Entre o egoísmo e o altruísmo
O planeta gira, os dias passam e a realidade vai tomando um formato mais agressivo e inóspito para as pessoas.
Basta olhar para os lados para perceber que os indivíduos tornam-se, a cada dia, mais e mais egoístas, mais e muito mais orientados para a busca e o atendimento de seus interesses imediatos, exclusivos, indiferentes ao próximo, utilizando o outro como mero instrumento, escada ou alavanca.
O termo ‘egoísmo’ provém do latim. O radical ‘ego’, eu, primeira pessoa do singular do pronome pessoal latino, e significa algo como amor de si mesmo. Freud adotou o termo ‘ego’ para caracterizar a entidade de que se tem experiência interior, uma integração de percepções sentimentos e pensamentos.
De ‘egoísmo’ derivam, por exemplo, os vocábulos ‘egocentrismo’, que designa aqueles que fazem do próprio ego o centro de seu universo; e ‘egotismo’, utilizado por Stendhal para denominar um tipo especial de estudo, o autobiográfico, aquele em que o escritor se debruça para analisar a própria individualidade física e mental. Mas ‘egotismo’ significa também um egoísmo mais refinado, de certa forma o culto narcisista de si.
Até mesmo o veneno da cobra, quando dosado e aplicado na medida certa, pode salvar e curar enfermidades ao invés de matar. Assim é o egoísmo. Na medida certa é proveitoso, benéfico, salutar, por representar em cada um de nós uma tendência inata de nos preservar e, sobretudo de crescer, evoluir, progredir, nos desenvolver.
Mas o sentido moral da palavra aponta para uma direção bem diferente. Um sentido em que só o que vale e importa é o amor exclusivo ou excessivo a si mesmo, pouco ou nada importando os interesses do próximo. E este é o sentido que parece ter fincado âncoras nas sociedades modernas.
Com o egoísmo sendo cultuado e elevado ao ápice do exagero, tudo passa a ser permitido e estimulado. O que importa é chegar ao outro lado do rio, ainda que pisando, asfixiando e afogando todos ao redor. Nada, rigorosamente nada deve ser obstáculo para que os objetivos sejam conquistados na tão conhecida cantilena de que os fins justificam os meios. Não há limites nem escrúpulos, tudo passa a valer: a mentira, a traição, a conspiração,... Os valores que imperam são a ambição e a inveja. Neste contexto, o outro é sempre um obstáculo, um eterno adversário, um ameaçador concorrente, um perigoso competidor, jamais um colaborador, um leal aliado, um companheiro. Nada de divisão, de solidariedade, de compartilhamento, pois implicaria em acumular menos, em defenestrar o benefício próprio.
Se nesta extremidade o mar é turvo e revolto, na ponta oposta, mares serenos de águas claras e cristalinas dão guarida ao vocábulo ‘altruísmo’, um contraponto capaz de resgatar a virtude e as possibilidades de viver em comunhão, uma palavra aveludada e sonora a confrontar com a sequidão e acidez do termo ‘egoísmo’.
Altruísmo também provém do latim, da raiz ‘alter’ que significa precisamente ‘outro’. Designa o que preocupa e se interessa pelos outros, jamais negando auxílio e ajuda, sendo capaz de abrir mão de seus próprios interesses. Numa extremidade está o egoísta, e na outra, oposta, o altruísta. Se a característica do egoísta é mentir, trapacear, embair e enganar para levar vantagens pessoais; a do altruísta é a generosidade, a nobreza, o amor ao próximo, o caráter reto. É um valor que não cai do céu, não brota em árvores, e não se encontra no mar. Mas que se forja no dia a dia, desde a tenra idade, desde a primeira infância, à medida que crescemos e amadurecemos para a vida.
Os pais devem atinar para a importância de incorporar este valor à personalidade dos filhos. É impossível alcançar a felicidade individual e familiar mantendo-se distante, indiferente ou refugando este valor de todo fundamental para a saúde espiritual e social.
De igual modo, as escolas devem assumir um compromisso explícito de trabalhar mais amiúde esta questão, não só através do ensino formal, mas, sobretudo inserindo esta reflexão nos jogos educativos, e nas atividades lúdicas e artísticas. Porque uma sociedade progressista, fraterna e solidária, onde as oportunidades estejam ao alcance de todos, só se desenvolve de forma sustentável quando conduzida e composta por indivíduos altruístas.
Antônio Carlos dos Santos é o criador da metodologia de Planejamento Estratégico Quasar K+ e da tecnologia de produção de teatro popular de bonecos Mané Beiçudo. acs@ueg.br
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Machado de Assis
Para os que não sabem, 2008 é um ano mais que especial. É o ano dedicado à Machado de Assis, para ser mais exato e expressar o texto da lei é o Ano Nacional Machado de Assis conforme estabelece a Lei nº 11.522 de 18 de setembro de 2.007. Leia na íntegra clicando aqui.
A Mão e a Luva é um de seus romances, publicado em 1874.
No trecho abaixo dá para perceber a riqueza da literatura praticada por este tido por muitos como o maior escritor brasileiro de todos os tempos.
A mão e a luva
Meia hora depois, indo a abrir o livro para continuar a leitura, viu Guiomar a cartinha de Jorge. Não tinha sobrecarta; era um simples papelinho dobrado, recendendo a amores. O espírito de Guiomar estava tão longe daquilo que não suspeitou nada e distraidamente o abriu. A primeira palavra escrita era o seu nome; a última era o de Jorge.
O primeiro gesto de Guiomar foi de cólera. Se ele pudesse espreitá-la pelo buraco da
fechadura, e ver-lhe a expressão do rosto, e mui provável que se lhe convertesse em
aborrecimento todo o amor que até agora nutria. Mas ele não estava ali, a moça podia
traduzir fielmente no rosto os movimentos do coração.
- “Mais um”, pensou ela; “este porém”...
E desta vez o gesto não foi de cólera, foi de alguma coisa mais, metade fastio, metade
lástima, mescla difícil e rara.
A moça ficou algum tempo quieta, a olhar para o papel, sem o querer ler, como a hesitar
entre queimá-lo ou restituí-lo intacto a seu autor. Mas a curiosidade venceu por fim;
Guiomar abriu o papel e leu estas linhas:
"GUIOMAR! Perdoe-me se lhe chamo assim; as convenções sociais condenam-me
decerto, mas o coração aprova, que digo" ele mesmo escreve estas letras. Não é a minha
pena, não são os meus lábios que lhe falam deste modo, são todas as forças vivas da
minha existência, que em alta voz proclamam o imenso e profundo amor que lhe tenho.
Antes de o ler neste papel, já a senhora o há de ter visto, pelo menos adivinhado nos meus
olhos, na doce embriaguez que em mim produz a presença dos seus. Persuado-me de que
todo o meu esforço em recalcar este afeto é vão; por mais que eu sinceramente deseje
esquecê-la, não o alcançarei nunca; não alcançarei mais que uma aflição nova. O remorso
de o tentar virá coroar os demais infortúnios.
"Por que razão rompo hoje o silêncio em que me tenho conservado, medroso e respeitoso
silêncio que, se me não abre o caminho da glória, ao menos conserva-me a palma da
esperança " Nem eu mesmo saberia responder-lhe; falo, porque uma força interior me
manda falar, como transborda o rio, como se derrama a luz; falo porque morreria talvez se
me calasse, do mesmo modo que morrerei de desespero, se além do perdão que lhe peço,
me não der uma esperança mais segura do que esta que me faz viver e consumir.
JORGE."
E logo abaixo, trecho de Um sonho e outro sonho, publicado originalmente em A Estação, 1892:
Um sonho e outro sonho
Crês em sonhos" Há pessoas que os aceitam como a palavra do destino e da verdade.
Outros há que os desprezam. Uma terceira classe explica-os, atribuindo-os a causas
naturais. Entre tantas opiniões não quero saber da tua, leitora, que me lês, principalmente
se és viúva, porque a pessoa a quem aconteceu o que vou dizer era viúva, e o assunto
pode interessar mais particularmente às que perderam os maridos. Não te peço opinião,
mas atenção.
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Deu no JB:
Portugal aprova acordo ortográfico
No Brasil, ABL anuncia que já prepara suas publicações utilizando a nova norma do idioma
Depois de muita polêmica, o parlamento de Portugal aprovou ontem (16/05) o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que unifica a forma como é escrito o idioma nos países lusófonos. Assim que obter a sanção do presidente Cavaco Silva, que já se mostrou favorável ao acordo, o país terá seis anos para se adaptar às novas normas.
Trata-se, na verdade, de um segundo protocolo do acordo, que modifica o original, assinado em 1990. A principal mudança deste novo texto é tornar viável a adesão de Timor Leste, que ainda não era um país independente na época.
Protesto
A polêmica em torno da reforma culminou em uma petição, entregue na quinta-feira ao Parlamento português, assinada por 33 mil pessoas. O texto de protesto contra o acordo alegava "fragilidades técnicas e políticas", e contava com a adesão de um punhado de intelectuais.
No Brasil, no entanto, a aprovação do acordo foi recebida com entusiasmo pelos membros da Academia Brasileira de Letras (ABL).
– Essa é uma vitória para a lusofonia e para a latinidade – comemora o presidente da instituição, Cícero Sandroni. – Agora a língua portuguesa poderá ser escrita de maneira uniforme em todo o mundo, o que lhe dá status de língua internacional.
De fato, um dos principais argumentos dos defensores do acordo é a importância de viabilizar a redação de documentos internacionais em língua portuguesa. As diferentes grafias prejudicam a emissão de tratados e acordos em português. Outro ponto usado em prol da mudança é a difusão da cultura: livros escolares, por exemplo, não podem ser usados, em versões idênticas, nos vários países lusófonos.
Três anos de adaptação
No Brasil, o próximo passo referente ao acordo será dado em 1º de janeiro de 2009, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará a minuta preparada pela Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), órgão ligado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC). Com essa assinatura, o prazo estimado de adaptação para os brasileiros é de três anos.
A revisão, no entanto, já está valendo.
– O texto original do acordo previa que, quando três países confirmassem sua adesão, ele já entraria em vigor – explica Sandroni. – Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já haviam ratificado o documento. Então, tecnicamente, o acordo já estava aprovado.
O aceno positivo do parlamento português acaba servindo, então, como um divisor de águas. Prova disso é que, a partir de hoje, todos os textos que a ABL enviar para publicação já estarão adaptados à nova norma.
Isso vale para a quinta edição de seu vocabulário, prevista para chegar às prateleiras até o fim do ano, já dentro das regras do acordo. Das 400 mil palavras que o compõem, entre 8% e 10% estarão adaptadas à nova forma de escrita.
Extinção do trema
Além disso, o MEC já exige que os livros didáticos que serão adquiridos para as escolas públicas a partir de 2010 estejam em conformidade com as novas normas. E as editoras têm autorização para adaptar suas publicações já a partir do ano que vem.
Especialistas têm afirmado que, para os brasileiros, a mudança não será muito intensa. Afinal, as principais alterações são a extinção do trema, a introdução das letras K, W e Y no alfabeto e a supressão de alguns acentos, como os de lêem e pêlo. Também haverá a extinção do hífen em palavras que seguem a regra de antirreligioso ou extraescolar.
E na BBC:
Parlamento português aprova acordo ortográfico
Acordo é primeiro passo para internacionalização da língua
Passados 16 anos desde a assinatura, Portugal aprovou nesta sexta-feira o acordo ortográfico, que unifica a forma como é escrito o português nos países lusófonos.
Apesar de polêmico, o texto foi aprovado por deputados de todos os quadrantes políticos – desde o CDS à direita, até o Bloco de Esquerda – com três votos contra e muitos deputados abandonando o plenário durante a votação.
As mudanças na forma de escrever o idioma em Portugal vão valer dentro de seis anos, enquanto no Brasil os livros escolares deverão ser mudados até 2010.
Questionado sobre o acordo, o escritor José Saramago, prêmio Nobel de literatura, optou por não entrar em polêmica: "Vou continuar escrevendo do mesmo jeito. Isso agora vai ser com os revisores".
Vitória brasileira"
Houve grande polêmica em Portugal. A iniciativa contrária à reforma com maior impacto no país foi uma petição na internet, que tentava convencer parlamentares a votar contra o acordo.
O documento, que criticava a proposta por entender que este significava que Portugal cedia aos interesses brasileiros, teve mais de 35 mil assinaturas desde o início do mês, grande parte delas de intelectuais.
"A língua portuguesa é o maior patrimônio que Portugal tem no mundo", afirmou o deputado Mota Soares, do partido CDS.
Ironicamente, dois deputados que encabeçaram a petição – Zita Seabra e Vasco Graça Moura – não estavam no plenário na hora da votação.
Zita Seabra disse que, como é proprietária de uma editora, havia conflito de interesses para votar o texto.
Alterações
Os estudos lingüísticos que basearam o acordo indicam que os portugueses terão mais modificações do que os brasileiros. O dicionário português terá de trocar 1,42% das palavras, enquanto no Brasil apenas 0,43% sofrerão mudanças.
Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o "c" em acto, direcção e selecção, e o "p" em excepto.
A nova norma acaba com o acento no "a" que diferencia o pretérito perfeito do presente (em Portugal, escreve-se passámos, no passado, e passamos, no presente).
Algumas diferenças vão continuar. Em Portugal, polémica e génesis manterão o acento agudo – o Brasil continuará escrevendo com o circunflexo.
Os portugueses manterão o "c" em facto – fato em Portugal é roupa – e vão tirar o "p" que no país não é pronunciado na palavra recepção.
Atraso
Aprovar as mudanças foi um longo processo. O conteúdo do acordo já tinha sido aprovado há 16 anos, mas não podia entrar em vigor sem que os Parlamentos ratificassem o protocolo modificativo.
O protocolo previa que o acordo entrasse em vigor quando três países aprovassem o acordo – e não todos os que falam o português, como estava no texto original. No ano passado, São Tomé e Príncipe foi o terceiro a aprovar o acordo, dando validade ao documento.
Para o governo português, a aprovação do acordo é o primeiro passo para existência de uma política internacional da língua portuguesa, que será anunciada quando Portugal assumir a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em julho deste ano.
"É necessário agora desenvolver uma política de internacionalização, consolidação e aprofundamento da língua portuguesa, e o acordo ortográfico é um instrumento para isso", afirmou o ministro da Cultura, Antônio Pinto Ribeiro.
Formas diferentes e criativas de fazer o conhecimento circular não faltam:
Biblioteca Volante incentiva leitura em ruas do RJ
A Biblioteca Volante João Antônio volta às ruas do Rio de Janeiro na próxima semana para estimular a leitura e o conhecimento em cinco bairros das zonas Norte e Oeste da cidade. Mantida pela prefeitura, a biblioteca empresta gratuitamente até dois livros por pessoa.
O atendimento é das 10h às 14h e os interessados no empréstimo devem apresentar o documento de identidade e um comprovante de residência. Para os menores de 18 anos, além de levar a documentação dos responsáveis, também deve ser apresentada uma autorização por escrito, que os responsabiliza pela devolução do material no prazo de 15 dias.
De segunda a sexta-feira, a Biblioteca Volante passará, respectivamente, pelos bairros Cidade Alta (praça Dom Justino), Coelho Neto (Avenida Pastor Martim Luther King Júnior, 10.154), Jardim América (Rua Sebastian Bach), Madureira (Praça do Patriarca) e Reaengo (Avenida Santa Cruz, 1.015).
A devolução dos livros podem ser feitas no mesmo local do empréstimo, quando a biblioteca retornar ao bairro, no Correio ou diretamente na sede das bibliotecas, em Irajá (Avenida Monsenhor Félix, 512).
No Maranhão, escola tem jegue que é biblioteca ambulante
Um jegue, conhecido por ser uma espécie de biblioteca ambulante, tem chamado a atenção dos moradores de Alto Alegre do Pindaré, no interior do Maranhão, informa hoje o Jornal Nacional.
Iniciativa de uma escola da região, o animal, batizado de "jegue-livro", transporta livros em duas cestas coloridas e é recebido pelas pessoas que querem ler as obras que ele carrega.
A escola é uma das iniciativas de sucesso destacadas pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Fundo da ONU para a Infância (Unicef), localizadas em regiões pobres e que passam a servir de referência.
Segundo a diretora da escola, a chegada do jegue-livro já provocou mudanças nos alunos como melhora no aprendizado da língua, da escrita e aumento de interesse. Ela informou que o animal é inteligente porque carrega saber, conhecimento e sabedoria com os livros.
E no Rio de Janeiro: biblioteca sobre rodas faz empréstimo de livros
Para começar o ano em dia com a leitura, uma boa opção é recorrer ao serviço itinerante da Prefeitura do Rio que empresta títulos de graça. De amanhã até sexta-feira, a Biblioteca Volante João Antônio percorrerá três bairros da zona norte.
Amanhã, o atendimento será feito na Praça Cláudio de Souza, em Ricardo de Albuquerque. Quinta, o serviço da prefeitura será levado para os moradores da rua das Rosas, na Vila Valqueire. Na sexta-feira, será a vez de os livros chegarem até a Praça Nossa Senhora das Dores, na Pavuna.
Uma Kombi transporta o acervo, que vai de clássicos da literatura infanto-juvenil e adulta, como Monteiro Lobato e Machado de Assis, a autores modernos.
O empréstimo é realizado das 10h às 14h. Interessados devem apresentar a carteira de identidade e o comprovante de residência. Aos menores de idade, é solicitada ainda a autorização por escrito do pai ou responsável.
Cada pessoa pode levar até dois livros. O prazo para a devolução é de 15 dias. Os títulos devem ser entregues no mesmo local, na próxima visita da Biblioteca Volante. Pode-se também devolvê-los na avenida Monsenhor Félix 512, em Irajá, ou então encaminhá-los pelos Correios para este mesmo endereço.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 2481-3619. Para saber o endereço das bibliotecas populares do Rio acesse www.rio.rj.gov.br/culturas
Biblioteca em borracharia recebe prêmio do MEC
Na periferia da cidade de Sabará (MG) uma borracharia também é biblioteca. Entre pneus, mangueiras e rodas de carros, estantes nas paredes abrigam mais de sete mil livros na Borrachalioteca de Marcos Túlio Damascena. O local faz mais de 220 empréstimos por mês e recebe crianças e adultos de todas as idades.
Na noite de ontem, Damascena foi um dos ganhadores do Prêmio Viva Leitura 2007, que busca incentivar ações de estímulo à leitura no País. Ele recebeu R$ 25 mil da Fundação Santillana, empresa que patrocina o prêmio com apoio do Ministério da Educação e da Cultura. O dinheiro, garante investir na ampliação da Borrachalioteca e em outras ações de incentivo à leitura.
Damascena diz que teve a idéia de transformar a oficina em biblioteca há cerca de três anos "a partir do gosto pelos livros e com a vontade de transmitir isso para as pessoas". Passou a juntar revistas e jornais, que antes só estavam à disposição dos clientes, e a oferece-los à comunidade. Com tempo, conta, começou a receber doações de diversos tipos de livros.
Questionado se a imagem de uma borracharia - que tem funcionários com as mãos sujas de graxa - afastaria os leitores, Damascena avalia que não. "Podem até chegar com esse pensamento mas na hora que conhecem e observam como funciona o projeto dão total valor para a gente". Segundo o borracheiro, uma das vantagens do iniciativa é o prazo de devolução dos livros - de quinze dias enquanto em uma biblioteca comum o tempo limite é de sete.
Para Damascena, a idéia de fazer uma biblioteca na oficina é uma iniciativa simples para incentivar a leitura na localidade. "São coisas assim que podem modificar a situação da leitura no País", ressaltou. "A leitura é um prazer que instrui". Assim como ele, outras duas iniciativas foram premiadas em um evento que teve quase duas mil inscrições de todas as regiões do País.
Viva a Leitura
O prêmio faz parte do Plano Nacional do Livro e Leitura do Ministério da Educação e da Cultura. Além de reconhecer e divulgar ações de estimulo à leitura é meta do plano implantar bibliotecas em todos os municípios do País em dois anos, aumentar o número de livrarias e apoiar o debate e a adoção de mecanismos não restritivos de direitos autorais, entre outras medidas.
Mas os problemas não são poucos
Biblioteca enfrenta mau comportamento estudantil
A velha, mofada e gloriosa sala de leitura principal da Biblioteca Britânica, em suas velhas acomodações no Museu Britânico, sempre foi tão exclusiva quanto glamurosa, um clube rico cujas tradições incluem freqüentadores ilustres como Karl Marx, Virginia Woolf, W. B. Yeats e George Bernard Shaw. Mas em 1998 a biblioteca se transferiu a um prédio moderno de tijolos na Euston Road e, quatro anos atrás, a política de admissões foi liberalizada. Agora, as portas se abrem não apenas para escritores e acadêmicos que dependam dos materiais que sua singular coleção abriga mas também para "qualquer pessoa que tenha uma necessidade de pesquisa relevante", declarou uma porta-voz. O que é muito bom. Mas "qualquer um" inclui alunos de graduação universitária, e o problema deles, pelos menos aos olhos dos pesquisadores mais velhos, é que tendem a se comportar como os adolescentes que muitos ainda são.
Guardam lugares que não vão usar. Vagueiam pela biblioteca em grupos cujo papo é movido por hormônios. Flertam, procuram os perfis uns dos outros no Facebook e organizam complicados planos sociais sobre quem vai se encontrar com quem mais tarde no café. E os únicos textos que eles realmente consultam, se queixa Tristram Hunt, professor de História e personalidade televisiva britânica, são os que pretendem enviar para os colegas sentados do outro lado da sala.
"O pior é que eles têm a coragem de atender o telefone", diz Hunt. "O aparelho vibra e eles saem dizendo 'pera aí, Nigel', e correm para fora da sala para poder falar". Os pesquisadores vêm se queixando a atmosfera ruidosa e das condições de superlotação da Biblioteca Britânica há anos.
Mas a disputa - na verdade uma contenda filosófica - chegou ao conhecimento do público no final de abril, quando o jornal londrino Times publicou um artigo no qual diversas figuras distintas se queixavam do comportamento descontrolado dos jovens usuários no período de férias escolares de primavera.
O artigo descreve como a escritora lady Antonia Fraser teve de esperar por 20 minutos no frio antes de poder entrar no edifício, e por mais 20 minutos antes de conseguir deixar seu casaco na chapelaria de uso obrigatório. Descreve também como outro escritor, Christopher Hawtree, foi forçado a "se recostar em um beiral de janela" porque não havia mesa disponível para ele.
A historiadora Claire Tomalian disse, segundo o artigo, que a biblioteca estava repleta de "meninas, aparentemente estudantes, que tinham acessos constantes de riso", e que elas não estavam usando a biblioteca para qualquer propósito identificável de pesquisa. "Ouvi uma delas dizendo que tinha de escrever sobre o Islã e pedindo as anotações de uma amiga", disse Tomalian.
Em carta à biblioteca, Fraser disse que embora ela não objete a admissão de estudantes, em si, sente que a biblioteca não consegue controlar o "caos e a confusão" gerados pela presença de um maior número de consulentes.
Uma porta-voz da biblioteca disse que o grande número de usuários é reflexo do sucesso da instituição, e que os pesquisadores modernos têm uma abordagem nova, mais interativa, quanto ao seu trabalho. "A biblioteca mudou e evoluiu, e as pessoas agora a utilizam de maneiras diferentes", disse a porta-voz, que pediu que, em respeito às normas da instituição, seu nome não fosse utilizado. "Elas têm uma maneira diferente de fazer pesquisa. Usam seus computadores e verificam coisas na Web; não se limitam mais a fazer anotações em cadernos".
Com 127 mil carteirinhas de leitor ativas e em circulação e apenas 1,48 mil lugares, a biblioteca vem fazendo o que pode para administrar a situação, como por exemplo utilizar monitores que relembram os usuários de coisas como "não conversar nas salas de leitura e não deixar os livros na mesa e sair para almoçar", disse a porta-voz.
A biblioteca também instalou telas de plasma que anunciam que salas de leitura estão cheias, como se faz nos estacionamentos públicos. Mas essas providências não bastaram para aplacar os usuários mais velhos.
"Há muitos jovens que se vestem como se fossem personagens de seriado e se cumprimentam com tapas nas mãos", diz Matt Taunton, 28 anos, assistente de pesquisa de pós-doutorado. Ele contra que recentemente pediu a um grupo de jovens que fizesse silêncio "e todos me olharam como se eu fosse careta", diz. "Eu pensei comigo mesmo que estávamos em uma biblioteca - todo mundo deveria ser careta".
Hunt se refere a estudantes que levam iPods às salas de leitura, dizendo que "eles se sentam ao meu lado com os seus walkman ligados e eu peço que os desliguem. Estou me comportando como um avô, e só tenho 33 anos".
Richard Martin, 26 anos, que está cursando o primeiro ano de doutorado, disse que os alunos de graduação não são o único grupo de pessoas a se comportar mal na biblioteca. "A única defesa é que as pessoas que mais apanho dormindo na sala são os acadêmicos idosos", diz. "Eles pedem uma dúzia de livros de manhã, folheiam um deles, caem dormindo e depois saem para um longo almoço".
Flora Fraser, 49 anos, filha de Antonia Fraser e biógrafa que recentemente usou a biblioteca, disse que, na Biblioteca Nacional de Paris, os leitores podem reservar assentos com antecedência, pela Internet. Desse modo, ninguém chega e descobre todos os lugares ocupados, problema comum na Biblioteca Britânica. "Eu na verdade recomendo a biblioteca francesa", diz. "Talvez a solução seja tomar o Eurostar e ir a Paris".
"Se quiser que os seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que sejam ainda mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas". Albert Einstein
Leia o artigo
"Quando o homem deixa de ser homem
ou
De como o espírito de Phineas Gage deixará de assombrar o Brasil" clicando aqui
Envia uma leitora amiga um texto que circula na rede:
O idiota e a moeda
"Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com
o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de
pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar
onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande
de 400 REIS e outra menor de 2.000 REIS. Ele sempre escolhia a maior e
menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.Certo dia, um dos
membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que
a moeda maior valia menos. Eu sei, respondeu o tolo. "Ela vale cinco vezes
menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou
mais ganhar minha moeda".Podem-se tirar várias conclusões dessa pequena
narrativa:A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.A segunda: Quais
eram os verdadeiros idiotas da história"A terceira: Se você for
ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.Mas a conclusão mais
interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os
outros não têm uma boa opinião a nosso respeito. Portanto, o que importa
não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.O maior prazer de
um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o
inteligente. (Confúcio)
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Piada da semana:
Fico chateado quando internautas usam a WEB para divulgar informações que
não procedem! Hoje recebi um e-mail com a informação que o sangue do
nosso presidente é do tipo A-peritivo, e o dos eleitores dele é do tipo
O-tário. É muita falta de ética usar a Internet para passar esse tipo de
coisa. Temos que divulgar informações corretas! O sangue do presidente é
do tipo B-bum e o dos eleitores AB-estalhados.
Essa foi enviada por um leitor do Blog. Não consigo catalogá-la. É piada ou sacanagem" Decida você.
A teoria do búfalo
Quando uma manada de búfalos é caçada, só os
búfalos mais fracos e lentos, em geral doentes, que estão
atrás do rebanho, são mortos. Essa seleção
natural é boa para a manada como um todo, porque aumenta a
velocidade média e a saúde de todo o rebanho pela
matança regular dos seus membros mais fracos.
De forma
parecida opera o cérebro humano: beber álcool em excesso,
como nós sabemos, mata neurônios, mas, naturalmente, ele
ataca primeiro os neurônios mais fracos e lentos. Neste caso, o
consumo regular de cerveja, cachaça, whisky, vinho, rum, vodka,
elimina os neurônios mais lentos, tornando seu cérebro uma
máquina mais rápida e eficiente.
E mais: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de
álcool. Isto significa que os outros 77% dos acidentes são
causados pelos filhos da puta que bebem água, suco, refrigerante ou
outra merda qualquer!!!
Colabore!!!
Seja inteligente!
JÁ PRO BOTECO !!!!