UEG 20 anos: uma história escrita a muitas mãos

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Parece que foi ontem que se formou, em meio à paisagem árida do cerrado, aquela que é considerada uma das maiores instituições públicas de ensino superior do país. O ano era 1999, mas as contas iniciais dessa história retornam aos anos de 1960, antecedendo em mais de três décadas aquela sexta-feira, 16 de abril, em que foi assinada a lei que unificava 13 instituições goianas que originariam a Universidade Estadual de Goiás (UEG).

“O processo de criação da UEG, como uma universidade multicampi, causou na ocasião, momento de tensão e, ao mesmo tempo, de fortalecimento”, observa Jandernaide Resende Lemos, professora aposentada do Câmpus Goiânia Eseffego, sobre as impressões causadas pela criação de uma universidade que já nascia interiorizada.

“Certamente foi um projeto audacioso e desafiador. Como levar ensino público, gratuito e de qualidade a todos os rincões do estado? Esse era um questionamento”, rememora a pró-reitora de Graduação, professora Maria Olinda Barreto. Mas apesar das dúvidas, dentre em breve, a instituição alcançará a considerável marca de 100 mil diplomas entregues e milhares de vidas transformadas pelo ensino superior. Aí reside o seu maior feito.

Um projeto árduo, assim como é o clima da região, e com uma história construída a várias mãos, em que cada um e cada uma faz a diferença. “O que eu levo comigo é a gratidão de ver meus alunos se tornando profissionais de sucesso”, afirma o professor Ronaldo de Castro Del-Fiaco, do Câmpus Anápolis de Ciências Exatas e Tecnológicas Henrique Santillo.

materia02E assim, promovendo educação emancipadora, que leva aos mais variados pontos do estado conhecimento a quem deseja tê-lo, a UEG chega aos 20 anos refletindo sobre si mesma. Buscando resolver questões em aberto e determinar quais passos serão necessários para que, a partir de agora, construa o seu futuro – o dela própria e o de quem lê esse texto.

Sempre recai sobre a UEG acusações sobre sua expansão. Um assunto polêmico e espinhoso, mas que precisa ser encarado e, por fim, exorcizado, para que se possa seguir adiante. “Muitos aspectos foram solucionados e outros precisam ser consolidados”, diz a professora Jandernaide. E não à toa, a Instituição vive um momento em que volta o olhar para si mesma. Um exercício necessário para seu próprio crescimento. Um acerto de contas com o passado? Talvez.

A verdade é que, a despeito de interesses políticos em sua expansão, o que fica é a certeza de que em 20 anos a UEG promoveu profundas e necessárias modificações sociais. Promoveu desenvolvimento regional. Possibilitou ensino superior público e gratuito a uma parcela da população que, por décadas, se manteve à margem do mundo acadêmico, além de ter contribuído sobremaneira com a educação de base do estado, sendo a principal instituição de formação de professores em Goiás.

Mas e daqui para frente? Como parte integrante de uma sociedade, nada mais salutar que mudanças aconteçam. “Os próximos anos serão de readequação do papel da UEG na sociedade goiana. Novas demandas têm sido colocadas no cenário estadual e precisamos nos repensar para continuar contribuindo para dinamizar as potências encontradas em Goiás”, pondera o professor Márcio Dourado, pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional.

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Entretanto, mudar e se repensar não significa uma quebra total com seu passado. “Avançar é necessário sempre. Mas uma coisa nunca vai mudar: o nosso foco é a formação de pessoas que possam fazer a diferença. E fazer a diferença não é apenas ser um bom profissional, mas é também ter consciência de si e de seu papel transformador em uma sociedade profundamente marcada pelas diferenças”, aponta a professora Maria Olinda.

“No tempo parece pouco, mas na produção é gigantesco todo o trabalho que se desenvolveu nesses anos, que são de luta, crescimento e bons serviços prestados à população do estado”, atesta a professora Brandina Fátima Mendonça de Castro Andrade, coordenadora acadêmica da Pró-Reitoria de Graduação.

“Chegamos até aqui enfrentando diversos desafios. E certamente eles não serão os únicos. Vinte anos é um tempo relativamente pequeno na trajetória de uma universidade. Tropeçamos, caímos, acertamos e continuamos. Isso faz parte do jogo. Demos passos significativos e inegáveis em duas décadas: estruturamos a pesquisa, expandimos o nosso número de vagas, aumentamos nosso quadro docente efetivo, temos conseguido financiamentos externos e nos tornamos parceiros estratégicos no estado. Para uma jovem universidade, já trilhamos um bom caminho”, afirma o reitor interino da UEG, professor Ivano Devilla.

“É uma história que segue o seu curso. Está em construção. Eu entendo que há urgência para que a UEG chegue onde, em comparação, uma ou outra instituição já está. Mas isso não é possível. E não é por falta de competência, mas de acúmulo, de longevidade e mesmo de trajetória. É uma universidade que se colocou para fora do espaço próprio das academias”, reflete.

E assim, a UEG vai construindo sua história e ajudando a construir outras histórias. E você, qual a sua parte nessa trajetória?

(Fernando Matos |CeCom|UEG)

Notícia publicada em 16/04/2019