Cinemas, Histórias e Laranjeiras - Episódio 14

04/11/2026

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Ludielma Laurentino integrou a primeira turma do curso de Cinema e Audiovisual da UEG e construiu uma trajetória marcada pela experimentação, pelo trabalho coletivo e pela atuação em diferentes frentes . Roteirista, montadora e produtora, foi uma das fundadoras da produtora Panaceia. Sua carreira também passa pela docência, pela curadoria e participação em júris de festivais, além da atuação em políticas e associações do setor audiovisual. Atualmente, trabalha no Laboratório de Criação e Audiovisual da UEG, onde alia sua experiência profissional à produção de conteúdo voltado à divulgação científica e à formação de novos realizadores, refletindo sobre os desafios e as potencialidades do mercado audiovisual goiano e brasileiro.

CHL: como é que o curso de Cinema e Audiovisual entrou na sua vida?

Ludielma Laurentino: Eu sou uma daquelas pessoas que caíram de paraquedas no curso. Terminei o ensino médio muito novinha, com 16 anos, e fiz o vestibular de forma bem aleatória: tudo o que me interessava, eu me inscrevia. Acabou dando certo aqui na UEG, eu entrei. E, quando entrei, fui descobrir de fato o que era o curso. Quando fizemos o vestibular, ele ainda se chamava Rádio e TV, e, quando começamos, já era Audiovisual.

Quando o curso teve início, a grade já estava sendo reformulada. Eu me perguntava: “O que é isso? Por que estudar rádio agora?”. Era 2006, já existia muito essa discussão sobre novas tecnologias. Então, tudo era muito novo para mim, mas também era novo para a UEG, pelo que eu percebia. Estava todo mundo tentando entender o que era o audiovisual e o que estávamos fazendo ali. Ao longo do curso, a gente acabou explorando muito.

Eu explorei várias áreas e fui descobrindo de quais eu gostava mais, como roteiro e edição. Consegui um estágio e fui tendo experiências mais profundas nessas áreas, até perceber que realmente tinha afinidade com isso.

Geralmente, quando a gente faz essa escolha profissional, existe algum direcionamento desde a infância ou adolescência. No meu caso, meu pai sempre teve uma banca de revistas. A gente cresceu indo trabalhar lá com ele, porque não tinha com quem ficar, então íamos para a banca junto.

Na adolescência, eu ficava lá trabalhando mesmo. Tanto eu quanto minha irmã e meu irmão acabamos indo para a área da comunicação. Nesse contato com as revistas, eu lia muito e me interessava por vários assuntos. Tinha revistas de todas as áreas que eu achava interessantes.

Comecei a me interessar por fotografia, por histórias de filmes, mas não era algo muito específico, do tipo “quero ser cineasta” ou “quero ser roteirista”. Eram coisas que eu achava interessantes. Tudo o que me chamava atenção, eu lia. Acho que isso acabou influenciando a gente a gostar de comunicação de uma forma geral.

CHL: Você fez parte da primeira turma. Você já contou um pouquinho que foi um processo em que, enquanto você estudava, o próprio curso também estava se formando. Mesmo assim, apesar de uma certa aparência de improviso, você guarda boas lembranças dessa experiência?

Ludielma Laurentino: Nossa, demais. Acho que é até por isso. A gente via os professores se esforçando junto com a gente para construir um curso que valesse a pena. E nós estávamos ali provando que ele valia, tanto pela experiência prática quanto pelas teorias.

Os professores tinham muito conhecimento teórico e, na prática, a gente ia lidando com as limitações. De vez em quando, havia professores temporários que tinham mais experiência prática e traziam exercícios nesse sentido.

O curso não tinha laboratório, não tinha os equipamentos que existem hoje, nem tantas possibilidades quanto se espera de uma universidade. Mas, como era a primeira turma, isso ainda não existia. Essa experiência acabou criando na gente uma casca grossa, de fazer com o que se tem e seguir em frente. Acho que isso nos deu força.

Talvez não exatamente uma motivação, mas uma resistência para trabalhar com cinema e audiovisual em Goiás. Porque é um lugar que também está engatinhando — e há muito tempo. Ao mesmo tempo, é um espaço de teste constante. Assim como nós, enquanto primeira turma, estávamos testando coisas.

Quando a gente sai para o mercado audiovisual, percebe que precisa continuar nesse movimento de tentativa. Como é ter uma empresa? Como é fazer um filme? Hoje existe um edital, amanhã pode não existir. Ser da primeira turma trouxe muito essa lógica de tentativa e erro.

CHL: Vocês criaram a Panaceia. Fala um pouquinho sobre esse momento.

Ludielma Laurentino: Eu acho que o curso tem uma função muito grande de aglutinar pessoas que se interessam pelo mesmo universo. Ao longo desses quatro anos, você constrói laços e já vai testando essas relações dentro da faculdade. Quando a gente se forma, consegue pensar nessa perspectiva de sociedade. Nós nos formamos em 2009, e eu já tinha alguns projetos de roteiro desde a época da faculdade.

Durante o curso, fiz três filmes, sendo um deles o TCC. Então, eu já tinha esse interesse em continuar produzindo. Havia alguns roteiros engavetados. O Jarleo Barbosa também se formou em 2009 e chamou a mim, a Lidiana, a Larissa e o Oswaldo para formar a Panaceia.

Éramos pessoas que tinham projetos guardados e queriam continuar produzindo. A ideia era criar um coletivo de cinema. Nós alugávamos uma sala dentro de um coletivo de cultura, onde havia também coletivo de moda, de hip-hop, de música. A gente entrou nesse universo para construir junto, coletivamente.

E eu percebi que isso virou uma tendência muito forte nas outras turmas: quase toda turma forma alguma produtora. Muitas vezes, não no sentido de uma produtora hierarquizada, mas como um coletivo mesmo.

CHL: E como é que a produtora evoluiu?

Ludielma Laurentino: A gente tinha esses projetos, cada um com o seu roteiro, com ideias de filmes. Aos poucos, fomos conseguindo aprovar projetos em editais, produzindo um curta aqui, outro ali.

Com o tempo, percebemos que, para manter a produtora ativa — inclusive para conseguir pagar aluguel e outras despesas —, era preciso ter mais projetos, garantir um fluxo de caixa. Também começamos a enxergar brechas e possibilidades de continuar produzindo audiovisual de outras formas. Foi assim que criamos a mostra de cinema Cinema na Calçada e a Revista Janela.

Nesse processo, convidamos a Jô Levy, que foi nossa professora de Realidade Regional e hoje também é professora, para trabalhar com a gente na revista. Criamos ainda o SAPI, o Seminário de Audiovisual do Encontro dos Mercados, que continua existindo até hoje.

A Lidiana coordena o SAPI atualmente. Mesmo depois do encerramento da produtora, o seminário continuou com ela e com a produtora dela.

CHL: O encerramento da produtora tem a ver com a dificuldade de produzir cinema em Goiás, com o mercado?

Ludielma Laurentino: Totalmente, tem muito a ver.

A gente teve uma certa sorte. Como eu disse, por sermos da primeira turma, já lidávamos com essa instabilidade desde o início. Mas saímos da faculdade em um momento com muitos editais: existia edital municipal, edital estadual e, em 2012, houve a criação da Ancine, o que abriu vários editais nacionais.

A formalização da produtora, com CNPJ certinho, também tinha relação com isso, com a necessidade de se enquadrar nos editais, especialmente nos nacionais, que exigiam pontuação específica. Isso existe até hoje. Mas, a partir de 2017, com o governo Temer, esses editais começaram a acabar.

Acho que conseguimos aproveitar bastante esse período e manter o sonho de uma produtora que vivesse exclusivamente de cinema por cerca de nove ou dez anos, justamente por causa desse contexto favorável. A partir de 2017, muitos editais que acreditávamos que continuariam simplesmente deixaram de existir. Os estaduais sempre foram instáveis: em um ano tem, no outro não se sabe.

Isso gerava uma instabilidade muito grande. Eu, particularmente, já estava bastante cansada desse vai e vem, dessa dificuldade de se planejar e se organizar financeiramente. Todo mês era uma loucura para fechar as contas da empresa. Eu estava buscando um momento de mais estabilidade.

CHL: Mas vocês pararam de produzir totalmente? Quando é que você voltou a produzir para o mercado mesmo? E com o que você trabalhou nesse período?

Ludielma Laurentino:
Com a Paracéia, a gente não conseguia tirar muitos recursos, porque os editais acabavam sendo destinados à manutenção da produtora e à realização dos próprios projetos. Então, desde a época da produtora, eu sempre tive uma segunda renda.

Eu dava aula — fui professora aqui em 2014 — e também trabalhava editando vídeos de casamento. Era sempre uma renda complementar, nunca exclusiva da produtora. Como a Panaceia vivia apenas de cinema e de projetos culturais, a gente não fazia publicidade nem eventos sociais, como outras produtoras faziam. Por isso, não conseguíamos retirar esse recurso. Eu já fazia freelances e continuei fazendo: edição de filmes, produção. Isso nunca parou.

CHL: Em que ano você dirigiu o curta-metragem, então?

Ludielma Laurentino:
Foi em 2012. Era um roteiro que eu escrevi ainda no curso. A gente teve um concurso de roteiros universitários, o CRU, e ele ficou em segundo lugar. Eu gostei muito de escrever esse roteiro e também de ter sido premiada.

Foi um momento em que pensei que o roteiro poderia ser a minha área de especialização. Quando a gente se formou e criou a produtora, eu peguei esse roteiro, desenvolvi o projeto e ele foi aprovado na lei municipal. A gente produziu o curta em 2012.

CHL: Depois disso, você atuou como montadora?

Ludielma Laurentino:
Durante a faculdade, fiz algumas edições e, na Panaceia, eu montava os filmes dos meus sócios.

A gente tinha muito essa lógica: quando o filme era nosso, a gente atuava como diretora e roteirista; quando era de algum sócio, assumia outra função. A Larissa produziu o meu filme, a Lidiana fez a produção executiva, o Jarleo foi assistente.

Eu fui montadora nos filmes deles. Montamos curtas, o longa do Jarleo, e eu também fui convidada para outros trabalhos. Fiz parcerias em documentários, telefilmes e, até hoje, pego eventualmente trabalhos de montagem, que é algo que eu gosto bastante.

CHL: Você comentou que deu aulas aqui na UEG. Como isso aconteceu e por que acabou?

Ludielma Laurentino:
Foi em 2014. Eu tinha acabado de finalizar a minha pós-graduação, que fiz em História Cultural na UFG.

Surgiu um edital para professor substituto exatamente para disciplinas de roteiro, que já era uma área de que eu gostava muito. Ser professora também significa estar sempre se atualizando, estudando. Eu vi nisso uma oportunidade de continuar estudando algo que me interessava, me manter atualizada e também ter contato com uma nova geração.

Foi uma experiência muito boa, especialmente o contato com os alunos. Surgiam muitas ideias interessantes, e era gratificante incentivar os estudantes a continuarem escrevendo roteiros.

Eu dei aula desde o primeiro período até o último, com Roteiro I e Roteiro II, além de uma disciplina de Planejamento Profissional. Era muito interessante acompanhar o crescimento dos alunos e ver como eles se desenvolviam nessas áreas.

Eu só me sentia um pouco insegura. Não era algo relacionado à UEG — eu me sentia muito à vontade com os colegas professores e com os alunos —, era uma questão pessoal. Por isso, eu resolvi parar um pouco, refletir sobre onde eu estava e em que momento da minha vida eu me encontrava.

Não é algo que eu descartei definitivamente. Talvez, em outro momento, eu volte.

CHL: Em quais festivais você atuou em curadorias ou júris? Você parece ter uma passagem importante por esse campo.

Ludielma Laurentino:
Sim, sim. Durante a experiência na Panaceia, a gente criou a mostra Cinema na Calçada, e eu fiz a curadoria das exibições nos bairros.

Eu gostei muito dessa experiência e de começar a frequentar festivais, observando os filmes com um olhar mais curatorial. A partir disso, me inscrevi em seleções para júri oficial, como no FICA. Também participei de várias associações.

Enquanto tive a produtora, a gente percebeu a importância do empreendedorismo cultural e do posicionamento político, porque dependemos diretamente dos editais de cultura. Esses editais não surgem do nada: eles são fruto de reuniões, negociações e do entendimento, por parte do governo, de que o setor precisa desse apoio para se desenvolver.

Desde o início da produtora, fomos associados à ABD, a Associação Brasileira de Documentaristas, que acabava reunindo grande parte do pessoal do audiovisual. Mais tarde, também participamos da GoFilmes, uma associação de produtoras.

Eu participava ativamente dessas duas. No caso do FICA, existia uma vaga de júri destinada a representantes das associações, e foi assim que atuei como jurada. Depois disso, fui convidada para o CineFeste São Jorge e para atuar como parecerista do Fundo de Cultura de Anápolis e, mais recentemente, de Mato Grosso.

Esse trabalho dialoga muito com a minha experiência como professora e também com toda a trajetória que tive como produtora.

CHL: Hoje você trabalha no Laboratório de Criação e Audiovisual, no curso de Cinema e Audiovisual da UEG. Eu queria que você falasse um pouco sobre esse trabalho e de que forma ele se entrelaça com o objetivo que, acredito, é comum a quase todo mundo que entra no curso: fazer cinema. 

Ludielma Laurentino:
Sim. Como eu cheguei aqui: naquele período em que eu estava empreendendo, percebi que era um processo muito exaustivo e comecei a buscar um pouco mais de sossego. Passei, então, a procurar empregos fixos na área e também a prestar concursos.

Trabalhei por um bom tempo na TV UFG, como roteirista. Acho que o curso de Cinema e Audiovisual é muito amplo: você pode seguir uma carreira dentro do cinema, mas também pode atuar na televisão, na publicidade, na internet, entre outros campos.

Eu considero que tive um pouco de sorte, porque a área da publicidade nunca me atraiu muito. Trabalhar em uma TV universitária me trouxe mais sentido para o fazer audiovisual. Eu estava produzindo audiovisual para divulgação científica.

Era produzir conteúdo para mostrar que a universidade está produzindo conhecimento. De certa forma, especialmente nessa era de fake news, isso também é uma forma de combater a desinformação. Mostrar que a ciência tem razão de existir, que a universidade pública produz conhecimento — e produz muito.

Essa ideia de produzir audiovisual para divulgação científica me interessou bastante. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar aqui na UEG, achei interessante voltar com esse olhar: produzir audiovisual a favor da universidade, contribuindo para o crescimento da instituição e para a divulgação da ciência produzida aqui.

CHL: Pelo que você contou, você atua em várias frentes ao mesmo tempo: tem um trabalho fixo, participa de festivais como jurada e também continua produzindo. Vocês estão trabalhando, atualmente, em uma série de ficção, não é?

Ludielma Laurentino:
Isso. Em um dos últimos trabalhos da Panaceia, a gente criou um núcleo de desenvolvimento, do qual surgiram várias ideias.

Existe essa busca por um lugar mais tranquilo, no sentido de ter um emprego fixo ou um concurso, muito por causa do tempo que um roteiro leva para, de fato, virar alguma coisa. Nesse núcleo, eu desenvolvi, junto com a Jô Levy, uma série chamada Fim de Ano.

Conseguimos uma coprodução com uma produtora da Bahia, a Tendendê, que já tem bastante tempo de atuação. Eles estão tentando viabilizar a série. De tempos em tempos, a gente participa de festivais internacionais e eventos de mercado, buscando outras coproduções para conseguir tirar o projeto do papel.

O roteiro é uma obra aberta. Como ainda não começamos a gravar, ele passa por ajustes constantes. Então, sigo trabalhando nesse roteiro, tentando viabilizar a produção.

CHL: Olhando de fora, parece muito difícil conseguir patrocínio e viabilizar projetos audiovisuais. Mesmo com editais, nada parece garantido. Diante disso tudo, valeu a pena?

Ludielma Laurentino:
Acho que valeu. Valeu muito.

O audiovisual me levou a lugares que eu nunca imaginei. Eu realmente entrei de paraquedas no curso, e isso, para mim, foi positivo, porque entrei sem muitas expectativas. Tudo o que aparecia eu achava incrível: os festivais de cinema, os encontros com pessoas, as reflexões que surgiam.

Ao longo desse caminho, passei a discutir políticas culturais e a pensar sobre o sentido de produzir audiovisual. Produzir cultura é importante no nosso país. Usar o audiovisual para coisas boas, como a divulgação científica, foi me levando a lugares que eu não planejei, mas, de certa forma, fui construindo uma base para que essas coisas acontecessem. Então, sim, eu acho que valeu a pena.

Ao mesmo tempo, fico um pouco frustrada ao perceber que existe um mercado que poderia crescer muito mais, com enorme potencial de empregabilidade. Se as políticas públicas tivessem continuidade, estaríamos produzindo muito mais.

Você vê plataformas de streaming, como Netflix e Amazon, movimentando muito dinheiro e produzindo conteúdo o tempo todo. Elas deveriam — ou até ser obrigadas a — olhar para esse mercado, reconhecer o potencial que ele tem e investir de forma mais consistente. Isso abriria muito mais possibilidades.

Essa é a frustração: poderia ser maior, poderia ser melhor. A gente acaba ficando preso a um circuito pequeno, mesmo tendo um potencial enorme de crescimento.

CHL: Em Goiás também? Você fala especificamente de Goiás ou do cinema como um todo? Do mercado audiovisual goiano?

Ludielma Laurentino:
Eu acho que do Brasil como um todo, mas de Goiás muito mais.

Quando a gente olha para São Paulo e Rio de Janeiro, parece que é onde as coisas acontecem. Já quando olhamos para o interior do país, a impressão é de que está longe de ser visto, prestigiado, celebrado. E, no entanto, o que a gente vê do cinema brasileiro, do audiovisual brasileiro de forma geral, é que, quando ele acontece, ele é muito bom.

A gente tem muitas produções interessantes. Hoje, inclusive, as plataformas de streaming oferecem várias opções de conteúdos feitos no Brasil. Claro que ainda poderiam produzir muito mais, mas, antigamente, você praticamente não via nada. Quando começamos a ver mais produções, ainda existia muito preconceito.

Durante muito tempo, o cinema brasileiro era visto apenas como chanchada, como algo menor. Hoje, a gente tem produções belíssimas. E isso tem muito a ver com o sentido da arte e da cultura na formação de um país.

As pessoas, muitas vezes, não conseguem entender que, para um país se desenvolver, crescer e construir sua identidade, é fundamental olhar para a arte e para a cultura. A nova forma de colonização é cultural: é tirar nossas identidades, seja pelo cinema que não é nosso, pela música que não é nossa.

A gente vai negligenciando isso, achando que cultura não é importante. Dizemos que educação é importante, que saúde é importante — e são —, mas cultura também é fundamental. É por meio dela que se formam identidades nacionais e se valoriza quem a gente é.

E é preciso entender que o Brasil é muito mais do que Rio e São Paulo. É importante que esses centros existam, claro, mas o país é gigantesco. A gente perde muito quando não olha para esses outros lugares. Existem algumas escolas importantes no Brasil, e eu acredito que o curso da UEG é uma referência.

CHL: O que você diria para esses estudantes que estão chegando agora, escolhendo o curso de Cinema e Audiovisual?

Ludielma Laurentino:
Eu recomendo muito o curso.

Hoje, voltando como técnica, eu consigo ver o quanto a UEG evoluiu desde a época em que a gente entrou: em termos de equipamentos, de professores e até de perfil dos próprios alunos. Eu caí de paraquedas e gostei, mas muita gente caiu de paraquedas e não se identificou.

Agora é diferente. Quem chega hoje geralmente tem mais noção do que é o curso e vem com mais vontade. Dá para perceber a conexão entre os estudantes, essa troca constante. Eu observo muito isso no dia a dia.

A universidade é um lugar de encontro. Foi aqui que eu fiz meus melhores amigos e foi aqui que consegui me desenvolver para o mercado. Então, eu vejo o curso como uma oportunidade enorme.

Se você sonha com isso, eu acho que você deve entrar nesse curso, sim.

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SOBRE O PROJETO "CINEMAS, HISTÓRIAS E LARANJEIRAS"

Em 2026, o curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás comemora 20 anos de vida. Jovem, mas já repleto de histórias, ele representa um marco significativo no contexto audiovisual do Estado, tanto em sua dimensão de pesquisa acadêmica quanto, e principalmente, na formação de profissionais de excelência que atuam no cenário local, nacional e internacional. A partir do curso, centenas de pessoas têm se dedicado a produzir cinema com gosto, cheiro e cor de Goiás, difundindo nossa cultura e sotaque através da mágica cinematográfica.

Para celebrar as conquistas e comemorar as duas décadas do curso, o CriaLab|UEG está realizando o projeto Cinema, Histórias e Laranjeiras. Até 2026, ele se propõe a colher depoimentos de egressos e egressas de destaque e de pessoas que ajudaram a construir o curso, e apresentá-los na forma de entrevistas que serão publicadas nos sites institucionais da UEG, e, ao final, reunidas em um e-book. Além disso, em 2026, o Projeto irá realizar o plantio de um pomar de laranjeiras na Unidade Universitária Goiânia-Laranjeiras com uma árvore dedicada a cada turma.

Sobre o CriaLab|UEG

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O CriaLab|UEG é o Laboratório de Pesquisas Criativas e Inovação em Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás, dedicado à formação, pesquisa e experimentação. Reúne docentes, pesquisadores, estudantes e profissionais no desenvolvimento de projetos audiovisuais. Com estúdios e equipes especializadas, produz conteúdos, realiza ações formativas e impulsiona inovação no audiovisual.

Em 2026, o CriaLab|UEG completa 10 anos. Em uma década, ele se consolidou como referência em pesquisa, formação e inovação no audiovisual. A data marca uma trajetória histórica no desenvolvimento de projetos de pesquisa e extensão, produção de conteúdos e ações formativas que impactam a comunidade acadêmica e cultural.