odes de Ricardo reis: obra poética III; organização, introdução e notas Jane Tutikian, - Porto Alegre: L&PM Pocket, 2007.
 
 
Notícia publicada em 20/01/2009

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