
Ique no JB Online
Cuba persegue dissidentes em sepultamento de preso político
Regime detém 100 pessoas, incluindo a blogueira Yoaní Sanchéz, e proíbe críticos do governo de ir a enterro de Zapata
Do Estado de São Paulo
AP, Afp, Efe e Reuters
HAVANA
O corpo do preso político cubano Orlando Zapata - que morreu na terça-feira após passar 85 dias em greve de fome - foi sepultado ontem em Banes, a 850 quilômetros a leste de Havana, sob um virtual estado de sítio. A cerimônia foi marcada pelo silêncio da imprensa local e por uma série de detenções de dissidentes, que foram proibidos de sair de casa e de viajar para comparecer ao enterro.
A morte de Zapata - o primeiro preso político a morrer na ilha desde 1972 - coincidiu com a chegada a Cuba do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e provocou uma série de críticas da comunidade internacional à situação dos direitos humanos no país. Antes de Lula chegar a Havana, presos políticos haviam pedido a ele, em carta aberta (disponível na internet desde domingo), que ele intercedesse ante o governo cubano pela libertação de cerca de 200 dissidentes, entre eles Zapata.
O presidente lamentou a morte, mas alegou não ter recebido nenhuma carta de grupos de defesa de direitos humanos. Ele também justificou seu silêncio em relação à falta de liberdade na ilha sob a alegação de que não interfere em assuntos internos de outro país. Lula visitou Cuba para reforçar os laços econômicos com a ilha, que tem o Brasil como seu segundo parceiro comercial.
O líder cubano, Raúl Castro - ao lado de Lula -, disse lamentar a morte de Zapata, atribuindo-a à "luta ideológica contra os EUA". A mãe do dissidente, Reina Luisa Tamayo, porém, criticou as declarações de Raúl. "É um cínico! Não permito que ele envie mensagens porque meu filho leva impregnado em seu corpo os golpes e as torturas", disse Reina.
Segundo a mãe do dissidente morto, o velório de Zapata foi fortemente vigiado pela polícia, que passou a noite inteira rondando sua casa. Pelo menos mil agentes foram enviados à cidade, restringindo a movimentação na área. A blogueira Yoaní Sánchez, uma das faces mais conhecidas da nova geração de dissidentes, disse ter sido detida por algumas horas pela polícia quando se preparava para viajar até Banes.
PERSEGUIÇÃO POLÍTICA
Pelo menos cem dissidentes foram presos temporariamente desde a morte de Zapata, informou ontem a ilegal, embora tolerada, Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional.
"O número de vítimas da onda de repressão iniciada após a morte de Zapata já está em uma centena de dissidentes em todo o país, incluindo detenções em delegacias de polícia e reclusões domiciliares obrigatórias e extrajudiciais", disse o porta-voz da organização, Elizardo Sánchez. "A maioria deles já foi liberada."
O porta-voz ainda afirmou que as autoridades cubanas demoraram para entregar o corpo de Zapata à família em Banes e deram apenas duas horas para que o enterro fosse realizado, com o objetivo de impedir que muitas pessoas comparecessem ao funeral.
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Bispos de Cuba pedem que casos como o de Zapata sejam evitados
Religiosos afirmaram ter tentado visitar dissidente várias vezes e pediram ações 'contundentes' contra Havana
Efe
HAVANA - A Conferência de Bispos Católicos de Cuba disse nesta quinta-feira, 25, que tentou por várias vezes visitar o preso político Orlando Zapata Tamayo, que morreu na terça-feira após 85 dias de greve de fome e foi enterrado nesta quinta. Os bispos pediram às autoridades que tomem medidas necessárias "para que situações como essas não se repitam".
Em um comunicado no qual afirmam que ficaram sabendo da morte do dissidente pela imprensa internacional, os religiosos também disseram que a Igreja é contra o uso de "métodos de reclamação que coloquem a vida em perigo, o que é uma forma de violência que a pessoa exerce sobre si mesma".
Segundo a nota, "a Igreja solicitou em várias ocasiões visitar o senhor Zapata, o que não pôde ser realizado". O documento, contudo, não relata quais foram os pedidos nem a quem foram feitos.
Para os bispos, uma morte "nestas condições é uma tragédia para todos porque se trata da vida de uma pessoa, que é sempre o bem maior a ser protegido e conservado por todos".
Os católicos também ofereceram suas condolências a mãe e demais familiares de Zapata, sepultado nesta quinta, e recordaram que o dissidente era considerado "preso de consciência".
"Ódio ao seu povo"
Um grupo de exilados venezuelanos lamentou nesta quinta a morte de Orlando Zapata, e pediu que a comunidade internacional empreenda ações "contundentes" contra o governo de Cuba e países que estão se aproximando de "seu sistema político, como a Venezuela".
O diretor geral do grupo Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio (Veppex), José Antônio Colina, disse em uma conferência de imprensa que sua organização rechaça a atitude do regime castrista, "que permitiu a morte do dissidente".
"O regime castrista demonstrou ódio a seu povo. Fazemos um pedido aos organismos internacionais para que tomem ações contundentes contra Cuba e exijam que o país libere os presos políticos para evitar que outro morra, porque já não tem esperanças de viver em liberdade", disse o ativista venezuelano.
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Da Agência Brasil
Pré-selecionados do ProUni têm até hoje para confirmar matrícula
Brasília - Termina hoje (26) o prazo para os candidatos pré-selecionados do Programa Universidade para Todos (ProUni) comprovarem as informações prestadas na inscrição e confirmar a matrícula. A comprovação e a apresentação de documentos devem ser feitas na instituição em que o estudante foi selecionado.
Foram selecionados na primeira etapa de inscrições 148,3 mil estudantes. Os demais candidatos podem voltar a concorrer na segunda fase, de 4 a 7 de março. Os estudantes que não participaram da primeira etapa também podem se inscrever.
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Desmatamento da Caatinga e do Cerrado será monitorado a partir de março
Brasília - A Caatinga e o Cerrado serão monitorados pelos técnicos do Ministério do Meio Ambiente com objetivo de combater o processo de desmatamento que atinge dois dos importantes biomas do país. De acordo com o ministro Carlos Minc, o monitoramento começa a ser executado a partir de março.
Para o ministro, o país não deve apenas se preocupar com o desmatamento da Amazônia. “Até algum tempo atrás, só a Amazônia era monitorada, parecia que só existia a Amazônia, como se não houvesse desmatamento dos outros biomas. O Brasil não é um samba de uma nota só”, disse.
Minc participou hoje (25) da reunião do grupo de trabalho responsável pela elaboração do Macro Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) da Amazônia. Na reunião estiveram presente também representantes do estados da Amazônia Legal e do Consórcio ZEE Brasil, composto por 14 instituições públicas.
A proposta do zoneamento está em fase de consulta pública no site do Ministério do Meio Ambiente. Até o dia 6 de março, os técnicos responsáveis pela elaboração do ZEE estarão recebendo sugestões e críticas da sociedade, dos movimentos sociais, das universidades, de pesquisadores e dos setores produtivo e empresarial com a finalidade de aperfeiçoar as estratégias de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Minc disse que “o macro zoneamento está numa fase importante, porque as pessoas podem participar”.
O analista ambiental e coordenador do ZEE da Amazônia, Bruno Siqueira, afirmou que a partir do levantamento dos aspectos sociais, ambientais e econômicos feito pelo ZEE, é possível fazer um diagnóstico para propôr uma estratégia de uso e ocupação do território que tenha como objetivo maior a sustentabilidade.
O ministro disse para os representantes dos estados e integrantes do consórcio sobre a importância do zoneamento no cumprimento do Plano de Mudanças Climáticas assumido pelo presidente Lula em Copenhague no fim do ano passado. “Todo mundo olha para a Amazônia e acho que vocês têm uma grande responsabilidade”, afirmou.
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Da BBC Brasil
Campanhas caras e leis duras estimulam corrupção no Brasil, diz 'Economist'
A edição desta semana da revista britânica The Economist traz um artigo em que afirma que os altos custos das campanhas políticas no Brasil, aliados a regras de financiamentos eleitorais “estritas de maneira irrealista”, são a origem de muitos dos escândalos de corrupção no país.
A revista cita o recente caso envolvendo o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e brinca ao afirmar que “no Brasil, quando dinheiro, política e escândalos se encontram, há geralmente uma câmera em algum lugar para fazer com que qualquer declaração de inocência se esvazie”.
Afirmando que o “Brasil provavelmente não é mais corrupto que países de tamanho e riqueza similares” – com resultados melhores em índices de percepção da corrupção que Índia, China e Rússia -, a Economist ressalta que os escândalos no país costumam ser investigados por uma imprensa “agressiva e competitiva” e instituições fortes como o Ministério Público.
Citando informações da ONG Transparência Brasil, a publicação diz que, embora parte do dinheiro da corrupção seja usada em propinas, a maior quantidade vai para financiamentos de campanhas, cujas regras no Brasil são bastante estritas.
Como exemplo dessas regras duras, a revista cita a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, depois suspensa pela Justiça.
A Economist também afirma que as campanhas no Brasil são muito caras, devido ao tamanho dos distritos eleitorais e a uma cultura entre empresas de que é necessário fazer doações a políticos de todas as tendências, como forma de ficar bem com o governo.
Para a revista, a visão de que a prisão de Arruda representa um progresso no combate à corrupção é “otimista”. Além disso, a publicação sugere que ele só foi preso por governar o Distrito Federal, que é “pequeno”, e representar um partido, o DEM, “cuja importância está diminuindo”.
“Uma lição mais prática do episódio (Arruda) para os aspirantes a políticos pode ser a de checar vasos, malas e móveis para ver se há câmeras escondidas antes de lidar com grandes maços de dinheiro”, diz a revista.
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Cientistas dizem estar pertos de criar 'tradutor' de choro de bebês

Pais podem ganhar ajuda para entender o que a choradeira significa
Um grupo de cientistas japoneses desenvolveram um programa de computador capaz de analisar o choro dos bebês. Por enquanto, o sistema consegue diferenciar o choro decorrente de alguma dor dos demais tipos.
Os pesquisadores acreditam que, em breve, o tradutor do choro dos bebês poderá dizer aos pais se seus filhos então com sono, fome, precisando trocar de fralda ou com dor.
Nos resultados divulgados na mais recente edição do International Journal of Biometrics, os japoneses afirmam que conseguiram um índice de 100% de acerto em seus testes para diferenciar quando o bebê chora porque está com dor de quando chora por outras razões.
Para conseguir isso, o sistema desenvolvido analisa a frequência e a potência do choro para classificá-lo.
Apesar de estarem usando uma grande estrutura de computadores para realizar a análise, os cientistas acreditam que a técnica poderá ser implantada em monitores portáteis ou até mesmo aparelhos de celular.
A empresa te tecnologia espanhola Biloop já havia lançado em novembro do ano passado um Clique aplicativo para o Iphone chamado Cry Translator ("Tradutor de choro", em inglês). Segundo a empresa, os testes teriam comprovado que o programa acerta 96% das vezes, mas nem todos os consumidores concordaram.
Tomomasa Nagashima, professor do Instituto de Tecnologia Muroran, em Hokkaido, no Japão, e um dos líderes do projeto, diz que a tentativa de ajudar os pais a interpretar o choros dos bebês realmente não é nova, mas que os monitores do futuro poderão traduzir o choro dos bebês para que os pais saibam o que significa com absoluta certeza".
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Brasil se torna o segundo maior produtor de transgênicos do mundo
Da Folha Online
O Brasil se tornou, pela primeira vez, o segundo maior produtor de transgênicos no planeta, com 21,4 milhões de hectares plantados, segundo dados fornecidos pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa, na sigla em inglês) nesta terça-feira (23).
Com isso, o Brasil plantou 16% dos 134 milhões de hectares de transgênicos cultivados em 2009 no mundo.
No ranking, feito com dados relativos ao ano de 2009, o país ultrapassou a Argentina --cujo plantio chegou a 21,3 milhões de hectares-- e fica atrás dos Estados Unidos (com 64 milhões).
O crescimento brasileiro foi 35,4% maior em relação a 2008 (quando o país registrou 5,6 milhões de hectares).
"Trata-se do maior índice de crescimento entre os 25 países produtores de transgênicos, especialmente em razão da rápida adoção do milho transgênico", afirma a Isaaa, em comunicado.
A base de produtos geneticamente modificados plantados no Brasil reside na soja (71%), no milho (31%) e no algodão (16%), segundo a entidade.
Os principais Estados produtores que adotaram tecnologia transgênica são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.
"Em 2009, 14 milhões de agricultores plantaram 134 milhões de hectares de lavouras transgênicas em 25 países, bem acima dos 13,3 milhões de agricultores e 125 milhões de hectares (7%) em 2008. Notadamente, em 2009, treze dos quatorze milhões de agricultores, ou 90%, foram pequenos agricultores com recursos escassos em países em desenvolvimento", afirma o relatório da Isaaa.
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Devassa revela abusos em série no MP do Piauí
Entre as constatações, salários de até R$ 61 mil, fraudes em licitações e promotores eleitorais filiados a partidos
Efrém Ribeiro, em O Globo
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) começou ontem uma inspeção na Procuradoria Geral de Justiça do Piauí, após a divulgação do relatório da primeira inspeção na instituição.
Entre outras irregularidades, foram descobertos promotores eleitorais filiados a partidos políticos, o pagamento de salário de R$ 61 mil a procuradores, sonegação de Imposto de Renda por promotores, procuradores e funcionários, além de fraudes na realização de licitações para compras de bens e contração de serviços.
A inspeção ficará a cargo de quatro integrantes do CNMP: Sandro José Neis (corregedor-geral), Taís Ferraz, Cláudio Barros e Almino Afonso. Os conselho descobriu também que um prédio anexo foi comprado sem licitação.
Também foi constatado o pagamento de salários acima de R$ 5 mil a estagiários; pagamentos de gratificações a procuradores e promotores com valores de R$ 1 mil a R$ 9 mil por mês; pagamento de jetons de R$ 2 mil a R$ 3 mil para procuradores e promotores para participação em reuniões; e gastos de R$ 26 mil com arranjos de flores.
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Arranjo de flores de R$ 26 mil e jetons
Em sua auditoria no Piauí, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) constatou irregularidades que foram relatadas num documento de 53 páginas.
O documento traz denúncias como o pagamento de arranjos florais que deveriam ter custado R$ 15 mil, mas saíram por R$ 26.528,64 — 76,85% a mais.
O relator Almino Afonso pede sindicância para apurar também um café da manhã diário para 20 pessoas na Procuradoria Geral de Justiça, contratado por licitação, com tábua de presunto e peito de peru, queijos, pães recheados, brioches, caldos de carne, entre outros itens.
Os valores mais altos foram registrados no pagamento de jetons, referentes a participações em sessões extraordinárias. Almino Afonso considerou um "verdadeiro absurdo" pagar a procuradores para fazerem algo que ,legalmente, já devem fazer.
A investigação apontou que o pagamento servia apenas para aumentar a remuneração dos procuradores, até atingir o teto constitucional.
Tal prática já teria sido suspensa, mas o relator pede o ressarcimento dos valores pagos de 2005 a 2008. Segundo o relatório, todos os procuradores receberam neste período R$ 2.388,75 mensais, mesmo quando não participavam de todas as sessões. Os valores chegam a R$ 1.739.055 nos quatro anos.
Assinantes, aqui.
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Experiência de jovens brasileiros nos EUA vai ao ar neste sábado, no Caldeirão do Huck
Camila de Magalhães, do Correio Brasiliense
As três inesquecíveis semanas vividas nos Estados Unidos por 35 jovens embaixadores do Brasil em janeiro foram documentadas em vídeo pela TV Globo. E os melhores momentos dessa experiência vivida por adolescentes de 22 estados do país vão ao ar neste sábado (27/2), a partir das 16h15, no programa Caldeirão do Huck. Eles foram selecionados entre 4 mil inscritos.
A galera fez parte do programa Jovens embaixadores, que leva para a terra do Tio Sam alunos do ensino médio da rede pública entre 15 e 18 anos, com excelente desempenho escolar, boa fluência em inglês, capacidade de liderança e participação mínima de um ano em atividades voluntárias. O programa é de responsabilidade social da embaixada americana, em parceria com os setores público e privado do Brasil e dos EUA.
Um dos sortudos e único representante do Distrito Federal na viagem, o estudante Filipe Ferreira Marques, 17 anos, conta como foi passar por várias cidades, conhecer os principais monumentos da capital americana e viver por duas semanas numa casa de família local.
“Costumo dizer que a gente não foi passear. Fomos em uma missão internacional para aprender sobre a cultura dos Estados Unidos, ver como funciona o sistema de governo e o educacional, além de mostrar todos os aspectos relacionados ao Brasil.” Na opinião do rapaz, o momento mais fantástico foi o encontro com a primeira dama do país, Michelle Obama, na Casa Branca, que não pôde ser filmado nem fotografado. Imagens, só as oficiais.
“Surpresa muito louca”
“Dos momentos memoráveis, foi o mais incrível”, resume Filipe. Segundo ele, o grupo só soube da visita na véspera. “Foi uma surpresa muito louca.” A reunião só durou meia hora. Quem fez a apresentação sobre o Brasil foi a estudante Bruna Dantas Lobato, representante do Rio Grande do Norte. Apenas 10 dos 35 jovens embaixadores puderam fazer perguntas à primeira dama. Os questionamentos – sobre sobre educação, saúde, alimentação, segurança e relações diplomáticas – foram respondidos satisfatoriamente, de acordo com Filipe.
O brasiliense ficou fora da lista, mas afirma que Michelle é muito simpática, informada e deu o maior apoio aos jovens para continuarem se dedicando aos estudos. “Ela disse que se lembrou de quando era jovem e começou a estudar e lutar por uma vida melhor”, relata. Os adolescentes também fizeram um tour pela casa presidencial. Conheceram a sala de jantar oficial, a sala da primeira dama onde recebe autoridades, a sala de conferências, a sala dos presidentes e fizeram um rápido passeio pelos jardins.
Depois de conhecer Washington D.C., o grupo foi subdividido em quatro e cada parte foi para um estado diferente: Montana, Washington, Carolina do Norte e Oklahoma, onde foram hospedados por famílias locais durante duas semanas. Filipe adorou a experiência na cidade de Charlotte, na Carolina do Norte. A recepção, pela família americana, foi “calorosa”. O jovem teve um quarto só para ele e foi levado ao cinema, à fábrica da BMW, teve uma festa em sua homenagem, foi jogar boliche e paintball a ainda “podia abrir a geladeira, comer a hora que quisesse, assistir TV e jogar videogame.”
O grupo de brasileiros também frequentou por alguns dias a escola Olympic High-School, onde fez apresentações sobre economia, cultura, educação e governo brasileiros. Por incrível que pareça, o interesse foi enorme. “Os alunos queriam saber o que a gente fazia para se divertir, o que fazia na escola, qual era o significado da bandeira e do hino”, comenta o rapaz, ao destacar que a curiosidade foi recíproca.
De volta pra casa
O mais difícil, diz Filipe, foi o retorno ao Brasil. “A gente se apega muito uns aos outros, viramos uma família.” A maior lição da viagem, diz o estudante, foi aprender , quando se tem um objetivo e luta-se por ele, é possível conseguir. “Se você lutar com todas as suas forças, nada é impossível. O esforço traz a recompensa”, observa.
De volta à rotina, o brasiliense agora estuda por conta própria para prestar o vestibular do meio de ano para ciências políticas. Em abril, porém, ele vai tentar uma vaga em universidade americana. “Gostaria de fazer ciências políticas ou relações internacionais. O que me motivou a participar do programa foi que pretendo trabalhar com a área internacional”, explica. “Estudar fora era um sonho antigo. Depois do programa, tornou-se mais palpável, consegui enxergá-lo como uma oportunidade.”
Filipe foi convidado pela escola onde estuda, Centro de Ensino Médio Gisno, e pelo curso de inglês para dar palestras sobre a experiência no exterior como forma de divulgação do programa e incentivo a outros jovens que queiram participar. Apesar de já haver se formado no nível avançado de inglês, Filipe vai voltar às aulas porque ganhou uma bolsa de estudos para aprimorar o idioma. O objetivo é aproveitar a nova formação para dar ênfase a gramática.
Aos fins de semana, ele continua com o trabalho voluntário junto a uma casa espírita da Asa Norte, bairro onde vive. Sábado é dia de recolher doações de alimentos e roupas para famílias carentes do Paranoá. E domingo, dia de entrega.
O que é o programa
O programa Jovens Embaixadores é uma iniciativa de responsabilidade social da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, em parceria com os setores público e privado em ambos os países. Entre os colaboradores estão o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), o Ministério da Educação (MEC) e a rede de centros binacionais Brasil-Estados Unidos.
Os estudantes selecionados para participar viajam em janeiro para um programa de três semanas nos Estados Unidos com todas as despesas pagas. Durante a primeira semana, visitam a capital do país, seus principais monumentos, participam de reuniões em organizações dos setores público e privado, visitam escolas e projetos sociais e participam de um curso sobre protagonismo juvenil.
Após essa primeira semana em Washington, os participantes são divididos em sub-grupos e cada um viaja para um estado diferente nos EUA. Lá, são hospedados por uma família americana, assistem aulas e interagem com jovens da sua idade, participam em atividades culturais e de responsabilidade social na comunidade e fazem apresentações sobre o Brasil.
Para participar é necessário:
- Ter entre 15 e 18 anos (até a data da viagem);
- Ter boa fluência oral e escrita em inglês;
- Ser aluno do ensino médio da rede pública
- Ter excelente desempenho escolar
- Ter perfil de liderança, iniciativa e boa desenvoltura oral
- Estar engajado, por pelo menos um ano, em atividades de voluntariado
- Imprimir e preencher o questionário disponível no site do programa. Aqui.
- Identificar a instituição parceira mais próxima de sua residência e entrar em contato para encaminhar o questionário preenchido e a documentação solicitada
As inscrições são anuais e ocorrem entre maio e junho. Informações, aqui.
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Pobreza pode deixar marcas biológicas permanentes nas crianças
Do UOL-Notícias
A pobreza pode deixar profundos e permanentes efeitos biológicos em crianças pequenas, que quando adultas correm mais riscos de sofrer problemas de saúde e ter renda mais baixa, revelou uma pesquisa apresentada no último fim de semana em San Diego, Califórnia.
Cientistas americanos definiram "uma biologia da pobreza" entre adultos que passaram a infância em um ambiente de pobreza, principalmente entre aqueles que viveram na miséria antes dos cinco anos de idade, segundo o estudo publicado no domingo, na reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).
"A pobreza tem o potencial de modificar profundamente a neurobiologia da criança pequena em desenvolvimento", e pode afetar diretamente toda a sua vida, afirma Greg Duncan, da Universidade da Califórnia.
A primeira infância é um "momento crucial para estabelecer a arquitetura do cérebro que dá forma ao futuro cognitivo, social e de bem-estar emocional da criança", explica o estudo.
"As crianças que crescem em um ambiente desfavorável mostram níveis desproporcionais de reação ao estresse, e isso é notado a nível de exames hormonais, neurológicos e de perfis epigenéticos", diz Thomas Boyce, da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá.
Para medir os efeitos socioeconômicos destes marcadores neurobiológicos da pobreza, os pesquisadores analisaram dados demográficos de 1.589 adultos nascidos entre 1968 e 1975, incluindo o nível de renda de suas famílias e os anos de educação alcançados, além de dados sobre sua saúde e antecedentes penais.
"Diferenças notáveis" foram percebidas entre as vidas adultas daquelas crianças, de acordo com o nível socioeconômico antes dos seis anos.
"Em comparação com crianças cujas famílias registravam renda pelo menos duas vezes mais alta que a linha de pobreza durante sua primeira infância, as crianças pobres tiveram dois anos a menos de escolaridade em média, trabalham 451 horas a menos por ano e ganham menos da metade", indica o estudo.
Estas crianças também receberam de adultos mais de 800 dólares a mais por ano em cupons de alimentos, e foram duas vezes mais propensas a ter uma saúde em geral deficiente ou altos níveis de estresse psicológico.
As crianças pobres também acabaram mais gordas que as ricas, assim como mais propensas a apresentar sobrepeso na vida adulta.
Além disso, homens pobres desde a infância têm o dobro de chances de serem presos, e as mulheres, seis vezes mais chances de se tornarem mães solteiras.
A pesquisa, a primeira com estas características realizada nos Estados Unidos, também demonstrou que se uma família pobre recebe 3.000 dólares por ano a mais através da assistência social do governo por ter um filho de menos de cinco anos, quando adulto esta criança ganhará 17% a mais e trabalhará 135 horas a mais por ano.
"Este estudo prova que as políticas de bem-estar social dirigidas a famílias americanas pobres com crianças pequenas produzem resultados palpáveis".
Segundo os autores do estudo, quatro milhões de crianças nos Estados Unidos viviam na pobreza em 2007.
Para Jack Shonkoff, da Universidade de Harvard, a pesquisa oferece "uma oportunidade magnífica para aprender mais sobre a biologia da pobreza", que pode ajudar a "desenvolver novas ideias e mitigar o impacto da precariedade no emprego e proteger melhor as crianças pequenas".