
Pesquisa coordenada pela professora Dra. Joana D’arc Bardella Castro (RENAC/ TECCER), em parceria com a professora Dra. Giuliana Muniz Vila Verde (TECCER/Ciências Moleculares) e o professor Dr. Mario Cesar Gomes de Castro (PPGAS), avaliou como está a situação do Rio Araguaia e o quanto a população está disposta a ajudar financeiramente para preservar suas águas.
O estudo foi realizado em 18 cidades ribeirinhas dos estados de Goiás e Tocantins, ouvindo moradores, analisando a qualidade da água e estudando as condições sociais e econômicas desses municípios.
Onde a pesquisa foi realizada
Em Goiás, participaram: Aragarças, Aruanã, Baliza, Britânia, Montes Claros de Goiás, Nova Crixás, Santa Rita do Araguaia e São Miguel do Araguaia.
No Tocantins: Araguacema, Araguanã, Araguatins, Caseara, Couto de Magalhães, Esperantina, Lagoa da Confusão, Pau-d’Arco, Sandolândia e Xambioá.
O que a população pensa sobre preservar o rio
A pesquisa mostrou que as pessoas reconhecem a importância do Rio Araguaia e estariam dispostas a contribuir com dinheiro para cuidar melhor dele. Esse valor é chamado de Disposição a Pagar (DAP).
Em média, cada pessoa estaria disposta a pagar R$ 40,41 por mês. As mulheres apresentaram um valor médio maior (R$ 42,98) do que os homens (R$ 37,84).
Somando todos os moradores das cidades pesquisadas, esse valor poderia gerar cerca de R$ 5,3 milhões por mês, ou mais de R$ 64 milhões por ano, que poderiam ser investidos na conservação do rio. Mesmo considerando apenas quem trabalha, o valor chegaria a R$ 10,5 milhões por ano, sem contar os turistas.
A maioria das pessoas disse que pagaria valores entre R$ 10,00 e R$ 20,00. Se também fosse cobrada uma taxa média dos turistas que visitam o Araguaia, o valor arrecadado poderia ultrapassar R$ 7,9 milhões por mês.
Qualidade da água: onde está melhor e onde preocupa mais
Foram analisadas amostras de água em 34 pontos ao longo do Rio Araguaia. Os resultados mostram que o rio ainda possui trechos bem preservados, mas também áreas com poluição preocupante, principalmente em cidades com muito turismo, crescimento urbano rápido e atividades agrícolas intensas.
Cidades com maior preocupação ambiental
Os pontos com maior presença de poluentes foram identificados principalmente em:
Lagoa da Confusão (TO) – apresentou altos níveis de substâncias ligadas ao uso de fertilizantes, esgoto doméstico e detergentes.
Sandolândia (TO) – apresentou concentração elevada de metais e sinais de acúmulo de matéria orgânica.
Aruanã (GO) – local com forte pressão turística e presença de poluentes urbanos.
Aragarças (GO) e Britânia (GO) – com altos índices de detergentes na água, indicando despejo de esgoto e impacto do turismo.
Essas substâncias podem causar a proliferação de algas tóxicas, diminuir o oxigênio da água e prejudicar peixes, plantas aquáticas e o uso da água pela população.
Cidades com melhor qualidade da água
Alguns trechos do rio apresentaram boa qualidade da água, com baixos níveis de poluição, especialmente em:
São Miguel do Araguaia (GO) – apresentou níveis muito baixos ou até ausência de poluentes na maioria dos parâmetros analisados.
Outros pontos isolados ao longo do rio também mostraram boas condições ambientais, indicando menor interferência humana.
Impactos para quem vive às margens do rio
A poluição do Rio Araguaia afeta diretamente as comunidades ribeirinhas, que dependem do rio para beber água, cozinhar, pescar, criar animais e irrigar pequenas lavouras. Quando a água perde qualidade, surgem riscos à saúde, à segurança alimentar e ao modo de vida dessas populações.
O estudo também alerta para o avanço da produção de soja e da agropecuária em municípios que ainda não têm infraestrutura adequada, como saneamento básico e tratamento de esgoto. O caso de Lagoa da Confusão, que teve um crescimento populacional rápido nos últimos anos, é um exemplo de como o desenvolvimento sem planejamento pode aumentar os problemas ambientais e sociais.
Contribuição para formação de recursos humanos
A execução do projeto permitiu contribuir com a formação dos recursos humanos nos níveis de iniciação científica, graduação, mestrado e doutorado. Outro fator ressaltado neste item que esta formação foi diversificada quanto às áreas de formação: Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Agrárias e Humanas e Ciências da Saúde e Ciências Biológicas.
O projeto foi desenvolvido por 03 professores e 13 discentes da UEG assim distribuídos: 8 Iniciação Científica (concluídos), 1 aluno na graduação, 3 mestrado (defendidos) e 1 doutorado (cursando).
Os alunos de Iniciação cientifica estudaram sobre como estão distribuídas as águas no cerrado, fizeram levantamentos socio econômico sobre os municípios pelos quais são banhados pelo rio Araguaia, e aprenderam sobre serviços ecossistêmicos prestados pelo cerrado. A aluna do curso de Farmácia aprendeu a analisar águas no Laboratório, participando ativamente da pesquisa junto a sua Orientadora Giuliana Muniz.
Os discentes de mestrado defenderam suas dissertações sobre Valoração Econômica, Parque do Araguaia e áreas ripárias do Rio Araguaia. Também escreveram capítulos do livro produzido para divulgação do conhecimento.
Os alunos participantes foram:Erick de Oliveira; Mauricio Martinhos; Lucas Antônio Fernandes; Letícia Ranielly de Jesus Nunes; Wilson Agner Junior; Lucas Silva Oliveira; Beatriz Felix Rodrigues; Livia Almeida (RENAC); José Divino de Souza Junior (TECCER); Agenilda Aparecida Santos (RENAC); Ailson de Souza Fernandes (TECCER); Wellington Ribeiro Martins (RENAC) e Brendha Ferreira Basilio.
Foi utilizado o Laboratório de Pesquisa Bioprodutos e Sintese; e o Núcleo de Pesquisa em Economia – NEPE/UEG.
Um alerta e um caminho para o futuro
A pesquisa do RENAC mostra que o Rio Araguaia ainda tem áreas bem conservadas, mas está sob forte pressão. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas urgentes, investimento em saneamento, controle da poluição e ações que conciliem desenvolvimento econômico com preservação ambiental.
Como resultado do projeto, será lançado o livro “Rio Araguaia: da nascente à foz – aspectos ambientais, valoração e análise de águas”, reunindo os principais achados da pesquisa.
