Ações marcam Novembro Negro na UEG

Um dia e mesmo um mês não são suficientes para superar o racismo historicamente construído e que opera as relações na sociedade brasileira.

Mas, o dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e o mês de novembro em si, o Novembro Negro, carrega um forte sentido simbólico e político que evidencia a luta contínua da negritude por respeito e por direitos, que suscita o debate sobre políticas públicas, que promove a visibilidade das manifestações artístico-culturais e das produções intelectuais e científicas de negros e negras.

Enfim, é uma data que nos provoca à desestruturar práticas e ideias que inferiorizam a pessoa negra e a construir uma sociedade antirracista.

Nesse sentido, diversos câmpus da UEG realizaram e irão realizar atividades e eventos ao longo do mês de novembro que discutem educação e relações étnico-raciais no Brasil, políticas públicas e acadêmicas para superação do racismo, processos de violência, exclusão e sub-representação da população negra e também que promovem a valorização da cultura afro-brasileira. Confira!

Cultura e identidade negra

Acadêmicos do oitavo período do curso de História do Câmpus Cora Coralina estiveram hoje no Colégio Estadual José Eduardo do Couto, no município de Itaguari, para realizar algumas atividades relacionadas à cultura e identidade negra.

Os alunos da escola tiveram uma aula sobre "Estética e capoeira, em memória da resistência do povo negro Brasileiro” e também as oficinas de trança box braid e de fundamentos da capoeira Angola. A ação foi coordenada pelo professor Euzébio Fernandes de Carvalho e faz parte do Projeto de Intervenção Didática.

África em nós

O Câmpus Quirinópolis, por meio do projeto de extensão Consciência Negra: África em nós, realizou, entre os dias 10 e 13 de novembro, uma série de atividades em escolas públicas do município, entre elas: Formação de professores, oficina de máscara africanas e oficina das bonecas Abaymi.

O projeto Consciência Negra: África em nós é desenvolvido com professores das redes municipal e estadual de ensino básico de Quirinópolis e região e promove práticas e discussões teóricas sobre educação voltada para consciência da importância do negro na constituição e identidade da nação brasileira e, principalmente, do respeito à diversidade humana e a abominação do racismo e do preconceito.

O projeto de extensão se insere na reivindicação da legislação educacional brasileira regida pelas Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 e faz parte do engajamento do curso de História do câmpus.

O câmpus encerrou a programação neste dia 20 com a Noite Cultural África em Nós, momento em que o curso de História expos à comunidade acadêmica os resultados do projeto de extensão com teatro, música, culinária e a apresentação da Beleza Negra da UEG – Câmpus Quirinópolis.

XI Encontro da Consciência Negra

O Câmpus Iporá em parceria com o Instituto Federal Goiano (IFGoiano), por meio do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) realizou, no dia 13 de novembro, a décima primeira edição do já tradicional Encontro da Consciência Negra.

A programação do evento foi composta por dois momentos: a exibição de filme e debate e a palestra com a coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Estudo e Extensão em Comunicação e diferença da Universidade Federal de Goiás (UFG), a professora Luciene Dias.


Etnomatemática e Racismo

O curso de especialização Formação Docente em História e Cultura das Africanidades Brasileiras do Câmpus Cora Coralina (PósÁfrica) promoveu, no dia 10 de novembro, uma aula pública com a temática “Etnomatemática para a Superação do Racismo”.

A aula foi ministrada pelo professor Hélio Simplício Rodrigues Monteiro, doutor em Ensino de Ciência e Matemática pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Hélio explicou que a proposta da etnomatemática é mostrar que a matemática é uma linguagem e que está presente no interior das culturas e no cotidiano, organizando diversos espaços da vida. Sendo assim, permite entender os valores culturais e as relações que engendram o racismo.  

“O racismo se expressa, sobretudo, quando se associa padrões diferentes de poder aos valores culturais, por exemplo, a cultura de matriz greco-romana, a europeia, é uma cultura onde está presente a razão, que ‘deu origem à ciência’ e as outras culturas são conhecidas como culturas tradicionais. Ou seja, há uma hierarquização, uma cultura é tida como superior e as outras são populares, tradicionais e a etnomatemática denuncia que é necessário romper com esta estrutura de poder e valoriza outras lógicas, outras razões”, pontua o professor da PósÁfrica, Euzébio Fernandes de Carvalho.

Palestra Dia da Consciência negra

O Câmpus Itapuranga realiza, neste 20 de novembro, uma palestra com o tema “Pelo exercício consciente de uma consciência negra, um gesto de humanidade”. A palestra será ministrada pela professora Eliete Aparecida Lopes. O evento ocorrerá no auditório do Câmpus.

I Semana de Africanidades

O Câmpus Campos Belos realiza entre os dias 20 e 23 de novembro a I Semana de Africanidades e, simultaneamente, a I Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão. A proposta é reunir e evidenciar nossos traços africanos presentes nas ações diárias e no “projeto pedagógico do Câmpus”.

O evento será realizado durante a Semana da Consciência Negra e terá atrações artístico-culturais, palestras, mesas-redondas, rodas de conversa, apresentação de Projetos de Pesquisa e Extensão e outros trabalhos realizados por parceiros. Confira a programação completa.

 

(Adriana Rodrigues | CeCom|UEG)

Notícia publicada em 20/11/2018