Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás
Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás
×
  • A+
  • A
  • A-
  • Contraste Padrão
  • Contraste Amarelo
  • Contraste Azul
  • Contraste Preto
  • VLibras
  • Ouvidoria
  • e-SIC
  • SIC
  • Compliance
  • Agenda de Autoridades
  • Acessibilidade
  • Webmail
  • ADMS
  • Mapa do Site
  • Institucional
    • Quem somos
    • Conselhos Superiores
    • Reitoria
    • Pró-Reitorias
    • Institutos Acadêmicos
    • Legislação
    • Administração
    • Carta de Serviços
  • Ensino
    • Pró-Reitoria de Graduação
    • Graduação
    • Educação a Distância
    • Pós-graduação
  • Pesquisa
    • Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação
    • Pesquisa e Inovação
    • Ética em pesquisa
    • Iniciação Científica
    • Editora UEG
  • Extensão
    • Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis
    • Ações de Extensão
    • Cultura e Esportes
    • Assuntos Estudantis
  • Estude Conosco
    • Nossa Universidade
    • Formas de Ingresso
    • Sistema de Cotas
    • Processos Seletivos
    • Núcleo de Seleção
    • Nossos Cursos
  • Cursos
    • Instituto Acadêmico de Ciências Agrárias e Sustentabilidade
    • Instituto Acadêmico de Ciências da Saúde e Biológicas
    • Instituto Acadêmico de Ciências Sociais Aplicadas
    • Instituto Acadêmico de Ciências Tecnológicas
    • Instituto Acadêmico de Educação e Licenciaturas
  • Câmpus
  • Alunos
  • Professores
  • Servidores
  • Acesso à Informação

Ouvidoria

e-SiC: Serviço de Informação ao Cidadão (Portal Expresso)

SiC: Serviço de Informação ao Cidadão (Portal Vapt Vupt)

Compliance

Agenda de Autoridades

Acessibilidade

Fale conosco

ADMS

Mapa do Site

LGPD

Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás
Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás Logomarca: Universidade Estadual de Goiás
  • Institucional
    • Quem somos
    • Conselhos Superiores
    • Reitoria
    • Pró-Reitorias
    • Institutos Acadêmicos
    • Legislação
    • Administração
    • Carta de Serviços
  • Ensino
    • Pró-Reitoria de Graduação
    • Graduação
    • Educação a Distância
    • Pós-graduação
  • Pesquisa
    • Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação
    • Pesquisa e Inovação
    • Ética em pesquisa
    • Iniciação Científica
    • Editora UEG
  • Extensão
    • Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis
    • Ações de Extensão
    • Cultura e Esportes
    • Assuntos Estudantis
  • Estude Conosco
    • Nossa Universidade
    • Formas de Ingresso
    • Sistema de Cotas
    • Processos Seletivos
    • Núcleo de Seleção
    • Nossos Cursos
VLibras
C
C
C
C
A-
A
A+
  • Câmpus/Unidades
    • Câmpus / Unidades
    • Câmpus Central - Sede: Anápolis - CET - Henrique Santillo
      • Unidade Universitária de Anápolis - CSEH - Nelson de Abreu Júnior
      • Unidade Universitária de Ceres
      • Unidade Universitária de Goianésia
      • Unidade Universitária de Jaraguá
      • Unidade Universitária de Luziânia
      • Unidade Universitária de Pirenópolis
      • Unidade Universitária de Silvânia
    • Câmpus Metropolitano - Sede: Aparecida de Goiânia
      • Unidade Universitária de Goiânia - ESEFFEGO
      • Unidade Universitária de Goiânia - Laranjeiras
      • Unidade Universitária de Inhumas
      • Unidade Universitária de Senador Canedo
      • Unidade Universitária de Trindade
    • Câmpus Nordeste - Sede: Formosa
      • Unidade Universitária de Campos Belos
      • Unidade Universitária de Posse
    • Câmpus Cora Coralina - Sede: Cidade de Goiás
      • Unidade Universitária de Itaberaí
      • Unidade Universitária de Itapuranga
      • Unidade Universitária de Jussara
    • Câmpus Sul - Sede: Morrinhos
      • Unidade Universitária de Caldas Novas
      • Unidade Universitária de Ipameri
      • Unidade Universitária de Itumbiara
      • Unidade Universitária de Pires do Rio
    • Câmpus Sudoeste - Sede: Quirinópolis
      • Unidade Universitária de Edéia
      • Unidade Universitária de Jataí
      • Unidade Universitária de Mineiros
      • Unidade Universitária de Santa Helena de Goiás
    • Câmpus Oeste - Sede: São Luís de Montes Belos
      • Unidade Universitária de Iporá
      • Unidade Universitária de Palmeiras de Goiás
      • Unidade Universitária de Sanclerlândia
    • Câmpus Norte - Sede: Uruaçu
      • Unidade Universitária de Crixás
      • Unidade Universitária de Minaçu
      • Unidade Universitária de Niquelândia
      • Unidade Universitária de Porangatu
      • Unidade Universitária de São Miguel do Araguaia
  • Cursos
    • Instituto Acadêmico de Ciências Agrárias e Sustentabilidade
    • Instituto Acadêmico de Ciências da Saúde e Biológicas
    • Instituto Acadêmico de Ciências Sociais Aplicadas
    • Instituto Acadêmico de Ciências Tecnológicas
    • Instituto Acadêmico de Educação e Licenciaturas
    Graduação
    BACHARELADO
    • Agronomia
    • Engenharia Agrícola
    • Engenharia Florestal
    • Medicina Veterinária
    • Zootecnia
    TECNOLÓGICO
    • Agroecologia
    • Agroindústria
    Pós-Graduação
    MESTRADO
    • Engenharia Agrícola
    • Produção Animal e Forragicultura
    • Produção Vegetal
    Graduação
    BACHARELADO
    • Biomedicina
    • Enfermagem
    • Farmácia
    • Fisioterapia
    • Medicina
    LICENCIATURA
    • Ciências Biológicas
    • Educação Física
    TECNOLÓGICO
    • Estética e Cosmética
    Pós-Graduação
    MESTRADO
    • Ambiente e Sociedade
    • Ciências Aplicadas a Produtos para Saúde
    • Pós-graduação Profissional Nacional em Rede em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos
    • Recursos Naturais do Cerrado (RENAC)
    DOUTORADO
    • Recursos Naturais do Cerrado (RENAC)
    Graduação
    BACHARELADO
    • Administração
    • Ciências Contábeis
    • Ciências Econômicas
    • Cinema e Audiovisual
    • Design de Moda
    • Direito
    • Turismo
    • Turismo e Patrimônio
    TECNOLÓGICO
    • Gastronomia
    • Logística
    • Mineração
    Pós-Graduação
    MESTRADO
    • Gestão, Educação e Tecnologias
    • Pós-graduação Profissional Nacional em Rede em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação
    Graduação
    BACHARELADO
    • Arquitetura e Urbanismo
    • Engenharia Civil
    • Química Industrial
    • Sistemas de Informação
    LICENCIATURA
    • Química
    TECNOLÓGICO
    • Redes de Computadores
    • Sistemas Para Internet
    Pós-Graduação
    MESTRADO
    • Ciências Moleculares
    DOUTORADO
    • Química
    Graduação
    BACHARELADO
    • Psicologia
    LICENCIATURA
    • Física
    • Geografia
    • História
    • Letras Português/Inglês
    • Matemática
    • Pedagogia
    Pós-Graduação
    MESTRADO
    • Educação
    • Educação, Linguagem e Tecnologias
    • Ensino de Ciências
    • Estudos Culturais, Memórias e Patrimônios
    • Geografia
    • História
    • Língua, Literatura e Interculturalidade
    • Territórios e Expressões Culturais no Cerrado
    DOUTORADO
    • Educação, Linguagem e Tecnologias
    • Territórios e Expressões Culturais no Cerrado
  • Alunos
  • Professores
  • Servidores
  • Acesso à Informação
  • Página Inicial ›
  • Notícias

Cida Almeida e a Flor da Pedra

 

 Entrevista – Cida Almeida
 
Poesia à flor da pedra
 
 
Formada em Jornalismo e Direito pela Universidade Federal de Goiás na década de 80, Cida Almeida descobriu a poesia na adolescência, lendo o caderno de uma colega deescola e se deliciando com a palavra lúgubre, embora não entendesse seu significado. Mas foino Segundo Grau, entre pipetas, reagentes, lâminas de cebola no microscópio, tabela periódica, físico-química e outras ciências do curso profissionalizante de Química que ela descobriu o verdadeiro incêndio de Alexandria, o universo fantástico da biblioteca. E de cara a estrela da vida inteira da poesia de Manuel Bandeira.
 
Na Faculdade de Direito participou de um concurso de poesia organizado pelo Centro Acadêmico. Ficou em terceiro lugar, colocação que valeu a publicação do poema em um livro artesanal e elogios dos jurados do concurso.
Cida, a exemplo de centenas de poetas brasileiros, se aventurou pela internet para mostrar sua produção poética. A boa recepção do público, principalmente no Overmundo
(www.overmundo.com.br) lhe respaldou para inscrever o livro Flor da Pedra na Lei de Incentivo a Cultura da Prefeitura de Goiânia. Selecionado, o livro foi lançado em dezembro do ano passado, com pré-lançamento em diversas escolas municipais de Goiânia. Agora, em 2009, percorre as bienais do País. De 10 a 20 de setembro, o Flor da Pedra estará na Bienal do Rio de Janeiro.
Com passagens por jornais de Goiânia e Brasília (foi correspondente do Correio Brasiliense/Sucursal de Goiânia) e assessorias de imprensa de órgãos públicos (atualmente trabalha na assessoria de imprensa da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás), Cida Almeida escreve sobre literatura para sites de cultura e mantém os blogs Caixinha e Alfazema, Cartas do Paraíso e Diálogos da Esfinge, onde publica fotografias, crônicas, ensaios e poesias.
 
Como foi a sua descoberta da poesia, da literatura" Como se deu o seu encontro com a poesia"
 
Penso que sempre tive um senso poético da vida e das coisas. Um lado introspectivo, observador, uma angústia e perplexidade diante da vida e de mim mesma, uma necessidade muito grande de compreender, de dar expressão e materialidade a esses sentimentos e sensações. Também fui uma adolescente solitária e buscava refúgio nos pensamentos e nos livros, aquela fase em que a gente vive mais de imaginação do que de realidade. Cresci numa casa sem livros e não desperdiçava nenhuma oportunidade de leitura. Lia bula de remédios, jornais velhos que embrulhavam as compras da feira, do açougue, até aqueles livrinhos de westerm, tudo que me caía às mãos. Lembro que os primeiros poemas que li na vida foram os de uma amiga, que nem lembro mais o nome, naqueles caderninhos que as meninas mantinham como segredos indevassáveis. O dela era só de poesia. Pedi emprestado, levei pra casa. Foi a primeira vez que ouvi, vi escrita a palavra lúgubre. Não entendia o significado, mas achei lindo. Assim, sem mais nem menos, comecei a escrever, tentando dar forma àquela vida imaginária de adolescente reprimida, que gostava de ficar no quarto, isolada, lendo e viajando nos pensamentos. O gosto pela leitura ficou cada vez mais aguçado no ginásio. Lia e escrevia as minhas bobagens. Um dia, sem mais nem quê, descobri que as minhas bobagens, como disse Quintana, tinham virado poesia. No meu caso, um obsessivo exercício de poesia. Isso durante toda a adolescência e juventude.
 
 
Naquele tempo você chegou a pensar na possibilidade de publicar o que escrevia"

Poucas vezes me atrevi a mostrar o que escrevia. Participei de um único concurso de poesia, do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito, e fiquei com o terceiro lugar, que rendeu até a publicação em um livrinho bem artesanal e comentários elogiosos do professor Eurípedes Leôncio, que era da banca de examinadores. Mas lá pelos 25 anos, também sem mais nem quê, dei um basta. Parei de escrever, época em que já estava trabalhando como jornalista e terminando o curso de Direito.
Fui pra vida. Acho que fiquei com medo daquela história de que poetas felizes não fazem versos...
 
Você tinha desistido da poesia"
 
Felizmente, apesar do meu descaso, a poesia não desistiu de mim. Em 2005, veio com tudo. Impôs-se como um desejo absoluto, com aquela força de verdade interior, o meu itinerário natural. A poesia foi a minha salvação. Ela me devolveu a profundidade do espelho, me ajudou a superar dores, a transcender, a reencontrar o prazer absoluto da palavra e o desejo de fazer a palavra tilintat, respirar, ganhar corpo e alma.
 
 
O poeta  Lêdo Ivo disse uma vez que  não teve influências, mas sim convivência. Quais foram as suas convivências ou influências marcantes"
 
 
Quem gosta de literatura, poesia, realmente convive com os autores. Em poesia, a grande convivência foi Drummond, o primeiro poeta da minha alma. Eu lia Drummond como quem lê a Bíblia. Lia para apaziguar as minhas inquietações, angústias, em busca de sentidos mais profundos que os estéticos e estilísticos. Drummond abria as minhas portas secretas, cutucava as minhas feridas, me ensinava a mergulhar no poço escuro e voltar à tona, a ter coragem, a suportar a dor de existir. Com ele aprendi a conviver com a pedra e a desejar a flor. Lia e recitava Drummond, o meu anjo torto de todas as minguadas horas.
 
 
Drummond era absoluto ou houve outras convivências"
 
Outra convivência, hoje mais absoluta que a de Drummond, é a de Manuel Bandeira, o Manuel de todas as deliciosas horas, com quem aprendo as sutilezas e delicadezas do fazer poético. Ultimamente, ando “bestando” com Bandeira, de pura admiração pela riqueza de sua poesia e de sua prosa. E o meu pintor de palavras foi Erico Verissimo. Seus livros ficaram gravados em mim como pinturas, quadros em movimento. Depois, vieram Machado, Graciliano, Baudelaire, Clarice, Cecília, Adélia, Guimarães Rosa, Florbela, José J. Veiga, Elisa, e recentemente Mário de Andrade, com quem aprendo que escrever é um soberbo tropeção. E essas convivências viram influências. Se de tudo fica um pouco, porque não ficaria ou viveria em mim um pouco de Carlos, de Manuel, de Adélia, de Clarice, de Mário...
 
Quais são seus propósitos poéticos e como você se relaciona com a
poesia"
 
Prefiro ter despropósitos poéticos. Fico feliz se conseguir comunicar alguma coisa. Apenas de continuar escrevendo. E aqui, repito Adélia Prado, fiz um livro, mas não quero perder a poesia. A poesia é o acontecimento mais importante da minha vida e eu a quero no emaranhado do cotidiano, me animando, me fortalecendo, me recriando, me contando coisas dos meus territórios sombrios, me desnudando, me fazendo mais inteira, me ajudando a decifrar os enigmas da minha existência e do convívio com o outro. Enfim, que a poesia seja sempre esse êxtase da revelação, o meu exercício de vida e morte, no claro e no escuro da existência, a minha carpintaria, a minha escultura, mesmo que volátil. E que me ajude a encontrar o outro.
 
Ser poeta exige disciplina" Ou o negócio é esperar a inspiração e
passá-lapara o papel" Há quem diga todo mundo pode escrever poesia
e que acriatividade é comum em todo o mundo, mas nem todos têm
disciplinapara  desenvolvê-la, já que ela também é um processo
cultural, quenecessita treino, motivações e exercício diário...
 
Inspiração não é apenas aquela idéia luminosa que baixa no poeta e apenas escorre para o papel pelas suas mãos. Tem fases em que a gente fica desmotivada, inerte, sem qualquer energia para a poesia. E poesia exige libido em doses fartas, entrega, humildade, escuta, paciência.Manuel Bandeira, que dava um valor danado à inspiração, tanto que chegou a ficar mais de ano sem escrever poesia por falta de inspiração, dizia que a poesia é feita de pequeninos nadas. E esses nadas são as palavras. Tem também aquela passagem célebre entre Degas e Mallarmé, que dá muitas interpretações, em que o pintor dizia ao poeta que tinha muitas idéias para um poema, ao que o poeta retrucou ponderando que a poesia é feita com palavras e não com idéias. E conviver com palavras assim de uma forma física é difícil e exige paciência e entrega.
 
Então é preciso, antes de cultivar idéias, cultivar palavras"
 
Temos de habitar o cativeiro das palavras. E cativeiro aqui no sentido de cativar e não de cárcere. Às vezes, vou para o computador com uma idéia e a coisa muda de rumo, porque a poesia é voluntariosa, tem vontades que o poeta desconhece, mas se esforça muito por conhecer. A disciplina é escrever, escrever, escrever. E escutar profundamente o que se escreve, ouvir o que a poesia nos conta e tentar dar a ela a beleza esculpida que exige. As delícias insondáveis do poeta são os altos e baixos dessa gangorra entre inspiração e transpiração, a obsessão do burilamento, da lapidação. Nenhum poeta se faz só com inspiração, assim como também não se faz só com esforço, método e disciplina para o trabalho.
 
 
Como poeta, qual a sua perspectiva da poesia"
 
De que a poesia seja um acontecimento na vida das pessoas, que ganhe adeptos e que esses adeptos ajudem a formar leitores. A briga é desigual, titânica, pois vivemos numa cultura em que o audiovisual chega antes do livro. Os apelos são infinitos. A criança quando vai pra escola ser alfabetizada já recebeu uma carga extravagante de estímulos e informações. Já interage com o computador, com aparelhos eletrônicos, manipula melhor que adultos botões e controles. E o livro, quando existe no ambiente familiar, é aquele estranho e distante objeto na estante, fora do alcance das crianças. E se o próprio professor não é um leitor e muito menos um leitor de poesia, como é que poderá ajudar a formar público para a poesia" Aí, a poesia acaba mesmo virando aquela coisa para iniciados, com uma aura de chatice difícil de quebrar, com cada poeta no seu canto, fazendo a sua poesia para poucos, editando o seu livrinho de tiragem limitadíssima, sem esquema de distribuição, tudo muito solitário. Por isso, me anima muito ver o que a Elisa Lucinda faz com a poesia, dando a ela enredo, palco, holofotes, trazendo a poesia para o cotidiano das pessoas, dando a elas um referencial, o espelho transparente da poesia. E também atuando para formar multiplicadores nessa cruzada pela poesia.
 
 
Você apresenta várias razões pelas quais escreve. Você realmente acredita que a poesia torna a vida mais suportável ou isso é apenas um jogo de  palavras no desvario poético"
 
Mais do que suportável, a arte, a poesia torna a vida rica de sentidos, plena de revelações. Em Drummond, duas mãos e o sentimento do mundo. Quando leio meus poetas preferidos busco o aconchego ou a cutucada essencial das palavras para as minhas dores e desassossegos, desbravo mundos que me contam coisas sobre mim. Visito a aldeia de Caeiro e me torno mais calma; viajo pelos mares turbulentos de Álvaro de Campos, me desintegro; reencontro, profundamente, o meu avô no sertão de endoidecer de Guimarães Rosa e me deixo arrebatar pela voz poeticamente universal de Riobaldo; cavalgo com Hugo de Carvalho Ramos; faço parte da platéia da arena de cavalinhos de Platiplanto; compartilho a intimidade dos quintais de Adélia; e me deixo seduzir pela escultura de cristal da poesia de Cecília e me perco nos labirintos de Clarice. Lembrando as palavras da minha amigaMaria Luiza Oswald, não se trata de aprender literatura, poesia, mas aprender com a literatura e com a poesia.
 
A exemplo de muitos poetas atuais, você começou publicando na
Internet. Você acredita que a rede é um bom termômetro para avaliar
a possívelreceptividade do leitor do livro físico"
 
Não só um bom termômetro sobre de que forma estamos atingindo o leitor, mas, no meu caso, funcionou como sentinela da disciplina do ato de escrever com freqüência. A Internet é um excelente começo para o exercício da exposição de quem escreve, já que escrevemos mesmo é para encontrar o outro. E no fundo, como dizia o Mário de Andrade, tudo é vaidade, o sujeito publica por vaidade e também não publica por vaidade. Entre a vaidade medrosa, preferível a cara a tapa, com a exposição pública. O Flor da Pedra é fruto da minha abertura com a Internet. De outra forma, acho que nem teria acontecido. E na rede existem canais muito interessantes para quem escreve e quer encontrar a ressonância do olhar do outro. Tem muita coisa nada a ver. Mas tem muita gente interessante e com trabalho de alto nível, com a possibilidade de troca de experiências. Isso aconteceu comigo. Quando me atrevi na rede, tinha um foco e encontrei o que eu queria. Foi muito interessante, por exemplo, a experiência noOvermundo, onde tive a oportunidade de publicar no mundo virtual e também de conhecer a poesia de primeira grandeza que está sendo feita no País por jovens poetas e outros não tão jovens, como eu, que ainda não foram publicados em livro.
 
Como você avalia o papel da internet como vitrine que põe em evidência
Oque está acontecendo no mundo da poesia e da literatura em todo o
mundo"
 
 A Internet é uma feira esfuziante, ruidosa, cheia de apelos e muito instrutiva para quem tem foco e sabe o que procura. Às vezes, até errando a gente encontra coisas interessantes. Na rede, por exemplo, tive o privilégio de ver o Mário de Andrade em um filme brevíssimo, durante uma inauguração, sempre observador e arredio. Um privilégio ter acesso a isso, a um click. Tenho pesquisado e, principalmente, lido muito na internet, especialmente poesia que ainda não foi publicada em livro. Se quero saber mais sobre um Dylan Thomas, ouvi-lo declamando seus poemas, lá vou eu para os clicks. Entrevistas com autores que jamais teria a oportunidade de acesso no papel, muitas históricas, leio na rede. Por exemplo, encontrei na rede o último exemplar da revista Klaxon, edição em que Mário publicou o Noturno de Belo Horizonte. Também conheci novos poetas de várias regiões do Brasil, com trabalhos magníficos, como Renato Torres e Pedro Viana, de Belém. São tantos, que nem dá para citar nomes. E independentemente do livro, a Internet é uma vitrine que não deve ser desprezada ou ter o seu potencial minimizado.
 
 
Há quem diga que somente poeta lê poeta e que é justamente por isso
Quepoesia não vende no Brasil. O que você imagina que aconteceu coma
poesia" Foi a banalização ou você atribui outra causa para que ela
estejafora doalcance do leitor"
 
Tudo tem a ver com público. Poesia não vende porque não tem público para poesia. E não tem público porque o contato com a poesia é tardio. Comigo só aconteceu no Colegial. E, felizmente, eu tive alguns professores de literatura que conseguiram não só me apresentar à poesia, mas por algum desígnio misterioso abrir o meu coração para a linguagem poética, mais do que a mente. Então, comecei a ler poesia com a emoção e não com a razão. Poesia, por exemplo, deveria fazer parte do programa de formação de professores. E acho que essa missão não é apenas de responsabilidade dos professores de literatura. Se formos investigar a fundo o nosso gosto por literatura, por poesia, por arte em geral, vamos descobrir, lá no fundo, a figura de um professor. E com certeza, um professor mais sensível e mais atento que os outros. Muitos vêm com essa influência de casa, da família. Mas a imensa maioria só tem oportunidade de conviver com a poesia na escola. E a poesia tinha que começar lá no jardim de infância, quando a criança está completamente disponível para o mundo e principalmente o mundo da palavra. E que esse convívio lúdico com a palavra começasse pelo encanto da poesia. E já imaginou que maravilha uma criança em processo de alfabetização desvendando o mundo das palavras com Cecília Meireles"
 
Em Goiânia acontece um fenômeno curioso: se encontra sempre as
Mesmascaras nos lançamentos dos livros, de poesia ou mesmo de
prosa. O quefazerpara ampliar esse público"  Qual a dificuldade de
absorção dopúblico comrelação à poesia contemporânea"
 
Se o público não vem, uma alternativa é ir ao público. É difícil para o próprio poeta sair do formato programado de lançamento de livro. Ali, naquele momento, é o que menos participa, interage. Tenho um amigo escritor que fez um lançamento com 700 pessoas e vendou menos de 40 livros. Se a coisa é difícil para um autor de prosa, imagina para o poeta" Como meu primeiro livro foi editado com apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Município de Goiânia, a minha contrapartida como forma de devolver o investimento ao público é levá-lo para as escolas. Além da doação de livros às bibliotecas dessas escolas, para compor as salas de leitura, programei cinco lançamentos em escolas públicas da periferia de Goiânia, nas imediações do bairro onde cresci. E uma das escolas é onde conclui o primário. E a dificuldade de absorção do público não é só em relação à poesia contemporânea, mas à poesia de maneira geral e à arte como um todo. E isso é uma coisa de vivência, não se adquire simplesmente, do nada. Faz parte da formação. O problema é que somos mal formados. E público que vai a lançamento é porque gosta de livro. Já é um bom começo.
 
 
 
Dizem que o escritor só se torna escritor depois de publicado" Basta
isso" O escritor se realiza mesmo sem o público" Qual sua expectativa
emrelação a receptividade do público para seu livro"
 
Mário de Andrade abordou essa questão de forma muito instigante. Ele era um inventor de teorias e uma delas é o que eu chamo de teoria amorosa do texto. Ele dizia que escrevia por amor à humanidade. É um belo e instigante motivo. E também dizia que a pessoa que escreve pra si deve ser um monstro de vaidade. A gente escreve para o outro. Mas não é só isso. A gente escreve mesmo é para encontrar o outro, pois o que eu escrevo só terá função se de alguma forma o leitor se reconhecer naquilo. Se aventurar no definitivo da materialidade da palavra impressa em livro é um passo gigante e irremediável. É a absoluta perda de controle. É se entregar sem defesas à voracidade do outro. Gostei de uma imagem que o poeta Valdivino Braz usou um dia numa conversa comigo, me aconselhando a liberar logo o livro para impressão: deixa o livro-pássaro. O vôo independe de mim. A pedra fundamental de Drummond continuará desafiando e a estrela de Bandeira luzindo no fim do dia cada vez que alguém abrir um de seus livros. Enfim, continuará existindo enquanto houver leitor, o outro. Um livro só tem vida se aquecido pelo olhar do outro. Expectativa sobre receptividade ao meu livro" Não sei. Espero que ao menos comunique alguma coisa.
 
O que você contabiliza mais em sua produção literária: o desgaste ou o
prazer" Você acha que está conduzindo bem seus ideais"
 
Prazer. Sempre prazer. Escrevo por prazer e com prazer. Não sou masoquista. Dor e delícia, na escrita, têm o mesmo peso. Num dos poemas do Flor da Pedra falo justamente disso, fazendo uma viagem pelo universo de Manuel Bandeira, Vida Teodora ou Alegria de Manuel. Quando escrevo, por mais que o meu estado interior esteja às vezes tomado pela dor, é como se eu me benzesse com uns raminhos de alegria, que têm a força de dissolver as sombras, as tristezas. Quando eu e meus irmãos éramos crianças, minha mãe nos levava com freqüência à benzedeira, que pegava uns raminhos de arruda e balbuciava umas palavras. Aí, aquele raminho murchava e saíamos de lá apaziguados por aquele estranho ritual. Com a poesia é assim pra mim. Ela me benze, me purifica, me energiza, me apazigua, me transporta, tanto que chego a rezar poesia. Assim, tristeza é alegria quando vira poesia. É a alegria da criação. Ideais" Continuar humildemente servindo à poesia e me servindo dela para continuar vivendo.
 
 
Como é separar a jornalista da poeta" Dá para fazer poesia em horário de trabalho" Quando a inspiração vem e você está abarrotada de trabalho, o que pesa mais"
 
Acredito que a jornalista já está separada da poeta. E sempre encontro brechas para a poesia, que logo viram fendas, janelas, portas, horizonte. Ela acontece na dureza do cotidiano, como tem de ser. A minha única disciplina é escrever. Digo até que este meu livro é um livro de intervalos, escrito nas pausas da dureza do trabalho. Não sou aquela pessoa de escrever com horário marcado, numa sala silenciosa, sem vida, sem interrupções. Neste aspecto, ser jornalista me ajudou a ter desprendimento e predisposição para a escrita nos ambientes mais inóspitos à primeira vista. Barulho exterior, tumulto, nada me afeta quando estou escrevendo, porque é puro êxtase. E não costumo desperdiçar inspiração. O poema Palavra de Mover Montanha foi feito sem anotação. Fiquei batucando ele na cabeça para não esquecer as partes-chave. É claro que a gente sempre perde alguma coisa pelo caminho. Mas outros poemas virão...
 
Por quê o seu livro chama-se Flor da Pedra"
 
Gostaria de ouvir a sua resposta. Seria infinitamente mais instigante do que os meus motivos manifestos ou latentes. Posso dar alguns. Primeiro porque flor e pedra são os elementos que sobressaem em todos os poemas, de uma forma ou de forma. É um título que seconstruiu e se ofereceu no atrito com a pedra em busca da flor da palavra, dos múltiplos sentidos... Flor da pedra também é a linguagem, o primeiro ato de identidade do homem, o elo de ligação com os outros homens. Tanto que não foi um homem qualquer o primeiro a rabiscar nas paredes da caverna, o primeiro que sentiu o impulso de dar materialidade e expressão à sua humanidade, a fazer esse processo de busca de transferência, de sentidos. E também porque pedra é a matéria bruta da vida que se oferece em toda sua integridade para a lapidação da poesia. E a flor, pelo que encerra de beleza, encantamento, forma perfeita, idealizada, é a poesia. E pedra é o que antecede e o que sobreviverá ao homem, seja como espécie ou como indivíduo, no incomensurável da lápide. E pedra também é aquele acontecimento fundamental narrado por Drummond e é sempre íntimo e pessoal. O enigma da convivência com a pedra, o enigma da criação poética, da capacidade e da necessidade do homem de fazer arte. E flor da pedra também é o livro, que abre portas para mundos misteriosos e insondáveis que construímos com palavras, com imaginação, que nos faz aventurar fora da eterna caverna.
 
Notícia publicada em 11/09/2009

Institucional

  • DGI
  • Núcleo de Seleção
  • Avaliação Institucional
  • Relações Externas
  • Convênios
  • Agência de Inovação
  • CEAR
  • Fundações

Serviços

  • Webmail
  • Boletos de Serviços
  • Consulta de processos
  • Contratos
  • Chamamento Público
  • Licitação
  • Anais de eventos
  • Certificados
  • Editais
  • SAFF

Comunicação

  • Ouvidoria
  • e-SIC
  • Acesso a informação
  • Rádio UEG Educativa
  • UEG TV
  • Comunicação Setorial
  • Lista telefônica
  • Agenda de Autoridades
  • Publicações
  • Fale conosco

Nos Acompanhe

  • Facebook
  • Flickr
  • Youtube
  • Instagram
Universidade Estadual de Goiás. Todos os direitos reservados.