
A 27a edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que começa nesta terça-feira 16/06 e se estende até domingo, dia 21, na Cidade de Goiás, evidencia a relevância do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás, que integra diversas atividades da programação.
O filme “A Curva do Rio”, dirigido por Kassio Pires, abre oficialmente o festival em sua primeira exibição no Brasil. Tal produção, que é resultado de um trabalho de conclusão de curso (TCC) defendido em 2022 teve sua estreia mundial em fevereiro deste ano, no 20º MADAGASCOURT - Festival de Curtas de Madagascar, na mostra "À Chacun Son Cinéma", dedicada a obras autorais que exploram identidades, territórios e linguagens singulares no cinema contemporâneo.
Produzido em 2024 com recursos da Lei Paulo Gustavo por meio da Secretária de Cultura do Estado de Goiás, A Curva do Rio explora a construção da identidade do interior do Brasil e sua pluralidade. Nascido na cidade de Itumbiara, o diretor constroi uma narrativa na qual sua avó, Anair, uma senhora de 60 anos conversa com o Rio Paranaíba, revelando porque tem tanto medo de suas profundezas. A protagonista representa o processo de retorno e reencontro com as raízes que permeiam a narrativa. O rio, por sua vez, age como metáfora para esse referencial de pertencimento, especialmente para os jovens que saem do interior e de alguma forma sentem o desterro.
Também os curtas “Goiânia: notas pendulares sobre a metrópole”, dirigido por O. Juliano Gomez e “Cidão”, dirigido por Alessandra Gama, selecionados respectivamente para a Mostra Internacional Washington Novaes e a Mostra Cinema Goiano foram produzidos como trabalhos de conclusão de conclusão de curso orientados pelo professor Rafael de Almeida, que coordena o Entre-Imagens - Laboratório Experimental de Cinema e Arte e também teve seu filme “Cratera” selecionado para a mostra regional. Juntamente com estudantes do curso, coletivos e outros artistas, Rafael participa ainda da exposição coletiva O que a terra lembra, no Museu das Bandeiras durante o FICA 2026. Com curadoria de Matteo Bergamini, a mostra apresenta trabalhos que propõem uma reflexão sobre pertencimento, memória, imaginação e experiência humana e permanece aberta à visitação até 20 de setembro.
Com o tema “Cinema Líquido”, o 5º Encontro das Escolas de Cinema do Brasil Central, realização do curso e do Crialab - Laboratório de Pesquisas Criativas e Inovação Audiovisual (coordenado pelo professor Marcelo Costa) reunirá acadêmicos, profissionais e estudantes para debater as transformações das narrativas audiovisuais em um mundo hiperconectado. Com uma programação composta de paineis, rodadas de conversa e a exposição fotográfica “Fotografia líquida”, coordenada pela professora Julia Mariano, vale mencionar também a segunda edição da residência de crítica cinematográfica, oferecida a estudantes selecionados pelos cursos de Cinema e Audiovisual de instituições públicas da região Centro-Oeste e se constitui de uma experiência imersiva no campo da crítica cinematográfica, que conduzida por Rosana dos Santos Miranda (docente da UnB) articula teoria e prática, ampliando a presença de novos olhares no debate sobre o cinema brasileiro contemporâneo. Tal atividade está sob responsabilidade do professor José Eduardo Macedo, que também coordena a 3ª Mostra de Cinema Universitário “Visões de Futuro”, espaço de circulação, reconhecimento e intercâmbio da produção universitária do Brasil Central, apresentando ao público diferentes perspectivas, narrativas e experimentações estéticas.
Durante o Encontro também haverá o lançamento da 3ª temporada da série “Ekobé: vida que vem da terra”, coordenada pela professora Ana Paula Ladeira. Trata-se de projeto produzido em parceria por sete canais brasileiros de televisão universitária, que nos episódios desta terceira temporada abordam, sob diferentes perspectivas e linguagens audiovisuais, os impactos da geração e do descarte de resíduos no meio ambiente e na sociedade. Outra vitrine para novas produções universitárias é o VIII IFIDEVIDULA - Festival de Videoclipes 2026, que criado pelo professor Sandro de Oliveira dentro das disciplinas de linguagem do curso da UEG, conecta a produção audiovisual e a produção musical e abrange duas mostras competitivas, a Mostra Universitária e a Mostra IFIDEVIDULA Livre com distribuição de prêmios.
A professora Thais Oliveira, coordenadora do Naufo (Núcleo Audiovisual de produção de Foleys) integra a equipe do INCT EECBIo, PPBio Araguaia, Cehidra Cerrado e Programa Araguaia Vivo 2030, responsável por várias atividades no espaço Fica Compartilhado, das quais vale destacar a experiência interativa "O Cerrado no caminho das águas". Com projeções em formato fulldome, tecnologia que ocupa toda a superfície interna da cúpula e amplia a sensação de imersão, a mostra apresenta filmes e conteúdos audiovisuais em 360 graus. A experiência transporta os visitantes para diferentes cenários do bioma, ressaltando a importância do Cerrado para a conservação das águas e da biodiversidade em diversas regiões do país. Além disso, no sábado serão lançados três filmes com diferentes perspectivas sobre o rio Araguaia.
Outros docentes do curso de Cinema e Audiovisual da UEG também integram a programação do Fórum Horizontes do FICA 2026. Na quarta-feira, o painel “Fora do circuito: cineclubes, plataformas comunitárias e outros caminhos para o cinema que não cabe no multiplex” terá a mediação do professor Sandro de Oliveira e a participação da professora Ceiça Ferreira. Ela integrou a Comissão de Seleção do festival e participa ainda do painel “A potência das águas: mulheres no audiovisual do Centro-Oeste”, juntamente com a cineasta e roteirista Lidiana Reis (egressa da primeira turma do curso) e outras pesquisadoras e profissionais do audiovisual goiano.
Na quinta-feira, a professora Geórgia Cynara e a técnica administrativa Kely Carvalho (também egressa do curso), respectivamente coordenadora e integrante do LUMINAV - Laboratório Universitário de Memória Audiovisual da UEG participam do “Workshop - Desafios da Preservação Audiovisual”, que visa debater a respeito da política de preservação audiovisual do estado, elaborando estratégias e ações que ajudem a desenvolver políticas públicas para a área, pensando a memória, a soberania e o fortalecimento da produção audiovisual goiana, por meio da preservação audiovisual.
Além deste conjunto robusto de participações de estudantes e docentes, sem dúvida é possível identificar na programação de atividades formativas, nas fichas técnicas dos filmes e na organização do FICA, um dos mais longevos festivais de cinema do Brasil, profissionais formados pelo curso de Cinema e Audiovisual da UEG, que em 2026 completa duas décadas de existência.
Pioneiro no Estado, o curso reafirma o compromisso da Universidade Estadual de Goiás com a educação pública e com a cultura. Ao longo desses vinte anos, essa formação superior na área contribuiu para o fortalecimento do audiovisual goiano e brasileiro, formando realizadores, pesquisadores, artistas e comunicadores que hoje atuam em diferentes espaços de criação, produção e difusão de imagens e sons.