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12/03/2010

 

Herta Müller
 
Biografia (em inglês)
 
Entrevistas e resenhas
 
 
Obras

Multimídia

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Como a internet mudou a vida de Stephen Hawking
Christopher Delaney, da bbcrussian.com
 
Rede tornou Hawkings um 'integrante normal' da comunidade científica
 
O serviço russo da BBC entrevistou o assistente pessoal do físico britânico Stephen Hawking como parte da série SuperPotência, que analisa o impacto da internet no mundo.
 
Sam Blackburn desenvolveu os equipamentos que permitem a comunicação de Hawking com o mundo: o supercomputador e o sintetizador da fala – duas máquinas que ajudaram a trazer as ideias inovadoras do teórico para a comunidade científica, apesar de ele ser quase totalmente paralítico.
 
Antes da criação desses equipamentos, Hawking usava sensores infravermelhos que identificavam suas palavras, mas o aparato era pesado e necessitava de configuração constante já que era sensível a mudanças de iluminação em um ambiente.
 
Foi Blackburn que encontrou a resposta para facilitar a comunicação do físico ao construir um sintetizador mais estável.
 
No mesmo ano, Blackburn se envolveu na organização do voo de Hawking em gravidade zero, assim como em aventuras ao redor do mundo a locais normalmente inacessíveis a pessoas com limitações físicas, como a ilha de Páscoa.
 
Leia trechos da entrevista.
 
BBC - O quão importante é a internet para Stephen Hawking?
 
Sam Blackburn - Um de meus antecessores, um homem chamado Tom Kendle, me disse que Stephen Hawking usava internet sem fio há muito tempo. Kendle era assistente de Hawking em 1992. Na época, telefones celulares eram relativamente raros, e usar a internet em um celular era algo desconhecido. 
 
Na verdade, as companhias de celular, até onde sei, diziam que isso não poderia ser feito. Hawking tinha uma caixa que permitia a ele fazer ligações com tecnologia sem fio. A tacada de mestre foi, na verdade, conectar (a caixa) a um modem, em vez de a uma máquina de fax, o que permitia que ele fizesse um telefonema.
 
Ele estava no Chile à época, em uma viagem, então foi uma ligação internacional feita de um avião, se não me engano. Eles não tinham regras sobre uso de telefones celulares em aviões naquela época, porque pouquíssimas pessoas tinham celular.
 
Ele podia checar seu email, o que era pouco comum à época. Ele pode ter sido na verdade a primeira pessoa a fazê-lo.
 
BBC - A internet beneficiou a vida de Hawking? 
 
Blackburn - A internet trouxe enormes benefícios à vida de Hawking, porque permitiu que ele se tornasse um integrante normal da comunidade científica. Cientistas se comunicam usando email: distribuindo artigos, correspondência acadêmica. É o que se espera que eles façam. 
 
Embora a velocidade da fala de Hawking seja extremamente baixa, a velocidade com que ele escreve emails não é tão baixa. Quase sempre, quando eu perguntava algo a Hawking cara a cara, a comunicação era mais rápida se ele respondesse por email.
 
Hawking não diz coisas espontaneamente, porque ele pode demorar cinco minutos para escrever uma frase, e não é possível escrever espontaneamente tão devagar. Tudo é cuidadosamente pensado. Na verdade, acho que isso é parte da razão pela qual ele tem a reputação de quase sempre estar certo. Ele não diz algo em que não acredita ou que não queira realmente dizer.
 
BBC - O que o irrita?
 
Blackburn - Tem muita coisa que ele não gosta e que você acaba fazendo. A mais óbvia é completar suas frases. Se ele está tentando dizer algo e está demorando demais, a vontade de adivinhar o que ele vai dizer é enorme. Algumas vezes você acerta e economiza cinco minutos, e algumas vezes você erra e ele fica extremamente irritado. 
 
BBC - Você desenvolveu uma técnica de perguntas com respostas sim/não para falar com ele?
 
Blackburn - Você descobre maneiras de diminuir uma pergunta. Geralmente quando Hawking quer atenção, quem está cuidando dele o pergunta uma série de perguntas de resposta sim/não. Algumas vezes são coisas relativas ao uso de senso comum; se for algo difícil de adivinhar, pode demorar mais tempo. 
 
BBC - Você se tornou mais intuitivo ao tentar adivinhar o que ele quer?
 
Blackburn - É apenas uma habilidade, a de saber categorizar as coisas. Você não precisa trabalhar para Hawking para aprender isso. Se você brincar de “animal, vegetal, mineral” com seus amigos, vai conseguir adivinhar tão facilmente quanto. Mas é uma forma muito interessante de tentar se comunicar. 
 
BBC - De volta à internet. É difícil (para ele) manter o controle, não?
 
Blackburn - Ele tem uma conta de email que só ele monitora. Ele pode ficar num canto, quieto, mandando um email, e apenas o remetente vai saber o que está lá. É muito importante que ele tenha privacidade, porque, fisicamente, há sempre alguém do lado dele, há sempre alguém no mesmo cômodo que ele. 
 
Eu já vi Hawking fazendo compras online. Obviamente, isso não é tão privado, porque ele levaria um tempo imenso para digitar o número de seu cartão de crédito. Então, sim, ele usa a internet. Eu não diria que ele usa muito mais do que o resto de nós, o fato é que ele a usa de forma mais memorável. E o jeito com que ele usa é muito diferente.
 
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Darwin e a regressão americana
Lucas Mendes, de Nova York para a BBC Brasil
 
Oh, Canadá. Que saudade! Nunca morei lá, mas com a fúria fundamentalista evangélica americana, as seguradoras, os bancos, a poluição, os hospitais, a indústria farmacêutica, os Toyotas, a associação das armas, que mais?, a galinhagem dos republicanos, o cagaço dos democratas, a fragilidade do Obama...enfim, nesta paisagem, o Canada parece cada dia mais irresistível. 
 
Progridem lá, regridem aqui. Cada semana um Estado americano dá mais uma paulada na educação, na ciência ou no verde. A última foi no Kentucky, que aprovou uma lei para “encorajar professores a debater as vantagens e desvantagens de teorias científicas como o evolucionismo, as origens da vida, o aquecimento global e a clonagem de células”. 
 
Na realidade, a intenção é incluir as versões religiosas e conservadoras nos livros didáticos e forçar professores a ensinar a teoria do “desenho inteligente” (criacionismo) e questionar a clonagem de células-tronco e as supostas mazelas do aquecimento global.
 
O cenário atual já não é dos melhores. Entre conservadores, só 23% acham que o homem é responsável pelas mudanças climáticas. Na população em geral o número é um pouco melhor, 36%, mas fica muito abaixo dos outros países ricos.
 
Educação é um problema desta deformação e, de ano para ano, os americanos ficam mais para trás. No nível secundário estavam em primeiro lugar, hoje estão em 18º entre os países desenvolvidos. Um estudante de 15 anos no Canadá está quase dois anos na frente de um estudante americano da mesma idade.
 
A campanha anti-Darwin tinha sofrido uma derrota na Geórgia em 2005, quando um juiz decidiu que os livros didáticos não podiam atacar o evolucionismo porque contrariava a lei de separação entre estado e igreja.
 
Sempre há quem descubra um furo na lei e a solução, neste caso, foi não atacar só o evolucionismo de Darwin. Se empacotassem juntos o aquecimento global, o argumento da separação de igreja e estado perderia força. Deu certo .
 
Desde então, Kentucky, Oklahoma, Dakota do Sul e o poderoso Texas aprovaram leis que questionam o evolucionismo e outras teorias científicas no ensino secundário. Estas leis podem alterar livros didáticos e os currículos em todo país.
 
A campanha mais feroz obscurantista é contra Darwin, cujo bicentenário em 2009 passou meio às escondidas nos Estados Unidos, bem como os 150 anos da publicação de Origem das Espécies. 
 
A BBC e o UK Film Council produziram um filme excepcional, Creation, The Real Story of Charles Darwin, que estreou no festival de Toronto ( Oh, meu Canadá!) - foi imediatamente comprado e distribuído quase no mundo inteiro, mas, nos Estados Unidos levou um tempão para surgir uma distribuidora: a Newmarket, a mesmo que distribuiu A Paixão de Cristo. 
 
Creation ficou duas semanas em cartaz em Nova York só em dois minicinemas, recebeu ótimas críticas e sumiu de circulação, mas com certeza não vai entrar em extinção. 
 
O filme é baseado no livro Annie’s Box, de Randal Keynes, tetraneto de Darwin e mostra o drama pessoal do cientista que teve dez filhos mas não se conformou com a morte da mais velha, Annie, aos dez anos, provavelmente de tuberculose. 
 
A graça e a inteligência dela enriqueciam a vida do cientista numa casa vitoriana íntima, educada, feliz até aparecer a doença e a morte de Annie. A partir daí o filme lida com as angústias, as depressões de Darwin e as brigas com a mulher profundamente religiosa sobre a publicação da teoria que, segundo seu amigo e colega cientista, Thomas Huxley, “matou Deus”.
 
O filme, como a Origem das Espécies, não é uma crítica à religião nem questiona a existência de Deus, embora Darwin, pai ferido, não aceitasse a morte da filha como parte de qualquer plano divino. A igreja podia oferecer uma explicação, até uma causa, mas não uma razão. 
 
Só 39% dos americanos acreditam na teoria da evolução e o número varia de 14% entre os que não terminaram o curso secundário a 74% entre os que tem PhD. Neste mundo de fanatismo muçulmano cresce aqui o fanatismo fundamentalista, mas ha exceções preciosas como a mais conhecida escritora católica americana, Mary Gordon.
 
Durante uma entrevista esta semana para o programa Milênio, perguntei a Mary como Darwin entrava na equação católica dela.
 
"Darwin esta certíssimo, um gênio que descobriu como e porque um inseto leva milhões de anos para desenvolver uma asinha. Esta igreja do Vaticano com homens vestidos de saias pretas é a farsa. Não precisamos que nos digam como devemos pensar", disse ela.
 
A Mary Gordon é brilhante, mas este vasto e poderoso mundo religioso americano precisa de uma praga bíblica de vagalumes da espécie mary - ou canadense - para tirar o país da escuridão. 
 
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Unesp lança coleção de livros para download gratuito sem versão em papel
Os primeiros 44 títulos são de diversas áreas da pós-graduação.
Projeto prevê a publicação de 600 livros nos próximos 10 anos.
 
Do G1, em São Paulo 
 
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lança nesta quinta-feira (11) a primeira coleção de livros digitais, com 44 títulos da pós-graduação, que poderão ser baixados integralmente e de forma gratuita na internet. As obras não terão versão em papel.
 
Segundo a instituição, trata-se do único projeto entre as universidades brasileiras a conceber a publicação original de livros em formato digital. O download das obras poderá ser feita pelo site www.culturaacademica.com.br.
 
A iniciativa é uma parceria entre a Fundação Editora Unesp e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp que criaram em 2009 um programa de publicação de livros digitais.
 
Os trabalhos selecionados para publicação abrangem as áreas do design, direito, artes, geografia e música, entre outros.
 
O projeto prevê a publicação de 600 livros nos próximos 10 anos.
 

 

 

 

 

 Lula teve em 2009 primeiro PIB negativo desde Collor

O Globo
 
Recessão mostra que não houve ‘marolinha’. Investimento caiu 9,9% 
 
A economia brasileira registrou queda de 0,2% em 2009, no primeiro resultado negativo para o Produto interno Bruto (PIB) desde 1992, quando o pais amargou uma das piores recessões da história, após o fracasso do Plano Collor. O resultado, divulgado ontem pelo IBGE, mostrou que a crise global não foi apenas uma "marolinha", como chegou a prever o presidente Lula em outubro de 2008. Mas o recuo do PIB também ficou bem abaixo do que previam os analistas no início do ano passado. Eles chegaram a apostar em retração de 3%. Já no investimento houve grande queda: 9,9%. Pelo sexto ano, o consumo das famílias impulsionou a economia.
 
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Brasil teve o pior PIB em 17 anos
Folha de S. Paulo
 
O Produto Interno Bruto, que mede produção e renda nacionais, foi de -0,2% no ano passado, segundo números fechados do IBGE. É a primeira variação negativa desde 1992, ano do processo de impeachment contra o então presidente Fernando Collor e de inflação na casa dos 20% mensais. 
 
Embora com sinal negativo, o resultado de 2009, também o pior da gestão Lula, é encarado mais como estagnação do que como encolhimento. "Variações entre mais meio ponto e menos meio ponto são equivalentes a zero", afirma Rebeca Palis, do IEGE. A avaliação é compartilhada pelo mercado.
 
A crise global no final de 2008, que restringiu investimentos, afetou a indústria e desacelerou o consumo, é apontada como responsável pelo resultado do PIB. Desde o final de 2009, porém, o cenário mudou: para analistas, a economia está aquecida e crescendo num ritmo de 5% a 6% ao ano.
 
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Brasil recusa ideia da AIEA sobre venda de urânio
O Estado de S. Paulo
 
O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse na Índia que o governo brasileiro recusará o protocolo da AIEA (agência nuclear da ONU) que amplia a fiscalização das usinas dos países que vendem urânio, caso do Brasil. Promovido pelos EUA para dar mais poderes aos inspetores da AIEA, o protocolo adicional é "invasivo", disse Jobim.
 
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Pré-sal: Cabral: ‘Foi um linchamento contra o Rio’
Jornal do Brasil
 
Reação à decisão da Câmara que retira R$ 5 bi do estado, revolta governador e gera protestos
 
A aprovação da emenda que altera a divisão dos royalties da exploração de petróleo, retirando do estado do Rio em torno de R$ 5 bilhões, revoltou autoridades e a população. Em campos, moradores fecharam a BR-101, queimando pneus na via. O governador Sérgio Cabral foi às lágrimas em uma palestra para universitários e definiu: “Foi um linchamento contra o Rio”. Outras autoridades preveem prejuízos à realização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.
 
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STF afasta distritais da votação do impeachment
Correio Brasiliense
 
O Supremo Tribunal Federal manteve decisão da Justiça brasiliense e afastou os distritais citados na Operação Caixa de Pandora do processo de impeachment contra o governador José Roberto Arruda na Câmara Legislativa. À alegação de que o afastamento “violaria os direitos políticos” dos investigados, o presidente do STF, Gilmar Mendes, responde: “O que não se admite é a participação de parlamentar que tenha interesse pessoal e direto no resultado do julgamento”. Suplente de distrital preso há um mês na Papuda, Geraldo Naves foi expulso sumariamente do Democratas. Com a decisão, ele está impedido de concorrer às eleições de outubro. O governador Arruda ficou por duas horas fora da PF e passou por uma ressonância magnética para verificar o inchaço no tornozelo direito. Exames de sangue e de urina revelam que ele está saudável.
 
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EUA criticam produção de cana no Brasil
Valor Econômico
 
O Departamento de Estado americano faz quatro menções negativas à produção de cana-de-açúcar no Brasil em seu relatório anual sobre direitos humanos, o que tende a prejudicar os esforços da indústria de etanol para derrubar as barreiras tarifárias para exportar o produto aos EUA. A produção de cana aparece associada ao trabalho escravo, trabalho infantil e à repressão ao movimento sindical. São duas menções ao problema do trabalho escravo, uma de forma genérica e uma referência indireta, sem citar o nome, à Cosan. A produção de café e de algodão desapareceram do relatório.
 
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A ditadura justificada
Do Estadão
 
O presidente Lula, que tanto admira o cubano Fidel Castro, devia saber que certa vez ele disse: "Os tiranos tremem na presença de homens capazes de morrer por seus ideais." Essas palavras datam de maio de 1981, quando o ativista irlandês Bobby Sands morreu depois de 66 dias de greve de fome em protesto contra as condições carcerárias a que eram submetidos os seus companheiros e pelo direito de ser considerado prisioneiro político. Hoje, quando a tirania castrista se vê confrontada pela morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, depois de 85 dias de jejum, e pela greve similar, que já dura 16 dias, do dissidente Guillermo Fariñas, Lula descortina o lado mais tenebroso de sua personalidade política, ao condenar os "homens capazes de morrer por seus ideais" ? e, pior ainda, ao sair em defesa dos seus algozes.
 
A morte de Tamayo, em 23 de fevereiro passado, coincidiu com a presença do brasileiro em Cuba. Já então, instado pelos jornalistas que o acompanhavam a se manifestar sobre a tragédia, lamentou "que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome", calando sobre as razões que a levaram a esse extremo. Um dos 75 condenados da infame leva de 2003, o pedreiro de 42 anos tinha sido adotado pela Anistia Internacional como "prisioneiro de consciência". À maneira de Bobby Sands, deixou de se alimentar para pressionar o governo a melhorar as condições dos mais de 200 presos políticos cubanos. De seu lado, o jornalista e psicólogo Fariñas, de 48 anos, que vive em Santa Clara, a 280 quilômetros de Havana, iniciou a sua greve pela causa de Tamayo e para pedir a libertação dos 26 daqueles detentos em pior estado de saúde.
 
Como se sabe, Lula recorreu à ferramenta política da fome quando, líder sindical, foi preso pela ditadura militar. Teoricamente, portanto, estaria à vontade para considerar o ato uma "insanidade", como disse anteontem numa entrevista à agência noticiosa americana Associated Press. Mas, salvo engano, nunca antes ele se pôs a verberar o autossacrifício ? praticado, entre tantos outros, por Nelson Mandela. Inspirado pelo exemplo de Sands, o líder sul-africano, então confinado na ilha onde o regime de supremacia branca mantinha os seus opositores, liderou uma greve de fome pelo direito dos presos de serem visitados por seus filhos menores. Depois de seis dias, a reivindicação foi atendida. Ainda que se tentasse fazer de conta que as atuais objeções de Lula a tal modalidade de protesto não têm relação com os casos cubanos, ele próprio tomou a iniciativa de desmanchar essa interpretação ingênua.
 
Na citada entrevista, reiterou que "a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos (sic) para libertar as pessoas". E, com palavras das quais jamais se libertará, sugeriu: "Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade." Para ele, "temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba" ? que autoriza a prisão de pessoas tidas como suspeitas de vir a cometer o que o regime considera crimes. Disse mais Lula: "Gostaria que não ocorressem (as detenções), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil" ? nenhuma delas, como bem sabe, por motivos políticos. Ou seja, leis repressivas não devem ser contestadas, nem quando baixadas por governos ditatoriais ou autoritários. 
 
Na filosofia lulista do direito, a Lei de Segurança Nacional brasileira que condenou a militante Dilma Rousseff a 6 anos de prisão (das quais cumpriu três) ou a legislação do apartheid que aprisionou Nelson Mandela por 27 anos, por exemplo, não são menos legítimas do que as provisões das democracias. Se violam os direitos humanos, não há nada que líderes de outros países possam fazer, salvo afirmar que gostariam que isso não ocorresse. Eis por que o Brasil de Lula se distingue no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas pela leniência com as denúncias das práticas brutais de governos como os de Cuba e do Irã, enquanto reluta em reconhecer o novo governo hondurenho escolhido em eleições livres. Outros países também adotam esse duplo padrão, mas os seus dirigentes ao menos se guardam de escarnecer das vítimas das ditaduras.
 
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Passou do limite 
Editorial da Folha de S. Paulo
 
Ao defender mais uma vez a ditadura cubana, e equiparar presos políticos a comuns, Lula escarnece dos valores democráticos
 
Não parece demais, em nome do registro histórico, reproduzir mais uma vez as palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à Associated Press: "Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade".
 
A declaração é escandalosa -mesmo para os padrões de Lula, que habituou os brasileiros a seus disparates. Lembre-se, por exemplo, quando disse, ainda em 2003: "Quem chega a Windhoek [capital da Namíbia], não parece que está num país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas e bonitas arquitetonicamente quanto esta".
 
Desta vez, porém, a manifestação não se reveste de nenhuma graça, tosca que seja. E não pode ser atribuída a mais um entre tantos deslizes de quem abusa dos improvisos, não esconde o orgulho por falar errado e se diverte com as gafes que comete. Não. Lula, este personagem satisfeito com as suas próprias precariedades, desta vez passou dos limites na agressão aos valores democráticos.
 
Vejamos mais de perto a escalada de impropriedades: Lula endossa uma ditadura que reprime a divergência de opinião. Prega "respeito" pela legislação cubana, que autoriza a prisão de pessoas cujo crime é dar sinais de "conduta manifestamente em contradição com as normas da moralidade socialista".
 
A seguir, avança outra casa ao qualificar os direitos humanos de "pretexto" dos presos políticos que fazem greve de fome. Pretexto? Em 2003, o governo cubano fuzilou três dissidentes que tentaram fugir do país.
 
Outros 75 opositores foram presos, entre os quais Orlando Zapata. Condenado inicialmente a três, ele teve sua pena ampliada para mais de 25 anos de prisão. Morreu após uma greve de fome, no dia em que Lula chegou à ilha, semanas atrás, para visitar Fidel Castro pela quarta vez.
 
Surpreendido por jornalistas, primeiro alegou desconhecer o apelo que entidades defensoras dos direitos humanos haviam feito para que intercedesse por Zapata. Limitou-se, a seguir, a lamentar que "um preso se deixe morrer por greve de fome".
 
Como disse ontem à Folha o jornalista e dissidente cubano Guillermo Fariñas, também em greve de fome: "Lula demonstra seu comprometimento com a ditadura dos Castro e seu desprezo com os presos políticos".
 
Nada supera, porém, o escárnio da conclusão presidencial: os presos políticos da ditadura cubana são equiparáveis aos presos comuns de um país democrático, no caso o Brasil. "Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."
 
Imaginemos, nós, com mais razão, que tal aberração a serviço da defesa de um regime homicida não seja apenas um tropeço, mas, antes, a revelação do real apreço de Lula pela democracia.
 
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Universidade do Google desembarca no Brasil
Do Blog de Clayton Netz
 
Em 2005, o futurólogo americano Ray Kurzweil lançou o livro de Singularity is Near (algo como “A singularidade está perto” em português), uma instigante previsão do que acontecerá em algumas décadas, quando a inteligência artificial sobrepujar a capacidade humana, afetando a vida da humanidade. Quatro anos depois, em junho de 2009, os desafios lançados pelas ideias de Kurzweil começaram a ser enfrentados no mundo acadêmico, com o lançamento da Singularity University(SU).
 
Trata-se de uma faculdade recheada de celebridades científicas, encabeçadas pelo próprio Kurzweil, nomeado seu diretor, com o objetivo declarado de preparar a elite de executivos e líderes que dirigirão esse admirável mundo novo. Fazem parte ainda do corpo docente dessa universidade do futuro, nomes como Vin Cerf, um dos pais da Internet, atualmente vice-presidente do Google, e Larry Page, cofundador do Google, que doou U$ 1 milhão para a faculdade–não por acaso a SU também é conhecida como a universidade do Google.
 
Baseada num centro de pesquisas da Nasa, no Vale do Silício, na Califórnia, a SU tem como vizinhos nomes da área tecnológica, como Yahoo, Cisco e Intel, além do próprio Google. Ali, em um curso de nove semanas, pelo qual paga US$ 25 mil, uma turma inicial de 30 alunos estuda um menu constituído de matérias sobre nanotecnologia, robótica, inteligência artificial e energia, entre outros. Menos de um ano desde o seu lançamento, a SU está desembarcando no País, graças a uma parceria com a Fiap, escola de tecnologia e gestão de São Paulo. Entre os dias 15 e 18 de março, dois diretores da SU, os americanos Dan Barry e Salim Ismail, farão palestras para os alunos da Fiap.
 
Também está prevista a ida de estudantes brasileiros para o campus da Califórnia, além da realização de módulos de estudos no Brasil e nos EUA. “Nosso objetivo é ter sempre acesso aos avanços tecnológicos de fronteira na área do ensino”, afirma Ivan Freitas da Cunha, diretor de assuntos institucionais da Fiap.
 
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Da Agência Brasil
 
Fies reduz juros para 3,4% ao ano
 
 
Brasília - Em reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional reduziu mais uma vez os juros do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, passando de 3,5% para 3,4% ao ano. A decisão, publicada hoje (10) no Diário Oficial da União, vale tanto para os futuros contratos quanto para o saldo devedor dos contratos antigos.
 
Em janeiro, os juros já haviam sido reduzidos de 6,5% para 3,5% ao ano. Outra mudança anunciada em janeiro foi a ampliação do prazo para pagamento da dívida, que agora é de três vezes o período de duração do curso.
 
O programa permite que os universitários financiem os estudos em curso superior de instituições particulares.
 
Os estudantes de medicina e de cursos de pedagogia ou licenciatura poderão pagar sua dívida por meio da prestação de serviços. De acordo com a lei, será abatido 1% da dívida a cada mês trabalhado, caso eles optem por atuar como professores da rede pública de educação básica ou como médicos no programa Saúde da Família.
 
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Pedido de abertura de inquérito contra Meirelles corre em segredo de Justiça, diz Gurgel
 
 
Brasília - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse hoje (11) que o pedido de abertura de inquérito contra o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), refere-se ao desdobramento de investigação em tramitação na Justiça.
 
Mas por tratar-se de inquérito que corre em segredo de Justiça, seu conteúdo não pode ser revelado. Gurgel negou que tenha encaminhado o pedido ao STF, mas explicou que a Corte é o foro adequado para analisar o caso de Meirelles, que tem status de ministro.
 
"A única hipótese em que isso pode acontecer é aquela que está tramitando em primeiro grau. Então, surgindo elementos em relação a essa autoridade, a remessa é feita pelo próprio juiz ao Supremo Tribunal Federal", informou.
 
O pedido de autorização para a investigação chegou ao STF no último no dia 4 de março e foi encaminhado ao ministro Joaquim Barbosa, que o já repassou à Procuradoria-Geral da República. Ao analisar o pedido, o procurador poderá requerer ao STF a realização de digilências.
 
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Reaplicação do exame da OAB vai custar cerca de R$ 1,3 milhão
 
 
Brasília - Os custos para reaplicar a segunda fase da prova do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que teria sido fraudada e por isso foi cancelada, deve ficar em torno de R$ 1,3 milhão. A estimativa é da instituição responsável pela organização do exame, o Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB).
 
A Polícia Federal está investigando o suposto vazamento de questões do exame. A irregularidade foi detectada durante a aplicação da segunda fase da prova prático-profissional de direito penal, no último dia 28, em Osasco. De acordo com a OAB, um candidato escondia as questões em uma folha de papel encontrada em um livro de consulta.
 
De acordo com o contrato, os custos relativos à reaplicação caberiam à instituição responsável pelo fato que motivou a anulação. Enquanto a investigação não é concluída pela PF, o Cespe sugere que os valores sejam divididos igualmente entre o centro e a OAB.
 
A Agência Brasil procurou a assessoria de imprensa da Ordem que disse que essa decisão ainda está “sob avaliação”. Entretanto, no anúncio da anulação da prova, o presidente da entidade, Ophir Cavalcante, disse que o Cespe deveria arcar com os prejuízos.
 
A nova prova foi marcada para 11 de abril, mas há possibilidade de mudanças para que não haja choque com as datas de outros concursos públicos. O anúncio será feito até segunda-feira (15).
 
De acordo com nota divulgada pelo Cespe, o órgão propõe que a reaplicação “esteja sob sua inteira responsabilidade, ao contrário do que ocorre no processo atual do exame no qual todas as fases são realizadas em parceria pelas duas instituições”.
 
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Bancoop é suspeita de superfaturar contrato
Firma de vigilância de petista envolvido com aloprados foi contratada no lugar de outra, por mais do dobro do valor
 
Leila Suwwan, em O globo
 
A análise preliminar dos dados bancários da Bancoop (cooperativa dos bancários de São Paulo) aponta para um superfaturamento, nos pagamentos de segurança particular, estimado em até 150% a partir de 2005, na gestão de João Vaccari Neto. Neste ano, a cooperativa passou por seus piores momentos de aperto financeiro.
 
Vaccari, hoje tesoureiro do PT, contratou a Caso Sistemas de Segurança, empresa de Freud Godoy, também petista e personagem envolvido no caso dos aloprados.
 
Os termos do contrato não são conhecidos, mas a despesa de vigilância da Bancoop cresceu de uma média de R$ 40 mil mensais para R$ 100 mil mensais.
 
Em pouco mais de um ano, a Caso faturou pelo menos R$ 1,5 milhão com a Bancoop.
 
A investigação criminal — que apura supostos crimes de formação de quadrilha, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro — analisa os extratos bancários das contas da Bancoop e de empresas de fachada ligadas à sua antiga diretoria.
 
O rombo financeiro é estimado em cerca de R$ 100 milhões, e há indícios de que os recursos teriam abastecido o caixa dois do PT, segundo o promotor José Carlos Blat.
 
Godoy ganhou notoriedade por envolvimento na tentativa frustrada de um grupo de petistas para comprar um falso dossiê contra tucanos nas eleições de 2006.
 
O grupo foi preso no Hotel Ibis, em São Paulo, com uma mala contendo R$ 1,7 milhão de origem não identificada, e chegou a apontar Godoy como chefe da operação.
 
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Fomos reprovados mais uma vez
Senador Demóstenes Torres
 
Sistematicamente o governo federal e os organismos internacionais divulgam relatórios sobre a precariedade do sistema educacional brasileiro.
 
Normalmente os indicadores negativos deixam de ser notícia no dia seguinte sem que nenhum movimento da chamada “sociedade organizada” tome as dores da tragédia.
 
Na semana passada, não foi diferente. Duas péssimas notícias mostraram que o País não consegue fazer o dever de casa e tem capacidade de piorar ao longo do tempo.
 
A primeira diz respeito aos resultados do Plano Nacional de Educação. Dez anos depois de lançado, o sistema aferiu que apesar dos mundos e fundos que dois governos (FHC e Lula) declararam ter investido no setor não conseguimos atingir as metas estabelecidas para aprimorar a qualidade da educação no Brasil.
 
O objetivo de reduzir índice de reprovação faliu já que a taxa de repetência se manteve estacionada. A evasão escolar aumentou ao invés de cair, como fora prometido.
 
O Plano tinha a missão de chegar em 2010 com 30% dos estudantes universitários dentro da faixa etária apropriada para o grau de instrução. Não conseguiu também e somente 14% se encontram dentro da meta.
 
Outro objetivo era o de alcançar neste ano uma taxa de 4% da população em situação de analfabetismo. Estamos seis pontos percentuais acima e ainda assim se trata de um indicador duvidoso. No Brasil, nem mesmo 12 anos de escolaridade no sistema público de ensino implicam em alfabetização plena.
 
A segunda notícia negativa que tem bastante relação com o setor educacional e diz respeito à queda do Brasil no Indicador de Inovação Global.
 
Caímos 18 posições em 2009. Entre 132 países onde o índice é medido, ficamos em 68º lugar. Na América Latina existem seis nações à nossa frente, como Costa Rica, Chile e Uruguai.
 
O estudo é publicado pela instituição europeia The Business School for the World em conjunto com a Confederação das Indústrias da Índia e conta com 60 parâmetros para medir o grau de inovação de cada país.
 
No relatório há um capítulo dedicado exclusivamente ao Brasil onde há elogios ao nosso desempenho nos setores de agricultura tropical, biotecnologia e energia renovável.
 
São consideradas como vantagens competitivas o fato de atuarmos com pioneirismo na extração de petróleo em águas profundas e termos capacidade no desenvolvimento de submarinos, além da construção de aeronaves e participação no clube que realiza pesquisas aeroespaciais.
 
Nossos defeitos apresentados pelo relatório são os de sempre: pobreza do sistema de educação básica, baixo investimento em Pesquisa & Desenvolvimento, corrupção, indicadores precários de infraestrutura e por aí vai.
 
O estudo é ainda complacente com o Brasil e acredita nos dados do governo segundo os quais vamos investir nos próximos dez anos, por meio do PAC, R$ 41 bilhões em ciência e inovação tecnológica.
 
Basta verificar o detalhamento dos 60 parâmetros de composição do indicador para observar a medida do nosso atraso no setor.
 
Quando é aferida a qualidade do nosso sistema de educação, o Brasil em relação aos outros 132 países cai para a 102ª posição. No quesito referente à situação regulatória caímos para o 96º lugar.
 
No geral temos uma boa avaliação quanto à capacidade de inovação, graças aos setores de avanço acima mencionados, mas estamos no 67º posto quando o critério é o número de patentes registradas e ficamos definitivamente mal na fotografia no que se refere à proteção da propriedade intelectual e nas condições proporcionadas pelas instituições públicas para a realização de negócios.
 
O estudo mostra que estamos na 57ª posição no que se refere aos investimentos em educação, o que demonstra uma disparidade quando é aferido o nosso desempenho no setor. Como tenho insistido, não é por falta de dinheiro que a educação brasileira só nos traz más notícias. O problema é de gerenciamento.
 
Se não houver alteração do modelo, especialmente do sistema básico de ensino, não adianta estabelecer qualquer meta, pois vamos continuar a receber notas vermelhas aqui e alhures.
 
 
Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM-GO)
 
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Governo cancela Enem do meio do ano
Folha de S. Paulo
 
Universidades terão de retornar ao vestibular ou convocar alunos que fizeram o exame no ano passado 
 
O Ministério da Educação do governo Lula anunciou que não haverá edição de meio do ano do Enem, ao contrário do que estava previsto desde que o exame passou a ser usado para substituir os vestibulares em universidades federais. 
 
Segundo o ministro Fernando Haddad (Educação), não houve tempo para organizar o exame com a segurança adequada. A prova vazou no ano passado, quando passou a ser utilizada para selecionar calouros. 
 
Para as instituições que usariam o Enem para selecionar turmas no segundo semestre, Haddad sugeriu chamar alunos que fizeram o exame no ano passado. 
 
Algumas universidades, no entanto, já decidiram que voltarão a usar o vestibular. 
 
A Folha apurou que a nova edição da prova deve ser aplicada apenas depois do segundo turno das eleições. 
 
O governo considera que há mais riscos de tentativa de fraude em 2010, por ser período eleitoral. 
 
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Bancoop atrasou até triplex de Lula
O Globo
 
Em 2005, o presidente Lula e dona Marisa Letícia compraram uma cobertura triplex de frente para o mar na Praia das Astúrias, no balneário paulista de Guarujá, mas amargam até hoje na fila. O casal é uma das vítimas da Bancoop, cooperativa habitacional dos bancários, que está sob investigação do MP por suspeita de desviar recursos para campanhas do PT. Incapaz de concluir a obra, a Bancoop repassou-a para a construtora OAS, mas ela continua parada. Um imóvel como o de Lula naquela praia pode passar de R$ 1 milhão.
 
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Governo quer Receita com poder de policia e Justiça
O Estado de S. Paulo
 
Pacote que fecha cerco aos contribuintes começa a tramitar no Congress
 
Um pacote tributário enviado pelo governo ao Congresso, e que começará a tramitar agora, cria duros mecanismos de cobrança das dívidas ativas e penhora de bens, informa o repórter Renato Andrade. A Fazenda quer que seus fiscais ganhem poderes de polícia e possam quebrar sigilo, penhorar bens e até arrombar portas de empresas e casassem autorização judicial prévia. Além disso, o pacote cria um sistema de investigação com acesso a todos os dados financeiros e cadastros patrimoniais dos cidadãos. No limite, a penhora poderá ser aplicada contra uma grande empresa ou contra um contribuinte pessoa física que tenha deixado de pagar o IPTU ou o IPVA. O Planalto considera as propostas “indispensáveis” para “modernizar" a administração fiscal. Para a OAB, o projeto é inconstitucional. (págs. 1, B1 e B3)
 
Principais pontos da proposta
Cria sistema de investigação com acesso aos dados financeiros e patrimoniais dos cidadãos 
 
Autoriza penhoras por oficiais da Fazenda Pública sem a interferência da Justiça 
 
Determina ao Judiciário que autorize aos oficiais de Fazenda poderes de arrombamento 
 
Sujeita todas as medidas adotadas apenas a um posterior crivo da Justiça
 
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Meirelles sai do BC rumo à vice de Dilma
Correio Brasiliense
 
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deixa o cargo até o fim do mês com planos de ocupar a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff. Na avaliação do PT, Meirelles seria a garantia de continuidade da política econômica, a letra viva da carta aos brasileiros apresentada por Lula em 2002.
 
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STF recebe pedido de abertura de inquérito contra Meirelles
 
SÃO PAULO, 11 de março (Reuters) - O Supremo Tribunal Federal recebeu pedido de abertura de inquérito contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por suspeita de crime contra a ordem tributária.
 
A data de autuação é 4 de março e o pedido foi recebido na quarta-feira pelo ministro Joaquim Barbosa. O autor é o Ministério Público Federal.
 
Procurada, a assessoria da autoridade disse que "o BC não tem conhecimento desse inquérito".
 
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Cristalina vive maior euforia desde os cristais
Valor Econômico
 
Maior PIB agropecuário de Goiás, com 40 mil habitantes, Cristalina vive momento de euforia inédito desde o fim do garimpo de cristais, há mais de um século. A cidade é o epicentro de uma nova onda de investimentos da indústria de alimentos no Centro-Oeste. Água abundante, alta tecnologia nas lavouras, diversidade de matérias-primas, incentivos fiscais e proximidade de grandes centros consumidores iniciaram uma disputa acirrada por grãos, cereais, hortas e pomares na região. Municípios como Luziânia, Orizona, Goiandira e Morrinhos também participam da febre de industrialização do campo, com investimentos totais de R$ 1 bilhão em três anos.
 
Dona da maior área irrigada por pivôs centrais na América Latina, Cristalina conta os dias para a abertura de três grandes fábricas de conservas e atomatados. Atrás de cada uma espera receber outras seis empresas - de embalagens a transportes, de manutenção a serviços. Custos baixos, mão de obra barata, logística privilegiada e produção de até quatro safras por ano são fatores que alimentam a nova onda. 
 
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Da Agência Brasil
 
Segunda chamada do ProUni seleciona 68 mil, mas ainda sobram bolsas
 
Brasília - Dos 335 mil estudantes que se inscreveram para a segunda chamada do Programa Universidade para Todos (ProUni), 68.772 foram selecionados. Os classificados devem agora procurar as instituições de ensino para comprovar as informações prestadas durante a inscrição, sob o risco de perder a bolsa. O prazo vai até sexta-feira (12). A lista dos documentos que o futuro bolsista deve apresentar está disponível no site do programa. 
 
Na segunda chamada foram oferecidas cerca de 85 mil bolsas, sendo 34.661 são integrais e 50.495, parciais – que custeiam 50% da mensalidade. Ou seja, cerca de 16 mil bolsas ficaram sobrando. De acordo com o Ministério da Educação, é normal que nem todas as bolsas sejam distribuídas porque muitas vezes o aluno se inscreve, mas não atende os pré-requisitos do programa. 
 
As bolsas integrais são reservadas a estudantes com renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 765) por pessoa. As parciais podem ser pleiteadas por candidatos com renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.530) per capita.
 
Segundo o MEC, após a conclusão do processo de matrícula, as bolsas que sobrarem podem ser distribuídas dentro das próprias instituições de ensino para alunos já matriculados – desde que eles atendam os critérios de renda do programa. Essa seleção deverá ser feita pelas próprias faculdades.
 
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Haddad descarta possibilidade de realizar duas edições do Enem em 2010
 
 
Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, descartou hoje (10) a possibilidade de haver duas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2010. Essa ideia estava prevista quando o ministério propôs a substituição do vestibular tradicional por uma seleção unificada. A declaração do ministro foi dada durante evento na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
 
Sem a edição que deveria acontecer no primeiro semestre, os alunos do 3° ano do ensino médio deverão fazer a prova só no segundo semestre. Tradicionalmente, o Enem é aplicado em outubro, mas as datas serão confirmadas nos próximos dias pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), segundo o ministro. O mais provável é que ocorra no final de outubro em função das eleições.
 
De acordo com o ministro, o atraso nas negociações com os órgão de controle federal para liberar o Enem de um processo licitatório foi “determinante” para que não sejam realizadas duas edições do Enem em 2010. A vontade de Haddad é que a realização do exame ficasse sob a responsabilidade do Cespe ou de outro órgão público – não com uma empresa terceirizada.
 
“Ele [ministro] está convencido de que não tem condições de realizar um novo exame nas dimensões do Enem, com mais de 4 milhões de inscritos, em todo o território nacional, se tiver que enfrentar uma licitação nos moldes da que ocorreu no ano passado”, diz nota divulgada pelo ministério.
 
Haddad, entretanto, não descartou a possibilidade de as universidades continuarem a utilizar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em substituição aos vestibulares que ocorrem no meio do ano. Nesse caso, o candidato disputaria uma das vagas com a nota obtida no Enem 2009. Mas, segundo o ministro, isso vai depender do interesse das instituições de ensino.  
 
Para o primeiro semestre de 2010, 51 instituições públicas de ensino superior disponibilizaram 47,9 mil vagas por meio do sistema.
 
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Posição sobre Irã impede Brasil de ser líder global, diz deputado dos EUA
Alessandra Corrêa, da BBC Brasil em Washington
 
O congressista americano Eliot Engel, presidente do subcomitê do Hemisfério Ocidental dentro da Câmara dos Representantes (deputados) dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira que o Brasil não leva o programa nuclear iraniano “a sério”, o que está impedindo a ascensão brasileira “como um líder global".
 
"O Brasil é um país que está se modernizando rapidamente e que quer obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU", disse Engel durante uma audiência sobre a política dos Estados Unidos para as Américas.
 
"Mas o fato de não levar o programa nuclear do Irã a sério está impedindo a sua ascensão como um líder global", completou.
 
O Brasil tem defendido o caminho do diálogo como a melhor forma de garantir que o Irã tenha o direito de produzir energia nuclear e para evitar que o país desenvolva armas atômicas, enquanto que os Estados Unidos defendem mais sanções contra Teerã.
 
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, esteve no Brasil em novembro e, em maio, o presidente Lula deve visitar o país asiático.
 
Atrito
 
"Estou preocupado com a falta de interesse do Brasil em novas sanções da ONU contra o Irã", disse Engel, para quem é preciso "ficar de olho" na crescente presença do Irã no continente.
 
"Eu fiquei profundamente decepcionado quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Brasília", afirmou.
 
Na semana passada, em visita ao Brasil, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, voltou a defender novas sanções contra o Irã como forma de pressionar o país a interromper seu programa de enriquecimento de urânio e disse que a comunidade internacional deveria se pronunciar "em uníssono" sobre o assunto.
 
"Somente depois que aprovarmos as sanções no Conselho de Segurança da ONU o Irã irá negociar de boa-fé", afirmou.
 
Os Estados Unidos e outros países temem que Teerã esteja secretamente tentando desenvolver armas nucleares.
 
O governo iraniano nega as alegações e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
 
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Europa condena morte 'cruel e invitável' de dissidente em Cuba
Orlando Zapata fazia greve de fome há 85 dias quando morreu, desatando críticas ao direitos humanos na ilha
 
estadao.com.br 
 
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,europa-condena-morte-cruel-e-invitavel-de-dissidente-em-cuba,522722,0.htm
ESTRASBURGO - O Parlamento Europeu aprovou por ampla maioria uma resolução que condena a "inevitável e cruel" morte do dissidente Orlando Zapata e alertou contra o "fatal desenlace" que poderia haver para a greve de fome que outro preso político, Guillhermo Fariñas, realiza, segundo a agência AFP. 
 
O texto, aprovado previamente por vários grupos políticos, "condena duramente a inevitável e cruel morte" de Zapata. O dissidente morreu no dia 23 de fevereiro depois de uma greve de fome de 85 dias. O documento arremete contra "a tentativa do governo cubano" de colocar obstáculos à organização de seu funeral. A resolução foi aprovada por 509 votos a favor, 30 contra e 14 abstenções.
 
O documento ainda "deplora a ausência de todo gesto significativo" de Havana em resposta aos chamados da comunidade internacional pela libertação de todos os presos políticos em Cuba. O sistema carcerário da ilha é apontado como uma grave violação à Declaração Universal dos Direitos Humanos.
 
Os deputados europeus advertiram também sobre o "alarmante estado" de saúde em que se encontra o dissidente Guillhermo Fariñas, em greve de fome desde o dia seguinte ao da morte de Zapata. Segundo o Parlamento, a situação do prisioneiro poderia ter um "desenlace fatal", assim como seu companheiro.
 
A resolução adotada pelas grandes formações políticas, inclusive conservadores e socialistas, supõe uma dura condenação a Havana, em um momento em que a Espanha havia proposto uma aproximação do bloco europeu com Cuba. Os espanhóis ocupam a presidência da União Europeia neste semestre.
 
Os parlamentares pediram que os demais dirigentes europeus intensifiquem as medidas para exigir a liberdade dos presos políticos e "promover e garantir o trabalho dos defensores dos direito humanos na ilha" por meio da abertura de um diálogo estruturado com a sociedade cubana.
 
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Promotor pedirá indiciamento de tesoureiro do PT por estelionato
João Vaccari Neto teria cometido delitos como presidente da Bancoop, entre 2005 e 2010, afirma José Carlos Blat
 
Fausto Macedo, em O Estado de S. Paulo
 
O promotor de Justiça José Carlos Blat declarou ontem que vai requerer o indiciamento criminal e denunciar à Justiça João Vaccari Neto por formação de quadrilha, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro ? delitos que o tesoureiro do PT, segundo o promotor, teria praticado enquanto ocupou a presidência da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), entre 2005 e 2010. Blat disse que a medida será tomada ao fim de sua investigação, independentemente de a Justiça autorizar ou não a quebra do sigilo bancário e fiscal de Vaccari, requerida sexta-feira.
 
"Nada vai impedir o nosso trabalho", afirmou o promotor, indignado com acusações de cardeais do PT de que estaria a serviço do PSDB. Ele anotou que Ricardo Berzoini, ex-presidente da sigla, o acusou em entrevista a uma emissora de rádio de ser sócio de bicheiro e de contrabandista. "Propaganda difamatória e ofensas pessoais não vão desviar a nossa atenção. Vamos dar continuidade. Já enfrentei outras organizações criminosas tão ou mais importantes que essa."
 
O rombo, calcula o promotor, supera R$ 100 milhões. Ele está convencido de que parte desse montante financiou campanhas eleitorais do PT.
 
Blat ganhou reforço significativo da instituição. Ele estava praticamente isolado na apuração, mas a partir de hoje as operações da Bancoop serão alvo também de inquérito civil da Promotoria do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público com larga especialização em ações contra corrupção e improbidade.
 
O promotor requereu remessa do inquérito à Seccional Centro de Polícia para que o ex-presidente da Bancoop seja intimado. "Ele (Vaccari) terá oportunidade de se explicar, é exercício sagrado da defesa", observou Blat. "Poderá dar sua versão, se quiser. Depois vamos individualizar as condutas e apresentar denúncia criminal."
 
Ressaltou também que o requerimento de quebra de sigilo de Vaccari complementa o inquérito. "Não seria adequado que outros ex-dirigentes da Bancoop tivessem afastado seu sigilo e ele ficasse de fora."
 
Blat planeja denunciar Ana Maria Érnica e Tomás Edson Botelho Fraga, que integravam a cúpula da cooperativa. A devassa se estende ao período anterior à gestão Vaccari ? seu antecessor, Luiz Eduardo Malheiro, morreu em acidente de carro em 2004. "Os golpes mais incidentes aconteceram entre 2002 e 2006", afirmou. "Vaccari e Ana participaram diretamente na administração financeira fraudulenta da Bancoop."
 
O promotor disse que "não está investigando membros ou líderes do PT", porque não é sua atribuição. Por isso encaminhou à Procuradoria Eleitoral documentos que revelam elo da Bancoop com o PT ? doações da Germany Comercial e Empreiteira, que pertencia a dirigentes da própria cooperativa.
 
Ele declarou que um ponto da investigação é referente a uma cláusula de confidencialidade que trata de empréstimos que somam R$ 10,5 milhões que o Sindicato dos Bancários teria concedido à Bancoop. "Esses repasses não estão lançados nos balanços", destacou o promotor. "Causa estranheza porque o sindicato é criador da Bancoop. A cláusula impede que os cooperados tenham acesso a tais dados."
 
"A manifestação do promotor só revela que, embora venha fazendo acusações graves desde 2008, até agora não tomou medida judicial", reage o criminalista Pedro Dallari, que defende a cooperativa. "Evidencia a virulência do promotor. É claro o desvio de conduta. Se o promotor entende que há crimes deve propor ações penais. Mas está inerte, apenas assume posições perante a imprensa que não adota com ação efetiva." 
 
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Segurança relata escolta para saques da Bancoop
 
E conta que depois Vaccari, hoje tesoureiro do PT, se reunia com presidente da cooperativa
 
Leila Suwwan, em O Globo
 
Testemunha-chave na investigação do caso Bancoop, o chefe de segurança da Cooperativa Habitacional dos Bancários até 2004, Andy Roberto Gurczynska, afirma ter realizado a escolta de funcionários da entidade na realização dos saques em dinheiro — operação que teria sido utilizada para desviar somas milionárias dos empreendimentos imobiliários, parte deles supostamente para campanhas do PT.
 
Segundo ele, o ex-presidente da Bancoop Luiz Malheiro, morto em acidente de carro em 2004, realizava encontros após os saques com João Vaccari Neto, então presidente do Sindicato dos Bancários e hoje tesoureiro nacional do PT.
 
Gurczynska afirma, porém, que não presenciou a suposta entrega de "envelopes" de dinheiro. Vaccari nega as acusações e sustenta que as transações investigadas pelo Ministério Público de São Paulo não eram saques e sim transferências interbancárias.
 
Em entrevista ao GLOBO na noite de anteontem, Gurczynska revelou que o controle de caixa do suposto esquema de desvio de recursos da Bancoop era acompanhado pela secretária particular de Luiz Malheiro, Helena Lage.
 
Era ela quem programava os saques, enviava os funcionários e encomendava a escolta de seguranças. Depois, contou ele, Helena recebia os recursos na sede da Bancoop.
 
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Marisa Serrano quer atenção para Plano Nacional de Educação
Agência Senado
 
A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) pediu aos parlamentares que, na elaboração do novo Plano Nacional da Educação, prevista para o ano que vem, sejam eleitas, entre as milhares de propostas já apresentadas, as verdadeiras prioridades para o setor. Ela relatou que o primeiro plano, elaborado em 2001, atingiu até agora apenas 33% das metas previstas.
 
- É um índice muito baixo para quem sonhou com uma educação de maior qualidade, mais inclusiva, que desse ao povo brasileiro as condições de realmente ter as oportunidades que merece - afirmou a parlamentar, em pronunciamento nesta quarta-feira (10).
 
Entre as metas não cumpridas está a matrícula de crianças até 3 anos. A senadora informou que houve um aumento significativo, de 9% para 18%, mas ainda muito aquém do almejado, já que a Constituição prevê que o oferecimento de creche e pré-escola para a população é obrigação do estado.
 
O país também não conseguiu diminuir em 5% ao ano a evasão no ensino médio. Outra meta não atingida foi a erradicação do analfabetismo. Há no país 19 milhões de analfabetos e outros 21 milhões de analfabetos funcionais, que conseguem apenas escrever o nome ou um pequeno bilhete.
 
- São 40 milhões de brasileiros que não conseguem entender os requisitos do mundo moderno - afirmou.
 
A senadora disse ainda que o primeiro plano previa que 30% dos jovens brasileiros estivessem hoje no curso superior, mas este índice está em 14%, ou 26 milhões de pessoas. Para ela, o importante é colocar no próximo plano "propostas que consigamos alcançar", e aumentar o orçamento para a educação.
 
- Terminamos o governo Fernando Henrique Cardoso com 4,8% do orçamento para a educação e estamos hoje em 5%. Subimos muito pouco em dez anos - afirmou Marisa Serrano.
 
A senadora, que é professora, defendeu também melhor capacitação, formação e salários para a categoria.
 
- Hoje ninguém quer ser professor - lamentou.
 
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Escola localizada num dos setores mais afastados de Samambaia destaca-se pelo número de assaltos e agressões 

Estudantes, funcionários e familiares vivem apreensivos
 
Flávia Maia, especial para o Correio Brasiliense
 
Uma escola aonde nem a regional responsável — a de Samambaia — sabe explicar como se chega, cujo endereço no site da Secretaria de Educação do Distrito Federal é impreciso e mais atrapalha que ajuda, parece ser o símbolo do descaso dos órgãos públicos. Essa é a realidade do Centro de Ensino Fundamental Myriam Ervilha, que tem 2 mil alunos. Abandonada pela Secretaria de Educação e pelo Batalhão Escolar, a escola localizada entre Samambaia e Santo Antônio do Descoberto (GO), no Setor Habitacional Água Quente (1), enfrenta sérios problemas de infraestrutura e segurança.
 
Além de uma água de mina misturada com fossa que molha o colégio todos os dias, o Myriam Ervilha tem sido alvo constante de assaltos à mão armada. Com facas e armas de fogo, menores vêm amedrontando pais, alunos, professores e servidores da escola. Na segunda-feira, chegaram ao ponto de levar o laptop do professor de educação física enquanto ele dava aula. “Aqui é o caos e a viatura só chega depois que tudo já acabou”, queixa-se a também professora de educação física Sofia Germana Cardoso.
 
O centro de ensino ainda não tem muros e a quadra fica do lado de fora, o que facilita a ação dos assaltantes. Tênis e celulares são os principais alvos e os furtos ocorrem principalmente de manhã, porque esse é o horário do ensino médio e muitos alunos já usam celulares. “De tarde, a maioria é criança e os pais ainda não dão celular”, explica Germana.
 
Além de assaltar, os infratores costumam agredir os alunos da escola. “Os caras vêm na covardia, dois, três, batendo nos meninos do colégio”, conta o moveleiro Valdemar Ferreira da Silva, 24 anos. Dessa forma, o medo impera, tanto que já foram solicitadas várias transferências de alunos. Brenda Lopes, 13 anos, da 6ª série, quer ser a próxima dessa lista. “Já pedi para a minha mãe me tirar daqui e ela vai me transferir porque está muito perigoso, tem aluno até com arma na sala de aula e a polícia parece que não vê”, desabafa.
 
Drogas
Segundo o diretor, que prefere não ter o nome identificado e conversou com a reportagem atrás de uma grossa grade, na secretaria da escola, os assaltantes não são alunos, mas ex-alunos. A identidade dos infratores não é segredo para ninguém das redondezas. “Todo mundo sabe quem é”, diz Terezinha Maria de Araújo, 59 anos, aposentada. A mineira conta que fechou o comércio de balinhas e sorvetes por medo dos assaltos e cobriu a garagem da casa porque as invasões eram constantes. Além disso, ela relata que as drogas estão cada dia mais frequentes na área: “Eu já peguei várias vezes pitoco de maconha aqui na porta de casa”. A aposentada aponta ainda, atrás da quadra de esportes da escola, uma chácara abandonada que seria o ponto de encontro dos assaltantes. “Estamos sem segurança, estamos com medo desses pivetes.”
 
Os vizinhos da escola reclamam que o problema só ocorre durante o período letivo e, que o Batalhão Escolar que vigiava a escola não fica mais no local. Por isso, Rose dos Santos, 30 anos, funcionária da Secretaria de Assistência Social de Santo Antônio, fica apreensiva com a segurança de seus filhos enquanto está no trabalho. “Todo mundo conhece os elementos, não adianta dar queixa”, reclama. Jacira Soares, 39, mãe de quatro alunos do colégio, também está preocupada. “A polícia prende e bate, e quando eles voltam, falam que a lição dos policiais foi massagem”, revela.
 
Policiamento
A 32ª DP, responsável pelo atendimento da região, não tem informações de quantas ocorrências sobre o caso já chegaram ao local, porque elas não ficam registradas por região. Porém, os próprios moradores admitem que não procuram a polícia porque não adianta e que, para chegar até a delegacia, gasta-se R$ 12 de ônibus.
 
Na tarde de ontem, a Regional de Educação de Samambaia recebeu o conselho da escola e prometeu a volta do policiamento. “O batalhão vai voltar para a porta da escola nos horários de maior incidência de assaltos”, promete Castorino Alves, assistente da direção da regional.
 
Quanto à construção do muro, a Secretaria de Educação informou que a obra ainda está sendo licitada e não há previsões de início dos trabalhos. A secretaria disse também que a escola deve receber, este ano, R$ 195.724 em três parcelas pelo Programa de Descentralização Administrativa e Financeira — mas não há previsão de depósito dessa verba. Uma vez com esse dinheiro em mãos, a escola tem outra etapa a cumprir: obter autorização para construir o muro, já que o programa proíbe construções e só prevê pequenos reparos e compra de material.
 
1 - Sem regularização
O Setor Habitacional Água Quente surgiu a partir do parcelamento da antiga Fazenda Tição, há cerca de 15 anos. Foi criado em 2002, durante o governo de Joaquim Roriz. Somente em dezembro do ano passado é que a área ganhou status de zona urbana de baixa renda no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) do DF. Apesar disso, os oito condomínios que compõem o setor ainda não estão regularizados. O Água Quente faz divisa com Santo Antônio do Descoberto (GO) e vai do trevo da BR-060 à ponte que dá acesso ao município, passando pela DF-280. 
 
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Bônus integral será de 2,4 salários neste ano
do Agora 
 
O cálculo do bônus da Educação deste ano será feito com o índice de 20% sobre o salário do servidor, segundo decreto publicado no "Diário Oficial" do Estado de ontem. Assim, o bônus integral será de 2,4 salários, como no ano passado. 
 
O valor que cada servidor da ativa receberá dependerá do cumprimento das metas do Idesp (índice da educação) pela escola e do número de faltas em 2009. As regras para essa distribuição terão de sair em uma resolução. O pagamento sairá no dia 25, de acordo com o secretário da Educação, Paulo Renato Souza. 
 
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Exame do Enem deve acontecer em outubro por causa de eleição
Do Terra Educação
 
O Ministério da Educação (MEC) acredita que a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010 deve acontecer no final do mês de outubro, devido ao período de eleição que ocorre na mesma época. 
 
A data do exame ainda está sendo discutida com os reitores de instituições federais e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). No ano passado o exame foi realizado no mês de outubro, no entanto, neste ano haverá o processo eleitoral.
 
Enem só deverá ter uma edição este ano
 
O Ministro da Educação, Fernando Haddad, descartou nesta quarta-feira, em São Paulo, a realização de duas provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2010. Desde que foi criado, em 1998, o Enem é realizado uma vez ao ano, sempre no segundo semestre, mas o ministério havia cogitado aplicar duas avaliações. 
 
 
De acordo com o MEC, a ideia de realizar dois exames foi frustrada pelo atraso nas negociações com órgãos de controle federal. O ministro Fernando Haddad não quer correr o risco de fazer uma licitação na qual os concorrentes abaixem o preço e comprometam a segurança, como aconteceu o ano passado.
 
O ministro adiantou também que dependendo da demanda das Universidades Federais poderá utilizar o Sisu para vagas do meio do ano. Quem não conseguir uma vaga no processo que está em curso terá outra chance em maio.
 
Durante entrevista coletiva de lançamento das Olimpíadas da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro que aconteceu na última terça-feira, 2 de março, Haddad anunciou que o Enem passará por mudanças. O ministro não quis adiantar quais serão as mudanças, mas prometeu novidades.
 
"Temos que dar tempo ao tempo. Trata-se de um processo seletivo único que, por isso mesmo, será diferenciado. Se nós formos escutar a todos, não conseguiremos avançar", afirmou o ministro.
 
A expectativa sobre o anúncio das novas medidas em relação ao exame, que passou a ser o grande referencial para o ingresso no ensino superior brasileiro, é grande. Principalmente porque - depois do vazamento das provas ocorrido na véspera da realização do Enem em 2009 - muitos alunos desistiram de fazer a segunda prova optando por outros exames. Com isso, foi gerado um índice alto de abstenção e de vagas ociosas nas universidades.
 
"Ainda não há uma análise cuidadosa do MEC sobre os fatores que geraram esses problemas. Talvez seja necessário um aprimoramento do sistema de cadastro dos alunos. Muitos se queixaram da demora na definição do sistema de classificação", explicou a professora da Unicamp Maria Helena Guimarães Castro, ex-presidente do Inep e ex-Secretária de Educação do Estado de São Paulo.
 
 
 

 

Começa audiência pública para debater o Enem
 
Começou há pouco audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte para debater o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O objetivo é analisar a importância desse exame no contexto das políticas de avaliação da qualidade da educação brasileira. 
Da Agência Senado
 
A senadora, que é autora do requerimento de realização da audiência, explicou na reunião anterior da comissão que a audiência "será também uma oportunidade para avaliar problemas ocorridos com o Enem no ano passado e buscar soluções". Um dos problemas foi o vazamento das provas, que ocasionou o adiamento do exame.
 
Um dos participantes da audiência é Joaquim José Soares Neto, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pela realização do Enem. Os outros convidados são Yann Evanovick presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Antônio Lisboa Leitão de Souza, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes); e Edward Madureira Brasil, reitor da Universidade Federal de Goiás. 
 
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Contradições
 
Merval Pereira, em O Globo
 
O prestígio internacional do presidente Lula está abalado depois de sua absurda mudez diante da morte do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo em uma prisão, após 85 dias de greve de fome, e de sua aproximação com a ditadura teocrática de Mahmhoud Ahmadinejad, no Irã.
 
O jornal espanhol "El País", hoje o mais influente da Europa, que havia lhe dado o título de "homem do ano", retirou simbolicamente seu apoio com uma crítica em editorial, afirmando que o governo brasileiro poderia exercer mais pressão sobre o regime cubano, em especial na área de defesa de direitos humanos.
 
Antes disso, já havia publicado um artigo do editor da respeitada revista de assuntos internacionais "Foreign Policy", Moisés Naim, que colocou Lula como um dos cinco grandes hipócritas de 2009. Os outros quatro hipócritas, segundo Naim, seriam:
 
* Os banqueiros, que sempre desdenharam o Estado e acreditavam no mercado e que, apesar de terem sido salvos pelo Estado na recente crise internacional, não aprenderam a lição;
 
* O ex-primeiro-ministro inglês Tony Blair, que declarou ter "profunda repulsa" por ditadores para justificar a necessidade de tirar Sadam Hussein do poder, mesmo que não tivesse armas de destruição em massa, mas, poucos dias depois, foi ao Azerbaijão para dar uma palestra na empresa do empresário mais rico do país, e se reuniu com o ditador Ilham Aliyev, amigo de seu anfitrião;
 
* "Os galãs" do Partido Republicano americano, que acusaram Bill Clinton de conduta inaceitável no affair Monica Lewinski, e agora aparecem envolvidos em escândalos sexuais, como o governador da Carolina do Sul, Mark Sanford, ou o senador John Ensign;
 
* E os magistrados britânicos que deram ordem de prisão à ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, acusada de crimes de guerra nos conflitos entre o Hamas e Israel na Faixa de Gaza, mas não acusaram Obama, Bush e Blair, por exemplo, pelos milhares de mortos no Iraque e Afeganistão.
 
Lula entrou na lista por não criticar as condutas autoritárias de seu amigo Hugo Chávez, e criticar as eleições democráticas ocorridas em Honduras, enquanto defende a eleição fraudada de Mahmoud Ahmadinejad no Irã.
 
A leniência de Lula com a ditadura de Cuba, explicitada pela amistosa visita a Fidel no mesmo dia da morte de Zapata, reforça certamente a lista de justificativas.
 
Ontem, a agência de notícias Associated Press (AP) divulgou uma entrevista com Lula em que ele volta a falar sobre a prisão de dissidentes cubanos. O presidente brasileiro trata Cuba como se não fosse uma ditadura, e faz comparações absurdas com o sistema judiciário brasileiro:
 
- Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de prender as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem a do Brasil.
 
Ou então: "Eu gostaria que não ocorresse (prisão de presos políticos), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os prendeu, como não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil".
 
O mais grave, porém, é que Lula tratou como bandidos os presos políticos cubanos, e mais uma vez culpou o morto: "Eu acho que greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto dos direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade".
 
Esses comentários do presidente Lula são preocupantes porque denotam que ele faz uma confusão terrível entre regimes democráticos e ditaduras, tratando-os igualmente.
 
É uma confusão mais grave do que a que faz entre o público e o privado. Recentemente, para justificar as inspeções que finge fazer em obras do PAC, mal acobertando a antecipação da campanha eleitoral, disse que só com "o olho do dono" as coisas andam.
 
Essa confusão conceitual de Lula pode ser definida pelo princípio da contradição de Aristóteles. Com duas proposições contrárias, se uma é verdadeira a outra é falsa.
 
Se Lula se diz um democrata, não pode aceitar a ditadura cubana. Se aceita, não é democrata.
 
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Justiça dá decisão contra cota na UFG
Pedro Ivo Ximenes ficou em 107º lugar e argumentou que se programa ufg inclui não existisse estaria aprovado para medicina
Adriano Marquez Leite, em O Popular
 
Em meio às discussões no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade dos programas de cotas sociais e raciais em universidades públicas, foi concedida ontem liminar para que fosse matriculado na Universidade Federal de Goiás (UFG) um estudante que concorreu pelo sistema universal e teria sido classificado caso o programa não tivesse sido implantado. A universidade já informou que vai recorrer da decisão.
 
O aluno beneficiado pelo parecer judicial foi Pedro Ivo Ximenes, de 18 anos, que ficou classificado na 107ª colocação para o curso de medicina. Hoje, a graduação oferece 110 vagas, sendo que 88 são disputadas por alunos em ampla concorrência e 22 são destinadas aos que se enquadram no sistema de cotas sociais e raciais. Ou seja, no entendimento do rapaz, se não houvesse o programa, ele estaria entre os selecionados. De acordo com a UFG, outros quatro alunos entraram com ações na Justiça requerendo a matrícula, em situação igual a de Pedro Ivo. Os pedidos, contudo, foram negados. Assinantes, aqui
 
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Enem 2010 terá prova de língua estrangeira 
MEC não sabe informar ainda o número de questões das provas
RBS
 
O Ministério da Educação (MEC) divulgou a primeira novidade para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) edição 2010. Trata-se da prova de língua estrangeira, que não houve em 2009. A partir de agora, os candidatos poderão escolher entre três opções no momento da inscrição: inglês, espanhol e francês. O MEC não sabe informar ainda o número de questões das provas.
 
Além dessa novidade, está assegurado o método de Teoria de Resposta ao Item (TRI), um sistema no qual se sabe o perfil de quem acerta com maior probabilidade as mais fáceis, as intermediárias e as difíceis.
 
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Brasil ajudará a recuperar a educação superior no Haiti
Do Terra Educação
 
Depois do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas, em janeiro, o Haiti começa a fase de reconstrução, com ajuda brasileira. Em fevereiro, foi firmado pelos governos do Brasil e do país centro-americano, em Porto Príncipe, memorando de cooperação para a reconstrução e o fortalecimento do sistema de educação superior haitiano. 
 
O documento deixa claro que a educação é um direito fundamental e que a universalização do ensino superior é uma das bases para impulsionar o desenvolvimento. Está prevista a cooperação acadêmica nas modalidades de graduação, graduação-sanduíche - parte do curso é concluída em outro país por meio de convênios entre instituições de educação superior -, pós-graduação plena e pós-graduação-sanduíche.
 
Ainda de acordo com o memorando, haverá oferta de bolsas de mestrado e doutorado do programa PEC-PG para estudantes haitianos no Brasil e cursos de português em universidades brasileiras, com a concessão de recursos de custeio. Também serão estabelecidos programas acadêmicos de curta duração para que professores e pesquisadores brasileiros possam ministrar cursos e seminários no Haiti.
 
De acordo com o memorando, a execução da parte brasileira do acordo caberá à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), à Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação e ao Ministério das Relações Exteriores. 
 
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“Não faz sentido reprovar crianças”
Do Zero Hora
 
O plano do Ministério da Educação de transformar os três primeiros anos da Educação Básica em um ciclo sem reprovação foi revelado ontem por Edna Martins Borges, coordenadora-geral de Ensino Fundamental do Ministério da Educação. Confira trechos da entrevista, concedida por telefone:
 
Zero Hora – Como o Ministério da Educação avalia a reprovação de crianças de seis anos no primeiro ano do novo Ensino Médio, revelada pelo Censo Escolar?
 
Edna Martins Borges – O Ministério da Educação vê essa reprovação com muita preocupação. A ampliação do Ensino Fundamental para nove anos ocorreu com o objetivo de ampliar o tempo do aluno na escola. A mudança no Fundamental ocorreu exatamente para contemplar os ritmos diferenciados. Não tem o menor sentido reprovar crianças que ainda não conseguiram se alfabetizar aos seis anos.
 
ZH – Qual será a orientação do ministério a esse respeito?
 
Edna – A recomendação será de que os três primeiros anos sejam considerados como um ciclo de infância, um ciclo alfabetização, que seja contínuo e que não tenha reprovação.
 
ZH – Com a eliminação da reprovação, não se correria o risco de fazer avançarem crianças que não aprenderam?
 
Edna – A gente quer construir trajetórias de sucesso escolar, mas com aprendizagem. As escolas terão de identificar as crianças com dificuldade de aprendizagem e traçar estratégias pedagógicas para recuperá-las.
 
ZH – Em que consiste o prejuízo para uma criança que é reprovada aos seis ou sete anos?
 
Edna – Ser reprovado é uma decepção para a criança e pode favorecer o abandono escolar. Se analisarmos os resultados da Prova Brasil, veremos que os alunos que estão defasados em relação a sua idade apresentam desempenho pior.
 
ZH – O fato de 74 mil crianças de seis anos terem sido reprovadas em 2008 foi um erro de interpretação das redes de ensino?
 
Edna – Quando questionamos alguns municípios sobre a razão de terem reprovado tantos alunos, respondem que foi por infrequência. Mas quando perguntamos que atitude foi tomada para evitar a infrequência, vemos que não houve nenhuma. O controle de frequência é, por lei, uma obrigação da escola. Só se justifica reprovar por infrequência se todas as medidas possíveis foram tomadas. É em último caso.
 
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Justiça em São Paulo anula concurso para professor da USP
Vaga era de professor doutor do Museu de Zoologia.
Orientador de doutorado da vencedora estava na banca.
 
Da Agência Estado 
 
A Justiça anulou o concurso público da Universidade de São Paulo (USP) para preencher uma vaga de professor doutor do Museu de Zoologia, aberta em 2007. O problema, no entendimento do juiz Rômolo Russo Júnior, da 5ª Vara de Fazenda Pública, foi um vício na composição da banca examinadora, que contava com o orientador de doutorado da candidata que venceu a seleção. A USP informou na terça-feira (9) que seu departamento jurídico prepara um recurso. 
 
Pela decisão judicial, a universidade fica obrigada a convocar nova seleção. O concurso foi realizado em dezembro de 2007 e a aprovada, Maria Isabel Pinto Ferreira Landim, atua no Museu de Zoologia desde 2008. Ela foi orientada em seu doutorado pelo professor Mario Cesar Cardoso de Pinna, presidente da comissão julgadora do concurso, que contou com cinco membros. 
 
Segundo o advogado José Jerônimo Nogueira de Lima, responsável por entrar com o mandado de segurança contra a USP em nome de Elizabeth Zolcsak, a sentença é rara porque poucos acionam a universidade judicialmente. "A prática de colocar orientadores na banca de concursos é comum na USP, mas as pessoas não entram na Justiça com temor de retaliação", afirmou o advogado.
 
Nos concursos públicos da universidade, as comissões julgadoras têm a palavra final na seleção. O juiz Russo Júnior também não presume que houve "má-fé" do presidente da comissão julgadora, mas diz que a relação de orientador de uma candidata lhe retira a imparcialidade necessária para a seleção. A reportagem não conseguiu localizar o professor Pinna nem Maria Isabel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 
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Preço acessível e segurança atraem cariocas para intercâmbio no Canadá
Procura para estudar no país é maior do que nos EUA, diz agência.
Pacotes de intercâmbio custam a partir de R$ 3,7 mil.
 
Tássia Thum, do G1, no Rio 
 
Foi-se o tempo que os Estados Unidos era o destino preferido dos cariocas para estudar inglês. Em busca de melhores preços, recepção amigável a estrangeiros e locais onde a violência é quase inexistente, muitos jovens do Rio estão optando por intercâmbio no Canadá.
 
As agências especializadas afirmam que os pacotes para o país ultrapassaram em mais de 10% as vendas para os Estados Unidos. 
 
Segundo as agências, o número de brasileiros viajando para fazer cursos de idiomas no exterior aumenta a cada ano. Nesta semana, o Rio recebe duas feiras voltadas para o setor. Na quarta-feira (10), começa a Expo Estude no Exterior, no Hotel JW Marriot, e, na sexta (12), o Salão do Estudante, no Hotel Sofitel. Os dois eventos são em Copacabana, na Zona Sul da cidade. Estão programadas palestras com membros de vários consulados e dicas para estudar no exterior. 
 
Facilidade para obter o visto 
 
A supervisora regional da agência Central do Intercâmbio, Maria José Paiva, explica que a procura para estudar em outros países aumentou por causa da facilidade no processo de visto e pelos preços dos programas de estudo e emprego.
 
“Muitas pessoas procuram o Canadá pela receptividade maior do povo local, além da qualidade de vida do país”, observou Maria José.
 
Gabrielle Barbosa, diretora da agência World Study, lembra que muitos estudantes procuram viagens para o Canadá por não ser obrigatória a entrevista para a concessão do visto.
 
“Muita gente acredita que é mais fácil conseguir o visto para o Canadá porque não precisa de entrevista. Não é bem assim, é importante ressaltar que o candidato a um programa de intercâmbio deve apresentar toda a documentação necessária e exigida pelo consulado para a obtenção do visto”, conclui Gabrielle. 
 
Estudantes reclamam de latinos nos EUA 
 
Veterana em intercâmbios, a carioca Priscila Gurgel já viajou seis vezes para estudar e trabalhar em outros países. Depois de ficar alguns meses nos Estados Unidos, Priscila optou por estudar inglês em Vancouver, no Canadá.
 
“Fui embora dos Estados Unidos porque lá falei mais espanhol do que inglês. Os latinos estão por todos os cantos, então busquei um outro país para praticar o idioma”, conta Priscila.
 
A estudante de administração Bruna Viana, de 21 anos, passou um mês estudando em Toronto, também no Canadá. A jovem aprovou a experiência e ressaltou a hospitalidade dos habitantes da cidade.
 
“Diferentemente dos americanos, o povo do Canadá é muito receptivo e foi isso que me atraiu a escolher o país para estudar. Pedia informações na rua sobre locais para visitar e às vezes as pessoas me levavam até o lugar. Já em Nova Iorque isso nunca acontece. As pessoas em Nova Iorque estão sempre com pressa e parecem não gostar de dar muitas informações”, contou a estudante, que pagou cerca de R$ 6 mil pela viagem.
 
Pacotes a partir de R$ 3,7 mil 
 
Os jovens que pretendem fazer intercâmbio devem procurar agências especializadas nas viagens e desembolsarem cerca de R$ 3,7 mil, além da passagem aérea. É desejável ter noções básicas do idioma. Em alguns programas voltados para trabalhos, estágios e pós-graduação, os candidatos precisam passar por avaliações de conhecimento do idioma.
 
Onde encontrar 
 
World Study - www.worldstudy.com 
 
CI Central do Intercâmbio - www.ci.com.br 
 
Ie Intercâmbio - www.ieintercambio.com.br 
 
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Olimpíada do Conhecimento começa hoje e terá 562 competidores, no Rio
JB Online
 
RIO DE JANEIRO - Quinhentos e sessenta e dois estudantes de cursos técnicos e de aprendizagem profissional de todo o país participarão da Olimpíada do Conhecimento 2010. Organizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), a competição é apontada como uma das maiores do gênero no mundo por entidades como a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O evento é uma mostra das habilidades pessoais e dos conhecimentos técnicos exigidos pelo mercado de trabalho em 41 ocupações da indústria e cinco dos setores de comércio e serviços. Este ano, será realizado de 9 a 14 de março, no Rio de Janeiro.
 
Nos quatro dias de provas, os competidores precisam interpretar e resolver situações semelhantes às que enfrentariam no ambiente real de trabalho. Todos são avaliados em diferentes quesitos e vencem o torneio os alunos que conseguem as melhores notas. “As provas têm como base as informações que o mercado quer, com as atualizações tecnológicas que estão chegando às empresas”, afirma o gerente de Olimpíadas e Concursos do SENAI, José Luis Gonçalves Leitão. 
 
Segundo ele, o desempenho dos alunos na competição forma um conjunto de indicadores que ajuda o SENAI a avaliar a qualidade da educação profissional. Esses indicadores, que apontam tendências tecnológicas e mudanças nos perfis profissionais, também orientam a atualização dos currículos nas escolas na instituição. Com isso, o SENAI mantém seus cursos sintonizados com as necessidades das empresas. 
 
Os competidores são selecionados em torneios semelhantes que ocorrem nos estados. Para participar do torneio os estudantes, com menos de 21 anos de idade, devem ter, no mínimo, 400 horas em cursos de aprendizagem ou qualificação industrial, ou formação técnica de nível médio na área. “São jovens vencedores, com potencial para enfrentar os desafios do mercado de trabalho”, diz Leitão. 
 
Os vencedores da Olimpíada do Rio de Janeiro concorrerão às vagas do WorldSkills, a maior competição de educação profissional do mundo, que ocorrerá em 2011, em Londres. No ano passado, a equipe de 24 alunos do SENAI ficou em terceiro lugar no torneio realizado em Calgary, no Canadá. Eles competiram com 847 alunos de 51 países e, no ranking de medalhas, só ficaram atrás de Coreia do Sul e a Irlanda.. Ao todo, conquistaram quatro medalhas de ouro, quatro de prata, duas de bronze e cinco diplomas de excelência em ocupações como tecnologia da informação, eletrônica, design gráfico, entre outras.
 
TORNEIO DAS AMÉRICAS – Além da Olimpíada do Conhecimento, o SENAI realizará neste ano a primeira edição do WorldSkills Américas, que reunirá estudantes de cursos de formação profissional de 12 países americanos, entre os quais estão Estados Unidos, Chile, Argentina e Peru. A competição ocorrerá paralelamente à Olimpíada do Conhecimento, no Riocentro, entre os dias 9 e 14 de março. Realizado nos moldes dos torneios da Europa e da Ásia, o WorldSkills Americas segue os rigorosos padrões internacionais do WorldSkills Competition, a entidade que promove o maior torneio mundial do gênero.
 
Nessa primeira edição, os competidores brasileiros participantes da Olimpíada do Conhecimento terão suas notas comparada com as obtidas por estudantes de outros países do WorldSkills Americas para que a comissão determine os vencedores das medalhas de ouro, prata e bronze.
 
Essa é a sexta edição da Olimpíada do Conhecimento. A competição, iniciada em 2001 e que no ano seguinte passou a ser bienal, resultou da ampliação dos torneios de educação profissional que eram realizados desde 1979 em alguns estados, como Rio e São Paulo. Na primeira Olimpíada, realizada em Brasília, 101 estudantes do SENAI competiram em 26 ocupações profissionais. 
 
Ao longo dos anos, o torneio foi crescendo e, em 2008, com a adesão do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), passou a incorporar ocupações da área de comércio e serviços. Neste ano, 63 competidores representarão o SENAC na Olimpíada do Conhecimento. Eles competirão nas ocupações cabeleireiro, cozinha, serviços de restaurante, técnico de enfermagem e maquiagem. A expectativa é que a Olimpíada de 2010 atraia cerca de 230 mil visitantes. 
 
SERVIÇO:
 
Evento: Olimpíada do Conhecimento 2010
 
Data: de 10 a 13 de março de 2010
 
Onde: Riocentro, Rio de Janeiro
 
Mais informações no site: http://www.olimpiadasenai.com.br/
 
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Dilma infla dados e Petrobras é obrigada a dar explicações
O Globo
 
Ministra anunciou investimento de R$ 85 bi, mas estatal diz que serão R$ 79,45 bi
 
Na terceira "inauguração" de obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), anteontem, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse que a Petrobras deverá investir R$ 85 bilhões este ano, o que obrigou a estatal a divulgar nota corrigindo a informação. Dirigida ao mercado financeiro e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a nota diz que os investimentos previstos hoje são de R$ 79,45 bilhões. Mas o mercado espera que eles serão aumentados ainda neste mês. Dilma, que é ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, não comentou o caso ontem. Como a estatal é uma companhia de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de São Paulo e em Nova York, toda informação nova precisa seguir ritos especiais para ser divulgada, já que um dado tornado público, de forma pouco transparente ou a um grupo restrito, pode deixar alguns investidores com informações privilegiadas. Dilma e a Petrobras podem ser investigadas pela CVM, mas o órgão não confirmou se isso ocorrerá. 
 
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Lula compara preso político de Cuba aos bandidos de SP
Folha de São Paulo
 
Presidente critica greve de fome; para dissidente, ele é 'cúmplice da tirania' 
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu respeito às decisões do governo de Cuba e condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento para que eles sejam soltos, comparando-os a criminosos comuns durante entrevista à agência Associated Press.
 
"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos. A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade", afirmou.
 
Em 23 de fevereiro, um dia antes de Lula visitar Cuba e se reunir com os irmãos Fidel e Raúl Castro, o preso político Orlando Zapata Tamayo morreu depois de 85 dias sem comer. Desde então, aumentaram as críticas ao regime cubano e à sua política de direitos humanos. 
 
O dissidente Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias pela libertação de 26 presos, disse em entrevista a Flávia Marreiro que Lula é "cúmplice da tirania dos Castro": "A maioria do povo cubano se sente traído por um presidente que um dia foi preso político".
 
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Lula defende regime cubano e compara dissidente a criminoso
O Estado de São Paulo
 
Presidente diz que opositores de Cuba foram presos de acordo com a lei da ilha 
 
O presidente Lula disse ontem, sobre os presos políticos cubanos, que é preciso “respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de prender as pessoas em função da lei de Cuba". A declaração foi feita no dia em que dissidentes pediram a Lula que intercedesse pela libertação de 20 presos políticos. Por causa deles, um jornalista está em greve de fome. O presidente comparou os presos de consciência a criminosos comuns: "Greve de fome não pode ser usada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação". Em fevereiro, Lula silenciou a respeito da morte de um dissidente cubano em greve de Fome. 
 
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Lula faz defesa de Justiça cubana e compara preso político a criminoso
Presidente brasileiro rejeita recurso da greve de fome no mesmo dia em que dissidentes apelam por mediação
 
AP e Afp, no Estadão
CUIDADOS - Médico mede pressão de Fariñas, em greve de fome desde o dia 24: pedido de intervenção
 
BRASÍLIA
 
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu ontem respeito às determinações da Justiça cubana nos casos relacionados à detenção de opositores e comparou os presos políticos da ilha a criminosos comuns. As declarações foram feitas no dia em que um grupo de dissidentes do regime comunista pediu a Lula que interceda pela libertação de 20 presos políticos. Entre os dissidentes que fizeram o apelo está o jornalista Guillermo Fariñas, há 13 dias em greve de fome para chamar atenção para o problema (mais informações nesta página).
 
"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de prender as pessoas em função da lei de Cuba, assim como quero que respeitem o Brasil", disse Lula em entrevista à agência de notícias Associated Press. 
 
"Gostaria que não houvesse (a detenção de presos políticos), mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil", acrescentou. 
 
O presidente brasileiro também contestou o método usado por dissidentes cubanos para pressionar o governo: parar de se alimentar. Em fevereiro, o preso político cubano Orlando Zapata Tamayo morreu após passar 85 dias em greve de fome. A morte do preso político - a primeira na ilha em 40 anos - coincidiu com a chegada de Lula a Havana, mas o brasileiro silenciou sobre o episódio. 
 
"Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas", afirmou o líder brasileiro. "Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação." Lula lembrou que, quando era líder sindical, fez greve de fome contra a ditadura militar (1964-1985), mas classificou a prática como "insanidade". 
 
Para o cientista político José Augusto Guilhon de Albuquerque, da USP, o apoio de Lula ao sistema judiciário cubano é incoerente com medidas tomadas por seu governo recentemente. "Lula diz que não se pode contestar as decisões da Justiça cubana, mas seu governo não se importou em contestar a Justiça da Itália, se opondo à extradição de Cesare Battisti. E se opôs à decisão da Justiça hondurenha sobre o afastamento de Manuel Zelaya", afirmou Guilhon ao Estado. Ele diz que também não faz sentido o presidente comparar presos políticos com criminosos comuns: "Lula, como ex-preso político, sabe muito bem a diferença." 
 
Em 2003, Cuba prendeu 75 dissidentes, entre jornalistas e membros de ONGs. Na época, as prisões causaram comoção internacional. Desde então, alguns presos políticos que estavam mal de saúde foram soltos, mas só deste grupo mais de 50 ainda estão nos insalubres centros de detenção da ilha.
 
 
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Lula tenta explicar o inexplicável com o inadmissível
Blog do Josias de Sousa, Folha Online
 
Se o bom senso tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: “Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias”.
 
Lula, exausto da própria inteligência, assassinou o bom senso em fatídica viagem a Cuba. 
 
Na ilha de Fidel, lamentou que um preso “se deixe morrer de greve de fome”.
 
Desde então, num esforço inútil para esconder o caixão, o presidente despeja sobre o bom senso sucessivas camadas de “explicações”.
 
Nesta terça (9), em entrevista à Associated Press, Lula levou à sepultura do bom senso mais uma pá de “esclarecimentos”.
 
Pediu respeito às leis da ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro:
 
"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil".
 
Vigora em Cuba uma monstruosidade chamada “Lei de periculosidade". Prevê a detenção de pessoas que o Estado considere “perigosas”.
 
Para descer ao calabouço, o sujeito não precisa cometer crimes. Basta que a ditadura diga que o camarada, por “perigoso”, pode delinquir.
 
Para Lula, coisa normal. O presidente voltou a condenar os que, em desespero, recorrem à privação alimentar:
 
"Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas”.
 
Como que decidido a desperdiçar a nova oportunidade para tomar distância do túmulo do bom senso, Lula exorbitou.
 
Comparou os presos políticos de Cuba aos bandidos recolhidos ao sistema carcerário paulista: 
 
“Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade".
 
Foi como se Lula cuspisse no caixão do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, igualando-o a um Marcola qualquer.
 
Num rasgo de benevolência, Lula disse que gostaria que a prisão de opositores da ditadura de Cuba "não acontecesse”. Mas...
 
“Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil".
 
Como se vê, no afã de explicar o inexplicável, Lula recorreu ao inadmissível. Antes, soara insensível. Com as novas declarações, converteu-se num alaporado ideológico.
 
É pena que o presidente esteja cercado de assessores que, vítimas da mesma alopragem, concordam com cada palavra pronunciada por ele.
 
Não há no Planalto ninguém capaz de dar ao chefe um conselho útil: Presidente, por favor, traga suas opiniões na coleira.
 
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Os riscos da facilidade em compras na internet
Jornal do Brasil
 
Confirmação em um só clique é tendência perigosa ao consumidor
 
Para comprar na internet há cada vez mais facilidades, com direito a aquisição de produtos com um único clique. Mas o conforto não é o mesmo para cancelar a compra. Entidades de defesa do consumidor lembram que os clientes que adquirirem produtos fora de estabelecimentos comerciais – por telefone ou lojas virtuais – tem até sete dias após a entrega para desistir da negociação. Dessa forma, o dinheiro empenhado deverá ser totalmente devolvido, e o cliente não pode gastar nenhum valor para efetuar a devolução. Mas no caso dos sites, não há uma política clara sobre o assunto. O Submarino, que lançou a opção de comprar a um só clique há 16 dias, não se pronuncia. A saraiva, que inaugurou o serviço esta semana, aconselha, no caso de desistência, o cliente entrar em contato com a empresa – que promete seguir as regras do Procon. 
 
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 E as férias continuam…
Correio Brasiliense
 
No segundo dia letivo, os alunos da UnB receberam o aviso de que ficarão sem aula. Os professores da universidade entraram em greve, como protesto pela suspensão do pagamento de gratificação. Corte no salário segue recomendação do Tribunal de Contas da União, mas está em análise no Supremo Tribunal Federal.
 
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Empresas chegam a dobrar o lucro em ano de retração
Valor Econômico
 
Um olhar rápido sobre os números consolidados de 88 balanços de companhias abertas já divulgados mostra que a crise foi cruel com os setores de aço e minérios em 2009. O negócio das siderúrgicas e mineradoras brasileiras perdeu no ano passado o equivalente à receita líquida de todo o setor de alimentos com capital aberto, perto de R$ 50 bilhões, segundo levantamento do Valor Data.
 
Excluídas as empresas desses dois setores, fica a impressão de que os efeitos da crise foram brandos - a marolinha prevista pelo presidente Lula. O faturamento líquido consolidado das demais companhias aumentou 11,6%, para R$ 341,4 bilhões, e o lucro líquido quase dobrou, chegando a R$ 34,5 bilhões. No total, o conjunto das 88 companhias teve queda de 2,3% no faturamento e de 7,2% no lucro líquido.
 
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Da Agência Brasil
 
Campanha da WWF propõe apagar as luzes por uma hora para repensar impactos do consumo de energia
 
 
Rio de Janeiro - Apagar as lâmpadas por uma hora pode ajudar a combater o aquecimento global. É o que propõe a campanha Hora do Planeta, da organização não governamental (ONG) WWF, lançada na capital fluminense. A ideia é convencer as pessoas a desligarem as luzes no dia 27 de março, entre as 20h30 e 21h30.
 
Essa é a segunda vez que a campanha é realizada no Brasil. Com divulgação na TV e na internet, a estimativa é envolver cerca de 200 cidades. Em 2009, ao lado de 40 mil cidades de 88 países, 113 cidades brasileiras participaram da campanha. Na ocasião, foram apagadas as luzes do Cristo Redentor, no Rio, do Congresso Nacional, em Brasília, e do Teatro Amazonas, em Manaus, por exemplo.
 
Neste ano, ainda não estão confirmados os monumentos que terão as lâmpadas desligadas. No Rio, cidade-sede da campanha, além de apagar as luzes do Cristo e da Praia de Copacabana, como em 2009, a meta é desligar os refletores do Arpoador, da Praia do Leblon e do Monumento aos Pracinhas, na zona sul, e ainda mobilizar os moradores da zona norte, apagando por uma hora as luzes da Igreja da Penha.
 
O objetivo da campanha é estimular a reflexão sobre os impactos do consumo de energia e sobre formas de geração de eletricidade que agridam menos o meio ambiente, afirma o presidente do Conselho Diretor da WWF, Álvaro de Souza.
 
"Essa não é uma campanha para poupar energia. O importante é a conscientização sobre a construção de uma matriz energética mais limpa."
 
De acordo com o diretor, embora o desmatamento provocado pela construção de hidrelétricas também se reflita na emissão de gases causadores do efeito estufa, as usinas abastecidas pela queima de combustível fóssil, como ocorre na China, poluem mais. O representante da WWF lembra também que as nucleares deixam um passivo ambiental ainda sem solução para o planeta: o lixo contaminado.
 
"Todas as opções [de geração de energia] têm um preço. Todas têm uma pegada ecológica. A parte hidrelétrica, como no caso do Brasil, têm uma pegada mais tênue, o grande lance é o alagamento de grandes áreas para construção de lagos que, evidentemente, causam um desequilíbrio", afirmou.
 
A campanha Hora do Planeta começou na Austrália em 2007 e se estendeu pelo mundo. No ano passado, ícones de destaque foram desligados nas principais capitais para chamar atenção para o avanço do aquecimento global. Entre eles, a Torre Eiffel, em Paris, o Coliseu, em Roma e a Times Square, em Nova York.
 
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Resultado da segunda etapa do ProUni já está disponível
 
 
Brasília - O resultado da segunda etapa de inscrições no Programa Universidade para Todos (ProUni) já está disponível no site do Ministério da Educação (MEC). Mais de 355 mil estudantes se inscreveram para disputar as 85 mil bolsas oferecidas. 
 
Para saber se foi aceito, o aluno deve acessar o link do ProUni e, em seguida, informar o número de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o número no Cadastro de Pessoa Física (CPF). 
 
Os estudantes pré-selecionados têm até a próxima sexta-feira (12) para comparecer às instituições para a qual foram selecionados a fim de comprovar as informações prestadas durante as inscrições. 
 
Do total de bolsas oferecidas nesta segunda chamada, 34.661 são integrais e 50.495, parciais. As integrais foram reservadas a estudantes com renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 765) por pessoa. As parciais, que custeiam 50% da mensalidade, foram pleiteadas por candidatos com renda familiar de até três salários mínimos (R$ 1.530) per capita. 
 
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Feira de intercâmbio internacional reunirá no Rio escolas de dez países
 
 
Rio de Janeiro - O Salão do Estudante, uma das maiores feiras de intercâmbio educacional do país, realizará sua décima sétima edição nesta sexta-feira (12), no Rio de Janeiro. O evento reunirá escolas, cursos de idiomas e universidades de dez países, além de agências de intercâmbio, com o objetivo de aproximar o jovem brasileiro das instituições estrangeiras.
 
Na feira, o aluno poderá conversar com representantes das escolas estrangeiras, entregar seu currículo e até aproveitar para fazer matrícula nessas instituições. Os estudantes que visitarem a feira, no Hotel Sofitel, em Copacabana, poderão conhecer escolas dos Estados Unidos, da Inglaterra, Alemanha, do Canadá, da Irlanda, Espanha, Suíça, Holanda, do Japão e da Austrália. 
 
“Quando o estudante vai à agência de viagens, o agente até vai passar as informações sobre o curso no exterior. Mas a chance de falar diretamente com um representante da escola é uma oportunidade diferenciada", disse a gerente do Salão do Estudante, Luhana Madeira.
 
O salão está sendo realizado em várias cidades brasileiras. São Paulo recebeu o primeiro e maior evento, entre os dias 6 e 7 de março, que reuniu 86 instituições estrangeiras de 20 países. Cerca de 18 mil estudantes foram ao salão paulista.
 
Depois do Rio de Janeiro, o Salão do Estudante passará pelas cidades de Curitiba (dia 14), Porto Alegre (16) e Florianópolis (18). As informações sobre a feira poderão ser obtidas no endereço www.salaodoestudante.com.br.
 
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Feira de invenções quer motivar o interesse dos jovens pela ciência 
 
São Paulo – Preocupado com o futuro, quando poderá haver falta dos metais utilizados nos cabos dos sistemas de transmissão de dados, o estudante Octávio Augusto Gomes desenvolveu um modelo que envia informações por meio da luz.
 
Elaborado durante o último ano do ensino médio, o protótipo faz as informações contidas em um aparelho de MP3 viajarem por um feixo de laser até um receptor que decodifica a mensagem e envia para um computador. “Esse sistema poderia substituir os fios que utilizam metais que no futuro podem ser escassos”, disse o estudante.
 
O projeto é um dos 280 finalistas da 8ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). Promovida pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A feira pretende dar visibilidade para estudantes como Octávio Augusto, na expectativa que o exemplo repercuta e desperte o interesse dos jovens pela ciência.
 
“Assim como a gente tem um campinho de futebol em cada esquina do país, se a gente quer ter muitos cientistas e tecnologistas desenvolvendo soluções para o Brasil, a gente precisa fazer a mesma coisa com a ciência. Ter centros de ciência, estimular os clubes de ciência e desenvolver projetos dentro das escolas”, afirmou a coordenadora-geral da Febrace, Roseli de Deus Lopes.
 
Segundo ela, a iniciativa está crescendo e já conta com finalistas de todas as unidades federativas, enquanto na primeira edição apenas 93 projetos de 13 estados concorreram à premiação. O evento é para os estudantes que ainda não ingressaram no ensino superior.
 
Os ganhadores deste ano receberão medalhas e certificados, e os que mais se destacarem poderão participar da Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel (Isef), realizada anualmente nos Estados Unidos.
 
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Ciência
Aranha cria 'clone' de si mesma para despistar predadores
Matt Walker, da BBC Earth News
 
Cientistas em Taiwan descobriram uma espécie de aranha que cria um "clone" de si mesma para despistar seus predadores.
 
Em artigo publicado na revista especializada Animal Behaviour, os biólogos Ling Tseng e I-Min Tso, da Universidade de Tunghai, afirmam ainda que este pode ser o primeiro exemplo de um animal capaz de construir uma réplica em tamanho natural de seu próprio corpo. 
 
Segundo eles, o comportamento da espécie, chamada Cyclosa mulmeinensis, também ajuda a esclarecer por que muitos aracnídeos gostam de decorar suas teias com ornamentos estranhos, como partes de plantas, dejetos e restos de presas e de ovos. 
 
Como esses detritos geralmente têm as mesmas cores das aranhas, os cientistas suspeitam que eles ajudem a camuflar a aranha.
 
'Iscas'
 
Tseng e Tso observaram, em uma ilha na costa de Taiwan, que a Cyclosa mulmeinensis não apenas decorava sua teia, como também juntava os detritos para compor objetos de seu próprio tamanho. 
 
Segundo os cientistas, esses "dublês" atraíam os predadores - em geral, vespas - por também terem a mesma cor e a mesma maneira de refletir a luz que as verdadeiras aranhas.
 
"Nossos resultados mostram que esta espécie vulnerável de aranha se protege de ataques de predadores, construindo iscas que os atraem mais do que ela própria", escreveram os pesquisadores em seu artigo.
 
Eles afirmam que em teias não decoradas, as vespas atacavam diretamente as aranhas.
 
Mistério
 
Há mais de cem anos, cientistas vêm tentando entender por que muitas espécies de aranhas decoram suas teias.
 
Mas para Tso, não há uma só resposta.
 
"Creio que a função da decoração varia entre as espécies", disse o cientista à BBC, citando como exemplo as teias decoradas com seda, que têm por objetivo reforçar a trama e impedir que ela seja destruída. Outras teias são decoradas para atrair e deter presas.
 
O disfarce é um recurso muito usado por vários animais.
 
Alguns tentam evitar serem vistos usando a camuflagem para se "misturar" a seu habitat, como as mariposas. Outros, como as lagartixas, desenvolvem artefatos mais sofisticados, como o de conseguir se soltar se sua cauda por pega.
 
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Ano do tigre
 
Wilhelm Hofmeister, no Estadão
 
Gong xi fa cai (feliz ano-novo chinês). Em toda parte do Leste e Sudeste da Ásia se comemora nestas semanas o início do novo ano. De acordo com o calendário lunar, no dia 14 fevereiro começou o "ano do tigre". Depois da crise e do mau humor do ano passado, espera-se uma nova dinâmica. Porque o tigre encarna a força, a coragem e a capacidade de superar situações difíceis, ele é reverenciado em muitos países asiáticos como símbolo nacional: na Índia, em Bangladesh e Mianmar, na Indonésia, Malásia e Coreia.
 
Agora seria o momento para montar o tigre. Esse conselho não é somente dado pelos mestres de Feng Shui, que nestas semanas em muitos lugares são procurados por seus conselhos e previsões. Os executivos de fundos de investimentos também enfatizam que seria o momento justo para investir em valores asiáticos. Assim expressam a confiança em que os fundamentos das economias asiáticas são atualmente melhores do que em outras partes do mundo. Além disso, uma recuperação da economia global só traria mais vantagens para as bolsas de valores e os mercados asiáticos.
 
Especialmente na China, falaram, por ocasião das comemorações do ano-novo, que neste ano do tigre a economia do país "voltará a rugir". Sem dúvida, o último ano e meio fortaleceu o perfil e a autoconfiança do país. Depois que contribuiu decisivamente para superar a crise internacional de 2009, a China, segundo alguns comentários na imprensa do país, deve em breve se tornar um "tigre real". Mesmo em 2009 o país alcançou uma taxa de crescimento de 8,7%. Embora as exportações tenham diminuído 16%, pela primeira vez ela ultrapassou a Alemanha como o maior país exportador. Cortes fiscais e subsídios ajudaram a que ele tenha se tornado o maior mercado de automóveis do mundo. Agora, a próxima meta é ultrapassar o Japão como a segunda economia mundial. O presidente Hu Jintao, motivado pelo ano-novo, chamou toda a nação a fazer esforços especiais para avançar nos ajustes para que o crescimento sustentável e o desenvolvimento social possam ser permanentemente garantidos.
 
A nova autoconfiança chinesa é demonstrada não só na área da economia, mas também no palco da política internacional. Isso os líderes de Pequim deixaram claro em várias oportunidades, nas últimas semanas - especialmente em controvérsias com os EUA. O anúncio feito por Washington de vender armas a Taiwan no valor de US$ 6,4 bilhões tem sido criticado por Pequim tão fervorosamente como a recepção do Dalai Lama pelo presidente Barack Obama na Casa Branca. Parece que para ressaltar que a crítica estrangeira à situação política interna não tem efeito algum, no dia 11 fevereiro foi confirmada a condenação do professor de literatura Liu Xiaobo a 11 anos de prisão por "subversão". Liu Xiaobo, um dos mais conhecidos dissidentes de hoje, exige o respeito aos direitos humanos e a democracia em seu país. O presidente Obama havia intercedido pela liberação de Liu durante sua visita a Pequim, em novembro do ano passado. A condenação desse dissidente deve ser entendida como uma demonstração dos dirigentes chineses de que não aceitam "interferência externa" em matéria de direitos humanos. Além disso, atualmente a China não aparece disposta a um entendimento com os EUA e os europeus na questão das sanções contra o Irã por sua política nuclear. Anteriormente, em Copenhague havia negado concessões nas negociações sobre um acordo climático.
 
Com esse comportamento teimoso, os dirigentes chineses às vezes irritam os seus vizinhos e parceiros que esperam que o país, com o aumento do seu peso econômico, também aceite maior responsabilidade no sistema internacional. Mas Pequim, acima de tudo, está buscando seus próprios interesses em favor de seu desenvolvimento nacional. Não se trata de impor a sua vontade aos outros. A China não é imperialista. Mas é egoísta. Na perseguição de seus interesses, respeita os regimes internacionais somente quando parecem úteis a seus próprios fins. Mas ainda não mostra plena conformidade ou aceitação dos valores e normas fundamentais dos regimes que organizam a ordem e a convivência internacional. Isso é válido tanto no que se refere aos direitos humanos como às regras do comércio ou do sistema financeiro internacional.
 
Mesmo se a China, no ano do tigre, continuar a ganhar força, sua influência e suas ambições terão limites. Por um lado, estes são marcados pelas consequências do progresso econômico para a própria sociedade e seu sistema político. Os conflitos no interior da China durante o ano passado deram uma amostra das tensões sociais provocadas pelo processo de modernização. O rápido desenvolvimento econômico tem levado a um grau de injustiça que muitas pessoas não querem aceitar. Por isso muitos observadores esperam que nos próximos anos aumente a demanda social em prol de uma reforma política, com a abertura de espaços participativos e a exigência de transparência, previsibilidade e respeito às regras de um Estado de Direito. Por outro lado, o governo chinês, nas suas relações externas, tem de fazer esforços significativos para ganhar a confiança dos seus vizinhos asiáticos. A presença da China na Ásia cresceu consideravelmente. Mas, enquanto a sua contribuição para a segurança e a estabilidade da região não fica evidente, os vizinhos preferem confiar no provedor tradicional de segurança, os EUA.
 
Apesar do otimismo destas últimas semanas na Ásia, e especialmente na China, os mestres de Feng Shui experientes advertem contra a arrogância. Lembram que no ano do tigre as pessoas tendem a ter reações de sangue quente e provocar conflitos. Talvez isso explique algumas das reações e declarações do governo chinês durante as últimas semanas. 
 
O tigre rugiu. Domesticá-lo não será uma tarefa fácil. 
 
Wilhelm Hofmeister é diretor do Centro de Estudos da Fundação Konrad Adenauer em Cingapura 
 
 

 

 
Brasileiros começam a buscar cursos universitários na África do Sul
Número de brasileiros é pequeno em comparação a Europa e EUA. 
Cursos de medicina e ciências sociais são referência.
 
Marta Reis, especial para o G1, de Joanesburgo 
 
Quando resolveu fazer um curso de inglês no exterior, a administradora de empresas Cynthia Ruth, de 25 anos, não teve dúvidas de que iria para África do Sul. Além de ser um destino bastante atraente financeiramente - um real vale cerca de quatro rands -, de ter o apelo da Copa do Mundo, pesou também o fato de “a África do Sul ser um lugar exótico”, segundo ela. Os mesmos motivos têm seduzido um número crescente de brasileiros, que em geral vão para a Cidade do Cabo, onde estão concentradas a maioria dos cursos de idiomas e as melhores universidades. 
 
Ainda assim, a quantidade de brasileiros que procuram o país para estudar é pequena se comparada a outros destinos como Austrália, Estados Unidos e Europa. Na Universidade da Cidade do Cabo, por exemplo, do total de 4,5 mil alunos, estudam apenas 18 brasileiros. 
 
"Com toda a divulgação em torno da Copa, a procura aumentou, mas ainda não é grande para cursos de seis meses como o meu. A maioria vem fazer turismo e acaba emendando um curso de inglês de um ou dois meses", explica a administradora paulista.
 
No universo acadêmico a África do Sul ainda não despontou na preferência dos brasileiros. Há poucos estudantes fazendo pós-graduação ou pesquisa, e uma quantidade ainda menor nos cursos de graduação.
 
De acordo com o gaúcho Fernando Beltrami, que faz seu mestrado em Ciências do Esporte na Universidade da Cidade do Cabo - a melhor do país e ranqueada entre as 300 melhores do mundo - falta conhecimento e sobra preconceito por parte dos brasileiros.
 
"Acho que o máximo de brasileiros aqui na universidade foram três, dificilmente passa disso", conta o estudante que é formado em Educação Física. "Em qualquer universidade americana ou inglesa chovem brasileiros querendo se jogar lá dentro, mas ir para uma africana soa até como piada para os mais desinformados." 
 
No país desde janeiro do ano passado, ele próprio admite ter vindo para a África do Sul mais porque o lugar lhe abriu portas do que por algum interesse acadêmico específico. Mas disse que se surpreendeu com o que encontrou.
 
"As universidades aqui são referência em várias áreas como medicina, ciências sociais e fisiologia do exercício, que é o que estudo", destaca Beltrami. "Boa parte desta excelência é herança do Apartheid, quando muitos brancos sul-africanos estudaram em universidades inglesas ou americanas e trouxeram o conhecimento para cá." 
 
Ciências sociais é campo promissor no país 
Na área médica, a África do Sul foi o primeiro país a realizar um transplante de coração em humanos, em 1967, pelo cirurgião Chistiaan Barnard. O curso de turismo também é muito forte, já que o setor representa a segunda maior indústria nacional, depois da mineração.
 
Outro campo que vem ganhando importância é o de ciências sociais. O que se justifica pelo fato de a África do Sul ser um país complexo, que há menos de 20 anos deu fim ao Apartheid, e por isso com muitas questões sociais e raciais a serem discutidas.
 
Foi exatamente isso que atraiu o doutorando Gustavo Gomes, cuja pesquisa busca comparar o reconhecimento legal da união civil de pessoas do mesmo sexo na África do Sul e no Brasil. Segundo ele, o país africano é o único do hemisfério sul a ter uma lei nacional que reconhece o casamento entre homossexuais.
 
"É um país bom para pensar; repleto de contradições e curiosidades ainda pouco exploradas. Por exemplo, é um lugar super preconceituoso, mas que ao mesmo tempo tem uma lei que protege a união dos homossexuais. É um lugar fascinante para se fazer pesquisas, eu recomendo", elogia o paulista. 
 
Segundo Gustavo, o país tem bibliotecas e arquivos bastante organizados, o que facilita o trabalho do pesquisador. Outras vantagens são as facilidades de ter o currículo brasileiro reconhecido pelas universidades sul-africanas e para tirar o visto de estudante. 
 
"Isso sem falar da hospitalidade do povo sul-africano. Fui muito bem recebido e amparado", completa. 
 
África do Sul tem graduação em Gênero 
As universidades sul-africanas também dão bastante destaque ao estudo da relação entre homens e mulheres. A Universidade da Cidade do Cabo oferece uma graduação em Gênero. O campo é importante porque culturas de diversas etnias estão centradas na figura masculina. No povo zulu, por exemplo, apenas os homens podem ser polígamos. 
 
Outra graduação curiosa é em Desenvolvimento Social, que estuda a gestão de Ongs e mecanismos de política social. Há também o curso em Orçamento de Engenharia, em que o universitário se especializa em calcular o custo e a qualidade dos materiais usados na construção civil. 
 
Apesar da variedade de opções, quem quiser fazer um curso de inglês ou graduação na África do Sul deve esperar a Copa terminar, porque os preços, principalmente do aluguel de quartos e residências estudantis, estão subindo por causa do Mundial. 
 
- Eu não estarei aqui durante a Copa, mas já estou pagando o preço por ela. Moro perto do estádio Green Point e já fui avisada que o aluguel vai aumentar. Se não fosse por isso, poderia até ficar mais tempo – reclama Cynthia.
 
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Recém-chegada ao país, universidade internacional recebe inscrições até sexta
Seleção dos alunos é feita com base no histórico escolar.
Aulas são ministradas em inglês e conclusão do curso ocorre na Austrália.
 
Do G1, em São Paulo 
 
Novata no país, a Australia International Business School (AIBS) está com inscrições abertas para seu processo seletivo até esta sexta-feira (12). A universidade oferece cursos superiores em administração de empresas e gerenciamento em turismo e hotelaria.
 
Os candidatos não participam de vestibular. A seleção é feita a partir de avaliação do histórico escolar e domínio da língua inglesa - já que as aulas são ministradas no idioma. Se não trouxer um certificado internacional (TOEFL ou IELTS), será avaliado pela própria universidade.
 
Os cursos podem ser concluídos em até três anos, sendo um ano e meio de aulas dadas no Brasil e o restante na Austrália. A AIBS faz parte do Melior Education Group, de ensino privado, presente em diversos países da Ásia e Oceania. Entre eles Austrália, China, Índia, Tailândia, Vietnã e Singapura. 
 
Serviço: 
Taxa de inscrição: R$ 120,00 
Mais informações: (11) 2364-3888 ou www.aibs.com.br
 
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Universidades planejam criação de método para avaliar o Enem
Do Terra Educação
 
Com a ideia de ampliar o debate sobre os objetivos políticos e pedagógicos da prova que ainda não conta com uma forma de avaliação, a Universidade de Brasília se une a outras federais do país para montar uma metodologia de avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A primeira reunião para debater o método de avaliação ocorreu nesta sexta-feira, na sede da Associação Nacional das Instituições de Ensino Superior (Andifes). 
 
De acordo com o presidente da entidade, Alan Barbiero, o grupo pretende focar na parte técnica, que vai desde a inscrição do candidato, passando pelo conteúdo das questões e o modelo de correção.
 
Ano passado, o MEC apresentou uma proposta de unificar os processos seletivos para o ensino superior por meio da nota do Enem. Ao todo, 51 universidades adotam o teste do Ministério da Educação (MEC), em diferentes níveis, como uma forma de substituir ou complementar o vestibular tradicional.
 
O vice-reitor da UnB, João Batista de Sousa, acredita que qualificar a aplicação da prova legitimará o Enem enquanto ferramenta de democratização do acesso às universidade públicas.
 
No Enem de 2009, que teve o recorde de 4 milhões de inscritos, 25 universidades substituíram o vestibular pelo exame. Entre elas, as federais da Bahia (UFBA), do Tocantins, (TO) e de Pelotas (UFPEL). Outras seis adotaram o exame para complementar à nota, como, por exemplo, Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), que deu peso de 50% ao teste do governo federal na menção final. A UnB deve integrar o Enem ao processo seletivo a partir de 2011.
 
Dois pontos se destacam na proposta do MEC de avaliação unificada. Primeiro, o Enem enquanto "vestibular" acabaria com o favorecimento financeiro dos candidatos que podem pagar as taxas de inscrição ou viajar para fazer provas em diferentes estados. Segundo, o exame estreitaria as relações entre diretrizes curriculares dos ensinos médio e o superior. Dados do governo federal revelam que 70% dos estudantes buscam o Enem para ter o acesso à universidade.
 
Apesar dos avanços, o professor João Batista destaca a necessidade de manter a autonomia das universidades em relação à escolha da forma de integrar o Enem ao vestibular. A próxima reunião do grupo de reitores será em 24 de março, na sede da Andifes. 
 
Com informações da Agência UnB 
 
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Gastos de publicidade na internet superam mídia impressa nos EUA
Agência AFP, no JB Online
 
 
NOVA YORK - Este ano, as empresas americanas investirão pela primeira vez a maior parte de seu orçamento de publicidade na internet em contraponto à mídia impressa, indica um estudo da empresa especializada Outsell, divulgado nesta segunda-feira.
 
A publicidade na internet representará um total de 119,6 bilhões de dólares em 2010, contra 111,5 bilhões na mídia impresa, segundo a Outsell.
 
No total, os orçamentos para a publicidade americanos devem aumentar 1,2% em 2010, a 368 bilhões de dólares.
 
No que diz respeito à publicidade na internet, a Outsell acredita que 52,8% serão desenvolvidos nos próprios sites das empresas, que "são utilizados para marketing direto".
 
A mídia mais afetada será a imprensa escrita, com uma queda de 8,2%, a 27 bilhões de dólares. As revistas, entretanto, terão uma leve alta, de 1,9%, a 9,4 bilhões. 
 
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Plantas de obras públicas servirão de material didático para alunos de arquitetura e engenharia
 
Órgãos públicos de todos os níveis de governo terão que manter em arquivo plantas e orçamentos, entre outros dados, de obras que tenham executado. A medida está prevista em projeto (PLC 166/08) que será examinado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) nesta quarta-feira (10). O objetivo é garantir a professores e alunos de arquitetura e engenharia acesso total e gratuito às informações, quando entenderem que as obras sejam de especial interesse para sua formação técnica e cultural.
 
Da Agência Senado
 
O texto veio da Câmara dos Deputados, onde foi apresentado pelo deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) como uma contribuição à formação de arquitetos e engenheiros. O relator na CAE, senador César Borges (PR-BA), considerou meritória a proposta e recomendou sua aprovação. Conforme o senador, além do aspecto pedagógico, o acesso aos dados pode ainda favorecer outro propósito: maior controle e fiscalização das obras públicas por parte da sociedade, aumentando a transparência sobre essas atividades.
 
Nascido de uma sugestão do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o projeto dispensa a guarda de informações sobre obras consideradas de simples manutenção ou de reformas de pequeno porte. Quanto às demais, devem ser mantidos os originais ou cópias dos estudos de viabilidade, projetos básicos e executivos - inclusive as plantas e desenhos, especificações, memoriais descritivos, memoriais de cálculo de estruturas e de instalações e os orçamentos. Quando houver estudos ambientais, uma cópia do relatório de impacto também será arquivada.
 
Os custos das cópias serão cobertos pelo próprio órgão púbico acionado por alunos e professores, desde que estes sejam vinculados a instituições públicas de ensino e pesquisa. As informações cedidas a essas instituições passam automaticamente a constituir um acervo acessível ao público em geral. Fora desse critério, o acesso público ficará a critério do órgão responsável.
 
Um dos artigos estabelece prazo máximo de noventa dias para a disponibilização dos dados, a partir da apresentação das propostas, quando se tratar de informações do processo de licitação. Quanto aos demais, valerá os mesmos 90 dias contados a partir da finalização da obra. 
 
Após a deliberação da CAE, a proposta seguirá para exame na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
 
 
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Na Folha de São Paulo do dia 04 deste mês, os reporteres Laura Capriglione e Lucaz Ferraz deturparam, de forma um tanto vil e mesquinha, uma intervenção do Senador Demóstenes Torres. Veja aqui a reportagem dos ditos cujos:
 
DEM corresponsabiliza negros pela escravidão 
LAURA CAPRIGLIONE e LUCAS FERRAZ da Folha de S.Paulo, em Brasília 
 
Para uma discussão que sempre convoca emoções e discursos inflamados, como é a das cotas raciais ou reserva de vagas nas universidades públicas para negros, a audiência pública que se iniciou ontem (3) no Supremo Tribunal Federal transcorreu em calma na maior parte do tempo. Até que um óóóóóóó atravessou a sala. Quem falava, então, era o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que se esforçava para demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos. 
 
Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: "Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (...) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana." 
 
Sobre a miscigenação: "Nós temos uma história tão bonita de miscigenação... [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual." 
 
As referências à história "tão bonita" da miscigenação brasileira, ao negro traficante de mão de obra negra, o democrata usou para argumentar contra as cotas raciais, já adotadas em 68 instituições de ensino superior em todo o país, estaduais e federais. Desde 2003, cerca de 52 mil alunos já se formaram tendo ingressado na faculdade como cotistas. 
 
O partido de Demóstenes considera que as cotas raciais são inconstitucionais porque, ao reservar vagas para negros e afrodescendentes, contrariariam o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular. 
 
Na condição de relator de dois processos sobre o tema (também há um recurso extraordinário interposto por um candidato que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas adotado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, decidiu convocar a audiência pública, que se estenderá até sexta-feira, com intervenções pró e anticotas. 
 
A audiência pública é uma forma de as partes interessadas levarem seus pontos de vista ao STF. Segundo Lewandowski, o assunto será votado ainda neste ano. Se considerar que as cotas ferem preceito fundamental, acaba essa modalidade de ingresso no sistema universitário. Se considerar que são ok, a decisão sobre adotar ou não uma política de cotas continuará a ser dos conselhos universitários. 
 
No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes. 
 
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 E na Folha de hoje, Demétrio Magnoli, através do artigo "O jornalismo delinquente" trata de colocar os pingos nos is. Está aqui:
 
 As pessoas, inclusive os jornalistas, podem ser contrárias ou favoráveis à introdução de leis raciais no ordenamento constitucional brasileiro. Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta Folha sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz (”DEM corresponsabiliza negros pela escravidão”, Cotidiano, 4/3).
 
A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.
 
O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram “africanos” por “negros”, convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.
 
Não: ninguém disse que a “raça negra” carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à “raça branca” a responsabilidade pela escravidão.
 
Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.
 
Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.
 
O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.
 
O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres (”África não organizou tráfico, diz historiador”), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que “toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais”.
 
Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.
 
Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: “Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor”. Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: “Negros corresponsabilizam negros pela escravidão”.
O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.
 
No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º. Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que “o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza”.
 
Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. “Não discutimos a escravidão”, afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”.
 
Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais.