Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado da Universidade Estadual de Goiás (Teccer|UEG) apresentaram trabalhos sobre paisagem, filme-ensaio, arte contemporânea e composição de trilhas realizadas por mulheres no cinema brasileiro no XII Colóquio de Cinema e Arte da América Latina (Cocaal 2026), que ocorreu entre 9 e 12 de junho na Universidade Federal de Sergipe (UFS), em São Cristóvão (SE).
O evento reuniu pesquisadores, artistas e estudantes para debater práticas audiovisuais, artísticas e culturais no contexto latino-americano. Entre os trabalhos selecionados para apresentação estiveram duas pesquisas vinculadas à Universidade Estadual de Goiás (UEG), dedicadas às relações entre território, paisagem, cinema e arte contemporânea, além da participação da professora Geórgia Cynara como convidada e integrante do comitê científico do evento.
A performance de abertura, 'ritual recital -33: sonho profundo', contou com a participação do Luminav|UEG por meio do desenvolvimento da trilha sonora realizada pela professora da UFS Dra. Damyler Cunha, durante o desenvolvimento de sua licença capacitação dentro do Luminav, via Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (Teccer|UEG).

Além disso, a professora também apresentou na mesa convidada “Trilhas latinas: estética, política e gênero no cinema latino-americano”. Na ocasião, Geórgia Cynara e Suzana Reck Miranda (UFSCar) apresentaram a pesquisa “Mulheres na composição de música no cinema brasileiro”, desenvolvida em parceria com Debora Tanño (UniRio). O estudo discute a presença historicamente silenciada das mulheres na composição de trilhas musicais para o cinema brasileiro, evidenciando mecanismos estruturais de desigualdade de gênero e problematizando os desafios enfrentados por compositoras no campo audiovisual.

O trabalho “O Sertão-Cerrado mediado pelo filme-ensaio: a paisagem onírica de lubrina”, de Luca Manso Fraietta, investiga como o filme-ensaio pode operar como dispositivo poético e crítico de mediação da paisagem do Sertão-Cerrado. A pesquisa toma como objeto o filme Lubrina (Leonardo Hecht, Vinicius Fernandes, 2023), analisando a construção de uma paisagem marcada por atravessamentos oníricos, memórias fragmentadas e procedimentos ensaísticos.

Já a comunicação “Do Cerrado ao circuito: experiências em arte contemporânea no Barranco Ateliê”, de Isabella Fonseca de Almeida Brito, analisa o papel do Barranco Ateliê, em Anápolis (GO), como espaço autogerido de produção, pesquisa e circulação da arte contemporânea no Centro-Oeste brasileiro. Partindo da constatação de que artistas da região enfrentam dificuldades de formação, visibilidade e inserção no circuito artístico, a pesquisa investiga como o ateliê contribui para a descentralização cultural por meio de residências, cursos, exposições e ações educativas, reafirmando a importância dos espaços independentes para a sustentabilidade da arte contemporânea no Cerrado.

O Cocaal 2026 promoveu debates sobre as múltiplas formas de criação e pensamento no cinema e nas artes latino-americanas, reunindo pesquisadores de diversas instituições em um espaço de intercâmbio crítico e compartilhamento de pesquisas contemporâneas.
Redes de pesquisa e experimentação
O Laboratório Experimental de Cinema e Arte (Entre-Imagens) vem consolidando diálogos com pesquisas artísticas e audiovisuais desenvolvidas em diferentes regiões do Brasil, aproximando estudantes-pesquisadores em torno de práticas contemporâneas de criação e reflexão crítica. Por meio da participação em eventos acadêmicos, mostras, grupos de pesquisa e ações curatoriais, o laboratório estabelece conexões com investigações que tensionam as fronteiras entre cinema, artes visuais e pensamento ensaístico, contribuindo para a circulação de produções vinculadas a contextos regionais e experimentais. Esses intercâmbios fortalecem a inserção nacional das pesquisas desenvolvidas na UEG, ao mesmo tempo em que ampliam o debate sobre paisagem, memória, território e formas dissidentes de criação no audiovisual contemporâneo.
Além de atuar na conservação e difusão do patrimônio audiovisual produzido em Goiás, o Luminav|UEG desenvolve atividades de formação, pesquisa e extensão voltadas à memória audiovisual, promovendo ações de digitalização, catalogação e acesso público aos acervos. O laboratório também mantém diálogo com instituições e pesquisadores de diferentes regiões do Brasil, fortalecendo redes de cooperação em torno da preservação audiovisual. Como resultado dessa atuação, a UEG integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação e Restauração Audiovisuais (INCT PreRes), iniciativa financiada pelo CNPq que reúne mais de vinte instituições brasileiras dedicadas à pesquisa, preservação e difusão da memória audiovisual.
(Comunicação Setorial|UEG)