Levantamento divulgado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Universidade Estadual de Goiás (Nepe|UEG) aponta que as mulheres representavam 45,2% dos vínculos formais de trabalho em Anápolis em 2024. Os homens correspondiam a 54,7% do total de trabalhadores registrados no município.
Os dados integram o Suplemento Especial do Boletim Escritos de Conjuntura Socioeconômica, produzido pelo Nepe|UEG em parceria com o Centro de Estudos sobre Trabalho, Território e Desenvolvimento (CeTTeD). A análise utiliza informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), registro administrativo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que reúne dados do mercado formal brasileiro.
O estudo indica que a participação feminina no mercado de trabalho local apresenta concentração em determinados setores da economia e mantém diferenças de rendimento em comparação aos homens, mesmo quando considerados níveis semelhantes de escolaridade e ocupação.
Concentração no setor de serviços
Segundo o levantamento, a maior presença feminina ocorre no setor de serviços, que reúne 53,6% das trabalhadoras formais de Anápolis. Na indústria, as mulheres representavam 27,2% da força de trabalho, enquanto no comércio a participação era de 17,8%.
Quando considerados conjuntamente comércio e serviços, denominado no estudo como "grande setor de serviços", a participação feminina alcança 71,4% dos vínculos formais ocupados por mulheres no município.
Entre os homens, a distribuição setorial apresenta maior equilíbrio. A participação masculina é mais expressiva na indústria (36,3%) e relativamente menor no setor de serviços (36,4%).
Perfil das trabalhadoras
O boletim também descreve características demográficas e educacionais das trabalhadoras formais em Anápolis. Em relação à raça/cor declarada, a maioria é composta por mulheres pardas (58,8%), seguidas por brancas (31,6%). Mulheres pretas representam 4,7%, enquanto as declarações de cor amarela e indígena correspondem a 1,5% e 0,2%, respectivamente.
Quanto à faixa etária, 27,3% das trabalhadoras têm entre 30 e 39 anos e 23,3% entre 40 e 49 anos, totalizando 50,6% da força de trabalho feminina em idade adulta. As jovens de 18 a 29 anos correspondem a 32,7%.
Em termos de escolaridade, 33,2% das trabalhadoras possuem ensino superior completo e 53% concluíram o ensino médio.
Diferenças de rendimento
A análise do Nepe|UEG também aponta desigualdade salarial entre homens e mulheres no mercado de trabalho formal de Anápolis. De acordo com o estudo, as mulheres recebem menos do que os homens em praticamente todos os setores econômicos e níveis de escolaridade analisados.
No setor de comércio, por exemplo, a diferença na remuneração média entre trabalhadores com ensino superior completo chega a 44,3%. Já no setor de serviços, a diferença entre homens e mulheres com ensino fundamental completo alcança 39,1%.
Em ocupações específicas do comércio, como vendedores e prestadores de serviços, os homens receberam remuneração média de R$ 6.795,06 em 2024, enquanto as mulheres receberam R$ 5.858,27, cerca de 16% a menos na mesma função.
Na indústria também foram observadas diferenças relevantes. Em atividades de processos contínuos, por exemplo, as trabalhadoras receberam, em média, 37,7% menos que os homens nas mesmas ocupações.
Mês da Mulher
O boletim integra as atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pelo Nepe e pelo CeTTeD na Universidade Estadual de Goiás. A publicação tem como objetivo analisar dados do mercado de trabalho formal e contribuir para o debate sobre transformações econômicas e sociais no município. Em março, quando se comemora o Mês da Mulher, foi lançado o suplemento especial, com análise dos dados da participação feminina no mercado de trabalho.
(Comunicação Setorial|UEG)