Set 2010
DoSeTeQuQuSeSa
   1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  










23/04/2010

O rei da vela, de Oswald de Andrade

O Rei da Vela, peça de Oswald de Andrade, é uma obra representativa da década de 30, e marca uma época de preocupações e compromissos sociais. A peça é considerada o primeiro texto modernista para teatro. Nas experiências inovadoras anteriores, apenas a encenação tinha ares modernistas ao incluir a pintura abstrata nos cenários e afastá-los do realismo e do simbolismo. Mas o texto de Oswald de Andrade trata com enfoque marxista a sociedade decadente, com a linguagem e o humor típicos do modernismo.

Escrito a partir de 1933, depois da crise mundial de 1929, da Revolução de 30 e da Revolução Constitucionalista de 32, o texto manifesta a imensa amargura de Oswald, forçado a percorrer infindáveis escritórios de agiotagem para equilibrar-se financeiramente. Esse seu contato forçado com agiotas foi, provavelmente, a causa da caracterização de um agiota como Rei da Vela. Mas o texto supera a experiência pessoal de Oswald: ele fornece, sem falsas sutilezas, os mecanismos da engrenagem em que se baseia o esquema sócio-econômico do país.

Toda a dramaturgia que veio da crise financeira que abalou Oswald e o fez procurar recursos em escritórios de agiotas, é um laboratório de informações precisas e importantes para a constituição dramatúrgica e estética de seu texto. Os elementos estéticos da cenografia por ele imaginado são evidenciados em suas rubricas, extraídos da situação em que viveu, transportadas de forma exemplar para o texto. Evidencia-se o fato da procura de Oswald em vários escritórios, como também os detalhes que o cercavam.

Pelo seu caráter pouco convencional, só foi levada a cena trinta anos depois, integrando o movimento tropicalista. Constitui-se num marco para a cultura brasileira, desencadeador do movimento Tropicalista. Fruto de grandes sínteses estéticas da cena internacional do período, consolidou procedimentos que, muitos anos após, seriam considerados pós-modernos.

Quando de sua primeira apresentação, em 1968, o texto causou grande impacto sobre o público. Este manifestou-se das mais diversas formas, desde afirmações que definiam o espetáulo como "ridículo e pornográfico" a opiniões que viam nele "uma crítica da atualidade". Não houve, porém, ninguém que permanecesse indiferente.

A peça conta a história de um agiota inescrupuloso, Abelardo I, o Rei da Vela. Com negócios diversificados, sua especialidade são empréstimos. Aproveitando-se da crise econômica que flagela o país, Abelardo empresta dinheiro e cobra juros escorchantes. E ai daquele que se atrever a chamá-lo de usurário. Reforma os títulos, até o dia em que cobra tudo e deixa liso o devedor. Mais,aqui.

___________


Oswald de Andrade


Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm

(Primeiro caderno do aluno de poesia)

Em 11 de janeiro de 1890 nasce em São Paulo José Oswald de Sousa Andrade, filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade.

Inicia seus estudos, em 1900, na Escola Modelo Caetano de Campos, ainda marcado pelo fato de haver presenciado a mudança do século.

Em 1901, vai para o Ginásio Nossa Senhora do Carmo. Tem como colega Pedro Rodrigues de Almeida, o “João de Barros” do”Perfeito Cozinheiro das Almas desse mundo...”.

Em 1903, transfere-se para o Colégio São Bento. Lá tem como colega o futuro poeta modernista Guilherme de Almeida.

Em 1905, com o São Paulo em ebulição — surge o bonde elétrico, o rádio, a propaganda, o cinema — participa da roda literária de Indalécio Aguiar da qual faz parte o poeta Ricardo Gonçalves.

Em 1908, conclui os estudos no Colégio São Bento com o diploma de Bacharel em Humanidades.

De família abastada, Oswald, em 1909 inicia sua vida no jornalismo como redator e crítico teatral do “Diário Popular”, assinando a coluna "Teatro e Salões". Ingressa na Faculdade de Direito.

Em 1910, monta um atelier com o pintor Oswaldo Pinheiro, no Vale do Anhangabaú. Conhece o Rio de Janeiro, e fica hospedado na residência de seu tio, o escritor Inglês de Souza. Passa o primeiro Natal longe da família em Santos, numa hospedaria de carroceiros das docas.

No ano seguinte, com a ajuda financeira de sua mãe, funda “O Pirralho”, cujo primeiro número é lançado em 12 de agosto, tendo como colaboradores Amadeu Amaral, Voltolino, Alexandre Marcondes, Cornélio Pires e outros. Conhece o poeta Emílio de Meneses, de quem se torna amigo. Lança a campanha civilista em torno de Ruy Barbosa. Passa uma temporada em Baependi, Minas, nas terras da família de seu avô.

Em 1912, viaja à Europa. Visita vários países: Itália, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, França, Espanha. Conhece durante a viagem a jovem dançarina Carmen Lydia, (Helena Carmen Hosbale) que Oswald batiza em Milão. Morre em São Paulo sua mãe, no dia 6 de setembro. Retorna ao Brasil, trazendo a estudante francesa Kamiá (Henriette Denise Boufflers). Reassume sua atividade de redator de “O Pirralho”, onde publica crônicas em português macarrônico com o pseudônimo de Annibale Scipione.

No ano seguinte, participa das reuniões da Vila Kirial e conhece o artista plástico Lasar Segall. Escreve “A recusa”, drama em três atos.

Nasce o seu filho, José Oswald Antônio de Andrade (Nonê), com Kamiá, em 1914. Torna-se Bacharel em Ciências e Letras pelo Colégio São. Bento, onde foi aluno do abade Sentroul. Cursa Filosofia no Mosteiro de São Bento.

Em 1915, participa do almoço em homenagem a Olavo Bilac, promovido pelos estudantes da Faculdade de Direito. Torna-se membro da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras, fundada em São Paulo por Bilac. Chega ao Brasil a dançarina Carmen Lydia, com quem mantém um barulhento namoro. Faz viagens constantes de trem ao Rio a negócio ou para acompanhar Carmen Lydia.

No ano seguinte, publica em “A Cigarra” o primeiro capítulo — e, depois, lança, com Guilherme de Almeida, as peças teatrais “Theatre Brésilien — Mon Coeur Balance” e “Leur Âme”, pela Typographie Asbahr. Faz a leitura das peças em vários salões literários de São Paulo, na Sociedade Brasileira de Homens de Letras, no Rio de Janeiro e na redação “A Cigarra”. Publica trechos de “Memórias Sentimentais de João Miramar” na “A Cigarra” e na “A Vida Moderna”. Sofre de artritismo. A atriz Suzanne Després recita no Municipal trechos de “Leur Âme”. Passa a colaborar regularmente em “A Vida Moderna”, que publica em 24 de maio, cenas de “Leur Âme”. Volta a estudar Direito, cujo curso havia interrompido em 1912. Recebe o convite de Valente de Andrade para fazer parte do “Jornal do Comércio”, edição de São Paulo e em 1º de novembro começa seu trabalho como redator. Redator social de “O Jornal”. Passa temporada com a família em Lambari (MG). Veraneia em São Vicente (SP). Vai regularmente a Santos, em companhia de Carmen Lydia. Continua a viajar intermitentemente ao Rio. Naquela cidade freqüenta a roda literária de Emílio de Meneses, João do Rio, Alberto de Oliveira, Eloi Pontes, Olegário Mariano, Luis Edmundo, Olavo Bilac, Oscar Lopes e outros. Passa temporada em Aparecida do Norte. Está escrevendo o drama “O Filho do Sonho”.

Em 1917, conhece Mário de Andrade. Defende a pintora Anita Malfatti das críticas violentas feitas por Monteiro Lobato ("A exposição de Anita Malfatti", no “Jornal do Comércio”, São Paulo, 11/01/1918). Participa do primeiro grupo modernista com Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto e Di Cavalcanti. De 1917 a 1922 escreve regularmente no “Jornal do Comércio”.

Trabalha em “A Gazeta”, em 1918. Começa a compor “O perfeito cozinheiro das almas desse mundo...”, diário coletivo escrito em colaboração com Maria de Lourdes Castro Dolzani de Andrade (Miss Cyclone), Guilherme de Almeida, Monteiro Lobato, Leo Vaz, Pedro Rodrigues de Almeida, Inácio Pereira da Costa, Edmundo Amaral e outros. Fecha a revista “O Pirralho”.

Em 1919 é o orador do “Centro Acadêmico XI de Agosto” da Faculdade de Direito. Pronuncia a palestra "Árvore da Liberdade". Bacharel em Direito, é escolhido orador da turma. Morre seu pai, em fevereiro. Casa-se, “in extremis”, com Maria de Lourdes Castro Dolzani de Andrade (Miss Cyclone). Publica no jornal dos estudantes da Faculdade de Direito, “XI de Agosto”, três capítulos de “Memórias Sentimentais de João Miramar”.

No ano seguinte edita “Papel e Tinta”, assinando com Menotti del Picchia o editorial e escrevendo regularmente para o periódico. Descobre o escultor Brecheret. Escreve em “A Raposa” artigo elogiando Brecheret com texto ilustrado com fotos de trabalhos do artista.

1921 – Em julho, publica artigo sobre o poeta Alphonsus de Guimarães, ressaltando a forma de expressão, no seu entender, precursora da linguagem modernista. (“Jornal do Comércio” (SP), 07/1921). Faz a saudação a Menotti del Picchia no banquete oferecido para políticos e poetas no Trianon. Revela Mário de Andrade poeta, em polêmico artigo "O meu poeta futurista". Principia a colaboração do “Correio Paulistano” até 1924. Participa da caravana de jovens escritores paulistas ao Rio de Janeiro, a fim de fazer propaganda do Modernismo. Torna-se o líder dessa campanha preparatória para a Semana de Arte Moderna. Toma aula de boxe com o antigo pugilista suíço Delaunay.

Em 1922, participa da Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo. Faz conferência, em 18 de setembro, comemorativa ao centenário da Bandeira Nacional. É um dos participantes do grupo da revista “Klaxon”, onde colabora. Integra o grupo dos cinco com Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Menotti del Picchia. É escolhido como orador do banquete oferecido em homenagem ao escritor português Antonio Ferro, por ocasião de sua visita ao Brasil, no Automóvel Clube do Brasil (São Paulo). Publica “Os Condenados”, com capa de Anita Malfatti, primeiro romance de “A trilogia do exílio”. Viaja a negócios ao Rio. Em dezembro embarca para a Europa. Começa sua amizade com Tarsila.

No ano seguinte, ganha na justiça a custódia do seu filho Nonê. Faz viagem a Portugal e Espanha, com passagem pelo Senegal, acompanhado de Tarsila. Matricula seu filho no Licée Jaccard em Lausanne, Suiça. Reside em Paris até agosto, no atelier de Tarsila. No dia 23 abril, participa do almoço oferecido pelo embaixador na França a intelectuais franceses. Em 11 de maio pronuncia a Conferência “L'effort intellectuel du Brésil contemporain”, na Universidade de Sorbonne. No dia 28 de maio, conhece o poeta Blaise Cendrars. Em agosto, goza as férias de verão com Tarsila na Itália, em Veneza. Assiste entusiasmado o bailado negro de Blaise Cendrars, com música de Darius Milhaud e cenários de Fernand Léger, apresentado pelo Ballets Suédois, no Teatro dos Champs-Elyseés. Visita a exposição de Arte Negra, no Museu de Artes Decorativas. Reescreve “João Miramar”. Em julho, faz conferência em Lisboa. Em Paris, de volta ao Brasil, é homenageado com um banquete pela Sociedade Amis des Lettres Françaises, sendo saudado pela presidente do grupo Mme.Rachilde. Retorna ao Brasil no final do ano. Mais, aqui.

__________

Erro de português


Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Mais, aqui.

__________


“Canto de regresso à pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.”

Canto de regresso à pátria

Obras

__________

Meus queridos, a partir do dia 26 estarei de férias. Portanto, até depois...

 

22/04/2010

 
TRECHO DE UM FILME (1931/32) IMPERDÍVEL COM TEXTO DE BERTOLT BRETCH!
 
1. "Kuhle Wampe" é um filme realizado em 1931 e lançado em 1932. Trata do enorme desemprego na Alemanha, da tragédia entre trabalhadores desempregados e de sua reação. O título trata de um acampamento próximo a Berlim, onde muitos moravam.
    
2. O texto é de Bertolt Bretch (que em 1933 se exila na Áustria com a ascensão de Hitler), criador, na época, do Teatro Épico.
        
3. O extraordinário são os últimos oito minutos, quando os trabalhadores tomam um trem. Um deles lê as notícias do jornal em voz alta: "Onze milhões de quilos de café foram queimados no Brasil". E então se estabelece uma discussão: para que? Para manter os preços? Que absurdo! Etc.
 
Do ex-blog de Cesar Maia
___________
 
Durkheim, Brecht e o efeito de distânciamento no teatro
 
Aristóteles - filósofo do século IV a.C. preconizou um teatro em que o objeto da imitação era a unidade de ação, tempo e lugar. Partindo desta leitura, a peça teatral não poderia enfocar mais de um assunto, a ação não poderia ultrapassar o tempo de vinte e quatro horas, e o lugar poderia, no máximo, chegar ao tamanho de uma cidade.

Mas o que destaca no teatro aristotélico é a catarse, a empatia, a busca de uma relação que procura captar o subconsciente do espectador.

Esta escola teatral fazia com que a platéia vestisse a indumentária das personagens, envolvendo-se na trama dramática de forma inteiramente emotiva e sentimental.

Este contexto, arisco a qualquer possibilidade de reflexão crítica, incomodava os encenadores modernos que procuravam um teatro instigante, provocante, questionador e que possibilitasse uma ação lógica por parte do espectador.

Era necessário encontrar um mecanismo que libertasse a manifestação teatral da prisão catarquica criada por Aristóteles na antiguidade grega.

Independentemente dos caminhos trilhados, todos os encenadores modernos foram encontrar este mecanismo no teatro tradicional milenarmente exercitado no continente asiático.

Antonin Artaud, por exemplo, adepto do teatro metafísico que estimula uma cerimônia mágica e mística era um entusiasta da dança no Teatro de Bali, da precisão quase científica de seus gestos, passos e movimentos. Todas as formas de expressão teatral originadas no Oriente e no Extremo oriente foram cultuadas pelo enigmático encenador francês.

De igual modo, os encenadores que se enveredaram pela escola dialética também se socorreram na cultura oriental para escapar dos nós atados pelo teatro aristotélico.

Reinhardt, Meyerhold, Erwin Piscator e Bert Brecht chegaram a teorizar sobre o ‘efeito do distanciamento’, mecanismo para distanciar o público dos acontecimentos representados no palco.

A questão de fundo é que o mundo mudava celeremente, mas os fundamentos do teatro continuavam ancorados, fundamentalmente, nos modelos criados há séculos antes de Cristo.

A Renascença já abrira caminho para uma nova sociedade. Originou, por exemplo, o movimento filosófico ‘Ilustração’ que formulou novas idéias da vida social, percebendo a coletividade como um organismo. Depois o ‘Positivismo’ que emergiu pára coroar a grande expansão da Europa do século XIX. Neste instante as ciências sociais começam a se consolidar.

Émile Durkheim – apoiando-se na primeira corrente teórica sistematizada do pensamento sociológico, erigida sob a direção de Auguste Comte – estabeleceu com precisão o objeto, o método e as aplicações da nova ciência, a sociologia.

Tanto para os positivistas como para Durkheim, o pesquisador deve assegurar a objetividade de sua análise. E para conseguir alcançá-la deve manter distância, embeber-se de neutralidade em relação aos fatos.

Durkheim denominava ‘prenoções’ os valores e sentimentos pessoais que – necessariamente – o pesquisador deveria ignorar, para que os fatos e acontecimentos estudados fossem analisados à luz do conhecimento científico, sem que a realidade objetiva fosse distorcida, sem que traços de subjetividade afetassem o trabalho.

Esta é uma das fontes onde foram beber os grandes encenadores modernos para sistematizarem, no teatro, o ‘efeito do distanciamento’.

Bertolt Brecht foi buscar no teatro chinês as técnicas utilizadas pelos artistas asiáticos.

O criador do Teatro Épico teoriza:

“(...) o artista chinês não representa como se além das três paredes que o rodeiam existisse, ainda, uma quarta. Manifesta saber que estão assistindo ao que faz. Tal circunstância afasta, desde logo, a possibilidade de vir a produzi-se um determinado gênero de ilusão característico dos palcos europeus. O público já não pode ter, assim, a ilusão de ser o espectador impressentido de um acontecimento em curso. E, desta feita, torna-se perfeitamente supérflua toda uma técnica prolixamente desenvolvida nos palcos europeus; permite a referida técnica ocultar que as cenas estão montadas de forma que possam ser reconhecidas pelo público sem o mínimo esforço. Tal qual os acrobatas, os atores escolhem, bem à vista de todos, as posições que melhor os expõem ao público”. 

Bert utiliza o quadro “A fuga de Carlos, o Temerário, depois da batalha de Murten” para explicar sua técnica antiaristotélica:

“(...) o ‘ato de distanciamento’ conseguido nesta pintura – e que o original não possui – de modo algum se deve atribuir a deficiência na reprodução. O militar em fuga, o cavalo, a escolta e a paisagem foram, conscientemente, pintados de modo que produzissem a impressão de um acontecimento extraordinário, de uma catástrofe surpreendente. O pintor, não obstante todas as deficiências que encontramos na sua obra, conseguiu tirar um efeito excelente do imprevisto. É o assombro que lhe comanda o pincel”.

Durkheim afirmava que “o sentimento é objeto da ciência, não é critério de verdade científica”. Já Brecht: “A atuação dos artistas chineses parece ao artista ocidental freqüentemente fria. Não que o teatro chinês renuncie à representação de sentimentos! O artista representa acontecimentos que contêm uma forte tensão emocional; todavia, o seu desempenho jamais denota qualquer calor”.

Os elementos que possibilitaram a sistematização das ciências sociais, sobretudo os estudos de Comte e Durkheim, e as técnicas orientais de representação é que alavancaram a nova relação do teatro com sua platéia.

É Bertolt Brecht quem conclui:

“Um teatro que seja novo necessita, entre outros, do efeito de distanciamento, para exercer crítica social e para apresentar um relato histórico das reformas efetuadas”.
 
__________
 
 
Bert Brecht
 
 
 
Nascido no Estado Livre da Baviera, extremo sul da Alemanha, Brecht estudou medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Filho de Berthold Brecht, que era diretor de uma fábrica de papel, católico, exigente e autoritário, e de Sophie Brezing (em solteira), protestante, que fez seu filho ser batizado nesta igreja.
 
Suas primeiras peças foram encenadas na vizinha Munique. Baal (1918/1926) e Tambores na Noite (Trommeln in der Nacht) (1918-1920)). Em sua participação no teatro Brecht conhece o diretor de teatro e cinema Erich Engel com quem veio a trabalhar até o fim da sua vida.
 
Depois da primeira grande guerra mudou-se para Berlim, onde o influente crítico, Herbert Ihering, chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Trabalha inicialmente com Erwin Piscator, famoso por suas cenas Piscator, como eram chamadas, cheias de projeções de filmes, cartazes, etc. Em Berlim, a peça Im Dickicht der Städte, protagonizada por Fritz Kortner e dirigida por Engel, tornou-se o seu primeiro sucesso.
 
O Nazismo afirmava-se como a força renovadora que iria reerguer o país, pretendendo reviver o Sacro Império Romano-Germânico. Mas, ao mesmo tempo, chegavam à Alemanha influências da recém formada União Soviética.
 
Com a eleição de Hitler, em 1933, Brecht exila-se primeiro na Áustria, depois Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia e finalmente nos Estados Unidos. Recebeu o Prêmio Lênin da Paz em 1954.
 
Seus textos e montagens o fizeram conhecido mundialmente. Brecht é um dos escritores fundamentais deste século: revolucionou a teoria e a prática da dramaturgia e da encenação, mudou completamente a função e o sentido social do teatro, usando-o como arma de conscientização e politização. Mais, aqui
 
____________
 
"O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso." Mais, aqui. 
 
____________
 
A Exceção e a Regra
 
Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra. Mais, aqui
 
___________
 
Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.  Aqui.
 
__________
 
"O Analfabeto Político" - Bertolt Brecht. Aqui
 
__________
 
CIRCULO DE GIZ CAUCASIANO de Bertolt Brecht - O TEATRÃO. Aqui
 
____________
 
LA ÓPERA DE TRES CENTAVOS de BERTOLT BRECHT. Aqui. 
 
 
 
 

 

Gilmar Mendes passa por saia-justa em sabatina transmitida pela internet

BERNARDO MELLO FRANCO, da Folha de São Paulo


Às vésperas de deixar a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Gilmar Mendes passou por uma "toga-justa" transmitida ao vivo pela internet. Na última sexta-feira, ele participou de sabatina promovida pelo YouTube, o portal de vídeos mais acessado do mundo. O que era para ser um balanço dos dois anos em que chefiou a corte se transformou num bombardeio de perguntas incômodas, muitas em tom acusatório, sobre polêmicas que marcaram sua gestão.

As questões foram enviadas por internautas e escolhidas em votação, sem interferência do STF. Durante 42 minutos, Mendes teve que ouvir críticas e provocações lidas no ar por uma apresentadora da TV Justiça. Foi chamado de "uma das vozes mais contundentes da direita conservadora" e até de "coronelzinho", numa referência à atuação política de sua família em Mato Grosso.

O tom de constrangimento surgiu logo na abertura, quando a locutora informou que não citaria "textos chulos, às vezes até pornográficos e com ofensas" contra o ministro.

Em seguida, anunciou seis perguntas sobre o tema mais votado: os dois habeas corpus que ele concedeu ao banqueiro Daniel Dantas, alvo da Operação Satiagraha da Polícia Federal, em 2008. Segundo ela, as questões foram agrupadas para evitar uma entrevista "só de um assunto".

O internauta que se apresentou como "Fonjic" afirmou que o STF "se autodestroi e cai em descrédito distribuindo habeas corpus a banqueiros corruptos".

Outro participante, identificado como "marioitalo", questionou a segunda decisão de Mendes em favor de Dantas: "O senhor recusou como prova a entrega, transmitida em rede nacional de TV, de R$ 1 milhão a agente da PF. Qual prova aceitaria para manter o banqueiro condenado a dez anos de prisão na cadeia?"

O ministro, visivelmente surpreso, voltou a criticar o delegado afastado da PF Protógenes Queiroz e o juiz Fausto de Sanctis. "Certamente o Brasil ainda vai saber muitos fatos sobre este episódio."

Em outro momento, Mendes foi acusado de "eleger e reeleger pessoas de confiança para beneficiar sua família" em Diamantino (MT). Rebateu no mesmo tom, apontando suposto envolvimento de um rival do clã com o crime organizado.

O ministro ainda foi cobrado por fazer suposta "denúncia vazia de grampo" contra a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e pelo número de entrevistas que concedeu. "Não seria melhor para a imagem do STF que o seu presidente falasse só nos autos?", perguntou "Diego". "Não sei o que é para o Diego o conceito de voz de direita conservadora. (...) O que é falar nos autos, quando se tem uma missão institucional?", retrucou.

Apesar dos momentos de desconforto, Mendes se disse satisfeito ao fim do programa. "Acho extremamente importante que nós possamos ter este diálogo", disse ele.

Ontem a sabatina já contava mais de 8.000 exibições, mas não aparecia na capa do canal oficial do STF no YouTube.

__________

União bota R$ 6 bi para Belo Monte sair

O Globo

O governo tentará derrubar liminar da Justiça para realizar hoje o leilão da usina de Belo Monte. Para viabilizar a hidrelétrica, a União vai entrar com, pelo menos, R$ 6 bilhões em incentivos para o grupo vencedor. O valor é resultado da redução de impostos e financiamentos a juros subsidiados para fazer a hidrelétrica no Rio Xingu. A União também aparece como sócia, via estatais, nos dois consórcios que disputarão a usina.

___________

Europa faz plano para retomar 45% dos voos

Folha de São Paulo

Espaço aéreo é dividido em 3 zonas; vulcão dá novos sinais de atividade

O apagão aéreo na Europa, que cancelou 82 mil voos e afetou 7 milhões de pessoas, fez a Comissão Europeia elaborar um plano para reduzir a área de restrição, elevando os voos no continente de 30% para 45% do normal.

Serão criadas três zonas aéreas, com base em dados de satélites. Na primeira, os voos devem continuar proibidos; na segunda, serão retomados gradativamente a partir de hoje; na terceira, que compreende pontos mais periféricos como a Espanha, serão liberados.

O caos foi causado pejas cinzas do vulcão islandês Eyjafjallajokull, que entrou em erupção na quarta. Ontem, o vulcão emitiu novos sinais de atividade, o que pode alterar os planos.

___________

Justiça susta leilão de Belo Monte e diz que debate foi 'encenação'

O Estado de São Paulo

Advogado-geral da União afirma que discussão sobre a usina já dura 30 anos

A Justiça Federal do Pará suspendeu ontem o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), que seria realizado hoje. Foi a segunda decisão do mesmo tribunal em menos de uma semana. Para o juiz Antonio Campelo, a legislação ambiental não foi respeitada e as audiências públicas para discutir os impactos da obra serviram apenas como "meras encenações". A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com recurso em tribunal federal de Brasília. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse que já foram apresentados "argumentos suficientes" para as questões levantadas pelo juiz. "O debate de Belo Monte ocorre há 30 anos", afirmou Adams. Entidades sociais e ambientais, agricultores e tribos indígenas realizam hoje uma série de manifestações pelo Brasil contra a hidrelétrica, a devastação da Amazônia e a política energética do governo Lula.

___________

Vacina escassa, e com alto custo

Jornal do Brasil

Crianças e adolescentes com até 19 anos e adultos entre 40 e 59 anos gastam mais de R$ 100 para tomar a vacina contra a gripe suína em clínicas particulares. A escassez de doses é outro obstáculo para este grupo não prioritário na campanha de vacinação do governo.

___________

Bônus na educação

Valor Econômico

Reflexo da profissionalização no setor de educação, a Estácio, uma das maiores redes de ensino superior do país, adotou a política de pagamento de bônus a seus professores.

___________

Dia de cão no Recife

Jornal do Commércio

Manifestantes do MST se dividiram em três grupos, ontem, e marcharam pelas Avenidas Norte, Caxangá e Abdias de Carvalho, paralisando o trânsito em todas as regiões da capital de forma orquestrada, dentro do chamado Abril Vermelho.

___________

Da Agência Brasil

Universidade brasileira apresenta projeto de Instituto Internacional de Segurança Alimentar


Única instituição de ensino da América do Sul convidada a participar do terceiro encontro anual da Clinton Global Initiative University (CGI U), um fórum para engajar estudantes universitários para a cidadania global, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), de Minas Gerais, apresentou em Miami, nos Estados Unidos, nesse fim de semana, um projeto para a criação do Instituto Internacional de Segurança Alimentar e Combate à Pobreza no Brasil.

O projeto foi um dos quatro, entre mais de mil de várias universidades de todo o mundo, destacados pelo instituto criado pelo ex-presidente americano Bill Clinton, que convidou apenas a UFV e outras cerca de 80 instituições de ensino para participar do evento. O convite surgiu depois da participação da UFV na Cúpula Mundial Sobre Segurança Alimentar, realizada em novembro do ano passado em Roma, sede da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Segundo o  reitor da UFV, Luiz Cláudio Costa, o objetivo da criação do instituto internacional na cidade de Viçosa, na Zona da Mata Mineira, é envolver cientistas e estudantes da universidade na análise aprofundada da fome e no apoio a países da África e América do Sul, desde o desenvolvimento de variedades vegetais mais adaptadas a cada região até a educação alimentar nas escolas.

“A fome é o problema mais sério que o mundo tem. No instituto, queremos formar estudantes cidadãos, que terão espaço para propor soluções para esse problema. Também atuaremos no treinamento de profissionais de países da África e da América do Sul. O foco tem que ser na cooperação, na solidariedade, e não apenas econômico. É importante formar nossos estudantes com essa visão”, afirmou.

Segundo ele, os laboratórios para desenvolvimento de tecnologias de ponta são os da própria UFV, mas é necessária a construção de uma estrutura para abrigar os profissionais que virão de outros países receber treinamento, além de biblioteca e salas de reuniões para debates entre os grupos que ali atuarão.

Para isso, o reitor da UFV disse que serão necessários cerca de R$ 6 milhões, dos quais a universidade já dispõe de R$ 1,5 milhão. Como o reconhecimento internacional, no entanto, ele acredita que as possibilidades de captação de recursos aumentarão. 

“Recebemos o certificado de reconhecimento da  Global Clinton Initiative, passando pelo crivo internacional, o que deu ima nova visibilidade para o projeto”, afirmou Costa. Segundo ele, a proposta de criação do instituto já tinha sido apresentada ao governo brasileiro e, a partir de agora, serão feitas prospecções para viabilizar o investimento estrangeiro.

_ _ _ _ _ _

Olimpíadas do Conhecimento ganham espaço nas escolas públicas e privadas


Nos últimos anos, as competições e desafios educacionais ganharam espaço nas escolas públicas e particulares do país. As Olimpíadas do Conhecimento vão se sucedendo e hoje já existe praticamente uma para cada disciplina. A mais popular delas, a Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), recebeu 19 milhões de inscrições para a edição deste ano.

Na opinião dos educadores, as olimpíadas podem causar um efeito positivo no aprendizado, mas é preciso ter cuidado com o excesso de competitividade. “A competição tem um lado positivo, porque estimula o aluno a superar seus limites e, quando não há motivação, há diminuição do esforço. Mas é preciso ficar atento ao excesso de cobrança, que pode causar angústia e prejudicar o aprendizado”, afirma a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonato.

O professor de Márcio Lopes, do Colégio Polivalente, de Brasília, participa da Obmep desde as sua primeira edição, em 2005. Segundo ele, os efeitos da olimpíada no aprendizado são positivos. “Muitos alunos ficaram empolgados com o estilo da prova e passaram a se interessar mais pela matemática. A competição muda a rotina da sala de aula, mas despertar esse interesse”, diz Lopes.

O professor trabalha com alunos do 5° e 6° anos do ensino fundamental e está animado para a disputa deste ano. Lopes teme não ter tempo para preparar seus alunos, pois as provas deste ano foram antecipadas para o primeiro semestre. “Procuro pegar questões de anos anteriores da Obmep para estudar com eles, trabalhar a parte dos enunciados.”

Quézia Bombonato aconselha as escolas a trabalhar as diversas habilidades do aluno, participando de olimpíadas de diferentes áreas. “Os alunos vão se dando conta de suas competências se isso for bem trabalhado pela escola. Mas não dá para esperar que todos mundo seja bom em matemática, por exemplo. As diferenças individuais precisam ser respeitadas”, alerta a psicopedagoga .

Algumas olimpíadas ainda estão com inscrições abertas. São as seguintes:

Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o futuro: Redes estaduais e municipais de ensino podem se inscrever até 14 de maio para participar da competição. Depois desse cadastro, os professores interessados fazem a adesão. Podem participar alunos do 5° ao 9° anos do ensino fundamental. Informações: www.escrevendoofuturo.org.br .

Olimpíada Brasileira de Física: Inscrições pela internet (www.sbf1.sbfisica.org.br/olimpiadas/obf2010)até 6 de agosto. O credenciamento deve ser feito pelo próprio professor. A OBF é organizada pela Sociedade Brasileira de Física e destina-se a alunos do ensino médio e do 9° ano do ensino fundamental. Os primeiros colocados poderão participar de competições internacionais.

Olimpíada Brasileira de Biologia: Podem participar estudantes dos três anos do ensino médio. As inscrições devem ser feitas pela internet (www.anbiojovem.org.br )até o dia 27 deste mês. Os quatro primeiros colocados vão compor a equipe brasileira que vai participar da Olimpíada Internacional de Biologia na Coreia.

_ _ _ _ _ _

Escolas da rede pública começam a receber laptops do programa Um Computador por Aluno


Desde o dia 15, as 300 escolas da rede pública que estão participando do programa Um Computador por Aluno (UCA) estão  recebendo os laptops. No primeiro lote serão distribuídos 33.765 máquinas para 85 escolas em dez estados até 13 de maio. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), até o final de 2010 serão entregues 150 mil computadores.

As escolas participantes do programa foram escolhidas pelas secretarias estaduais de educação e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Cada uma delas deve definir, de acordo com seu projeto pedagógico, a forma como os computadores serão utilizados em sala de aula. Segundo o MEC, os equipamentos possuem um sistema de segurança que desativa o computador caso ele permaneça muito tempo fora da escola. O prazo de garantia das máquinas é de um ano.

Cada laptop do UCA saiu por R$ 550. O total de investimento no programa foi de R$ 82 milhões. O equipamento tem 512 megabytes de memória, tela de cristal líquido de sete polegadas, bateria com autonomia mínima de três horas e peso de 1,5 quilo.

___________

Jeito 'carinhoso' do Brasil é obstáculo para estar entre os grandes, diz jornal

Da BBC Brasil

Um artigo publicado nesta terça-feira pelo jornal britânico Financial Times afirma que o jeito "carinhoso" do Brasil é um obstáculo para que o país consiga um lugar entre as grandes potências no cenário internacional.

O texto assinado pelo jornalista John Paul Rathbone afirma que, após a crise financeira global, o Brasil "tornou-se importante na comédia das nações, quase sem ninguém perceber".

Há seis anos, o Brasil participava apenas pela primeira vez como convidado de uma reunião do G8, grupo que reúne as maiores economias industrializadas do planeta, e tinha mil diplomatas espalhados pelo mundo. Hoje, segundo o jornal, o Brasil tem 1,4 mil diplomatas e sua voz, ao lado da Turquia e China, é importante em questões internacionais, como as sanções nucleares ao Irã.

Política de 'arco-íris'

No entanto, segundo o texto, "a política de arco-íris do Brasil pode estar atingindo o seu limite e poderia até colocar em risco a vaga permanente no Conselho de Segurança que o país cobiça".

"Gafes recentes mudaram a imagem açucarada do Brasil e do seu presidente também", afirma o Financial Times.

Entre os episódios citados pelo jornal estão a crítica feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à greve de fome ativista cubano Orlando Zapata e os comentários do presidente sobre protestos da oposição após as eleições no Irã – quando Lula disse que as manifestações eram "choro de perdedores".

O jornal também destaca o fato de que o Brasil condenou a instalação de bases militares americanas na Colômbia, mas ignorou a compra de armas russas feita pela Venezuela ou o suposto apoio do governo de Caracas às milícias das Farc.

"Para os críticos, essa é uma política externa irritante – narcisista e ingênua. Mas como todos os países poderosos, o Brasil está perseguindo o que acredita que sejam seus interesses. Se ele está fazendo isso bem é outro assunto", diz o texto.

Para o jornal, o Brasil tem diplomatas de competência reconhecida, sobretudo na área comercial, mas o país não tem institutos de pesquisa capazes de abastecê-los com informações sobre o mundo, como Moscou e Washington, o que levaria o país a cometer "erros" e não se acostumar "aos holofotes da opinião internacional".

"Isso custou pouco ao Brasil até agora", diz o Financial Times.

"Ainda assim, muitos sentem que se o Brasil vai se sentar na principal mesa, ele terá de tomar decisões difíceis", afirma o jornal, citando a posição do país sobre propriedade intelectual na Rodada Doha.

Outro desafio do Brasil, segundo o artigo, acontecerá após as eleições, quando o país perderá o "charme de Lula".

"A imagem do império carinhoso pode não durar mais", conclui o texto.


___________

Faculdades particulares pedem fiador para curso de Medicina
Instituições alegam que infraestrutura é cara e precisam se proteger contra a inadimplência

Mariana Mandelli - O Estado de S. Paulo

Algumas faculdades particulares estão exigindo fiador no contrato da matrícula. A medida ocorre principalmente nas instituições que oferecem cursos de Medicina, já que esses costumam ter as mensalidades mais caras. A exigência, segundo as universidades, é para evitar a inadimplência.

Normalmente, no contrato de matrícula é pedida a assinatura de testemunhas e a indicação de um responsável financeiro quando o calouro é menor de idade. A exigência de fiador é mais comum em programas de financiamento e crédito educativo, já que são processos a longo prazo e que requerem maior garantia.

O Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) solicita fiador, mas somente para Medicina. "É uma forma de defesa da instituição", explica a gerente de cobranças, Tatiane Angelotti. "Se pudéssemos pedir em todos os cursos seria ideal."

O fiador, que tem de comparecer à matrícula, deve ter renda equivalente a três vezes o valor da mensalidade - que é de R$ 3.800 - ou possuir um imóvel no valor total de um semestre.

Há também a possibilidade de somar a renda do fiador e do aluno para chegar à quantia ideal. "Quem não consegue fiador deve pagar seis meses à vista", diz Tatiane. Cerca de 90% dos fiadores são os pais dos alunos.

Na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), instituição gaúcha, para se matricular em qualquer curso presencial o candidato deve ter fiador com renda de 30% e 40% da mensalidade.

As instituições alegam que a estrutura é cara e que é difícil trabalhar com a inadimplência alta. "O investimento em um curso como Medicina é muito alto, com hospital universitário, ambulatório, essas coisas", explica Flávio Amaral, da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, que solicita dois fiadores na matrícula.

O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Ulyssess Panisset, afirma que a prática é "uma novidade" no mercado. Segundo ele, a lei que fixa cobranças das mensalidades não veta a medida. "Se não tem lei que proíba, então é permitido."

O diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), Rodrigo Capelato, também não condena a prática. "Se o aluno tiver problema de crédito, pedir um fiador não me parece abusivo."

___________

Agência chama criança de Pateta para vender pacotes de viagem

Da Folha de São Paulo

Uma agência de viagens, que organiza viagens de crianças e adolescentes para Orlando, Cancún, Bariloche e Costa do Sauipe, tem visitado escolas de São Paulo e feito anúncios, em que chama crianças de Patetas, para promover seus pacotes. A informação é da reportagem de Talita Bedinelli publicada na edição desta terça-feira da Folha.

De acordo com o texto, com a publicidade que já levou o personagem da Disney para dentro de mais de dez escolas e tira fotos com as crianças segurando plaquinhas como a do Pateta, a agência levará em julho cerca de mil crianças para o parque em Orlando. Os pacotes custam a partir de R$ 5.216, para 13 dias em quarto quádruplo (o mais barato).

O promotor da área do consumidor João Lopes Guimarães Júnior diz que o caso ilustra bem os abusos na publicidade infantil. "De uma turma de 100 crianças, 80 vão viajar. As que não vão, porque os pais não querem ou não têm dinheiro, serão chamadas de Pateta. Já temos problemas sérios de bullying nas escolas. Essa empresa está criando uma situação propícia para isso. Como se pode falar em preservação da imagem da criança com esse tipo de publicidade?", diz.

Outro lado

A agência Trip&Fun afirmou que a placa que as crianças do colégio Liceu Di Thiene e mais de outras dez escolas seguravam na foto e que faziam referência ao Pateta era apenas uma brincadeira. A empresa disse também que recebeu uma reclamação de uma mãe de aluno do colégio e imediatamente excluiu a placa com esses dizeres da promoção nas escolas.

Henrico Esichiel, diretor de marketing da agência, afirmou ontem que a campanha nas escolas oferece aos estudantes "outras opções de placas". Entre elas, as que dizem: "Mãe, quero conhecer o Mickey de verdade" e "Meu presente de Natal já escolhi, ir para a Disney com a Trip&Fun".

 

Johannes Brahms

No dia 7 de maio de 1833, em Hamburgo, nasceu Johannes Brahms. Seu pai, Johan Jacob, era contrabaixista e ganhava a vida tocando nos bares e nas tavernas da cidade portuária. Logo ele percebeu os dotes incomuns do filho e quando este completava 7 anos, contratou o excelente professor Otto Cossel para dar-lhe aulas de piano. Aos 10 anos, fez seu primeiro concerto público, interpretando Mozart e Beethoven. Também aos 10 anos, frequentava tabernas com seu pai e tocava lá durante parte da noite.

Não tardou em receber um convite para tocar nas cervejarias da noite hamburguesa, ao lado de seu pai. Enquanto trabalhava como músico profissional, Johannes tinha aulas com Eduard Marxsen, regente da Filarmônica de Hamburgo e compositor. Foi Marxsen quem lhe deu as primeiras noções de composição, para sua grande alegria.

Na noite, Brahms conhece Eduard Reményi, violinista húngaro que havia se refugiado em Hamburgo. Combinam um torneio pela Alemanha. Foi um sucesso, mas por causa dos excessivos malabarismos de Reményi. Johannes não fica muito contente com esta postura, mas usufrui a viagem - acaba conhecendo Joseph Joachim, famoso violinista, que se tornaria um de seus maiores amigos, Liszt e, principalmente, os Schumann.

Em sua casa em Düsseldorf, no ano de 1853, Robert e Clara Schumann o receberam como gênio. Robert logo tratou de recomendar as obras de Brahms aos seus editores e escreveu um famoso artigo na Nova Gazeta Musical, intitulado Novos Caminhos, onde era chamado de "jovem águia" e de "Eleito". Quanto à Clara, existem muitas hipóteses de que os dois teriam tido um relacionamento amoroso, mas nenhuma prova - ambos destruíram cartas e outros documentos que poderiam afirmar isso. Restou apenas a dúvida.

Brahms ficou alguns anos perambulando entre as cidades da Alemanha, "fixando-se" em duas residências - a de Joachim em Hannover e a de Schumann em Düsseldorf. Esta vida de errante haveria de terminar em 1856, com a trágica morte de Schumann. Foi quando conseguiu o emprego de mestre de capela do pequeno principado de Lippe-Detmold.

Em 1860, comete um grande erro: assina, junto com Joachim e outros dois músicos, um manifesto contra a chamada escola neo-alemã, de Liszt e Wagner, e sua "música do futuro". Embora Brahms nunca fosse afeito a polêmicas, acabou entrando nessa, o que lhe valeu a pecha de reacionário, derrubada apenas no nosso século pelo famoso ensaio de Schoenberg: Brahms, o Progressista.

Então, três anos mais tarde, resolve morar em Viena. Seu primeiro emprego na capital austríaca foi como diretor da Singakademie, onde regia o coro e elaborava os programas. Apesar do relativo sucesso que obteve, pediu demissão em um ano, para poder dedicar-se à composição. A partir daí, sempre conseguiu sustentar-se apenas com a edição de suas obras e com seus concertos e recitais.

Em Viena, conseguiu o apoio e admiração do importante crítico Eduard Hanslick, mas isso não era suficiente para garantir-lhe fama. Foi só a partir da estréia do Réquiem Alemão, em 1868, que Brahms começou a ser reconhecido como grande compositor. O reflexo disso é que, em 1872, foi convidado para dirigir a Sociedade dos Amigos da Música, a mais célebre instituição musical vienense. Ficaria lá até 1875.

Em 1876, um fato marcante: estréia sua Primeira Sinfonia, ansiosamente aguardada. Foi um grande sucesso e Brahms ficou marcado como sucessor de Beethoven - o maestro Hans von Bülow até apelidou a sinfonia de Décima.

Como alguém já observou, a vida de Brahms vai-se ralentando em razão contrária de sua produção. Os anos que se seguem são tranquilos, marcados pela solidão (manteve-se solteiro), pelas estréias de suas obras, pelas longas temporadas de verão e pelas viagens (principalmente à Itália).

Em 1890, após concluir o Quinteto de Cordas op. 111, decide parar de compor e até prepara um testamento. Mas não ficaria muito tempo longe da atividade; no ano seguinte, encontra-se com o clarinetista Richard Mülhfeld, e, encantado com o instrumento, escreve inúmeras obras de câmara para clarinete.

 
Sepultaura no Cemitério Central de Viena.Sua última obra publicada foi o ciclo Quatro Canções Sérias, onde praticamente despede-se da vida. Ele deu a coletânea a si mesmo de presente no aniversário de 1896. Johannes Brahms viria a morrer um ano depois, em 3 de Abril de 1897. Mais, aqui.

_____________

Caos na Europa: Companhias pressionam para reabrir espaço aéreo

O Globo

Metade dos voos deve ser liberada hoje, mas nuvem persiste

As principais companhias aéreas pressionam as autoridades europeias para retomar os voos, paralisados há cinco dias. Elas alegam que testes realizados ontem não detectaram perigo para os aviões. Meteorologistas, porém, advertem que a nuvem de cinzas afeta grande parte da Europa. Autoridades preveem que 50% dos voos devem ser liberados hoje. Mas aeroportos como os de Londres e Paris continuam fechados.

____________

Governo investiga suposta fraude nas verbas do Turismo

Folha de São Paulo

PF apura suspeita de que políticos recebiam propina para indicar os eventos que seriam feitos com recurso público

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam suposta fraude em que políticos associados a organizações não-governamentais são suspeitos de usar dinheiro do Ministério do Turismo para fazer festas, informam Dimmi Amora e Fernanda Odilla.

Levantamento feito pela Folha mostra que, entre as 50 ONGs que mais receberam recursos do Turismo para eventos entre 2007 e 2009, 26 têm relação com políticos e partidos. Há suspeita de pagamento de propina para que as festas recebessem verbas públicas.

Dos recursos para festas em 2010, 95% foram destinados para eventos que os parlamentares incluíram no Orçamento. No primeiro governo do presidente Lula, o gasto com festas foi de R$ 116,5 milhões. Nos últimos três anos, o valor saltou para R$ 601,2 milhões.

___________

PT e PSDB acirram a disputa na Justiça

O Estado de São Paulo

Guerra de representações a tribunais reforça status da coordenação jurídica das campanhas

Antes mesmo do início oficial da campanha presidencial, PT e PSDB já protagonizam uma guerra de representações à Justiça, que reforçou o status dos coordenadores jurídicos nas campanhas. "Um erro do marqueteiro causa um dano grande. Do advogado, pode ser fatal", diz o especialista em direito eleitoral Eduardo Nobre. A oposição, que entrou com 12 representações no Tribunal Superior Eleitoral contra o PT, o presidente Lula e sua candidata, Dilma Rousseff, aumentou a ofensiva nos últimos dias, questionando até o instituto de pesquisa Sensus. O PT centrou forças na Justiça Eleitoral paulista, base de José Serra. No mês passado, conseguiu suspender a veiculação de uma propaganda do PSDB.

___________

Alteração em lei acaba por beneficiar criminosos

Correio Brasiliense

Feita no ano passado com o objetivo de agravar as punições aos autores de crimes sexuais, mudança na legislação tem efeito contrário. Réus conseguem revisão de sentença devido à extinção do artigo que tipificava o atentado violento ao pudor e reduzem quase à metade as penas impostas inicialmente.

___________

Argentinos fazem carreira no Brasil

Valor Econômico

Atraídos por uma economia cinco vezes maior e uma moeda que duplica os ganhos quando é convertida ao peso, profissionais liberais e jovens empresários argentinos trocaram a terra natal pelo Brasil em busca de ascensão nos negócios e na carreira. O argentino Javier Maciel e um sócio, donos da Target, fizeram uma joint venture com a brasileira Haztec e esperam faturar US$ 20 milhões em 2010, o que equivale a 80% dos negócios totais da empresa.

____________

Com Lula, bancos lucram R$ 127, 8 bi

Ganhos acumulados pelas 100 maiores instituições entre 2003 e 2009 foram 2,3 vezes superiores aos desembolsos do Bolsa Família

Marcone Gonçalves, do Correio Brasiliense

Sempre que questionado sobre os ganhos espetaculares acumulados pelo sistema financeiro ao longo de seu governo, o presidente Lula sai-se com essa: “Quero mais é que os bancos deem lucro”. Pois dados consolidados pelo Banco Central, referentes aos sete anos da administração do petista, mostram que as 100 maiores instituições financeiras do país não se fizeram de rogadas. Acumularam, no período, R$ 127,8 bilhões em lucros, o equivalente a 2,3 vezes os R$ 55,2 bilhões gastos pelo Ministério do Desenvolvimento Social por meio do Bolsa Família, programa que ajuda a melhorar as condições de vida de 46 milhões de brasileiros.

Nem mesmo o estrago provocado pela crise mundial foi suficiente para inibir o apetite dos bancos. No ano passado, também segundo o BC, as 100 maiores instituições engordaram o seus cofres com ganhos de R$ 23,2 bilhões, resultado que superou em 26% os retornos de 2008 (R$ 18,4 bilhões). Isso, apesar de o Produto Interno Bruto (PIB), o total de riquezas produzidas pelo Brasil, ter encolhido 0,2% na mesma comparação. Quem acompanha o mercado de perto avisa: o último ano da gestão Lula será fechado com pompa pelo sistema bancário: os lucros serão os maiores da história, o que poderá ser comprovado quando saírem os números do primeiro trimestre.

Os dados do BC consideram, porém, somente os resultados dos bancos com a atividade própria. Ou seja, não contabilizam, por exemplo, as seguradoras controladas por eles, que têm inflado ainda mais os ganhos. Pelo critério do BC, o BB embolsou R$ 6,1 bilhões no ano passado (o total passou de R$ 10 bilhões, um recorde). Já Itaú Unibanco e Bradesco ganharam, respectivamente R$ 5,4 bilhões (foram R$ 10 bilhões no geral) e R$ 4 bilhões (R$ 8 bilhões).

Para um técnico do governo, não se deve ver com preconceito os lucros dos bancos. Pelo contrário, são eles que garantem a solidez do sistema financeiro, que foi fundamental para que o país saísse mais rápido da crise provocada pelo estouro da bolha imobiliária americana. (1)“O Brasil foi elogiado em todo o mundo pela robustez de seus bancos”, afirmou. “Ao lucrarem mais, as instituições podem liberar mais crédito e, dessa forma, contribuir para o crescimento sustentado do país”, acrescentou.


1 - Estatização no mundo
As estripulias feitas pelos bancos americanos no crédito imobiliário deixaram um rastro de prejuízos em todo o mundo. Gigantes com o Citibank, o Goldman Sachs e a seguradora AIG tiveram de ser socorridos pelo governo dos Estados Unidos. Na Europa, várias instituições foram estatizadas para não quebrarem. Com isso, garantiu-se os depósitos de milhões de poupadores.


E EU COM ISSO
Boa parte dos lucros dos bancos decorre da concentração do sistema financeiro. Com um menor número de instituições no mercado, os consumidores ficam desprotegidos. Os bancos aumentam o poder para impor taxas de juros elevadas nos empréstimos. Também ficam confortáveis para fixar tarifas maiores nos serviços que prestam, já que a competição diminui.


Concentração aumentará

O interesse do Santander pelo Safra é apenas mais um movimento no intenso processo de concentração bancária no Brasil, afirmou Luís Miguel Santacreu, analista da consultoria Austin Asis. Os cinco maiores bancos do país detém ativos de R$ 2,397 bilhões, o correspondente a 78,22% do sistema. Com a possível junção do Santander e do Safra, esse índice passaria para 80,54%.

Na avaliação de Santacreu, o processo de concentração deve continuar, com um número cada vez menor de bancos detendo um volume maior de créditos e de depósitos. “Não estamos inventando nada. Se formos olhar para outros países, a presença de grandes bancos de varejo no mercado também é reduzida”, assinalou.

Há uma parcela importante de analistas acreditando que, além do Safra, a outra noiva cobiçada no mercado é o Citibank, que enfrentou sérias dificuldades nos Estados Unidos durante a crise mundial e só não ruiu porque foi socorrido pelo governo de lá. A disputa pelo Citi envolveria, inclusive, o Banco do Brasil, que nos últimos meses assumiu o controle da Nossa Caixa e arrematou 50% do Votorantim. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, ficou com metade do Banco Panamericano, do grupo Sílvio Santos.

Os grandes perdedores nesse jogo, segundo Ione Amorim, economista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), são os consumidores, que ficam reféns dos poucos bancos. (MG)


Santander quer o Safra

Em meio ao processo de concentração do sistema financeiro brasileiro, uma operação é aguardada com expectativa: a possível compra do Safra, o oitavo maior banco do país, pelo Santander. Se concretizada, a instituição espanhola saltará do quinto para o quarto lugar no ranking do varejo financeiro elaborado pelo Banco Central, com ativos totais de R$ 405,1 bilhões. Deixará para trás, com longa margem, a Caixa Econômica Federal e encostará no Bradesco.

Se arrematar o Safra, o Santander herdará uma carteira de clientes e de operações bancárias diferenciadas, geridas por Joseph Safra. Junto com o irmão Moise, o banqueiro tornou-se uma lenda na administração de grandes fortunas (2)no Brasil. A atividade bancária da família remonta ao início do século passado, quando o patriarca do clã abriu um banco na região onde hoje é a Síria. O terceiro irmão, Edmond Safra, morto há 11 anos em um incêndio criminoso em Mônaco, foi o dono do Republic National Bank of New York. O Safra tem ativos de R$ 71 bilhões, 99 agências e quase 5 mil funcionários.

A possível compra do Safra pelo Santander começou a ser especulada pelo mercado no fim do ano passado, quando se tornaram públicas as informações de que a instituição havia enfrentado saques maciços de clientes no auge da crise mundial. O Safra era controlador da Aracruz Celulose, que perdeu bilhões de reais em operações arriscadíssimas no mercado de câmbio. Temia-se que o banco estivesse por trás dos negócios malsucedidos. A Aracruz acabou sendo vendida para o grupo Votorantim, mas a desconfiança em relação ao Safra não se dissipou por completo.

Procurado pelo Correio, o Safra não se manifestou. E o Santander se limitou a informar que “não comenta especulações”. Apesar desse silêncio, José Luiz Rodrigues, sócio-titular da consultoria JL Rodrigues e especialista em sistema financeiro, disse que a operação Safra-Santander faz todo o sentido. “O Safra vive um momento em que precisa definir seu rumo como um banco de varejo. Não dá para pensar que poderá ter uma política de expansão agressiva contando com menos de 100 agências”, afirmou. (MG)


2 - Privilegiados
O objetivo maior do espanhol Santander com a possível compra do Safra é entrar com tudo no mercado de alta renda, hoje dominado pelo Bradesco, com a marca Prime, e pelo Itaú Unibanco, com o Uniclass e o Personalité. Para esse público com grande disponibilidade de recursos para investimentos, o Santander oferece a marca Van Gogh, que pertencia ao Real.

 

"O Safra vive um momento em que precisa definir seu rumo como um banco de varejo”

José Luiz Rodrigues, sócio-titular da consultoria JL Rodrigues

___________

O advogado de Ahmadinejad

O Estado de São Paulo - editorial


Se cobrasse honorários por desempenho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia apresentar uma alentada fatura ao seu homólogo iraniano Mahmoud Ahmadinejad pelos extenuantes serviços de advocacia que lhe prestou nos últimos dias. Desacreditando a própria versão oficial de que a intenção do governo brasileiro era mediar o conflito sobre o programa nuclear do Irã, Lula se comportou como patrono de Teerã nas suas reuniões bilaterais com os líderes estrangeiros vindos a Brasília para dois encontros de cúpula: o do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) e o do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

O chinês Hu Jintao, o indiano Manmohan Singh, o russo Dmitri Medvedev e o sul-africano Jacob Zuma ouviram dele o que ouviriam de Ahmadinejad: que a adoção, pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU, de uma nova rodada de sanções contra o Irã, buscada pelos Estados Unidos e a União Europeia, seria inútil ou contraproducente, e que o diálogo é a única via para o país prosseguir com o programa nuclear a que tem direito e a comunidade internacional se convencer dos seus fins pacíficos. Na véspera, de volta da Cúpula de Segurança Nuclear, em Washington, Lula já havia criticado abertamente o presidente Obama.

“O que acho grave é que ele até agora não conversou com o Irã”, acusou. Na realidade, o sexteto formado pelos EUA, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Rússia e China vinha conversando intermitentemente com a República Islâmica, sem resultados. Lula, que visitará Teerã daqui a um mês, temperou a sua defesa da posição iraniana com o reparo de que o país “tem de ser mais transparente para mostrar que a finalidade de seu programa é pacífica”. Pelo visto, ele acredita nas intenções declaradas do Irã: o problema estaria apenas na sua opacidade. Como se isso não fosse indício veemente de seus planos para, no mínimo, chegar ao limiar da produção da bomba.

Lula tem afirmado que em 2003 o mundo foi induzido a crer que o Iraque tinha armas de destruição em massa - e que isso não pode se repetir com o Irã. O fato é que Saddam agia como se as tivesse, ao passo que Ahmadinejad age como se não quisesse tê-las. Lula também anunciou que falará “olho no olho” com Ahmadinejad “e, se ele disser que vai construir (a bomba), vai arcar com as consequências do seu gesto”. Só mesmo a sideral soberba do presidente para levá-lo a imaginar que o seu anfitrião poderá se confessar com ele. Saindo do terreno da galhofa, o que o Brasil propõe é ressuscitar as negociações sobre a troca de urânio iraniano enriquecido a 3% pelo equivalente russo e francês de 20% de teor, para a produção de isótopos de uso medicinal.

A ideia, discutida em outubro passado na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), visava a reduzir os estoques iranianos de material passível de enriquecimento a 90%, necessário para a bomba. A tentativa de testar a boa-fé do Irã gorou quando Ahmadinejad exigiu que a troca fosse simultânea, o que a tornaria inócua para o objetivo desejado.

Foi a gota d’água para os Estados Unidos passarem a dar prioridade às sanções. Assim como as 3 anteriores, desde 2006, elas resultam das trapaças do Irã com a AIEA, sonegando informações requeridas e ocultando instalações e equipamentos sensíveis.

O retrospecto, é bem verdade, indica que as punições de nada serviram - ou porque saíram aguadas do Conselho de Segurança, sobretudo por obra da China, ou porque foram desrespeitadas até por empresas americanas. É incerto o efeito das próximas, se e quando forem aprovadas. Se forem robustas e receberem maciço apoio internacional, talvez levem os iranianos de volta à mesa, para uma negociação que poderia ser muito mais abrangente, como propõem especialistas em Oriente Médio e diplomatas - desde que o Irã deixe de pregar a destruição de Israel. A questão-chave é a posição da China, que mantém as suas cartas perto demais do peito para permitir prognósticos seguros do seu jogo.

Pequim reluta em punir o Irã que lhe vende 12% do seu petróleo e gás. Mas teria concordado em ao menos discutir as sanções com os outros membros do CS. Eis uma atitude mais madura - ou mais esperta - do que a do Brasil, advogando para Teerã.

___________

DESAPARECIMENTOS EM LUZIÂNIA
O fim de uma história de terror
Adimar Jesus da Silva, que confessou ter matado seis jovens em luziânia, é encontrado morto na prisão

O Popular

Perna direita com o joelho flexionado sobre a cama de alvenaria, perna esquerda praticamente esticada, com o pé tocando o chão. Vestia camisa branca e bermuda jeans de cor azul. No bolso, 190 reais. Em volta do pescoço, tiras trançadas com esmero, distante 1,30 metro do ponto usado como apoio – um pedaço de ferro numa minúscula fresta de ar da cela –, puseram fim à história de horror protagonizada por Adimar Jesus da Silva, o serial killer que assassinou brutalmente seis jovens de Luziânia, no Entorno de Brasília (DF). Ontem, o pedreiro usou o peso do próprio corpo para enforcar-se, logo depois de almoçar.

A notícia da morte de Adimar, que há oito dias estava sob a custódia do Estado, recolhido numa das celas da Degacia Estadual de Repressão a Narcótico (Denarc), logo levantou dúvidas sobre suas circunstâncias. Enquanto os peritos criminais realizavam seu trabalho, o corregedor-geral da Polícia Civil de Goiás, delegado Sidnei Costa e Souza, justificava que, atendendo a uma “formalidade legal”, seria instaurada uma sindicância para que não restassem dúvidas de que o que ocorrera ali se tratava mesmo de suicídio. Assinantes, aqui.

____________

Na região, melhores escolas têm disciplina forte

Tiago Dantas, do Diário do Grande ABC

Disciplina forte, professores que não faltam e alunos que se aplicam nas lições de casa. A receita parece simples, mas faz a diferença nas três escolas estaduais do Grande ABC que tiveram a melhor pontuação no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). As qualidades foram citadas por pais de alunos da EE Maria da Conceição Moura Branco, em São Caetano, da EE Cláudio Abramo e da EE José Piaulino, ambas em Diadema.

O Idesp é uma nota dada para cada colégio da rede estadual com base no fluxo escolar e no desempenho que os estudantes tiveram no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), também conhecido como provão. A nota serve para calcular bônus distribuídos aos professores.

A EE Cláudio Abramo, no Jardim Maria Tereza, em Diadema, atingiu 7,08 no Idesp deste ano e foi a melhor colocada da região entre as unidades onde há aulas até a 4ª série. "Aqui os professores pegam no pé das crianças. E tem que ser assim mesmo. Se não, os alunos não vão fazer nada", afirma a doméstica Suzana Seiches Melo, 37 anos, mãe de Amanda, 7, da 2ª série. "O bairro aqui não é muito rico, então ter uma escola dessas é um alívio para a gente porque sabemos que nossos filhos estão aprendendo", diz Carla Moreno, 28, cujo filho Thiago estuda na 1ª série.

Também em Diadema, mas na Vila Mulford, está a EE José Piaulino, que teve nota 6,59 no Idesp para turmas da 4ª série. Foi a segunda colocada da região nessa categoria. Uma faixa na frente do colégio parabeniza alunos e professores pelo resultado. "Aqui a gente percebe que os professores estão lutando para os alunos aprenderem mesmo. Não é aquela coisa de deixar os meninos jogando bola na rua. Tem sempre muita lição de casa", afirma o ajudante Ernandes Ferreira Gomes, 34. Ele diz que seu filho Jhonatan, 6, da 1ª série, já sabe fazer tabuada e escrever o cabeçalho.

A EE Maria da Conceição Moura Branco, no bairro Barcelona, em São Caetano, obteve as melhores pontuações do Grande ABC na 8ª série do Ensino Fundamental e no 3º ano do Ensino Médio. Pais e estudantes apontam a rigidez da direção da unidade como o diferencial. "Parece uma escola particular", define a educadora Solange Souza, 44 anos, mãe de uma aluna do 2º colegial, que, embora more em São Bernardo, escolheu o colégio da cidade vizinha. A escola não permite atrasos nem uso de aparelhos eletrônicos. Ao entrar na sala, meninos e meninas usam escadas diferentes.

Educadores contestam avaliação do Estado

Educadores ouvidos pelo Diário divergem quanto a eficiência da avaliação do Idesp, feita anualmente desde 2007 pela Secretaria Estadual de Educação. Se por um lado o método é criticado por não promover mudanças práticas no ensino, por outro é apontado como ferramenta eficiente para diagnosticar quais escolas precisam de mais investimentos.

"Esses números não servem para absolutamente nada a não ser para fazer estatística", afirma o professor Vitor Henrique Paro, doutor em Educação pela USP (Universidade de São Paulo). "Não acho que seja relevante se uma escola passou de 4,1 em um ano para 4,2 no outro. O que é essa mudança de 0,1 na educação?", questiona o professor, que propõe redução no número de alunos por sala e melhores condições aos professores.

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) também questiona a avaliação. "Não somos contra desde que seja no sentido de diagnóstico e de propor melhorias", afirma o secretário de comunicação da entidade, Paulo Neves. "Mas parece que o governo só quer passar a ideia de que a Educação de São Paulo está melhorando", conclui Neves.

Marilene Pinto Ceccon, diretora de ensino de Mauá, responsável também por Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, acha que o Idesp pode ajudar a melhorar a rede pública. "Vamos fazer o acompanhamento bem próximo das escolas que foram mal, às vezes até individualmente com os alunos", diz.

A diretora encaminhou à Pasta um pedido de correção da nota da EE Professora Ezilda Nascimento, no Jardim Zaíra. Com índice 1,27 na 8ª série, o colégio foi um dos cinco piores do Estado. O mal desempenho se deve à saída de alunos, segundo Marilene. "Em setembro, com a inauguração da EE Jardim Zaíra VIII, quase todos os alunos da 8ª série saíram da escola", afirma. O Zaíra VIII tirou nota 2,45. TD

Grande ABC ficou acima da média da Região Metropolitana

As médias obtidas pelas quatro diretorias de ensino do Grande ABC no Idesp 2010 são mais altas que as médias das escolas estaduais da Capital e da região metropolitana de São Paulo.

Os colégios de Santo André e Ribeirão Pires tiveram desempenho superior à média do Estado em todos os ciclos: 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental, 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental e 1ª a 3ª série do Ensino Médio.

Enquanto a média no exame da 4ª série foi 3,86, Santo André atingiu 4,11; Diadema, 4,21; Mauá, 3,87 e Ribeirão Pires, 4,16. Já Mauá (3,84) e Rio Grande da Serra (2,99), não alcançaram o índice. São Bernardo e São Caetano não têm escolas estaduais nesse ciclo.

A região também aparece com destaque na classificação das unidades de ensino de 8ª série. A média do Estado foi 2,84. Santo André (2,95), São Bernardo (2,91), São Caetano (3,08) e Ribeirão Pires (3,22) ficaram à frente. Diadema (2,70), Mauá (2,74) e Rio Grande da Serra (2,65) estão abaixo da média.

No Ensino Médio, Santo André (2,08), São Bernardo (2,10), São Caetano (2,31) e Ribeirão Pires (2,19) tiveram pontuação acima da média estadual (1,98), ao contrário de Diadema (1,78), Mauá (1,87) e Rio Grande da Serra (1,75).

___________

TEMA PARA DEBATE
 

Zero Hora

Menos caridade, mais educaçãoSomos constantemente solicitados, como cidadãos, a fazer doações caritativas. Entretanto, poucas vezes se trata da opção mais acertada, pois é importante avaliar, em cada caso, até que ponto, realmente, estaremos prestando uma ajuda efetiva e duradoura em seus resultados. No caso de pessoas carentes, cujas condições físicas não mais podem fazer frente às exigências da vida, como os idosos e os doentes incapacitados, certamente há justificativas para tal auxílio. Contudo, na maior parte das vezes, somos demandados a fazer doações a pessoas e famílias que poderiam esforçar-se para ir ao encontro de prover seu sustento e progresso na vida. Mas, se nelas houver uma tendência a esperar que o Estado ou pessoas com mais posses as supram, estaremos concordando com este imaginário de incapacidade. Trata-se, muitas vezes, de uma suposição doentia, efeito de processos de exclusão, pelos quais, desde a infância, não há identificação a parâmetros valorativos de autonomia. Portanto, a exclusão econômica poderá ser uma decorrência desses fatores de ordem psíquica atrelados a auto e hetero segregação. Assim, deparamos com uma massa empobrecida que, em geral, também teve pouco acesso à educação formal, a valores éticos e a uma identificação com os pais em relação ao trabalho, com a consequente baixa de autoestima face à sua suposição de incapacidade. Nessas famílias, são comuns as atitudes condescendentes dos pais, que podem levar a sérios problemas comportamentais, que se estendem à escola. Deste modo, como haveria condições para a aprendizagem de conteúdos? O que a sociedade poderia efetivamente fazer, pública ou privadamente, para intervir nas situações de exclusão social e de adoecimento psíquico?

O que significa investir efetivamente em educação? Talvez o aspecto mais benéfico para estas escolas seria encontrar maneiras de conferir uma efetiva autoridade aos professores, para que eles pudessem ser respeitados. Enquanto a autoridade for considerada pelas famílias um aspecto quem sabe retrógrado, que o Estado não se autoriza a modificar, os fatos mostram não haver um apoio efetivo aos professores e, por esta razão, eles terão que continuar convivendo com sérios problemas de indisciplina, desrespeito, uso de drogas e ameaças. Quem pode transmitir conteúdos em situações de medo em relação a alunos desafiadores e agressivos?

Por outro lado, se o Estado insiste na política de conceder “bolsas” para todos os fins à classe pobre, será que efetivamente estará melhorando as condições de educação e dignidade das famílias? É fato que, a curto prazo, aumenta-se o consumo interno no país, mas, a médio e longo prazos, estaremos estimulando uma mentalidade infantilizada e credora. E, se as famílias carentes esperam que o Estado supra suas necessidades, ao mesmo tempo estar-se-ão sentindo subestimadas e tratadas como incapazes de buscar seus próprios meios para melhorar suas condições de vida. Não será este sentimento que transmitirão aos próprios filhos? Se pensarmos nos povos imigrantes, percebemos que sua cultura de trabalho os fez prosperar sem esperar donativos. Assim, por que será que o Estado não privilegia a educação, tanto no sentido formativo das famílias quanto no de aumentar a sua escolaridade? Da mesma forma, ele não deveria questionar seu modelo de investimento nas famílias de baixa renda? Por outro lado, mesmo que haja investimentos significativos em educação, se não forem dadas condições de segurança e autoridade efetivas aos professores, ela fica muito prejudicada. Será que não percebem que estes devem transmitir sua força psíquica e ética para, com firmeza, tranquilizar boa parte das crianças e adolescentes em suas demandas desafiadores? Assim, o Estado tem que dar condições às escolas de controlar a disciplina e suas transgressões. O efeito disso, certamente, seria elevar a autoestima desses jovens e, assim, limitar sua agressividade, que não é nada mais nada menos que uma reação à condescendência.

____________

Prefeitura do Rio proíbe uso de pulseirinhas do sexo em escolas
Resolução foi publicada no Diário Oficial desta quinta (15).
Outros adereços também foram proibidos.

Do G1, no Rio
 
A Secretaria municipal de Educação proibiu o “uso de adereços que expressem insinuações sexuais” nas escolas públicas do Rio. A polêmica “pulseirinha do sexo” está incluída nesta lista, de acordo com a assessoria de imprensa.

A resolução, publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (15), também proíbe diversos outros itens em sala de aula, como boné, celular ou qualquer outro tipo de aparelho eletrônico portátil. Ainda de acordo com o texto, o descumprimento pode acarretar em apreensão do objeto por até dois dias.

Segundo a Secretaria municipal de Educação, a proibição é válida não só para a "pulseirinha do sexo", mas para quaisquer adereços com conotação sexual, como camisetas e bonés.

Também não é permitido, segundo o artigo 22 da resolução, “qualquer comportamento de agressão física, verbal ou eletrônica a aluno, professor, funcionário da Unidade ou demais representantes da comunidade escolar”.

Pulserinha polêmica

Em março, uma adolescente de 13 anos foi estuprada em Londrina (PR) e, segundo a polícia, o crime teria sido motivado pelo uso dessas pulseiras.

A “brincadeira” das pulseiras funciona da seguinte forma: uma menina coloca diversas pulseiras de silicone coloridas no braço e um jovem tenta arrebentar um dos adereços. Cada cor representa um “carinho”, que vai desde um abraço até a prática de sexo. Quem arrebentar receberá a “prenda” da dona da pulseira.

___________

Quadro de docentes deficiente deixa alunos do Rio sem aulas
Carolina Monteiro, Jornal do Brasil


RIO - Problema recorrente na educação pública, a falta de professores tem comprometido as atividades de escolas no município. Inaugurada no início deste ano, a Escola Municipal São João Batista, em Cordovil (Zona Norte), é uma das unidades que sofre com o déficit. Faltam docentes nas áreas de matemática, língua portuguesa, artes e inglês. Segundo funcionários da instituição, há mais de quatro semanas alguns profissionais se apresentaram para trabalhar, porém ainda aguardam a autorização da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) para iniciar as atividades.

– Temos que ficar aguardando, pois eles não podem dar aulas sem a autorização da coordenadoria – explica a professora Inês Barbosa, que, na escola, leciona para o primeiro ano do Ensino Fundamental.

Segundo ela, o quadro de docentes é tão reduzido, que mesmo com a chegada dos novos professores a situação não ficará regularizada.

Questionada sobre o assunto, a Secretaria Municipal de Educação (SME) respondeu em nota que a direção da escola já havia encaminhado o pedido de novos professores à Coordenadoria de Recursos Humanos. Segundo a secretaria, os funcionários darão início ao trabalho assim que as autorizações forem concedidas. Não foi informado o prazo para que isto ocorra.

Outras escolas municipais também encontram dificuldades devidas à falta de profissionais. Na Escola Municipal Rostham Pedro de Farias, em Cavalcanti, também na Zona Norte, o Jardim de Infância não funcionava até o mês passado pois não havia um professor para a classe. Além disso, uma única educadora era responsável pelas aulas das turmas do primeiro ano do turno da manhã e da tarde, para evitar que os estudantes ficassem à toa dentro do colégio.


– Tive que contratar uma pessoa para cuidar da minha filha mais nova enquanto estou no trabalho por todo este período – reclama Samara de Oliveira, que têm dois filhos matriculados na escola.

Segundo a SME, a normalização das atividades da escola aconteceu há duas semanas, mais de um mês após o início do ano letivo.

Outros reclames

Apesar de a faixa etária de até 4 anos ser uma das que tem menor oferta de vagas na rede pública, a paróquia de São Jorge, em Quintino (Zona Norte) ainda não obteve resposta ao pedido de municipalização das duas creches mantidas pela igreja.


– Encaminhamos em outubro do ano passado o pedido de adoção das nossas creches pela prefeitura. Estamos cedendo o prédio para a prefeitura ocupar com as atividades, dependemos apenas deles. Já era para terem vindo ver a situação, mas até agora nada – lamenta o padre Marcelino Modelski.

A SME informou que o processo encontra-se em análise do espaço físico. O órgão também não estimou prazo para o fim da avaliação.

___________

Descoberta sanguessuga da Amazônia que vive em narina humana

Da BBC Brasil

Cientistas anunciaram a descoberta de uma nova espécie de sanguessuga que tem a tendência de viver em narinas humanas.

Segundo os pesquisadores, ela pode entrar nos orifícios do corpo de pessoas e animais e aderir às membranas mucosas.

Eles deram à nova espécie o nome de Tyrannobdella rex, que significa "sanguessuga rainha tirana".

A criatura, que vive em áreas remotas do alto Amazonas, foi descoberta em 2007, no Peru, quando uma espécie foi retirada do nariz de uma menina que tinha se banhado em um rio.

Renzo Arauco-Brown, da Escola de Medicina da Universidade Cayetano Heredia, em Lima, extraiu a sanguessuga do nariz da garota e enviou a amostra para um zoólogo nos Estados Unidos.

Mark Siddall, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, reconheceu rapidamente que se tratava de uma nova espécie. Segundo ele, a criatura tinha algumas características muito incomuns, como uma única mandíbula, oito dentes grandes e genitália minúscula.

A líder do estudo, Anna Phillips, uma universitária ligada ao museu, disse: "Nós achamos que a Tyrannobdella rex é parente próximo de outra sanguessuga que entra na boca de gado no México."

Uma análise de DNA revelou também uma "relação evolucionária" entre sanguessugas que vivem em regiões distantes. Isto sugere a existência de um ancestral comum, que pode ter vivido quando os continentes estavam unidos em uma única extensão de terra chamada Pangaea.

Siddall explicou: "As espécies mais antigas desta família de sanguessugas compartilhavam a Terra com os dinossauros, há cerca de 200 milhões de anos."

"Alguns ancestrais do nosso T. rex podem ter vivido no nariz de outro T. rex", afirmou, em uma referência o dinossauro Tiranossauro rex.

A pesquisa foi divulgada na revista científica online PLoS One.

Os cientistas acreditam que podem existir até 10 mil espécies de sanguessuga. Já foram descobertas entre 600 e 700.

 

16/04/2010

Adolfo Bioy Casares

O célebre escritor argentino Adolfo Bioy Casares nasceu em Buenos Aires, mais precisamente na Rua Tucuman, no bairro de Palermo, no dia 15 de setembro de 1914. Descendente de avó inglesa, ele aprendeu as primeiras letras tanto no idioma espanhol, quanto no inglês, por imposição de sua ancestral. Casares pertencia a uma família abastada, a qual sempre o apoiou e possibilitou o desenvolvimento de sua carreira literária.

Este suporte também lhe permitiu permanecer na Argentina mesmo nos momentos mais difíceis da história deste país, quando os escritores de sua época eram obrigados a buscar o exílio em outros países. Com todas as condições favoráveis, o autor pode se devotar a sua paixão, a literatura. Desde a infância Bioy teve acesso às obras mais importantes da literatura universal, graças a uma jornada anterior de seu genitor pelo universo da literatura.

Casares sempre teve a sua disposição um passaporte para o mundo, empreendendo assim diversas viagens à Europa. Sua expressão pessoal, tanto no plano da existência quanto no literário, se consolidou aos poucos com estes contatos externos. Seu primeiro livro, Prólogo, foi escrito quando ele tinha apenas 15 anos e sua publicação foi financiada pelo pai. Em 1932 ele conhece o escritor Jorge Luís Borges, com quem trava uma amizade profunda, que culmina em uma inestimável parceria literária.

Dois anos depois Bioy conhece sua futura mulher, Silvina Ocampo. Neste ano ele toma uma importante decisão, deixa os cursos de Filosofia e Letras, convencido pelos argumentos de Borges e Silvina, e se dedica de uma vez por todas à literatura, lançando no mercado seus primeiros livros. Cresce o sucesso deste escritor, que se tornaria reconhecido internacionalmente com sua obra mais famosa, A Invenção de Morel, publicada em 1940.

Em 1954 ele lança El sueño de los héroes, e neste mesmo período vem ao mundo sua filha Marta. Seu livro Diario de la guerra del cerdo é editado em 1969 e depois transcrito na linguagem cinematográfica por Leopoldo Torre Nilson. Mais, aqui.

_ _ _ _ _ _

Sobre o romance "A Invenção De Morel"

 

 “A invenção de Morel”, romance do argentino Adolfo Bioy Casares (1914-1999), foi publicado originalmente em 1940. Narrado por um fugitivo da justiça, conta a história de sua busca por esconderijo e salvação numa ilha deserta. Após um período solitário, o narrador se surpreende com a presença de pessoas no local. Ele não sabe como elas chegaram lá e nota que seus modos são anacrônicos e seu cotidiano, repetitivo. Atordoado com as mudanças, a princípio evita as pessoas, mas a paixão que brota por uma das visitantes da ilha o leva a quebrar o isolamento. Aos poucos se aproxima dela e de seu mundo e descobre que se chama Faustine. Tenta falar-lhe, mas ela não o ouve, nem o vê. Instigado pelo desejo, ele busca nas entranhas do lugar alguma explicação para o alheamento de Faustine. Mais, aqui.

_ _ _ _ _

“Debo a la conjunción de un espejo y de una enciclopedia el descubrimiento de Uqbar. El espejo inquietaba el fondo de un corredor en una quinta de la calle Gaona, en Ramos Mejía; la enciclopedia falazmente se llama The Anglo American Cyclopaedia (Nueva York, 1917) y es una reimpresión literal, pero también morosa, de la Encyclopaedia Britannica de 1902. El hecho se produjo hará unos cinco años. Bioy Casares había cenado conmigo esa noche y nos demoró una vasta polémica sobre la ejecución de una novela en primera persona, cuyo narrador omitiera o desfigurara los hechos e incurriera en diversas contradicciones, que permitieran a unos pocos lectores -a muy pocos lectores- la adivinación de una realidad atroz o banal. Desde el fondo remoto del corredor, el espejo nos acechaba. Descubrimos (en la alta noche ese descubrimiento es inevitable) que los espejos tienen algo monstruoso. Entonces Bioy Casares recordó que uno de los heresiarcas de Uqbar había declarado que los espejos y la cópula son abominables, porque multiplican el número de los hombres. Le pregunté el origen de esa memorable sentencia y me contestó que The Anglo American Cyclopaedia la registraba, en su artículo sobre Uqbar”.
Trecho inicial do conto Tlõn, Uqbar, Orbis Tertius, de Borges

La literatura fue su gran obsesión, obituário do jornal La Nacion

Transcrição da entrevista de Bioy Casares no programa Roda Viva (1995)

Prólogo de Borges para La invención de Morel

La invención del género fantástico, de Carlos Damaso Martinez

La Invención de Morel; Defensa para sobreviviente, de Adolfo Vásquez Rocca

Obras

Multimidia